segunda-feira, 9 de julho de 2007

Timor-Leste/Governo de unidade nacional-australiana!


O país do híbrido Xanana Ramos Gusmão Horta


Mário Motta/Portugal Directo


O recém eleito Presidente da República timorense, Xanana Ramos Gusmão Horta, não se cansou de propalar que preconizava para o governo saído das eleições legislativas realizadas no passado dia 30 de Junho uma abrangência de unidade nacional, que permitisse o apaziguamento da sociedade timorense. Nesta altura não imaginava o novel e nobel híbrido presidente que a força política por que tanto se têm esforçado de marginalizar, a Fretilin, iria ser a mais votada e eleger mais deputados, apesar de todas as campanhas de desgaste vindos da presidência, dos seus antagonistas partidários, dos serviços de inteligência americanos e australianos e respectivos medias ao seu dispor, havendo a acrescentar ao rol os bispos de uma igreja temente de perder seus poderes terrenos.


Contra tudo e contra todos, 30% dos timorenses disseram que a Fretilin era a força política preferida. O partido da presidência, CNRT, alegadamente criado com o propósito de combater o status fretilinico, concorreu nestas eleições com a figura de proa Xanana Gusmão, dando a cara, e o apoio dissimulado de Ramos Horta, bem como da igreja e restantes franjas políticas que anda a balões de soro para sobreviver. O CNRT concorrer concorreu, esperando alcançar uma votação descomunal que talvez rondasse os 80% - o que “desagradaria” a Xanana como ele o disse.


Os xananistas estavam convencidos de uma vitória retumbante que lhes permitiria serem donos absolutos da petro-democracia timorense mas nada disso aconteceu. Ao contrário daquilo que possamos imaginar e da alegada falta de conhecimentos dos timorenses nesta coisa da democracia foi evidente que assim não é, tendo sido provado que a reprovação dos timorenses em relação às práticas - por muitos ditas traidoras - de Xanana foi manifestada com estrondo, tendo o figadal inimigo de Alkatiri caído para os 24% dos votos.


Se dúvidas existissem sobre a desvalorização galopante do personagem Xanana tornou-se bem claro que ele representa somente menos de um quarto dos timorenses apesar de beneficiar de uma panóplia de apoios milionários que ao longo de todos estes anos lhe têm incansavelmente promovido o culto da personalidade.


Certamente que é do conhecimento geral qual o resultado proporcional das eleições timorenses, dispensando-me de aqui estar a enfatizar tal aspecto por crer que o importante foi a enorme derrota de Xanana Gusmão em pessoa e, por via disso, do partido presidencial. Tanto o partido é presidencial que estamos a assistir à marginalização da Fretilin, a mais votada, por parte deste recentemente eleito presidente Ramos Horta que também é Xanana.


Alegará a presidência-repartida que os partidos menos votados se aliaram contra a Fretilin, que por isso são mais representativos em número de votos e de deputados pelo que têm a sua preferência. Poderá a presidência assim proceder mas dúvidas não restarão de que o seu propalado Governo de Unidade Nacional… deve ser nacional-australiano, porque aquilo que a presidência fará não será mais do que finalmente marginalizar a Fretilin, dando cumprimento à prossecução do plano e esforços do governo do primeiro-ministro John Howard. Esta é uma certeza, assim como certeza é que Timor-Leste tem uma presidência híbrida que cientificamente se denominará Xanana Ramos Gusmão Horta. (Fonte: timor-lorosae-nacao, 08/07/2007)

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