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segunda-feira, 28 de setembro de 2009

MICHELETTI IMPÔS ESTADO DE SÍTIO (SECRETO!) EM HONDURAS



Bandeira de protesto em manifestação pró-Zelaya

28 setembro 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O governo golpista de Roberto Micheletti decretou o estado de sítio em todo o território de Honduras, suspendendo as liberdades constitucionais de expressão, de imprensa, de associação e união, de livre circulação e os direitos dos presos. A medida foi tomada no Conselho de Ministros na terça-feira (22), um dia depois da volta do presidente Manuel Zelaya, mas só publicada pelo diário oficial no sábado, e numa edição que permaneceu secreta até o anoitecer deste domingo (27).

Em uma leitura brasileira, o Decreto de Micheletti pode ser comparado ao Ato Institucional Nº 5 da ditadura brasileira: um golpe dentro do golpe, prenunciando uma fase ainda mais sinistra e liberticida, dentro de uma escalada ditatorial.

Ao mesmo tempo, é uma prova de fogo para os homens públicos e os meios de comunicação que vinham flertando com os gorilas de Tegucigalpa, um pouco por toda a América latina, a exemplo das Organizações Globo no Brasil. Assim como é uma confissão muda do quanto o retorno do presidente Zelaya abalou os fundamentos do regime de 28 de junho.

Liberdades constitucionais suspensas
O estado de emergência tem de 45 dias: ou seja, vai até duas semanas antes das eleições marcadas para 22 de novembro, que os golpistas apresentam como promessa de normalização. Até lá, suspende a vigência de cinco artigos da Constituição hondurenha, a saber:

Artigo 69: "A liberdade pessoal é inviolável e apenas dentro da lei poderá ser restringida ou suspendida temporariamente".

Artigo 72: "É livre a expressão de pensamento por qualquer meio de difusão, sem censura prévia".

Artigo 78: "Garante-se as liberdades de associação e de reunião sempre que não sejam contrárias à ordem pública e aos bons costumes".

Artigo 81: "Toda pessoa tem direito de circular livremente, sair, entrar e permanecer no território nacional. Ninguém pode ser obrigado a mudar de domicílio ou residência, exceto em casos excepcionais e dentro da lei".

Artigo 84: "Ninguém pode ser preso ou detido, exceto em virtude de mandato escrito de autoridade competente, expedido com as formalidades legais e por motivo previamente estabelecido na lei".

O Artigo 4º do Decreto ordena: "Deter toda pessoa que seja encontrada fora do horário de circulação estabelecido, ou de alguma maneira se presuma como suspeitosa por parte das autoridades policiais e militares". Linhas abaixo, um detalhe sinistro: "todo recinto policial do país" manterá um registro dos presos políticos, "fazendo constar o estado físico do detido, para evitar futuras denúncias por supostos delitos de tortura".

Rádio e TV na mira de Micheletti
Uma das medidas ditatoriais do chamado Decreto Executivo PCM-M-016-2009 autoriza a Polícia nacional e as Forças Armadas a "suspender qualquer rádio-emissora, canal de televisão ou sistema a cabo que não ajuste sua programação às presentes disposições" – ou seja, "que ofendam a dignidade humana, a funcionários públicos, ou atentem contra a lei e as resoluções governamentais, ou de qualquer modo atentem contra a par e a ordem pública".

A imprensa hondurenha pró-golpe, ao noticiar o decreto, citou a Rádio Globo e o Canal 36 de TV como em vias de serem fechados. O site do diário ultramichelettista El Heraldo acusa os dois veículos de "fortes críticos do governo de Roberto Micheletti" e, suprema ilegalidade, de "transmitirem constantemente declarações de Manuel Zelaya".

O Decreto secreto só veio a público graças à Rádio Globo e ao Canal 36, que noticiaram seu conteúdo. O assunto chegou a ser indagado durante a coletiva de imprensa neste domingo, em que Carlos López Contreras, o chanceler golpista, ameaçou a embaixada do Brasil de "perder sua condição diplomática" dentro de de dias. Uma jornalista estrangeira perguntou "se é verdadeiro um certo rumor que corre por Tegucigalpa", de suspensão das liberdades civis. Contreras, cinico, respondeu: "Não tenho conhecimento".

Logo depois da coletiva, as primeiras xerocópias do Estado de Sítio começaram a vazar para os correspondentes estrangeiros. Constatou-se então que a assinatura de Contreras figura em terceiro lugar no Decreto Executivo. E o Decreto secreto veio à luz, em sua monstruosa feiura.

"Duas páginas que dão medo"
Pablo Ordaz, jornalista enviado a Tegucigalpa pelo diário espanhol El País – insuspeito de simpatias esquerdistas – comentou: "O Decreto Executivo PCM-M-016-2009 ocupa apenas duas páginas, mas são duas páginas que dão medo. Porque no final o que assinalam é que a liberdade dos cidadãos fica, a partir de agora, por 45 dias, à mercê dos militares e policiais a quem Micheletti deu carta branca."

O regime de Micheletti argumentou, em defesa de seu decreto, que as liberdades constitucionais podem ser suspensas, com base no Artigo 187 da Carta Magna hondurenha. Esta prevê a exceção "em caso de invasão do território nacional, perturbação grave da paz, epidemia ou qualquer outra calamidade geral". O Artigo seguinte (188), deixa claro que em tais casos vige a Lei de Estado de Sítio.

O presidente Zelaya – que, por ironia, os michelettistas acusam de violar a Constituição – ficou sabendo do Decreto na embaixada do Brasil, onde se abriga desde seu retorno a Honduras, dia 21. Para Zelaya, "é uma barbaridade que indigna".

O presidente eleito voltou a estimular seus seguidores à resistência pacífica. A Resistência planejou para esta segunda-feira um grande protesto na capital, assinalando três meses do golpe.

Veja também:

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Clique aqui para ter acesso à Constituição da República de Honduras (em espanhol)

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

PRIVATIZACIÓN DE LAS GUERRAS BUSCA EVADIR CONTROL DEMOCRÁTICO SOBRE OPERACIONES MILITARES

En entrevista exclusiva a teleSUR, el autor de "El negocio de la guerra" manifestó que estas empresas militares privadas gozan del privilegio de impunidad porque ningun juzgado civil o militar puede llevarlos a prisión.

25 agosto 2009/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El maestro en ciencias políticas Darío Azzellini aseguró este martes que el verdadero propósito de la privatización de la guerra es el poder evadir el control democrático que, sobre las operaciones militares, pueda ejercer cualquier gobierno a través de su congreso y sus diputados.

En entrevista exclusiva a teleSUR, el autor de «El negocio de la guerra», manifestó que una de las ventajas fundamentales de la utilización de empresas privadas militares, que manejan la figura de los mercenarios, está en las estadísticas finales de guerra, ya que los mercenarios "no cuentan al momento de hacer el cálculo del resultado de los muertos en una determinada guerra".

En el sentido de la colaboración que estas empresas privadas de personal militar puedan tener en la solución de conflictos, el también investigador social manifestó que "esas empresas sólo ganan si hay conflicto (...) Es absurdo pensar que harán algo para solucionar esos conflictos".

Afirmó que de los conflictos bélicos presentados en los últimos años en los que hubo uso de mercenarios, no hay evidencias que los conflictos hayan sido solucionados. "No es que sea sólo por los mercenarios que eso ha pasado, pero no es real creer que hayan hecho algo para apagar esos conflictos", añadió.

Azzellini indicó que normalmente estas empresas dan como condición para entrar a trabajar en algún país el tener inmunidad frente a la justicia civil de los países, lo cual implica que estas personas no puedan ser juzgadas en ningún país.

"No hay ninguna justicia para ellos porque no son militares, son civiles; pero la justicia civil no puede actuar porque tienen inmunidad, ni la militar porque no le compete", señaló y agregó que la única posibilidad es hacer un juicio en el país de origen; lo cual resulta muy difícil porque la cantidad de víctimas de un determinado caso de guerra no puede trasladarse fácilmente a un juzgado de Estados Unidos o cualquier otro país.

"¿Cuántas víctimas de tortura en Irak tienen la posibilidad de ir a un juicio en los Estados Unidos? Es casi nula la posibilidad y es lo que se está haciendo actualmente en EEUU con Blackwater y por eso todo ese escándalo", indicó el también cineasta Darío Azzellini.

Respecto a la inclusión de mercenarios en las bases colombianas a instalarse próximamente por Estados Unidos, indicó que "en todas las bases que viene llegarán esas empresas privadas".

"Ya hay al rededor de 20 empresas militares de mercenarios trabajando en Colombia pagadas por el pentágono, a través del Plan Colombia (...) Son al rededor de dos mil mercenarios mínimo que hay en Colombia", expresó.

El también autor de "La privatización de las guerras" explicó que siempre se habla de un límite de 600 mercenarios pero ese límite concierte sólo a los mercenarios que tenga pasaporte estadounidense. Sin embargo, "esas empresas evaden eso contratando personal de otros países latinoamericanos".

Finalmente, sobre las prácticas de interrogatorios con torturas realizadas por organismos estadounidenses, Azzellini explicó que estas prácticas son "una pieza fundamental", ya que los torturadores que hacían las interrogaciones trabajaban para esas empresas privadas de güera privilegiados por la impunidad.

