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sábado, 11 de julho de 2015

A OPERAÇÃO EM CURSO – NOME DE CÓDIGO: GRÉCIA

9 julho 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

por Daniel Vaz de Carvalho

"Perdoai as nossas dívidas assim como nós perdoamos aos nossos devedores",
Mateus 6.12, da mais importante oração cristã, de que a Europa se reivindica.
 O Pai Nosso na Igreja Primitiva.

1 – No passado domingo a agressão sofreu uma derrota 
O domínio da alta finança através da hegemonia alemã, depara com crescente resistência dos povos que não se conformam com a subserviência de governos colaboracionistas e falsos tratados que põem em causa a soberania e a democracia. A expressiva vitória do NÃO no referendo grego, só pode servir para prosseguir e reforçar a luta, contudo não vai fazer parar a agressão. Passada a primeira a surpresa e ao contrário do que a propaganda e a chantagem fariam prever, a ditadura financeira mascarada de "europeísmo" recompõe-se e prossegue a ofensiva.

A direita perdeu por momentos a sua farronca, insistindo na "intransigência" grega", nas culpas dos "gregos", quando afinal a situação do país se deve precisamente ao fracasso das políticas que a direita defende e quer que continuem. Seria fastidioso desmontar a sua argumentação de tal forma se se refugia na mentira, no obscurantismo, no intelectualmente indigente perante as evidências. Os partidos "socialistas" que antes se remetiam a uma ambiguidade cúmplice, colocando no mesmo nível agressores e agredidos, apelam agora à benevolência das "instituições". Como se o capitalista – nesta condição - não colocasse o capital no lugar do coração (Marx).

A comparação do que se passa na UE com o fascismo, o neofascismo, não é despicienda. Já foi referido que a troika estava a fazer na Grécia o que a ditadura dos coronéis não tinha conseguido. Em Portugal e em Espanha o totalitarismo da UE

sábado, 30 de maio de 2015

OS MEGA-PROJETOS CHINESES E A REORGANIZAÇÃO DA HEGEMONIA DO COMÉRCIO NA AMÉRICA LATINA

19 maio 2015, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)

Nos últimos anos, os principais projetos de infra-estrutura na América Latina estão sendo financiados com capital chinês.


Akira Pinto Medeiros

Na última semana diversos veículos de comunicação, a maioria estrangeiros, noticiaram que a construção de uma mega-ferrovia havia entrado nos planos do Planalto. A visita do primeiro-ministro chinês, Li Keqiang, à Brasília tem como objetivo apresentar um plano de investimento orçado em US$ 50 bilhões que dentre outras obras e compras prevê a construção de uma ferrovia que ligue o Atlântico ao Pacífico, cruzando o Brasil e o Peru, estimada em R$ 30 bilhões.
 
O projeto até o momento não parece ter sido questionado pelos veículos tradicionais, é tratado até com simpatia por se propor a sanar um grande problema de logística do Brasil, a falta de uma saída ao pacífico. Vale destacar que o projeto beneficia principalmente os grandes produtores de commodities que terão seus custos reduzidos no processo de exportação para o gigante asiático. Estaríamos assim apenas seguindo a rota do dinheiro, facilitando a compra dos nossos produtos por aqueles que mais se dispõem à comprar.
 
Pelo desenho original a ferrovia sairá do Rio de Janeiro e passará pelos estados de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Rondônia, e Acre, antes de entrar no Peru - por onde seguirá até o pacífico. Não há dúvidas de que se trata de um mega-projeto que beneficiará os produtores brasileiros e os chineses. Mas será que é apenas isso?
 
Nos últimos anos temos visto uma movimentação bastante acelerada dos chineses na América Latina. De maneira sutil, os chineses estão reorganizando o comércio e

terça-feira, 23 de abril de 2013

Colômbia/MILITARIZANDO O ATLÂNTICO SUL A PARTIR DA BASE EM MALVINAS



21 abril 2013, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

A Colômbia alinha-se como aliado da OTAN na sua ameaça nuclear contra a América do Sul

Enquanto Cavaco Silva escolhe visitar dois dos países da América Latina – Colômbia e Peru – onde o poder mais investe na aliança com o imperialismo, a Colômbia avança na integração militar na estratégia da OTAN. A determinação imperialista de manter na América Latina uma situação de dominação colonial ou neocolonial inclui a crescente presença e ameaça militar, incluindo a instalação de armamento nuclear.

