quarta-feira, 6 de julho de 2016

NATO-EXIT OBJECTIVO VITAL



3 julho 2016, Odiario.infohttp://www.odiario.info (Portugal)


Se em Itália há preocupação com a submissão e as declarações Matteo Renzi nas provocações da NATO à Rússia, em Portugal os media encantam-se quando Marcelo Rebelo de Sousa, se põe em bicos de pés para responder que a sua participação na encenação está prevista com uma visita aos 90 militares portugueses que acompanham os 4 aviões F-16: «Em princípio está pensado, veremos quando»!

Marcelo Rebelo de Sousa terminou o curso de Direito em 1971, três anos antes de 25 de Abril. Ao contrário da quase totalidade dos jovens do seu tempo e na sua situação escolar continuou civil até ao dia, já em 2016, em que assentou praça como Comandante Supremo das Forças Armadas Portuguesas…

A viagem à Lituânia deve servir para ganhar a experiência militar que lhe falta e devia ter adquirido há mais de 40 anos.

Enquanto a atenção político-mediática se concentra no Brexit e na possibilidade de outros países prepararem a saída da União Europeia, a NATO continua a reforçar a sua
presença e a sua influência na Europa. Ao aperceber-se que «o povo britânico decidiu abandonar a União Europeia», o secretário-geral da aliança atlântica, Jens Stoltenberg, assegura que «o Reino Unido continuará a desempenhar o seu papel dirigente na NATO». Afirma ainda que, face à crescente instabilidade e incerteza, «a NATO é mais importante que nunca como base de cooperação entre aliados europeus e entre a Europa e a América do Norte».

No momento em que a União Europeia se estilhaça e perde pedaços, devido à rebelião de largos sectores populares afetados pelas políticas «comunitárias», e ainda sob o efeito das suas próprias rivalidades internas, a NATO proclama, mais explicitamente que nunca, ser a base da União entre os estados europeus. E estes vêem-se assim cada vez mais subordinados e submetidos à canga dos EUA, país que reforça a sua posição de líder deste bloco militar.

A cimeira de chefes de Estado e de governo da NATO a realizar em Varsóvia dias 8 e 9 de Julho foi preparada num encontro de ministros da Defesa – dias 13 e 14 de junho – encontro que foi alargado à participação da Ucrânia, apesar deste último país não ser membro da NATO. Os ministros da Defesa decidiram reforçar a «presença avançada» no leste da Europa, às portas da Rússia, com a deslocação de 4 batalhões multinacionais báticos na Polónia.

Este deslocamente de tropas pode ser rapidamente reforçado, como o demonstrou um exercício da «Força Avançada» que incluiu a deslocação de um milhar de soldados e 400 veículos militares de Espanha para a Polónia em 4 dias. Com o mesmo objetivo foi decidido aumentar a presença naval da NATO no Mar Báltico e no Mar Negro, até aos limites das águas territoriais russas. Ao mesmo tempo, a NATO enviará mais forças militares, e aviões-radar AWACS para o Mediterrâneo, o Médio Oriente e África.

Nessa mesma reunião, os ministros de Defesa comprometeram-se a incrementar em mais de 3.000 milhões de dólares os gastos militares da NATO em 2016 – gastos que, unicamente em orçamentos militares, são mais de metade dos gastos militares registados a nível mundial. É este o prelúdio da iminente cimeira de Varsóvia, que tem 3 objetivos fundamentais:

• «Fortalecer a dissuasão», ou seja, as forças nucleares da NATO na Europa;

• «Projetar a estabilidade para além das fronteiras da Aliança», ou seja enviar forças militares patra o Médio Oriente, África e Ásia e, inclusivemente, para lá do Afeganistão;

• «Ampliar a cooperação com a União Europeia», o que significa aprofundar a integração das forças europeias na NATO dirigida e comandada pelos EUA.

A crise da União Europeia abertamente declarada com o Brexit facilita o projeto de Washingto: com o TTIP, elevar a NATO até um nível superior criando assim um bloco militar, político e económico EUA-UE, contra a área euroasiática em ascensão, baseada na aliança entre a Rússia e a China.

Neste quadro, a afirmação do Primeiro-ministro italiano Matteo Renzi no forum de S. Petersburgo que «a expressão “guerra-fria” está fora da história e da realidade, que a EU e a Rússia voltam a ser excelentes vizinhos» é tragicamente grotesca. A morte e funeral do gasoduto South Stream Rússia-Itália e as sanções à Rússia, tudo por ordem de Washigton, já custaram à Itália milhares de milhões de euros.

E os novos contratos assinados em S. Petersburgo, a qualquer momento, podem voar em pedaços de papel no meio do campo da escalada da NATO contra a Rússia. Escalada em que participa o governo Matteo Renzi que, entretanto, já disse que a Guerra-Fria está fora da realidade, mas colabora na colocação em solo italiano das novas bombas atómicas estadounidenses para atacar a Rússia.

* Geógrafo e comentador de política internacional

Tradução de José Paulo Gascão

Nenhum comentário: