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quarta-feira, 24 de junho de 2015

BRICS, БРИКС, Rússia/OS CÃES DAS SANÇÕES E DO MEDO OCIDENTAL LADRAM, ENQUANTO A CARAVANA EURASIANA PASSA

22 junho 2015, Carta Maior cartamaior.com.br (Brasil)

Milhares de líderes de empresas globais -- nenhum norte-americano -- se reuniram 19ª edição do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo.

Pepe Escobar

Nenhumcaravanseraipoderá jamais competir com a 19ª edição do Fórum Econômico Internacional de São Petersburgo[St. Petersburg International Economic Forum (SPIEF)]. Milhares de líderes de empresas globais – inclusive europeus, mas nenhum norte-americano; afinal, o presidente Putin seria “o neo-Hitler” – representando mais de mil empresas/corporações internacionais, inclusive os presidentes da British Petroleum, da Shell Holandesa e da Total, chegaram à cidade em grande estilo.

Por todos os lados, painéis fascinantes – incluindo sessões sobre os BRICs; a Organização de Cooperação de Xangai (OCX); a(s) Nova(s) Rota(s) da Seda; a União Econômica Eurasiana (UEE); e, claro, o tema de todos os temas, “A Formação [orig. making] do Século Pacífico-Asiático: Reequilibrar o Leste”, em que falou o Primeiro-Ministro australiano, Kevin Rudd.

Como se podia prever, houve muito suspense sobre o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICs, com grandes novidades a serem divulgadas na Cúpula dos BRICS, mês que vem, em Ufa. O brasileiro Paulo Nogueira Batista, novo vice-presidente do banco, espera entusiasmado a primeira reunião dos diretores.

E noutro tema chave – deixando de lado o dólar norte-americano – coube a Anatoliy Aksakov, presidente da Comissão Parlamentar do Parlamento Russo para Política Econômica, Desenvolvimento Inovador e Empreendedorismo, chegar logo ao que interessa:

Precisamos completar a transição, até fazermos todos os nossos pagamentos recíprocos em moedas nacionais, e acreditamos que já se encontram preparadas todas as condições para

sábado, 31 de janeiro de 2015

BRICS, БРИКС/RÚSSIA CANSOU-SE DE ESPERAR QUE O OCIDENTE CONTENHA KIEV

25 janeiro 2015, Redecastorphoto http://redecastorphoto.blogspot.com (Brasil)

Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

Alexander Mercouris*, Rússia Insider

Houve muitos dias importantes no conflito ucraniano, mas é possível que 23/1/2015 revele-se um dos mais importantes. Nesse dia, reuniu-se o Conselho de Segurança da Federação Russa. É o principal corpo do qual emanam decisões nos campos de política exterior, defesa e segurança. E as reuniões do CSR são presididas pelo Presidente e Comandante-em-Chefe, Vladimir Putin.

Não há transcrição do que foi dito. O que se sabe é que

domingo, 25 de janeiro de 2015

LA MULTINACIONAL CHEVRON GANA EL PREMIO A LA “VERGÜENZA SUPERLATIVA”

23 enero 2015, ALAI América Latina en Movimiento http://alainet.org

En el marco del Foro Económico Mundial de Davos


La Declaración de Berna y Greenpeace otorgaron hoy a Chevron el “Premio a la vergüenza superlativa”. Los 64 mil votantes vía Internet eligieron al gigante petrolero norteamericano como peor empresa del planeta, responsable, entre otros, del desastre ecológico en la selva virgen del norte de Ecuador.

Este premio acordado la tarde del viernes 23 de enero en la ciudad alpina helvética, es el de la despedida del “Ojo Público”, luego de tres lustros de existencia. La mirada ciudadana, crítica contra el poder económico y político mundial, considera que ese Foro no representa ya el lugar más de adecuado, ni el premio el método más efectivo de denuncia.

A partir de mayo próximo, las organizaciones que promovieron hasta ahora el “Ojo Público”, se lanzarán con otras 50 asociaciones de desarrollo, ecológicas, ambientales, de derechos humanos y sindicales, a una campaña política a favor de la Iniciativa Popular “Por multinacionales responsables”.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Lula para Davos: Brasil será ator permanente no cenário do novo mundo



O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, recebe das mãos do ex-secretário geral das Nações Unidas Kofi Annan o prêmio de "Estadista Global" conferido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça

29 janeiro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Em discurso lido esta manhã pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, em Davos, na Suíça, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva agradeceu o prêmio de Estadista Global, concedido pelo Fórum Mundial, e lembrou que ''um outro mundo é possível''.

- Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida. Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando, mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado - enfatizou o discurso de Lula.

O presidente lembrou ainda que o prêmio aumenta a responsabilidade dele como governante e a responsabilidade do Brasil como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial.

- Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado. O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo - ressaltou.

- O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo. O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional, mesmo para os que não gostam de mudanças - prosseguiu Lula.

- O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos. Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical - acrescentou.

- No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos. Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações. E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política - recordou Lula.

O presidente foi enfático ao lembrar que o Brasil fez a sua parte: ''Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu''.

A seguir, Lula fez uma pergunta: 'O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?

E respondeu: 'Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil. Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta'.

- Podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza? Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente? Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral? - indagou mais uma vez.

- Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos. E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo. Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora. E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar - criticou.

E Lula pergunta também quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude. - Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto? Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta? - acrescentou.

Em uma referência à tragédia no Haiti, Lula também pergunta: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?

- Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos. Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas - criticou.

O presidente brasileiro também deu a receita para o desenvolvimento. - A melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra a crise. Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre - afirmou.

Na conclusão do discurso, Lula enfatizou que está na hora do mundo recuperar sua capacidade de criar e sonhar.

- É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar. Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade. Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde. Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos. E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade - concluiu.

ÍNTEGRA DO DISCURSO DE LULA LIDO POR CELSO AMORIM EM DAVOS

Em repouso após passar por uma crise de hipertensão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, leu o discurso de Lula na cerimônia de entrega do prêmio "Estadista Global". O discurso descreve os avanços obtidos pelo Brasil nos últimos anos em várias áreas.

Leia abaixo a íntegra do discurso.

"Minhas senhoras e meus senhores,
Em primeiro lugar, agradeço o prêmio "Estadista Global" que vocês estão me concedendo.

Nos últimos meses, tenho recebido alguns dos prêmios e títulos mais importantes da minha vida.

Com toda sinceridade, sei que não é exatamente a mim que estão premiando - mas ao Brasil e ao esforço do povo brasileiro. Isso me deixa ainda mais feliz e honrado.

Recebo este prêmio, portanto, em nome do Brasil e do povo do meu país. Este prêmio nos alegra, mas, especialmente, nos alerta para a grande responsabilidade que temos.

Ele aumenta minha responsabilidade como governante, e a responsabilidade do meu país como ator cada vez mais ativo e presente no cenário mundial.

Tenho visto, em várias publicações internacionais, que o Brasil está na moda. Permitam-me dizer que se trata de um termo simpático, porém inapropriado.

O modismo é coisa fugaz, passageira. E o Brasil quer e será ator permanente no cenário do novo mundo.

O Brasil, porém, não quer ser um destaque novo em um mundo velho. A voz brasileira quer proclamar, em alto e bom som, que é possível construir um mundo novo.

O Brasil quer ajudar a construir este novo mundo, que todos nós sabemos, não apenas é possível, mas dramaticamente necessário, como ficou claro, na recente crise financeira internacional – mesmo para os que não gostam de mudanças.

Meus senhores e minhas senhoras,

O olhar do mundo hoje, para o Brasil, é muito diferente daquele, de sete anos atrás, quando estive pela primeira vez em Davos.

Naquela época, sentíamos que o mundo nos olhava mais com dúvida do que esperança. O mundo temia pelo futuro do Brasil, porque não sabia o rumo exato que nosso país tomaria sob a liderança de um operário, sem diploma universitário, nascido politicamente no seio da esquerda sindical.

Meu olhar para o mundo, na época, era o contrário do que o mundo tinha para o Brasil. Eu acreditava, que assim como o Brasil estava mudando, o mundo também pudesse mudar.

No meu discurso de 2003, eu disse, aqui em Davos, que o Brasil iria trabalhar para reduzir as disparidades econômicas e sociais, aprofundar a democracia política, garantir as liberdades públicas e promover, ativamente, os direitos humanos.

Iria, ao mesmo tempo, lutar para acabar sua dependência das instituições internacionais de crédito e buscar uma inserção mais ativa e soberana na comunidade das nações.

Frisei, entre outras coisas, a necessidade de construção de uma nova ordem econômica internacional, mais justa e democrática.

E comentei que a construção desta nova ordem não seria apenas um ato de generosidade, mas, principalmente, uma atitude de inteligência política.

Ponderei ainda que a paz não era só um objetivo moral, mas um imperativo de racionalidade. E que não bastava apenas proclamar os valores do humanismo. Era necessário fazer com que eles prevalecessem, verdadeiramente, nas relações entre os países e os povos.

Sete anos depois, eu posso olhar nos olhos de cada um de vocês – e, mais que isso, nos olhos do meu povo – e dizer que o Brasil, mesmo com todas as dificuldades, fez a sua parte. Fez o que prometeu.

Neste período, 31 milhões de brasileiros entraram na classe média e 20 milhões saíram do estágio de pobreza absoluta. Pagamos toda nossa dívida externa e hoje, em lugar de sermos devedores, somos credores do FMI.

Nossas reservas internacionais pularam de 38 bilhões para cerca de 240 bilhões de dólares. Temos fronteiras com 10 países e não nos envolvemos em um só conflito com nossos vizinhos. Diminuímos, consideravelmente, as agressões ao meio ambiente. Temos e estamos consolidando uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, e estamos caminhando para nos tornar a quinta economia mundial.

Posso dizer, com humildade e realismo, que ainda precisamos avançar muito. Mas ninguém pode negar que o Brasil melhorou.

O fato é que Brasil não apenas venceu o desafio de crescer economicamente e incluir socialmente, como provou, aos céticos, que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza.

Historicamente, quase todos governantes brasileiros governaram apenas para um terço da população. Para eles, o resto era peso, estorvo, carga.

Falavam em arrumar a casa. Mas como é possível arrumar um país deixando dois terços de sua população fora dos benefícios do progresso e da civilização?

Alguma casa fica de pé, se o pai e a mãe relegam ao abandono os filhos mais fracos, e concentram toda atenção nos filhos mais fortes e mais bem aquinhoados pela sorte?

É claro que não. Uma casa assim será uma casa frágil, dividida pelo ressentimento e pela insegurança, onde os irmãos se vêem como inimigos e não como membros da mesma família.

Nós concluímos o contrário: que só havia sentido em governar, se fosse governar para todos. E mostramos que aquilo que, tradicionalmente, era considerado estorvo, era, na verdade, força, reserva, energia para crescer.

Incorporar os mais fracos e os mais necessitados à economia e às políticas públicas não era apenas algo moralmente correto. Era, também, politicamente indispensável e economicamente acertado. Porque só arrumam a casa, o pai e a mãe que olham para todos, não deixam que os mais fortes esbulhem os mais fracos, nem aceitam que os mais fracos conformem-se com a submissão e com a injustiça. Uma casa só é forte quando é de todos – e nela todos encontram abrigo, oportunidades e esperanças.

Por isso, apostamos na ampliação do mercado interno e no aproveitamento de todas as nossas potencialidades. Hoje, há mais Brasil para mais brasileiros. Com isso, fortalecemos a economia, ampliamos a qualidade de vida do nosso povo, reforçamos a democracia, aumentamos nossa auto-estima e amplificamos nossa voz no mundo.

Minhas senhoras e meus senhores,
O que aconteceu com o mundo nos últimos sete anos? Podemos dizer que o mundo, igual ao Brasil, também melhorou?

Não faço esta pergunta com soberba. Nem para provocar comparações vantajosas em favor do Brasil.

Faço esta pergunta com humildade, como cidadão do mundo, que tem sua parcela de responsabilidade no que sucedeu – e no que possa vir a suceder com a humanidade e com o nosso planeta.

Pergunto: podemos dizer que, nos últimos sete anos, o mundo caminhou no rumo da diminuição das desigualdades, das guerras, dos conflitos, das tragédias e da pobreza?

Podemos dizer que caminhou, mais vigorosamente, em direção a um modelo de respeito ao ser humano e ao meio ambiente?

Podemos dizer que interrompeu a marcha da insensatez, que tantas vezes parece nos encaminhar para o abismo social, para o abismo ambiental, para o abismo político e para o abismo moral?

Posso imaginar a resposta sincera que sai do coração de cada um de vocês, porque sinto a mesma perplexidade e a mesma frustração com o mundo em que vivemos.

E nós todos, sem exceção, temos uma parcela de responsabilidade nisso tudo.

Nos últimos anos, continuamos sacudidos por guerras absurdas. Continuamos destruindo o meio-ambiente. Continuamos assistindo, com compaixão hipócrita, a miséria e a morte assumirem proporções dantescas na África. Continuamos vendo, passivamente, aumentar os campos de refugiados pelo mundo afora.

E vimos, com susto e medo, mas sem que a lição tenha sido corretamente aprendida, para onde a especulação financeira pode nos levar.

Sim, porque continuam muitos dos terríveis efeitos da crise financeira internacional, e não vemos nenhum sinal, mais concreto, de que esta crise tenha servido para que repensássemos a ordem econômica mundial, seus métodos, sua pobre ética e seus processos anacrônicos.

Pergunto: quantas crises serão necessárias para mudarmos de atitude? Quantas hecatombes financeiras teremos condições de suportar até que decidamos fazer o óbvio e o mais correto?

Quantos graus de aquecimento global, quanto degelo, quanto desmatamento e desequilíbrios ecológicos serão necessários para que tomemos a firme decisão de salvar o planeta?

Meus senhores e minhas senhoras,
Vendo os efeitos pavorosos da tragédia do Haiti, também pergunto: quantos Haitis serão necessários para que deixemos de buscar remédios tardios e soluções improvisadas, ao calor do remorso?

Todos nós sabemos que a tragédia do Haiti foi causada por dois tipos de terremotos: o que sacudiu Porto Príncipe, no início deste mês, com a força de 30 bombas atômicas, e o outro, lento e silencioso, que vem corroendo suas entranhas há alguns séculos.

Para este outro terremoto, o mundo fechou os olhos e os ouvidos. Como continua de olhos e ouvidos fechados para o terremoto silencioso que destrói comunidades inteiras na África, na Ásia, na Europa Oriental e nos países mais pobres das Américas.

Será necessário que o terremoto social traga seu epicentro para as grandes metrópoles européias e norte-americanas para que possamos tomar soluções mais definitivas?

Um antigo presidente brasileiro dizia, do alto de sua aristocrática arrogância, que a questão social era uma questão de polícia.

Será que não é isso que, de forma sutil e sofisticada, muitos países ricos dizem até hoje, quando perseguem, reprimem e discriminam os imigrantes, quando insistem num jogo em que tantos perdem e só poucos ganham?

Por que não fazermos um jogo em que todos possam ganhar, mesmo que em quantidades diversas, mas que ninguém perca no essencial?

O que existe de impossível nisso? Por que não caminharmos nessa direção, de forma consciente e deliberada e não empurrados por crises, por guerras e por tragédias? Será que a humanidade só pode aprender pelo caminho do sofrimento e do rugir de forças descontroladas?

Outro mundo e outro caminho são possíveis. Basta que queiramos. E precisamos fazer isso enquanto é tempo.

Meus senhores e minhas senhoras,
Gostaria de repetir que a melhor política de desenvolvimento é o combate à pobreza. Esta também é uma das melhores receitas para a paz. E aprendemos, no ano passado, que é também um poderoso escudo contra crise.

Esta lição que o Brasil aprendeu, vale para qualquer parte do mundo, rica ou pobre.

Isso significa ampliar oportunidades, aumentar a produtividade, ampliar mercado e fortalecer a economia. Isso significa mudar as mentalidades e as relações. Isso significa criar fábricas de emprego e de cidadania.

Só fomos bem sucedidos nessas tarefas porque recuperamos o papel do Estado como indutor do desenvolvimento e não nos deixamos aprisionar em armadilhas teóricas – ou políticas – equivocadas sobre o verdadeiro papel do estado.

Nos últimos sete anos, o Brasil criou quase 12 milhões de empregos formais. Em 2009, quando a maioria dos países viu diminuir os postos de trabalhos, tivemos um saldo positivo de cerca de um milhão de novos empregos.

O Brasil foi um dos últimos países a entrar na crise e um dos primeiros a sair. Por que? Porque tínhamos reorganizado a economia com fundamentos sólidos, com base no crescimento, na estabilidade, na produtividade, num sistema financeiro saudável, no acesso ao crédito e na inclusão social.

E quando os efeitos da crise começaram a nos alcançar, reforçamos, sem titubear, os fundamentos do nosso modelo e demos ênfase à ampliação do crédito, à redução de impostos e ao estímulo do consumo.

Na crise ficou provado, mais uma vez, que são os pequenos que estão construindo a economia de gigante do Brasil.

Este talvez seja o principal motivo do sucesso do Brasil: acreditar e apoiar o povo, os mais fracos e os pequenos. Na verdade, não estamos inventando a roda. Foi com esta força motriz que Roosevelt recuperou a economia americana depois da grande crise de 1929. E foi com ela que o Brasil venceu preventivamente a última crise internacional.

Mas, nos últimos sete anos, nunca agimos de forma improvisada. A gente sabia para onde queria caminhar. Organizamos a economia sem bravatas e sem sustos, mas com um foco muito claro: crescer com estabilidade e com inclusão.

Implantamos o maior programa de transferência de renda do mundo, o Bolsa Família, que hoje beneficia mais de 12 milhões de famílias. E lançamos, ao mesmo tempo, o Programa de Aceleração do Crescimento, o PAC, maior conjunto de obras simultâneas nas áreas de infra-estrutura e logística da história do país, no qual já foram investidos 213 bilhões de dólares e que alcançará, no final do ano de 2010, um montante de 343 bilhões.

Volto ao ponto central: estivemos sempre atentos às politicas macro-econômicas, mas jamais nos limitamos às grandes linhas. Tivemos a obsessão de destravar a máquina da economia, sempre olhando para os mais necessitados, aumentando o poder de compra e o acesso ao crédito da maioria dos brasileiros.

Criamos, por exemplo, grandes programas de infra-estrutura social voltados exclusivamente para as camadas mais pobres. É o caso do programa Luz para Todos, que levou energia elétrica, no campo, para 12 milhões de pessoas e se mostrou um grande propulsor de bem estar e um forte ativador da economia.

Por exemplo: para levar energia elétrica a 2 milhões e 200 mil residências rurais, utilizamos 906 mil quilômetros de cabo, o suficiente para dar 21 voltas em torno do planeta Terra. Em contrapartida, estas famílias que passaram a ter energia elétrica em suas casas, compraram 1,5 milhão de televisores, 1,4 milhão de geladeiras e quantidades enormes de outros equipamentos.

As diversas linhas de microcrédito que criamos, seja para a produção, seja para o consumo, tiveram igualmente grande efeito multiplicador. E ensinaram aos capitalistas brasileiros que não existe capitalismo sem crédito.

Para que vocês tenham uma idéia, apenas com a modalidade de "crédito consignado", que tem como garantia o contracheque dos trabalhadores e aposentados, chegamos a fazer girar na economia mais 100 bilhões de reais por mês. As pessoas tomam empréstimos de 50 dólares, 80 dólares para comprar roupas, material escolar, etc, e isto ajuda ativar profundamente a economia.

Minhas senhoras e meus senhores,
Os desafios enfrentados, agora, pelo mundo são muito maiores do que os enfrentados pelo Brasil.

Com mudanças de prioridades e rearranjos de modelos, o governo brasileiro está conseguindo impor um novo ritmo de desenvolvimento ao nosso país.

O mundo, porém, necessita de mudanças mais profundas e mais complexas. E elas ficarão ainda mais difíceis quanto mais tempo deixarmos passar e quanto mais oportunidades jogarmos fora.

O encontro do clima, em Copenhague, é um exemplo disso. Ali a humanidade perdeu uma grande oportunidade de avançar, com rapidez, em defesa do meio-ambiente.

Por isso cobramos que cheguemos com o espírito desarmado, no próximo encontro, no México, e que encontremos saídas concretas para o grave problema do aquecimento global.

A crise financeira também mostrou que é preciso uma mudança profunda na ordem econômica, que privilegie a produção e não a especulação.

Um modelo, como todos sabem, onde o sistema financeiro esteja a serviço do setor produtivo e onde haja regulações claras para evitar riscos absurdos e excessivos.

Mas tudo isso são sintomas de uma crise mais profunda, e da necessidade de o mundo encontrar um novo caminho, livre dos velhos modelos e das velhas ideologias.

É hora de re-inventarmos o mundo e suas instituições. Por que ficarmos atrelados a modelos gestados em tempos e realidades tão diversas das que vivemos? O mundo tem que recuperar sua capacidade de criar e de sonhar.

Não podemos retardar soluções que apontam para uma melhor governança mundial, onde governos e nações trabalhem em favor de toda a humanidade.

Precisamos de um novo papel para os governos. E digo que, paradoxalmente, este novo papel é o mais antigo deles: é a recuperação do papel de governar.

Nós fomos eleitos para governar e temos que governar. Mas temos que governar com criatividade e justiça. E fazer isso já, antes que seja tarde.

Não sou apocalíptico, nem estou anunciando o fim do mundo. Estou lançando um brado de otimismo. E dizendo que, mais que nunca, temos nossos destinos em nossas mãos.

E toda vez que mãos humanas misturam sonho, criatividade, amor, coragem e justiça elas conseguem realizar a tarefa divina de construir um novo mundo e uma nova humanidade.

Muito obrigado."

(Fonte: JB Online)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Brasil/Foro Social expresa solidaridad con Haití y exige el cese del envío de tropas



25 enero 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Activistas del Foro Social Mundial y los Sin Tierra, de Brasil, expresaron sus ideas en las pancartas que llevaban durante la marcha, las cuales también dirigían al presidente brasilero por la participación del país en la Misión de Estabilización de la ONU en Haití (Minustah).

Durante una marcha celebrada este lunes en Porto Alegre (sur de Brasil), miles de activistas del Foro Social Mundial y el Movimiento de los Sin Tierra (MST) expresaron su solidaridad con las víctimas del terremoto que sacudió a Haití el pasado 12 de enero y exigieron que sean enviados más médicos, alimentos y el cese de la ocupación militar.

La concentración popular se dio junto a los primeros debates que se desarrollan en los encuentros del movimiento contra la globalización, en el marco del décimo aniversario del Foro Social Mundial.

"Haití precisa comida. No soldados", indicaba una de las grandes pancartas que portaron los alrededor de 15 mil activistas que participaron en la marcha.

"Lula, para Haití más médicos y más alimentos. Basta de tropas de ocupación", decía otra gran pancarta dirigida al presidente de Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva. El país suramericano aporta unos mil 200 soldados a las tropas de la cuestionada Misión de Estabilización de la Organización de Naciones Unidas (ONU) en Haití (Minustah), desde hace cinco años.

De hecho este lunes, senadores y diputados de la Comisión Representativa del Congreso -representan al Poder Legislativo durante el receso parlamentario- votaron de manera simbólica el envío de mil 300 militares más para la Minustah.

De esa forma, serán trasladados de inmediato a la capital haitiana, Puerto Príncipe, 900 uniformados, de ellos 750 integrantes del Batallón de Infantería y 150 miembros de la Policía Militar, y unos 400 efectivos quedarán de reserva.

La marcha transcurrió sin incidentes a lo largo de unos cinco kilómetros y concluyó en un teatro al aire libre donde actuaron decenas de cantantes populares.

Durante la manifestación, como es habitual en las concentraciones del Foro Social también hubo mensajes de solidaridad con el pueblo palestino, así como consignas en favor de los derechos de las mujeres, los homosexuales y en contra de las políticas imperialistas de Estados Unidos.

Los Sin Tierra de Brasil, son el movimiento social más organizado del país dedicado a conseguir tierras para los desposeídos y su líder, Joao Pedro Stédile, informó que el grupo pretende enviar semillas y brigadas de personas para ayudar a reconstruir y buscar alternativas en el interior de Haití.

"Vamos a esforzarnos para que, hasta marzo, podamos enviar brigadas y semillas para el área rural, que no sólo sufrió con el sismo, sino que recibió 500 mil personas que salieron de Puerto Príncipe", dijo Stédile, al informar que la iniciativa está siendo coordinada con Via Campesina y sindicatos.

"Puerto Príncipe es un área militarizada que recibirá la ayuda de las agencias gubernamentales y nosotros, los movimientos sociales, vamos al interior", concluyó.

El movimiento de Brasil también mostró su interés en participar en la reconstrucción de Haití, devastada por el terremoto.

El Foro Social continuará sus debates este martes, cuando reconocidos intelectuales del movimiento participarán en debates sobre las actuales coyunturas ecológica y económica.

Lula fue uno de los impulsores del Foro Social, al que este martes acudirá por última vez como presidente de Brasil, antes de entregar el poder el próximo 1 de enero del próximo año al ganador de las elecciones de octubre.

El gran evento de los movimientos sociales del planeta, el Foro Social Mundial, arriba a 10 años de lucha por un mundo más justo, la defensa del medio ambiente y un no rotundo a las guerras, con una edición especial a celebrarse en su cuna, la ciudad brasileña de Porto Alegre (sur), desde este 25 hasta el 29 de enero.

En franca oposición a las doctrinas capitalistas y a las recetas neoliberales impuestas desde los grandes centros del poder imperial, la gigantesca reunión de activistas durante una década ha levantado la voz por un mundo más equitativo y humano, que represente una verdadera alternativa para la vida del planeta.

Con su lema "otro mundo es posible" el foro retorna a la ciudad donde se celebró por primera vez en 2001, gracias a la iniciativa de franceses y brasileños que querían dar un paso más allá de la protesta, cuando 20 mil activistas le dijeron "No" al poderoso Foro Económico de Davos (Suiza), que se celebra en paralelo.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Moçambique/Temos muito a aprender sobre a crise económica - defende Luísa Diogo

Moçambique tem muito que aprender de outros países em desenvolvimento no âmbito das acções para minimizar os impactos da crise económica e financeira global, que afecta o mundo e, de uma forma particular, os países em desenvolvimento.

6 fevereiro 2009/Notícias

Esta declaração foi feita pela Primeira-Ministra, Luísa Diogo, a margem do Fórum Económico Mundial em Davos, Suiça, tendo, na ocasião, se referido as lições que o Governo moçambicano pode colher da China.
"A China apresentou com toda a serenidade aquilo que está a fazer para enfrentar a crise financeira mundial e um aspecto significativo é que o Governo chinês destaca a importância da cooperação entre Estados mais do que competição e auto-destruição", afirmou Diogo.
Uma particularidade do Fórum deste ano e' que países emergentes como a Índia, China e, de certa forma, a Rússia tiveram destaque em Davos, com os seus representantes a provar que as suas economias não passam despercebidas no concerto económico mundial.
Na sessão de abertura do Fórum, o Primeiro-Ministro chinês, Wen Jiabao, se referiu, como estratégia de gestão da crise, as acções em curso com vista a manter o fluxo de investimentos directos estrangeiros, garantir a continuação das operações de companhias multinacionais e a estabilidade da sua moeda, o yuan.
Segundo reparou a Primeira-Ministra moçambicana, algumas medidas adoptadas pela China são as mesmas em que Moçambique apostou mais a questão do apoio ao orçamento do Estado, o que demonstra que há espaço para Moçambique aprender e cooperar mais com a China.
Durante a sessão, lançou-se ao Primeiro-Ministro chinês, Wen Jiabao, a questão "que mensagem o seu país tem para o Presidente norte-americano, Barack Obama?". Em resposta, Jiabao disse que espera dos Estados Unidos e da China uma relação de "ganhadores", em que na interacção bilateral reinasse a cooperação e entre-ajuda, mais do que a competição e a mutua destruição.
Na mesma sessão, o Primeiro-Ministro russo fez uma apresentação sobre a Rússia, com destaque para a responsabilidade deste país na questão energética, as suas relações com outros países, em particular com a União Europeia, e a maneira como a Rússia se posiciona na arena internacional, em pleno processo de concretização da transição de uma economia centralmente planificada para uma economia de mercado.
A Índia, por seu lado, explanou sobre a sua situação económica, em particular as estratégias de expansão das suas companhias para fora das suas fronteiras territoriais. Menção particular foi ao sector dos recursos minerais, sector em que Moçambique conta com crescentes investimentos indianos.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

RESULTADOS DO FORUM SOCIAL MUNDIAL

Balanço: a agenda possível e as polêmicas do FSM de Belém

Terminada em Belém a Assembléia das Assembléias, neste domingo (1º de fevereiro), fica a imagem de um Fórum Social Mundial histórico. Desta vez, a contraposição ao Fórum Econômico de Davos foi mais que uma intenção. A presença de cinco presidentes latinos contribuiu para que a vontade se tornasse realidade. A crise e o destaque à Amazônia ampliaram a participação de atores antes pouco expressivos, como as centrais sindicais e os povos indígenas. Por outro lado, velhas polêmicas permanecem, entre elas está: o FSM deve ou não ser deliberativo?

De Belém, Carla Santos

(Veja ao final da matéria a agenda proposta na Assembléia das Assembléias)

3 fevereiro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Para muitos a polêmica não é importante, para outros ela é essencial. Certamente, ela permeará a tradicional reunião do Conselho Internacional do Fórum (CIF) — que reúne 150 organizações e acontece dias 2 e 3 —, mas não deve ser resolvida neste espaço. Por hora, a informação que chega sobre as divergências do CIF versam sobre a sede do FSM de 2011: Estados Unidos ou África? O que se sabe é que a adesão pelo continente africano é grande.

Com isso, a eterna polêmica se dá pelo acúmulo das discussões entre os movimentos sociais de todo o mundo até próximo FSM. Certo é que ela não morrerá e permanecerá viva até que o movimento dos fóruns, iniciado em 2001, aponte com mais protagonismo as ações globais possíveis, para além do já produtivo território de trocas e debates.

Porém, pode se dizer que a abertura, ainda que sutil, para a possibilidade de um Fórum deliberativo se alarga. Mesmo esvaziada e cansativa, a leitura de cada uma das cartas que resultaram das 22 assembléias cuidadosamente expressaram esse desejo.

Bem ou mal, as assembléias que apontaram datas mundiais de mobilizações, ou campanhas com períodos mais determinados, foram as que receberam maior atenção, apoio e repercussão da Assembléia das Assembléias. Claro que as propostas não figuraram como uma deliberação do FSM. Mas a sensação que fica é de que “sim, é legal imaginar que todos sairemos às ruas por todo o mundo por um mesmo motivo e em uma mesma data”.

Esse sentimento crescente pode ser fruto de uma relação muito particular entre fatores externos e internos deste fórum e que não existiu, ou estava menos madura, nos FSMs passados. O cenário de colapso do mercado e do meio ambiente são questões que efetivamente estão preocupando milhares de pessoas pelo mundo. Quem esteve por Belém percebeu isso como ninguém.

A ameaça da perda da renda e do emprego, somada a um possível fim do planeta tal como o conhecemos, tem gerado uma ansiedade por participação. Cada um passa a reconhecer que é preciso que muitos se unam em ações conjuntas para que o caos não se estabeleça.

As fendas na Torre de Babel

O momento mágico da Torre de Babel que sempre “glamuralizou” os fóruns vai ficando pequeno diante do anseio concreto, mesmo que limitado pelas diferentes culturas e idiomas, de unidade e convergências. Para além de conhecer e tomar contato com novas idéias, bandeiras e movimentos, o sentido geral pareceu ser: assimilar, somar e, sobretudo, agir.

As presentes barreiras construídas em favor de demarcadas diferenças — muitas alicerçadas sobre puro preconceito de ambos os lados —, entre as propostas do “enigmático” Calendário Maia e o “novíssimo” Greepeace, em oposição aos movimentos “tradicionais” protagonizados por partidos, estão diminuindo.

Mais do que encurtar distâncias geográficas, culturais e políticas, o Fórum de Belém almejou encurtar distâncias ideológicas. A palavra socialismo sempre esteve na boca de milhares que passaram pelos fóruns. Seja em oficinas autogestionadas, nas conferências, nos inúmeros debates, nas atividades culturais, estava alguém na mesa, no palco ou na platéia a defender a insígnia socialista.

Remédio para a crise é socialista

A diferença é que desta vez a palavra foi parar na boca de presidentes latino-americanos no mais marcante encontro que um Fórum já produziu. O socialismo foi proclamado em alto e bom som pelo presidente do Equador, Rafael Correa. ''O remédio para a crise é o socialismo'', ele disse. As saudosas referências à Ilha Rebelde feitas pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, e ao seu amigo, o comandante cubano Fidel Castro, não deixaram dúvidas sobre sua simpatia socialista.

Mesmo Lula, com o sabor da oratória que lhe é peculiar, ao desmascarar a receita neoliberal defendida pelo FMI à América Latina, reafirmou a atualidade do socialismo. “O FMI dizia que o deus Mercado podia tudo e o Estado nada podia. Agora a quem ele está pedindo socorro? É a esse mesmo Estado que ele tanto condenou. Eu espero que agora o FMI largue da gente e vá dar conselhos ao Obama”, disse Lula.

Espera-se que o quente verão — cheio de mormaço e chuvas tropicais, como se sentiu em Belém — da América Sul agora alce vôo e contamine a crescente esperança da América do Norte. Também o profundo inverno que vive a Europa pode ser tocado pelos ventos sulistas. Enquanto as correntes de ar e água se agitam, aumentam consensos na perspectiva de ações efetivas, não apenas pela AL possível — porque esta já está acontecendo — mas, sobretudo, por “um outro mundo possível”.

As 22 assembléias realizadas neste domingo**:

- Justiça Climática em Copenhagen
- Assembléia de direitos humano
- Assembléia dos Direitos Coletivos dos Povos
- Assembléia ''Crise Civilizatória Bem Viver e Direitos Coletivos”
- Assembléia Geral contra a guerra, bases militares, militarismo e armas nucleares
- Assembléia Pan-Amazônica
- Assembléia Diante da crise: desenvolver o Fórum Social como um processo permanente a partir das proposta
- Assembléia Ciêncas e Democracia
- Assembléia de Negras e Negros no FSM 2009
- Assembléia de Mulheres
- Assembléia Por um mundo sem dívida: Auditoria e Reparações Já!
- Assembléia Rede de intercomunicação e de boas experiências
- Assembléia Globalizar a declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas
- Assembléia mundial da rede internacional unidas de direitos humanos
- Assembléia Luta contra a corrupção e a impunidade
- Assembléia Justiça para a Amazônia
- Assembléia Fórum Mundial da Educação
- Assembléia Alternativas às políticas migratórias securitárias
- Assembléia Uma resposta global contra a crise financeira
- Assembléia Cultura e educação transformadora
- Assembléia Alternativas para proteção dos ecossistemas Amazônicos
- Assembléia O trabalho na crise global

** O CIF divulgou que todas as cartas deverão ser publicadas na íntegra na página do FSM 2009.

Agenda mobilização proposta por algumas assembléias:

- Entre os dia 28 de março e 4 de abril: chamamento mundial para protestos contra o capital e a guerra
- 30 de março: dia de solidariedade à Palestina
- 17 de maio: dia internacional de ação contra as políticas de migração da União Européia
- 12 de outubro: dia internacional de luta contra a colonização e em defesa dos povos indígenas
- 12 de dezembro: dia de ação global por justiça climática e outros encontros temáticos e regionais
- mobilizações em datas significativas (Dia da Mulher, Dia do Trabalhador Rural, etc) e durante eventos multilaterais (Cúpula do G8, Cúpula Climática, etc)

* Carla Santos é jornalista do Portal Vermelho, presidente da Ubes de 1999 a 2001, e participou de sete fóruns dos nove já realizados.

http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=50401

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Êxito: Fórum Social reuniu 150 mil pessoas de 142 países

O Fórum Social Mundial 2009, realizado pela primeira vez na Amazônia, em Belém do Pará, chegou ao fim neste domingo (1°) com um total de 133 mil participantes inscritos, de 142 países, informou a organização do evento. Mas, no total, o número de pessoas envolvidas no FSM — reunindo participantes e trabalhadores — chegou a 150 mil.

2 fevereiro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O último dia do Fórum foi marcado pela realização de assembléias setoriais temáticas, pela parte da manhã, com a divulgação de algumas conclusões dos debates. Na parte da tarde, ocorreu a Assembléia das Assembléias, com apresentação de algumas propostas de campanhas globais que devem ser lançadas em 2009. Local e data do próximo FSM não foram definidos no domingo. O que está definido é que deverá ser em um país da África, em 2011.

Além das datas tradicionais — como os dias internacionais da mulher e dos trabalhadores rurais, e da cúpula do G8, em julho, da Cúpula das Américas, em abril, e do Clima, em dezembro —, os movimentos sociais propuseram a realização de uma semana de protestos contra o capital e a guerra entre os dias 28 de março e 4 de abril. Neste período, será criada uma nova articulação de países ricos que, além dos oito do G8, incluirão as demais 12 nações mais ricas do mundo.

Outro evento que deve ser alvo de mobilizações é a comemoração dos 60 anos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), marcada para o dia 4 de abril, em Estrasburgo, na França. No dia 30 de março, estão previstas ações unificadas de apoio à Palestina e contra os crimes de guerra cometidos por Israel em Gaza.

Já as organizações que discutem a dívida externa de países do Sul lançaram uma convocação para que todos os governos implementem auditorias e, com base nelas, declarem a ilegalidade das dívidas, suspendendo os pagamentos e exigindo reparação por processos abusivos de endividamento. O documento, assinado pela Campanha Jubileu Sul e pela Comissão Internacional pela Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, também pede que os governos dos países do Sul se retirem do G20.

A organização do FSM divulgou os seguintes números como balanço final:

1- Total de participantes: 133mil

2 - Participantes inscritos no acampamento: 15 mil

3 - Crianças recebidas na Tenda Curumim-Erê : 3 mil crianças

4 - Trabalhadores voluntários, tradutores, equipe técnica e representantes de entidades organizadoras: 4.830

5 - Expositores de tendas, feira institucional, feira da economia solidária, restaurantes e lanchonetes: 5.200

6 - Eventos culturais: 200

7- Artistas: 1.000

8 - Profissionais comunicadores da imprensa oficial, mídia alternativa ou freelancer: 4.500 (2.500 credenciados e 2.500 à distância)

9 - Entidades e organizações inscritas: 5.808

Por continente:
África: 489
América Central: 119
América do Norte: 155
América do Sul: 4.193
Ásia: 334
Europa: 491
Oceania: 27

10 - Atividades autogestionadas inscritas: 2.310

11- Veículos de comunicação credenciados: 800 veículos de equipes de 30 países.

12 - Pesquisas de perfil de participantes: aproximadamente 2.150 entrevistas por amostragem.

Da Redação, com informações da Carta Maior

Leia também:
- Balanço: a agenda possível e as polêmicas do FSM de Belém

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Löwy exalta Fórum Social 2009: quem está em crise é Davos

A crise do capitalismo fez aumentar o impacto do Fórum Social Mundial. Quem opina é o franco-brasileiro Michael Löwy, diretor de pesquisas emérito do Centro de Pesquisa da França. À Folha de S.Paulo, Löwy, de 70 anos — sendo 40 radicado na França — também comemorou a esquerda política da América Latina. Confira sua entrevista.

2 fevereiro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O Fórum Social Mundial se revitalizou?
Havia a idéia de que o Fórum tinha esgotado seu papel, estava em crise e não tinha mais o que dizer — que o movimento altermundialista (antiglobalização) já tinha acabado e era preciso passar para uma outra. Hoje em dia esse discurso acabou. Está muito clara a vitalidade extraordinária do processo do Fórum, sua capacidade de se reinventar e de avançar em ideias e propostas.

Acho que o impacto do Fórum aumentou. Quem está em crise agora é o outro fórum — o de Davos. Seus dogmas foram por água abaixo. O que o Fórum Social Mundial sempre disse, que se precisa de outro mundo, se revelou verdadeiro.

A crise econômica roubou espaço do temas original desse FSM, a Amazônia?
Pelo contrário. Há uma relação entre a crise econômica, a alimentar, a ecológica. Há uma convergência das crises, uma mesma raiz que é um modelo de civilização industrial, capitalista e ocidental em que vivemos.

O FSM não devia propor uma saída?
O Fórum é um movimento de protesto. Gente que se reúne para dizer "não", "não queremos o mundo em que tudo virou mercadoria", "não queremos um mundo dominado pelo capital". Há um "não!" — e isso é muito importante, algo precioso, e não deve ser minimizado. Mas insatisfação apenas não é suficiente. Há quem diga que o fórum só critica e não propõe nada. Não é verdade.

Um Fórum que foge da interferência de governos traz cinco presidentes...
O Fórum nunca negou a política — ela está presente. Não queremos é que o fórum seja aparelhado ou instrumentalizado por partidos políticos ou governos. Se a participação de presidentes e políticos acaba sendo o ponto alto, é a ponta visível do iceberg. Lá embaixo é muito maior.

A volta para a América Latina e o contato com suas esquerdas renova o Fórum?
A América Latina é onde a tentativa de romper as amarras do neoliberalismo está indo mais longe. Nós temos não só movimentos sociais e forças políticas que colocam essa exigência, mas ao menos três experiências novas — Venezuela, Bolívia e Equador — de governos com grande apoio popular tentando buscar uma alternativa ao Liberalismo e colocando a necessidade de superar o sistema capitalista. Infelizmente não é o caso do Brasil.

O que faltou aqui?
O Brasil deveria ter estado na vanguarda desse processo, porque é o único que tem um grande partido dos trabalhadores e com um dirigente que foi um grande operário e dirigente sindical. É um governo melhor do que os anteriores. Mas, comparado ao que havia sido a trajetória e histórico do PT, é decepcionante.

Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo

Leia também: Fórum Social Mundial reuniu 150 mil pessoas de 142 países


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Próxima edição do Fórum Social Mundial, em 2011, poderá ser na África

Agência de Informação Frei Tito para a América Latina (ADITAL)

2 fevereiro 2009/Adital http://www.adital.com.br

Ana Rogéria, editora de Adital, de Belém (PA)

Em entrevista à Adital, Salete Valesan, do Comitê Executivo do Fórum Social Mundial, faz uma avaliação sobre os resultados dos eventos ocorridos até hoje. Ela afirma que o FSM 2009 mantém seu espírito transformador e que problemas de estrutura não podem ser obstáculos para isso.
O Comitê Executivo se reúne hoje (2) para discutir o próximo lugar onde será realizado o evento. De acordo com Salete, tudo caminha para que seja novamente na África.
O FSM 2009 aconteceu de 27 de janeiro a 1º de fevereiro em Belém, no estado amazônico do Pará.
Adital - Você acredita que o Fórum se mantém como contraponto a Davos, que ele mantém o espírito transformador do início?
Salete Valesan - O nosso objetivo se mantém o mesmo porque ninguém pode se iludir nesse momento de crise que a gente está vivendo e que está todo mundo com esperança de que conseguiu dar um salto do sistema do capital, pela queda de parte do imperialismo. Por ser apenas parte que caiu é que a gente tem que estar alerta. Então o enfraquecimento hoje do G-8 não significa que amanhã a gente não possa ter uma outra força inclusive muito mais prepotente e perigosa do que nós tivemos até agora. O nosso objetivo continua. Estamos sempre em alerta, vamos continuar nos organizando e organizando esse espaço para que ele seja um espaço de resistência, de proposta e de alternativas. As alternativas que a gente tem ainda não são alternativas que possam ser aplicadas globalmente, mas nós estamos caminhando para buscar essas questões.
Adital - De 2001 a 2009, o que podemos dizer sobre essas alternativas? Elas existem, foram aplicadas?
Salete Valesan - Sim, acho que até na questão do Fórum, de como ele vem se revendo a cada ano, renovando sua metodologia e seus espaços. Em todo lugar onde ele vai, deixa um tipo de ação e alternativa diferenciada porque a cultura, a geografia, a população são diversas. Nós temos aí vários avanços. E um significativamente aqui na América Latina é a questão da economia solidária que é toda uma concepção que hoje é real. Temos também a luta pela questão das águas. A gente conseguiu ter uma campanha, fóruns de água. É muito forte também a questão da comunicação, com a comunicação compartilhada, fortalecimento das mídias livres, toda essa luta pela legalização e espaços para essas mídias. E as políticas públicas, especialmente na América Latina, por conta do contexto político dos governos que são eleitos, que a gente consegue transformar um pouco essas políticas numa força maior para as demandas sociais e humanas.
Adital - Essa edição conseguiu reunir cinco presidentes da América Latina. Que dimensão tem isso para o Fórum?
Salete Valesan - Primeiro mostra que o Fórum, juntamente com suas entidades, seus movimentos, suas campanhas, e a América Latina, todos e todas, estão dando um recado para o mundo de que nós estamos criando aqui uma potência política. Uma potência de alternativa, mostrando que a América Latina tem condições de decidir o que ela quer e o que é melhor para ela. E a gente está definitivamente se organizando para resistir a um sistema impositivo. Nós não queremos mais que o imperialismo venha nos dizer como a América Latina precisa resolver suas questões ou gerar suas alternativas. O protagonismo tem que ser nosso.
Adital - Do ponto de vista de estrutura dos Fóruns. O que a gente pode dizer deste de Belém? Há muitas queixas em relação a isso.
Salete Valesan - Nós tivemos na questão estrutural, no que diz respeito ao território do Fórum, duas grandes universidades. Foram praticamente dois eventos. Ninguém consegue circular pelos dois locais no mesmo dia. Então essa questão da estrutura foi bastante importante, foi bem. A gente teve uma dificuldade que já era prevista que foi a questão de alojamento, de hospedagem, mais dos hotéis, mais da hospedagem tradicional do que as outras. Então fomos superando essa dificuldade. Infelizmente a negociação com as empresas aéreas não é muito tranquila. Eles querem garantia de quantos virão de avião, de onde, a que horas, em qual data...O Fórum não está para controlar as pessoas. Então tivemos essa dificuldade de conseguir vagas em voos. Isso atrapalhou um pouco. Mas não vai ser isso que vai fazer a gente desistir de lugares como o Quênia, Índia ou como a Amazônia, como estamos fazendo agora. Muito pelo contrário. A gente tem que estar nestes lugares para que as pessoas possam ter direitos e acessos às informações que não são possibilitadas ainda a essa população.
Adital - O conselho executivo se reúne para decidir onde será o próximo Fórum. Já há alguma indicação? Quais os encaminhamentos finais?
Salete Valesan - Teremos 18 assembléias temáticas trazendo o que foi debatido naquele tema durante estes dias todos e criando propostas, seja de execução ou de articulação política, a partir do que cada grupo decidir. No período da tarde acontece a Assembléia das assembléias para dizer o que foi tirado e para que os participantes conheçam esses resultados. No dia 2, nós estaremos reunindo o conselho internacional do Fórum, que é na verdade o primeiro encontro do conselho que vai discutir e potencializar a decisão de, em 2011, fazer na África, que é o que mais ou menos está encaminhado. Mas ainda temos que ouvir os companheiros africanos para saber se eles se mantêm na proposta de fazer em 2011 lá. Em 2010 teremos a metodologia das jornadas de mobilização.
As matérias do projeto "Ações pela Vida" são produzidas com o apoio do Fundo Nacional de Solidariedade da CF2008.

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil

Para receber o Boletim de Notícias da Adital escreva a adital@adital.com.br

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Brasil/Recado do FSM ao mundo: unidade, integração e socialismo

Os presidentes da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Brasil debateram a América Latina e os desafios da crise econômica internacional

Renata Mielli, de Belém (PA), Vermelho

Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

30 janeiro 2009

Na atividade mais importante de todas as edições do Fórum Social Mundial, os presidentes da Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Brasil debateram na noite desta quinta-feira, (29), a América Latina e os desafios da crise econômica internacional fazendo o mais contundente contraponto da história do FSM à realização da reunião de Davos. Os presidentes fizeram um chamado à unidade e integração da América Latina para fortalecer os países diante da crise.
Falou-se em “sepultar o capitalismo para que o capitalismo não sepulte o mundo”, e na necessidade de se construir o socialismo do século 21. Os países ricos foram culpados pela crise e seus representantes reunidos em Davos foram chamados de “moribundos”. No FSM, neste dia 29, os presidentes deram o recado: ''Um outro mundo é possível, necessário e está nascendo hoje na América Latina”.
O sentido do encontro
A governadora do Pará, Ana Júlia Carepa iniciou a atividade registrando que aquele era um momento histórico. “Todos os olhos de quem acredita que um outro mundo é possível estão voltados para cá, porque a presença desses presidentes é a demonstração de que construir esse novo mundo é possível. Essa é a vitória da democracia, esse momento enche o nosso coração de esperança porque nós estamos escrevendo um novo caminho”. E, de fato, a conferência, que reuniu mais de 10 mil pessoas em Belém, entra para a história como o evento mais importante de todas as edições do Fórum Social Mundial.