Enquanto o governo da presidente argentina Cristina Fernández de Kirchner vem denunciando perante a comunidade internacional que a Grã-Bretanha - com o decidido apoio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) - estabeleceu uma importante base militar nas Ilhas Malvinas (Mount Pleasent) com o propósito de amedrontar o sul do continente, base a partir da qual operam aviões de caça supersónicos, submarinos atómicos, e onde foi instalado um arsenal de armas atómicas, a Colômbia une-se a esta associação militar europeia, que está sob a autoridade e o controlo dos Estados Unidos, como único país latino-americano seu aliado.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Brasil quer aliança com Portugal para defender Atlântico Sul

Brasília, 17 setembro 2009 (Lusa) - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, defendeu uma aliança estratégica com Portugal para estabelecer juntamente com Angola uma posição coordenada em relação à Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial.

"Precisamos de nos aliar a Portugal para estabelecermos com Angola uma linha unificada sobre a chamada Área", disse o ministro na quarta-feira, num depoimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Jobim citou Portugal ao defender que o Brasil precisa fazer alianças estratégicas, como com a França, cuja parceria estabelecida em dezembro do ano passado já permitiu a aquisição de 50 helicópteros de transporte EC-725, da Eurocopter, quatro submarinos convencionais - os Scorpènes - e o desenvolvimento de um submarino de propulsão nuclear.

Todos os equipamentos serão construídos no Brasil, com transferência de tecnologia.

Esta parceria entre Brasília e Paris pode englobar ainda a aquisição de 36 caças Rafale pelo governo brasileiro, se a Dassault tiver seu favoritismo confirmado ao final do processo de concorrência com os F/A-18 Super Hornet da norte-americana Boeing e com os Gripen, da sueca Saab.

Segundo Jobim, uma posição conjunta com os africanos em relação à região do Atlântico é também um "tema estratégico brutal" e passa por uma aliança com Portugal.

A denominada "área", um grande "corredor" entre as áreas de direito exclusivo, que é patrimônio da humanidade, tem imensas riquezas minerais.

É rica em manganésio, ferro, níquel, cobre, cobalto, titânio, alumínio e dispõe de uma valiosa biodiversidade, como uma bactéria que produz sangue humano e está sendo estudada pelos japoneses, segundo o ministro.

O Brasil defende que os países do Atlântico Sul se articulem e se estruturem para desenvolverem pesquisas nesses ambientes marinhos de águas profundas e até mesmo explorações conjuntas.

Um ponto que suscita preocupações é a instalação de módulos de exploração na região por outros países, o que vai implicar questões de defesa, cuidados com o meio ambiente e possíveis alterações de rotas de navegação.

O governo brasileiro teme, por exemplo, que países africanos e sul-americanos venham a sofrer prejuízos causados por mudanças das linhas marítimas de comércio.

Brasil e Portugal já acertaram também que vão ajudar países africanos na questão dos limites exteriores da sua plataforma continental.

Na semana passada, durante visita a Brasília do ministro português da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, ficou acordado que haverá ainda um reforço da cooperação dos dois países neste setor com membros mais pobres da CPLP.

Teixeira e Jobim defenderam uma atuação mais coordenada no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, sobretudo para nações que necessitam de recuperação de infra-estruturas militares, fornecimento de fardamentos e equipamentos para as Forças Armadas e apoio à dimensão naval.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

BASES DOS EUA SÃO PARA LIMITAR PROJEÇÃO DO BRASIL

20 agosto 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O cientista político Luiz Alberto Moniz Bandeira, um dos principais especialistas na história da diplomacia brasileira, analisa que "o objetivo da ampliação das bases (dos EUA) na Colômbia é restringir a projeção do poder político e militar do Brasil, frustrando iniciativas como a Unasul e o Conselho Sul-Americano de Defesa."

Moniz Bandeira: "A ampliação das bases na Colômbia não constitui uma iniciativa do presidente Barack Obama".