Estas declaraciones coinciden con las acciones que esta semana ha tomado el presidente Barack Obama, con la creación de unos comandos para interrogar a sospechosos de terrorismo, que funcionarán desligados de las políticas de la Agencia Central de Inteligencia (CIA), con lo que quedan eliminadas técnicas como privar a los presos de sueño o aturdirles con música a alto volumen; tras la divulgación de un informe oficial que revela abusos cometidos contra presos sospechosos de terrorismo, durante interrogatorios efectuados por esta agencia, que van desde intimidación con pistolas y taladradoras eléctricas, hasta amenazas de asesinar a sus familiares.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Brasil/Emoção marca evento de 30 anos da Lei da Anistia no país

Flávia Villela, repórter

22 agosto 2009/Agência Brasil http://www.agenciabrasil.gov.br

Rio de Janeiro - A emoção marcou o encontro que comemorou os 30 anos de anistia no Brasil. O ato público realizado hoje (22) no Arquivo Nacional, no Centro do Rio, durou cerca de cinco horas e reuniu aproximadamente 300 pessoas que de alguma forma estiveram envolvidas com o processo de redemocratização do país. O evento promoveu o reencontro de ex-presos políticos que estavam encarcerados em 22 de agosto de 1979, quando foi criada a Lei de Anistia. Dentre os homenageados, estavam militantes que realizaram uma greve de fome nacional para forçar o Congresso a aprovar uma lei de anistia ampla, geral e irrestrita.

Gilney Amorim Viana era estudante de medicina em Minas Gerais e foi expulso da faculdade em 1969 por ser militante do Partido Comunista Brasileiro. Ele ficou quase dez anos preso e participou da greve de fome, no presídio da Frei Caneca, no Rio. “A greve de fome serviu para denunciar que o projeto de anistia original era parcial e nos excluía, além de ser uma forma de negar a legitimidade da nossa luta contra a ditadura militar.”

O ministro da Justiça, Tarso Genro, participou do evento e enfatizou que anistia não é perdão, mas um pedido de desculpas aqueles que tiveram seus direitos violados pelo regime militar. “Anistia não é esquecimento, é a revelação da verdade da história e promoção da justiça.”

Visivelmente emocionado, Tarso Genro foi aplaudido de pé, ao ser homenageado pela advogada Eny Moreira, uma das fundadoras do Comitê Brasileiro para a Anistia, criado em 2008. “Como dizia meu pai, honradez não se pede nem se agradece, se aplaude,” disse ela ao ministro.

A ex-gerrilheira Marília Guimarães entrou para a clandestinidade, com dois filhos ainda bebês, em 1969. Ela escreveu um dos livros expostos no evento, que relata o sequestro de um avião em que ela participou para fugir da ditadura. “Muitos morreram, mas todos que estão aqui continuam lutando. Este é um momento de muita emoção, pois passados mais de 30 anos, esta homenagem ajuda manter viva a memória desse período e a impulsionar a juventude a seguir lutando por um mundo melhor.”

Durante a solenidade, foi inaugurada uma exposição de fotos sobre a luta pela anistia e lançada a Revista da Anistia Política e Justiça de Transição. A Lei de Anistia beneficiou milhares de pessoas perseguidas pelo regime militar, permitindo a volta dos exilados e a liberdade dos presos políticos.

O advogado Modesto da Silveira, que defendeu milhares de presos políticos durante todo o período de repressão, foi um dos homenageados no encontro e se disse muito emocionado com as exposições de alguns participantes. “Em cada relato, vieram flashes de histórias semelhantes a vários casos que eu tive de defender.”

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Brasil/Livro conta história de advogados que atuaram contra ditadura

19 agosto 2009/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Uma pesquisa sobre os advogados que atuaram de forma voluntária e gratuita durante a ditadura militar, defendendo os presos políticos no Brasil, está sendo transformada em livro por pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e da Fundação Getulio Vargas (FGV).

O trabalho foi coordenado pelo historiador Oswaldo Munteal e pelos professores Paulo Emílio Martins e Fernando Sá. Os originais foram enviados nesta semana à editora da PUC-RJ. A publicação tem o título provisório de Advogados: A Defesa dos Presos Políticos na Ditadura de 1964.

Segundo Munteal informou à Agência Brasil a obra contém relatos de 15 advogados, inclusive Sobral Pinto e Heleno Fragoso, que já morreram. Profissionais como Técio Lins e Silva, Hélio Bicudo, Marcelo Cerqueira, Modesto da Silveira e Marcelo Alencar também deram seus depoimentos sobre a época conhecida como os anos de chumbo.

“Homens que falaram sobre suas trajetórias nos anos de chumbo. Foi muito importante esse trabalho de investigação sobre as razões que levaram esses advogados a defender os preços políticos gratuitamente. Na verdade, uma bandeira sem mastro, porque eles sabiam que esses homens seriam condenados. Mesmo assim, defenderam-nos”, explicou Munteal.

A pesquisa foi iniciada há um ano e meio e o lançamento do livro está previsto para novembro. (Agência Brasil)