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março 2014, Carta Maiorhttp://www.cartamaior.com.br (Brasil)
Morales
transformou exitosamente cada uma de suas medidas em atos de refundação. Seu
projeto de reeleição dará continuidade a várias medidas de impacto.
Uma
pesquisa publicada recentemente deu a Evo Morales mais de 45% das intenções de
voto e 32 pontos de diferença com seu concorrente mais próximo para as eleições
do final deste ano, o político e empresário Samuel Doria Medina. Como as
populações rurais não estão inclusas neste tipo de pesquisa, estima-se que
poderia ampliar essa porcentagem e superar os 50%. Inclusive, mesmo se isso não
acontecesse, já ganharia, segundo a lei boliviana, no primeiro turno. Mas a que
se deve, em seu oitavo ano de governo, o fato de o “primeiro presidente
indígena” colher tais resultados em um país conhecido pela instabilidade
política e onde, em 17 de outubro de 2003, o então presidente –Gonzalo Sánchez
de Lozada– precisou abandonar apressadamente o poder e fugir de helicóptero,
primeiro a Santa Cruz e, mais tarde, para os EUA? Sem dúvidas, a resposta
reside em dois planos: o econômico e o político simbólico.
Morales conta com recursos públicos com os que nenhum de seus antecessores se atreveu sequer a sonhar graças ao “vento da cola”, mas também a uma política econômica que combinou nacionalização de hidrocarbonetos, aumento dos impostos para as petroleiras e uma gestão macroeconômica cuidadosa dos equilíbrios fiscais que lhe permitiu acumular reservas recorde: quase 15 bilhões de dólares, equivalente a mais de 50% do PIB (porcentualmente uma das mais altas do mundo). Isto lhe dá, sem dúvidas, uma grande blindagem,