Em entrevista ao Terra Magazine, o professor titular de história política exterior do Brasil, na Universidade de Brasília, argumenta que o desenvolvimento dessas organizações multilaterais, que fomentam a integração regional, não interessa aos EUA.

"Essas instituições, que dão à América do Sul uma identidade própria, não convém aos Estados Unidos (...) A presença dos Estados Unidos sempre foi um fator de desestabilização em todas as regiões do mundo e seu objetivo com a ampliação das bases na Colômbia é fomentar um cisma e impedir a integração econômica e política da América do Sul", avaliou.

Autor de Fórmula para o caos: a derrubada de Salvador Allende, 1970-1973, Moniz Bandeira comenta a liberação de documentos inéditos pelo Departamento de Estado dos EUA. Entre as revelações, uma conversa entre os presidentes Emílio Garrastazú Médici e Richard Nixon, no Salão Oval da Casa Branca, em 9 de dezembro de 1971. O ditador Médici afirmou que o Brasil "estava trabalhando" pela derrubada do governo do chileno Salvador Allende.

Para Moniz Bandeira, a íntegra da conversa "não surpreende". "Colaboração realmente houve (entre Brasil e CIA), mas todo o processo de desestabilização do governo do presidente Salvador Allende foi financiado e conduzido pela CIA e pelos serviços de inteligência militar da Marinha e do Exército dos Estados Unidos. A participação do Brasil foi importante, mas secundária. Não foi fundamental".

Leia a entrevista e deixe abaixo a sua opinião:

A conversa entre os presidentes Richard Nixon e Emílio Garrastazu Médici, em 1971, exposta em papéis liberados pelo Departamento de Estado dos EUA, modifica com intensidade os relatos já existentes sobre o papel do Brasil no golpe militar chileno?

A revelação do memorandum da conversa entre o general Emílio Garrastazú Médici e o presidente Richard Nixon não surpreende. Era perfeitamente imaginável que os dois chefes de governo conversaram sobre o assunto, quando Médici visitou os Estados Unidos.

E conversaram não apenas sobre o Chile, como sobre o Uruguai, onde o Brasil, segundo o próprio Nixon revelou ao primeiro-ministro da Grã-Bretanha, ajudou a fraudar a eleição para evitar a vitória da Frente Ampla. Tudo isto está em meu livro Fórmula para o caos - A derrubada de Salvador Allende, lançado no ano passado, simultaneamente, no Brasil e no Chile (e este ano em Portugal).

Médici afirmou que o Brasil "estava trabalhando" pela sublevação das Forças Armadas do Chile. Como se deu esse entendimento com militares chilenos?

Os entendimentos foram efetuados através dos serviços de inteligência do Brasil, aos quais Médici encarregou a tarefa de ajudar a articulação do golpe, naturalmente em contacto com a CIA. O embaixador de Brasil no Chile, Antonio Cándido da Cámara Canto, era um homem de extrema direita e adversário do governo de Salvador Allende, mas o general Garrastazú Médici deixou a cargo dos militares a missão de articular com os militares chilenos e os dirigentes de Patria e Libertad, com a assistência da CIA, os planos para o golpe.

Eduardo Díaz Herrera, dirigente de Patria y Libertad desenvolveu um plano que envolvia o Serviço Nacional de Informações (SNI) e os serviços de inteligência do Exército, Marinha e Aeronáutica do Brasil. Ele e Manuel Fuentes estiverem em Brasília e lá se reuniram com altos oficiais das Forças Armadas, entre os quais o general João Batista Figueiredo, chefe da Casa Militar da Presidência e o coronel Venceslau Malta.

De acordo com o plano elaborado, se ocorresse uma cisão nas Forças Armadas, se o golpe não fosse institucional, as unidades militares insurgentes e as Brigadas Operativas y Fuerzas Especiales (BOFE) de Patria y Libertad, ocupariam as províncias do sul de Chile, apoiadas secretamente pelo Brasil e Argentina, cujas Forças Armadas lhes dariam assistência logística e o armamento necessário. Sobre isto escrevi em Fórmula para o caos com base na documentação brasileira.

Qual o nível de colaboração entre a ditadura brasileira e a CIA, na deposição de Salvador Allende?

Colaboração realmente houve, mas todo o processo de desestabilização do governo do presidente Salvador Allende foi financiado e conduzido pela CIA e pelos serviços de inteligência militar da Marinha e do Exército dos Estados Unidos. A participação do Brasil foi importante, mas secundária. Não foi fundamental.

Como o senhor avalia a política brasileira de liberação de documentos sobre a ditadura militar? Quais são os pontos que devem ser priorizados?

Os documentos do SNI, que não foram incinerados nos anos 1980, estão disponíveis para a pesquisa no Arquivo Nacional, seção regional de Brasília. Também os do CIEX. Mas os arquivos do CIE, CENIMAR e CISA, as Forças Armadas relutam em entregar ao Arquivo Nacional, não obstante a determinação decretada pelo presidente Lula.

BASES MILITARES AMERICANAS NA COLÔMBIA

A ampliação das instalações militares americanas em território colombiano oferecem quais riscos para a segurança continental?

O objetivo da ampliação das bases na Colômbia é restringir a projeção do poder político e militar do Brasil, frustrando iniciativas como a Unasul e o Conselho Sul-Americano de Defesa. Essas instituições, que dão à América do Sul uma identidade própria, não convém aos Estados Unidos. Não se trata de risco para a segurança continental.

A presença dos Estados Unidos sempre foi um fator de desestabilização em todas as regiões do mundo e seu objetivo com a ampliação das bases na Colômbia é fomentar um cisma e impedir a integração econômica e política da América do Sul.

A ampliação das bases na Colômbia foi decerto planejada juntamente com a restauração da IV Frota no Atlântico Sul, visando a fortalecer a presença dos Estados Unidos na região e assegurar o controle de seus recursos naturais, como, por exemplo, a água e o petróleo.

Os EUA e a Colômbia caminham para o acordo bilateral. Isso será um erro diplomático do presidente Barack Obama na região?


A ampliação das bases na Colômbia não constitui uma iniciativa do presidente Barack Obama. Ele enfrenta séria oposição interna e não controla todo o aparelho de governo. Não tem muitas condições de reverter a influência do complexo industrial-militar. Atualmente quem pauta a política exterior dos Estados Unidos não é propriamente o Departamento de Estado, mas o Departamento de Defesa, o Pentágono.

A militarização da política exterior dos Estados Unidos, formalizada com a criação dos comandos militares, para as diversas regiões, inclusive a América Latina (USSouthern Command), tomou impulso com os atentados de 11 de setembro de 2001. Esses comandos atuam como consulados do Império Americano.

Caso se concretize a ampliação da presença militar americana, o Brasil deve reformular sua política para a Amazônia?

Não há o que reformular na política para a Amazônia como conseqüência da ampliação das bases americanas na Colômbia. Há muitos anos, militares dos Estados Unidos trabalham não só na Colômbia como nos demais países limítrofes da Amazônia. E as Forças Armadas estão conscientes da ameaça, ainda que pareça remota.

Todos os anos elas realizam operações de treinamento, tendo como primeira hipótese de guerra o enfrentamento com uma potência tecnologicamente superior no teatro de guerra da Amazônia. (Fonte: Terra Magazine)

quarta-feira, 29 de julho de 2009

DECLARAÇÃO DA CÚPULA DOS POVOS DO SUL

27 julio 2009/[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina http://www.adital.com.br

Tradução: ADITAL

"Protagonismo popular, construindo soberania"

Nós, organizações sociais e políticas de diferentes países e continentes, e povos originários, nos reunimos na cidade de Assunção, nos dias 23 e 24 de julho de 2009, na Cúpula dos Povos do Sul "Protagonismo popular, construindo soberania", para debater a conjuntura atual da crise do sistema capitalista e as possíveis saídas.
Os poderes estatais, financeiros e midiáticos nos dizem que a crise que atravessamos é uma crise financeira que pode ser resolvida com a injeção de fundos ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e ao BM (Banco Mundial). Nunca na história do capitalismo havia sido outorgada tal quantidade de dinheiro para a ‘salvataje’ das empresas privadas. Assim, se beneficiam uns poucos que -não casualmente- são os que causaram a crise. O objetivo da ‘salvataje’ é, portanto, que o cassino financeiro continue funcionando, enquanto milhões de pessoas permanecem na indigência.
Ao mesmo tempo, propalam a ideia de que estamos atravessando uma crise alimentar, dizendo esta se deve ao fato de que países como a Índia e a China estão aumentando seu consumo diário de alimentos. Porém, esses argumentos não mostram que existe um novo padrão de produção baseado em biotecnologias de ponta que provocam a destruição da agricultura familiar camponesa e dos costumes camponeses e indígenas.
Esse modelo produtivo é baseado na agricultura mecanizada, extensiva e intensiva, com o uso massivo de transgênicos e agrotóxicos diretamente sobre o meio ambiente, destruindo e afetando fortemente o clima do planeta. É por isso que o segundo maior aquífero do mundo, o Aquífero Guarani, está em grave perigo de contaminação devido à implementação desse modelo extrativo de desenvolvimento que está situado justamente nas zonas de recarga de dito aquífero.
Isso vem juntamente com a ideia de que estamos vivendo uma crise energética, o que coincidiu com uma campanha mundial impulsionada por países como Estados Unidos e Brasil, onde se propõe a necessidade de aumentar a escala do monocultivo de soja, milho e cana de açúcar para a produção de etanol e biocombustíveis.
Diante disso, nossa conclusão é que se trata de uma crise integral do capitalismo, que não é momentânea e que não será solucionada com a injeção massiva de capitais. Essa crise integral coloca a nu o modelo de desenvolvimento imperante. A resposta a essa crise integral deve ser também integral. Deve-se transformar o modelo de desenvolvimento para sair da crise. Isso quer dizer que temos que construir um projeto próprio desde os povos da América Latina.
Por isso, hoje estamos em processo de construção e reivindicação da soberania alimentar desde e para os povos. Cremos na necessidade de uma produção autônoma, autogestionada e comunitária, bem como na distribuição popular e igualitária. Defendemos o direito a alimentar-nos de maneira saudável e por isso resistimos na defesa das sementes e da produção agroecológica. É imprescindível resgatar a memória e o patrimônio para o saber identitário, desde a pluriculturalidade e desde a centralidade do território como base da identidade cultural. Exigimos também o desenho de políticas públicas que garantam a soberania alimentar.
Cremos que no processo de devastação de nossos recursos continentais, os povos originários são os principais atingidos. Nesse sentido, exigimos políticas claras que levem à autodeterminação e à soberania dos povos originários. Uma dessas políticas é a geração de espaços nacionais de negociação coletiva no marco do Convênio 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), bem como a conformação de Paritárias Sociais, por comunidade.
Reivindicamos a necessidade de construção de uma soberania energética onde os povos possamos dispor livremente de nossas fontes de energia, bem como buscarmos os modos mais convenientes para alcançá-a. Vemos essa necessidade particularmente hoje no caso paraguaio, onde a recuperação da soberania energética sobre as represas de Itaipu (com o Brasil) e Yacyretá (com Argentina) converteu-se em uma causa nacional. Reclamamos a revisão das dívidas binacionais e a possibilidade de que o povo paraguaio goze de livre disponibilidade e obtenha o preço justo sobre 50% da energia ali gerada.
Também impulsionamos a criação do movimento de vítimas da mudança climática e a instalação dos ‘Tribunais dos Povos sobre Justiça Climática’. É importante alcançar o fortalecimento das legislações; porém, fundamentalmente garantir o funcionamento da justiça para as comunidades e territórios mais vulneráveis como os atingidos pela mudança climática e pela dívida ecológica. No mesmo sentido, exigimos a incorporação de políticas climáticas nas políticas públicas. Exigimos aos governos do MERCOSUL que reclamem aos responsáveis do Norte o reconhecimento e o pagamento da dívida ecológica em todas as negociações internacionais. E fazemos um chamado à mobilização global pela justiça climática no marco da reunião cúpula das Nações Unidas sobre a mudança climática, em Copenhague.
