3
julho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America
Latina http://www.adital.com.br (Brasil)
Adriana Santiago
Hoje o mundo está em polvorosa com o que a Bolívia
qualificou como o sequestro de seu presidente Evo Morales. O incidente
diplomático chamou a atenção do mundo e foi motivo de manifestações de governos
latino-americanos e da sociedade civil. O mandatário boliviano ficou detido por
15 horas no aeroporto de Viena, na Áustria, após pouso de emergência depois que
Portugal, Espanha, Itália e França revogaram as autorizações para cruzar o
espaço aéreo ou pousar em seus territórios para reabastecimento. Evo Morales
seguiu para La Paz depois da forte reação internacional ao ato que, segundo o
governo boliviano, é contra a soberania da Bolívia e que ainda colocou o seu
presidente em risco de morte.
Com pousos previstos e autorizados nas Ilhas Canárias,
na Espanha, e Fortaleza, no Brasil, para reabastecimento o presidente
voou mais 15 horas sob forte expectativa da comunidade internacional.
Apesar de
nenhum dos países ter admitido oficialmente, a maioria dos manifestos públicos
aos atos condenam a ação como submissão à pressão do governo dos Estados
Unidos, que suspeitou e que o avião levava o ex-técnico de informática da
Agência Central de Inteligência (CIA), Edward Snowden, condenado por espionagem
após revelar segredos da vigilância online estadunidense ao WikiLeaks. Com
passaporte americano revogado após condenação, o foragido está pedindo asilo
político a mais de 20 países no aeroporto de Moscou. Evo Morales, que também
estava em Moscou para uma cúpula sobre as novas políticas internacionais de exploração
de gás e chegou a anunciar que poderia avaliar o pedido de asilo a Snowden, foi
tratado como suspeito de facilitar a fuga.
Além dos
presidentes organizados em torno da União das Nações Sul-americanas (Unasur),
através do informe assinado pelo secretário geral Alí Rodríguez Araque, que
condenaram energicamente a sabotagem e o desrespeito de que foi vítima o
presidente Evo Morales, pediram que os chefes de Estado da América e do mundo
tomem as medidas necessárias. Ele qualificou de "indignantes e absurdas”.
Há ainda articulações para reação com manifestação pública de Nicolás Maduro
(Venezuela), Cristina Kirchner (Argentina), José Mujica (Uruguai), Nicolás
Maduro (Venezuela), Daniel Ortega (Nicaragua) e o mais incisivo tem sido Rafael
Correa (Equador). Na sua conta no Twitter (@MashiRafael), "ou nos
nivelamos a colônias ou reivindicamos nossa independência, soberania e
dignidade. Todos somos Bolívia!”
Entre a
sociedade civil, se manifestaram o Foro Internacional Pablo Neruda, a Rede de
Intelectuais e Artistas em Defesa da Humanidade, que classificaram a ação como
covarde e imperialista . O mesmo aconteceu com os países que integram a Aliança
Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA). Na Argentina, a Organização
Social e Política Los Pibes convocaram um ato na porta da embaixada da Bolívia
para repudiar a agressão imperialista covarde e manifestar o apoio ao povo
boliviano.
Rodrigo
Cabezas, presidente do Parlamento Latino-americano, Grupo Venezuela, condenou a
situação. "Este ato é uma clara violação do direito internacional e da
imunidade dos chefes de Estados”. A mesma linha da Confederação
Latino-americana e Caribenha de Trabalhadores do Estado (CLATE) , do Paraguai,
Confederação dos Trabalhadores do Equador (CTE) e as delegação do Equador no parlamento
Andino, entre tantas outras.
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