O FSM, que nasceu em 2001 para ser um contraponto à reunião de Davos, na Suiça, ao reunir cinco presidentes de países importantes da América Latina, nesta 9ª edição, demarca um importante campo político com o modelo econômico mundial vigente. Mostra que uma alternativa não apenas é viável, mas já está sendo construída através das experiências latino-americanas.
O mediador do encontro dos presidentes, Cândido Grzybowski, diretor-geral do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), que ao lado do Instituto Paulo Freire e da CUT co-promoveu a atividade, iniciou afirmando que “queremos abrir pontos de diálogo com governantes, inclusive com Barack Obama, se for o caso; mas com aqueles que neste momento estão em Davos nós não temos nada para trocar, e sim cobrar porque eles são os artífices da crise''. E apontou o objetivo do encontro dos presidentes: “É um esforço mútuo de indagar questões e mapear convergência e divergências”.
Sepultura para o capitalismo
Evo Morales foi o primeiro presidente a se dirigir ao público, onde havia índios de várias regiões da Pan-Amazônia, participantes de mais de cem países do mundo, que representavam movimentos sociais e organizações não-governamentais. Ele afirmou que “esse é o início de uma série de encontros dos presidentes antineoliberais contra o capitalismo”.
Morales falou do referendo na Bolívia, que aprovou a nova Constituição por 61,5% dos votos válidos. “No último domingo, abrimos uma nova página em nosso país para que nunca mais privatizemos nossos recursos naturais, e para reconhecermos os direitos das populações originárias numa demonstração da consciência do povo boliviano”.
Ao referir-se à crise, que é parte da crise do capitalismo, o presidente da Bolívia foi taxativo: “Se nós – o povo do mundo – não conseguirmos sepultar o capitalismo, o capitalismo vai sepultar o mundo”.
Ele propôs a criação de quatro campanhas para combater a crise, fortalecer a economia e a soberania das nações pobres. Uma campanha mundial pela paz, que julgue os responsáveis por guerras nos tribunais de justiça e que acabe com o direito de veto no Conselho de Segurança da ONU, “porque não é possível que um país tenha mais direito que 160 nações”. A luta por uma nova ordem econômica e social de justiça e desenvolvimento, que reforme os organismos internacionais e que paute o mundo por indicadores de distribuição de riqueza seria a segunda campanha.
Ele defendeu ainda uma campanha para salvar o planeta, alterando os padrões de consumo da sociedade; e outra campanha que valorize a humanidade através da diversidade e respeito cultural. “Só uma humanidade que valoriza a si mesma pode sepultar o capitalismo”.
Os moribundos de Davos
O presidente do Equador, Rafael Correa, foi duro ao se referir ao Fórum Econômico Mundial. “Os representantes do capitalismo estão reunidos neste momento em Davos para traçar as linhas de ação do mundo frente à crise. Eles que são os responsáveis por essa crise querem nos dar lições”, ironizou e em seguida, não poupou palavras: “Lá estão reunidos os moribundos”.
Correa, que é economista, caracterizou esta crise como sendo uma crise de todo o sistema capitalista, “uma forma imoral de acumulação de riquezas que levou os países à miséria”. Ele denunciou o fato de os defensores da primazia do capital financeiro sobre o capital produtivo recorrerem agora ao Estado para salvar suas economias.
“No Equador temos resistido ao neoliberalismo, estamos pondo fim à noite neoliberal. É hora de algo novo e felizmente esse novo está surgindo aqui na América Latina”, disse Correa ao iniciar uma exposição sobre o nascimento do socialismo do século 21, que exige uma ação conjunta e coletiva e atribui um papel importante ao Estado.
“Não somos estatistas, mas o que é necessário é uma ação coletiva para superar as dificuldades do povo e o Estado pode ser o estruturador dessas ações”, e informou que “no Equador temos um Plano Nacional de Desenvolvimento que articula todas as políticas públicas do Estado para impulsionar o desenvolvimento da economia e a diminuição das misérias e desigualdades sociais”.
Socialismo do século 21
Rafael Correa conclamou a todos para contestarem a idéia de que o socialismo é um regime incompetente. “Socialismo é muito mais justiça, mas é muito mais eficiência também”. Mas alertou: “Temos que ter os olhos bem abertos e os pés na terra ao aplicar o socialismo para não cometermos erros que outras experiências cometeram”.
Correa avaliou como um desses erros o fato de que o socialismo tradicional apresentou apenas uma nova forma de produção e desenvolvimento mais acelerados e com mais justiça social, mas baseada no mesmo conceito de consumo do capitalismo, o consumo de massa. “O socialismo do século 21 vai propor um novo modelo de desenvolvimento, estamos com a oportunidade de criar algo novo e melhor”.
O presidente equatoriano apontou como principal caminho para enfrentar a crise acelerar a integração da América Latina. “Como nunca antes temos que estar unidos, buscar intercâmbio para criar políticas conjuntas de infra-estrutura energética, de saúde, de educação. Temos que acelerar o Banco do Sul, que pode servir para nos proteger um pouco da crise . Só com a organização dos Estados Latino-americanos vamos fazer frente ao capitalismo.
Concluiu dizendo que é preciso ter cuidado com a crise, porque ao mesmo tempo que ela pode gerar oportunidades, “pode também ser usada para desestabilizar os nosso governos”. Ao se despedir do público de Belém, usou a saudação imortalizada por Che “Até a vitória, sempre!''.
A peste econômica
Usando uma retórica mais poética e cheia de simbolismos, o presidente do Paraguai, Fernando Lugo, saudou o Fórum dizendo que via com muita alegria “esse espírito humanista e a solidariedade inteligente para enfrentar os nossos desafios com dureza e ternura. Estamos ensinando para todos que existe uma alternativa, que sim é possível transformar o planeta. Os que perguntam para que serve o FSM não aprenderam a olhar ao seu redor – há mudanças na América Latina e a esperança de que haja mudanças no norte também”, disse, referindo-se indiretamente à eleição de Barack Obama.
Lugo nomeou a crise econômica como resultado da ação inconseqüente dos países ricos, o neoliberalismo, “a peste econômica que atingiu a América latina nos anos 90”. Para ele, uma das formas de enfrentar esse momento é a ação conjunta e soberana das nações latino-americanas. “Nós temos os Andes, a Amazônia, temos a maior fonte de energia renovável do mundo, um banco diversificado de plantas medicinais, então, o que nos falta? Falta muito e pouco. Falta usar esses recursos para fortalecer nossas economias”, avaliou.
Denunciou os crimes cometidos no Oriente Médio. “Como é possível, nesse momento em que a humanidade domina a tecnologia, haverespaço para as mortes mais cruéis?”, indagou, referindo-se aos ataques de Israel à faixa de Gaza. “Não podemos ser apenas observadores diante a ameaça planetária de guerra”.
“As mudanças já se vêem, já se respiram nos ares do Fórum Social Mundial”, afirmou e, citando o cantor brasileiro Geraldo Vandré, conclamou a todos para que continuemos “caminhando e cantanto e seguindo a canção – aprendendo e ensinando uma nova lição”.
Vamos apurar nossa unidade
Num dos discursos mais rápidos que já proferiu, Hugo Chávez usou cerca de 15 minutos para expressar sua crença de que “a cada ano que passa o evento político mais importante do mundo é o Fórum Social Mundial”. Para Chávez a criação do FSM foi muito oportuna porque aconteceu num momento de efervescência política no continente.
“A América Latina foi o laboratório do neoliberalismo que, como disse Eduardo Galeano, arrasou nosso continente. Assim como a América Latina recebeu a maior dose de veneno neoliberal, foi também onde brotaram com mais força as mudanças que vão transformar o nosso planeta. Outro mundo é possível, necessário e está nascendo hoje na América Latina”, afirmou com a contundência que lhe é peculiar o presidente da Venezuela.
Chávez disse que 2009 vai ser duro para o mundo, “segundo a OIT – Organização Internacional do Trabalho, se perderão 50 milhões de postos de trabalho e a fome deverá crescer e chegar à casa de 1 bilhão de pessoas. Não podemos esperar nada dos outros, mas de nós mesmo”.
O líder bolivariano fez um apelo pelo aprofundamento da unidade. “Diante dessa crise temos que apurar nossa unidade, com o Banco do Sul, com o fortalecimento das nossas empresas energéticas, com estratégias de articulação de um projeto latino-americano. Nesse projeto unitário está o coração do novo continente”, avaliou.
Para Chávez, ''o socialismo é o único caminho, porém ele não pode ser cópia, tem que ser criação. Nós somos presidentes graças ao despertar dos nossos povos, e por isso vocês têm que continuar lutando”.
Mudanças em curso
Lula optou pela informalidade e deixou de lado o discurso que iria ler. Começou fazendo um pedido: “Guardem esta fotografia porque hoje a gente pode até reclamar dos presidentes que nós temos, mas até bem pouco tempo os que ousavam discordar de seus presidentes eram perseguidos e mortos, muitos jovens pegaram em armas para lutar pela democracia e hoje nós estamos aqui fazendo o que eles sonharam. O mundo mudou tanto que era impossível dizer que um bispo da Igreja Católica seria presidente do Paraguai, que um jovem economista ia chegar à presidência do Equador, impossível pensar que um índio com cara de índio e jeito de índio chegasse à presidência da Bolívia e, aqui no Brasil, era impossível pensar que um torneiro-mecânico seria presidente. Mas as coisas não param por aqui, quem podia pensar, que teórico poderia prever, que o país do apartheid que matou Martin Luther King, ia eleger um negro para presidente dos Estados Unidos?”, disse Lula.