Sabemos da necessidade de construir soberania financeira desde nossos países, onde nos manifestemos contra o pagamento das dívidas ilegítimas adquiridas sem o conhecimento de nossos povos. Assumimos o compromisso desde nossos movimentos e organizações de realizar uma Auditoria integral cidadã das dívidas financeiras, sociais e ecológicas geradas pela construção e funcionamento de Itaipu e Yacyretá, e o reclamo aos governos envolvidos (Paraguai-Brasil-Argentina) para que façam o mesmo. Exigimos a restituição e reparação das dívidas ecológicas, sociais, econômicas, etc.. Agora mais do que nunca precisamos avançar na construção de alternativas de soberania financeira que respondam às necessidades e aos direitos de nossos povos e à mãe terra. A esse respeito, denunciamos a lentidão, a falta de diálogo e as travas que continuam obstaculizando a criação do Banco do Sul. Reclamamos seu imediato funcionamento, resguardando o principio de "um país, um voto" em todas as suas instâncias e níveis de decisão, e a necessidade de que esteja ao serviço de uma integração desde os povos e para a transformação do modelo produtivo vigente.
Exigimos que também sejam abertos espaços e mecanismos formais de informação e participação da sociedade na criação e funcionamento do Banco do Sul. Chamamos aos movimentos e organizações sociais a multiplicar as ações de sensibilização, debate e mobilização acerca da criação deste e de outros instrumentos de uma nova arquitetura regional, como poderiam ser uma unidade de conta sulamericana, como o Sucre, e um sistema regional de reservas.
Apoiamos a decisão dos governos da Bolívia e, recentemente, do Equador, de sair do CIADI, mecanismo de solução de controvérsias sobre investimentos, dependente do banco Mundial. Demandamos que os países da região assumam igual compromisso, bem como avancem no rechaço aos Tratados Bilaterais de Investimento (TBI). Rechaçamos qualquer forma de tratado comercial que violente a soberania dos povos.
Repudiamos também a repressão constante e a criminalização das lutas de camponeses/as para obter um pedaço de terra. Isso acontece em todo o continente; porém, se vê atualmente com maior crueza no Paraguai. Essas repressões tornaram-se sistemáticas e se realizam sob o amparo de fiscais e juízes, que as fazem parecer legais. Exigimos o cassar das políticas de criminalização da pobreza e da judicialização da luta social, bem como o ‘desprocessamento’ das chamadas leis antiterroristas. Da mesma forma, reclamamos o ‘desprocessamento’ de todos os lutadores/as sociais em toda América Latina.
Da mesma maneira, rechaçamos a militarização crescente do continente promovida pelos Estados Unidos e seus aliados na região e exigimos o retiro da IV Frota dos EUA do Atlântico; o fim dos exercícios militares conjuntos com os EUA; o levantamento de todas as Bases e assentamentos militares estrangeiros e a não instalação de novas Bases; a eliminação da fortaleza militar da OTAN nas Ilhas Malvinas; a suspensão do envio de efetivos à Escola das Américas ou outros institutos similares; o fim das missões militares dos EUA em nossos países; a derrogação das imunidades concedidas aos efetivos militares das Bases dos EUA instaladas em nossos países e castigar aos responsáveis pelas violações ás populações, particularmente às mulheres.
Também expressamos nosso rechaço ao golpe de Estado perpetrado recentemente em Honduras e exigimos a imediata restituição de Manuel Zelaya, legítimo presidente eleito pelo povo irmão. Apoiamos a luta do povo hondurenho pela institucionalidade democrática e pelo direito a manter ao presidente que eles mesmos elegeram. Da mesma forma, repudiamos firmemente a violência militar e policial exercida contra esse povo.
Alentamos a iniciativa do grupo da Alba em convocar seus associados e fazer declarações de apoio ao governo de Zelaya. Também, devemos esforçar-nos para aprofundar as diferentes alternativas de integração regionais que buscam enfrentar o sistema capitalista a partir de outro modelo. Cremos que seria importante que os presidentes do Mercosul avancem no mesmo caminho.
Por tudo isso, nós hoje seguimos no caminho da construção de uma integração latinoamericana desde os povos, fortalecendo nossa identidade regional. Sabemos que para isso devemos seguir nesse processo de luta de nossos povos para construir um novo sujeito que seja o protagonista de sua história e de sua cultura.

Assunção, 23 e 24 de julho de 2009


[Enviado por Minga Informativa de Movimientos Sociales].

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