sexta-feira, 5 de julho de 2013

Pátria Grande, Bolivia/DECLARAÇÃO DA UNASUL FRENTE AO AGRAVO SOFRIDO PELO PRESIDENTE EVO MORALES



5 julho 2013, ADITAL Agência Frei Tito para a America Latina http://www.adital.com.br (Brasil)

Unasul-Unasur
Adital


Reunión UNASUR, Cochabamba 04 de julio 2013
Tradução: ADITAL

A Unasul exige que a Espanha, Portugal, Itália e França peçam desculpas públicas
DECLARAÇÃO DE COCHABAMBA

Ante a situação a que foi submetido o presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, Evo Morales, por parte dos governos da França, de Portugal, da Itália e da Espánha, denunciamos ante a comunidade internacional e os diversos organismos multilaterais:

* A flagrante violação dos Tratados Internacionais que regem a convivência pacífica, a solidariedade e a cooperação entre nossos Estados, que constitui um ato insólito, não amistoso e hostil, configurando um fato ilícito que afeta a liberdade de trânsito e deslocamento de um Chefe de Estado e de sua delegação oficial.

* O atropelo e as práticas neocoloniais que ainda subsistem em nosso planeta em pleno século XXI.

* A falta de transparência sobre as motivações das decisões políticas que impediram o trânsito aéreo do avião presidencial boliviano e seu presidente.

* O agravo sofrido pelo presidente Evo Morales, que ofende não somente ao povo boliviano, mas a todas as nossas nações.

* As práticas ilegais de espionagem que colocam em risco os direitos cidadãos e a convivência amistosa entre nações.

Frente a essas denúncias, estamos convencidos que o processo de construção da Pátria Grande, no qual estamos comprometidos, deve consolidar-se em pleno respeito à soberania e independência de nossos povos, sem a ingerência dos centros hegemônicos mundiais, superando as velhas práticas através das quais se pretende impor países de primeira e de segunda classe.

As Chefas e Chefes de estado e de Governo de países da União de Nações Sul-Americanas, Unasul, reunidos em Cochabamba, Bolívia, em 4 de julho de 2013,

1. Declaramos que a inaceitável restrição à liberdade do Presidente Evo Morales Ayma, convertendo-o virtualmente em um refém, constitui uma violação de direitos não só ao povo boliviano, mas a todos os países e povos da América Latina e abre um perigoso precedente em matéria do direito internacional vigente.

2. Rechaçamos as atuações claramente violadoras de normas e princípios básicos do direito internacional, como a inviolabilidade dos Chefes de Estado.

3. Exigimos aos governos da França, de Portugal, da Itália e da Espanha que expliquem as razões da decisão de impedir o sobrevoo do avião presidencial do Estado Plurinacional da Bolívia por seu espaço aéreo.

4. Exigimos também aos governos da França, de Portugal, da Itália e da França que apresentem as desculpas públicas correspondentes em relação aos graves fatos suscitados.

5. Respaldamos a Denúncia apresentada pelo Estado Plurinacional da Bolívia ante o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, pela grave violação de Direitos Humanos e posta em perigo concreto da vida do Presidente Evo Morales. Respaldamos também o direito do Estado Plurinacional da Bolívia de realizar todas as ações que considere necessárias ante os Tribunais e instâncias competentes.

6. Acordamos conformar uma Comissão de Seguimento, encarregando a nossos Chanceleres a tarefa de realizar as ações necessárias para o esclarecimento dos fatos.

Finalmente, no espírito dos princípios estabelecidos no Tratado Constitutivo da Unasul, exortamos à totalidade das Chefas e Chefes de Estado da União a acompanhar a presente Declaração. De igual maneira, convocamos à ONU e aos organismos regionais que ainda não o fizeram a pronunciar-se sobre esse fato injustificável e arbitrário.

Cochabamba, 4 de julho de 2013.

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