Ao falar da crise, ele recordou como até bem pouco tempo os ricos e “yuppies” norte-americanos ficavam ditando regras para os países mais pobres. “Parecia que eles eram infalíveis e nós os incompetentes”, ironizou; e lembrou que agora eles estão calados porque a crise eclodiu justamente lá.
A crise do “deus mercado”
“A crise nasceu porque eles venderam a idéia de que o Estado não servia para nada e o “deus mercado”, que tudo pode e é soberano, podia tudo. Só que esse deus mercado quebrou por irresponsabilidade deles. Agora eu quero ver o FMI ir dizer para o Obama como é que eles vão consertar a crise que eles criaram”, falou, sob fortes aplausos.
Lula listou as medidas que os organismos internacionais impunham aos países em desenvolvimento: “Eles nos obrigaram a fazer ajuste fiscal, mandar trabalhadores embora, reduzir o Estado e os serviços sociais; e agora, quando eles entraram em crise, qual foi o deus a quem eles pediram socorro? Ao Estado que já injetou milhões de dólares para salvar empresas mundo afora”.
O presidente alertou que a crise é grave e que ainda não se conhece o fundo dela, mas foi contundente ao dizer que os países em desenvolvimento estão em melhores condições de enfrentá-la do que os ricos. Disse que já passou da hora de se discutir discutir o controle do mercado financeiro e foi taxativo: “Aqui o povo pobre não será o pagador dessa crise”.

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quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

De volta ao Brasil, FSM vincula crise financeira à ambiental

Representante da coordenação do FSM aponta a relação entre crise financeira e danos ambientais como principal desafio da reunião

Renato Godoy de Toledo, da Redação

1º dezembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

Após quatro anos, o Fórum Social Mundial voltará ao Brasil em janeiro de 2009, agora em Belém (PA). Um dos principais motivos para a escolha da cidade, foi o fato de ser considerada o portal da Amazônia. Assim, quando a cidade foi eleita, decidiu-se que um dos eixos principais do evento seria a apresentação de alternativas dos movimentos sociais de todo o mundo para as agressões ao meio ambiente e a alteração climática, que colocaram uma agenda ambiental na ordem do dia em todas as regiões do planeta.
No entanto, o Fórum, tal como todos os outros espaços de discussão, tanto de esquerda quanto de direita, também será fortemente pautado pela crise mundial deflagrada mais nitidamente em meados deste ano. O grande desafio do encontro será relacionar os danos ao meio ambiente com o modelo de produção capitalista, posto em xeque com o agravamento da situação econômica mundial.

Entre os dias 27 de janeiro e 1º de fevereiro, mais de 2 mil organizações de 60 países devem se envolver em discussões sobre esses temas e procurar saídas para a humanidade a partir de uma perspectiva mais humana, sustentável e solidária. De acordo com a organização do FSM, ao todo, cerca de 100 mil pessoas devem participar das centenas de oficinas nos seis dias do evento.
Para Sérgio Haddad, coordenador do FSM, a 9ª edição deve retomar a raiz do evento: firmar-se como contraponto ao Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça).

Confira abaixo entrevista com Haddad.

Brasil de Fato - Qual é a importância simbólica da capital paraense como sede do Fórum Social Mundial?

Sérgio Haddad - Vários foram os motivos que levaram à escolha de Belém: o tema da crise ambiental, o crescimento do efeito estufa e do aquecimento global que tem levado à catástrofe ecológica global e à destruição de ecossistemas. Isto afeta de maneira particular as populações locais e os pobres de uma maneira geral, tornando-se uma crise sócio-ambiental. Além disso, a Amazônia é o local onde podemos identificar mais fortemente os conflitos produzidos pelo modelo de ocupação, onde a fusão entre os mercados de alimento e energia se juntam em um avanço de destruição ambiental e de populações, produzindo graves conflitos sociais. A Amazônia e a América Latina também foram escolhidas pelo crescente número de governos eleitos por oposição ao modelo neoliberal e que podem apontar para uma nova alternativa política para a reunião.


Inicialmente, se falava num fórum com uma característica mais ambiental, pelo fato de o aquecimento global ter imposto uma agenda "verde", até para os mais conservadores. O que a organização do FSM fará para que o tema não seja atropelado pelas discussões acerca da crise financeira internacional?


O grande desafio para os participantes será relacionar a crise sócio-ambiental com a crise financeira, que é produto de um modelo de desenvolvimento que aprofunda as desigualdades sociais e o consumismo desenfreado, e que consome energia e bens naturais incompatíveis com a sustentabilidade do planeta. No fundo, há uma crise civilizatória com profundas conseqüências, e que aponta para um futuro sem saída para a humanidade.

Como o Fórum Social Mundial pretende ligar a crise aos danos ao meio ambiente?

A crise financeira e a sensibilidade atual para os temas sócio-ambientais apontam para uma oportunidade de aglutinação das forças sociais para pensar e atuar na construção de outro modo de organização da sociedade. As forças presentes no FSM foram as primeiras a denunciar os limites das atuais políticas neoliberais e suas conseqüências nefastas para a humanidade. Foram elas também que denunciaram mais fortemente os organismos internacionais que aprofundavam e sustentavam este modelo de desenvolvimento. Mas é também no FSM que se apresentam sementes de alternativas para uma nova sociedade. A grande questão é como aglutinar forças e construir estratégias de enfrentamento para que as alternativas possam se expressar de forma efetiva.

De que forma o fórum pretende apontar alternativas à crise financeira mundial?

O FSM tem sido um local de busca de alternativas, para além das denúncias. Suas múltiplas redes sociais apontam para novas formas de organização da produção, da circulação e do comércio justo, novos modelos de desenvolvimento sócio-ambiental. De lá tem saído propostas para controle dos capitais financeiros e para as compensações ambientais, sobre alternativas de organização do trabalho que possam levar em conta a valorização do conhecimento e da mão-de-obra frente ao capital. Também sobre o controle orçamentário dos governos e sobre mecanismos de participação democrática que possam valorizar a democracia participativa, onde a presença das maiorias possa ser motivo de respeito aos direitos humanos e justiça social. Enfim, são muitas as propostas.

Qual deve ser o formato do fórum? Deve haver um documento final?

O FSM como um processo já vem se organizando com as inscrições de atividades. Agora estamos na fase de aglutinação e facilitação destas atividades de forma a irmos construindo afinidades programáticas. Alguns eventos ocorrerão no período anterior como o Fórum Ciência e Democracia, o Fórum Mundial de Educação, Mídia Livre. Depois da marcha de abertura, com destaque para os povos indígenas e africanos, apontando para o FSM de 2010, haverá o dia pan-amazônico (28). As atividades auto-gestionadas ocorrerão nos dias seguintes, com facilitadores para as assembléias do sexto dia, por objetivos temáticos, onde se buscarão as aglutinações para declarações convergentes, estratégias de lutas e campanhas. Deverão ser produzidos vários documentos a partir destas assembléias de convergências temáticas e alguns de natureza mais coletiva.


Por fim, o fórum ainda pretende firmar-se como um contraponto a Davos ou admite a idéia de trabalhar em conjunto em alguns temas?


Mais do que nunca o FSM retoma sua natureza de contraponto a Davos. Afinal, foi para isto que ele nasceu e hoje, frente à crise, que é muito mais ampla que a questão financeira, a história demonstra o quanto esta estratégia estava correta. O que terão a dizer aqueles que se sentam no Fórum de Davos? Como explicar o fracasso de suas recomendações frente às profundas conseqüências para a humanidade e o meio ambiente?

Quem é: Sérgio Haddad é coordenador geral da Ação Educativa, membro da coordenação do Fórum Social Mundial (FSM) no Brasil e diretor presidente do Fundo Brasil de Direitos Humanos

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