sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

China/Macau poderá servir de ponte entre Shenzhen e países de língua portuguesa

21 fevereiro 2014, Macauhubhttp://www.macauhub.com.mo (China)

Macau poderá ser a plataforma para que a zona económica especial de Shenzhen aumente as suas relações comerciais com os países de língua portuguesa, disse quinta-feira em Macau o presidente do município de Shenzhen Xu Qin.

No final da reunião anual de cooperação Shenzhen-Macau de 2014, que contou com a presença do Chefe do Executivo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), Chui Sai On, Xu Qin disse que Shenzhen obteve já resultados positivos ao ter aproveitado o papel de Macau como plataforma de serviços para a cooperação económica e comercial entre a China e os países de língua portuguesa.

“Gostaríamos de ver os produtos das nossas principais indústrias a entrarem nos países de língua portuguesa e penso que Macau tem um papel a desempenhar para que isso aconteça”, disse Xu Qin, que acrescentou ser Macau “insubstituível” enquanto plataforma para o aprofundamento das relações económicas e comerciais entre a China e os países de língua portuguesa.

O presidente do município de Shenzhen adiantou ter informado as autoridades de Macau “do nosso desejo de reforçar a cooperação em termos ambientais, particularmente no que respeita aos veículos eléctricos” e salientou que este tipo de veículos é cada vez mais utilizado na zona económica especial, onde há mais de 6000 veículos eléctricos privados e 4000 para transportes públicos.

Depois da reunião, os responsáveis dos departamentos da área da promoção do comércio e do turismo de Shenzhen e de Macau assinaram um protocolo para reforçar o intercâmbio e a cooperação no âmbito do comércio e um memorando de entendimento no âmbito de cooperação turística.

De acordo com o protocolo de reforço do intercâmbio e da cooperação no âmbito do comércio, Shenzhen e Macau vão trocar informações sobre a cooperação comercial e de investimento para melhorar o mecanismo de consultas bilaterais, incentivar e apoiar as empresas dos dois territórios para a diversificação da cooperação na área do comércio, organizar visitas de intercâmbio, participar de forma activa em exposições organizadas por um dos territórios e potenciar o papel de plataforma de Macau para impulsionar o comércio entre Shenzhen e os países de língua portuguesa.

Nos termos do memorando de entendimento para a cooperação turística, Shenzhen e Macau vão continuar a reforçar a comunicação e colaboração da equipa de ligação na área da cooperação do sector do turismo, a criar canais de comunicação permanente para discutir projectos de cooperação turística, viagens conjuntas para o interior do país e estrangeiro para actividades promocionais na área do turismo e apoiar a divulgação e actividades promocionais realizada por cada um dos territórios bem como promover amplamente os produtos turísticos e roteiros com excursões de qualidade de Shenzhen e Macau. (macauhub)


Angola/Milhares de lojas no mundo rural

21 fevereiro 2014, Jornal de Angola http://jornaldeangola.sapo.ao/ (Angola)

José Rufino | Luena

“Estão a ser criadas condições para aumentar o rendimento das famílias com a instalação, em cada município, de centros integrados  de microprocessamento de alimentos e inserção da população no mercado de emprego”, garantiu a ministra, durante a visita de dois dias que efectuou ao Moxico.

Rosa Pacavira referiu  que  o Executivo  estimulou, em todo o país, vários investimentos ligados  ao Programa de Luta Contra a Pobreza, razão pela qual estão a ser efectuadas visitas de constatação, para avaliar a execução física e financeira dos mesmos.
 
Durante o encontro de auscultação e concertação social, a ministra ouviu as explicações dos administradores municipais sobre a aplicação dos projectos e recomendou mais transparência na aplicação das verbas.

Rosa Pacavira realçou que a maioria dos projectos desenvolvidos em todo o país consistiu  na construção de escolas e distribuição da merenda escolar. O programa “Água para todos” foi pouco dinâmico em 2013, mas garantiu que o Executivo vai trabalhar no sentido de a água chegar a toda a população. O Programa de Aquisição de Produtos Agro-Pecuários (PAPAGRO) começa em Março, na Lunda Norte, anunciou, no Dundo, a ministra do Comércio.

Rosa Pacavira, que fez o anúncio na reunião com os membros do Governo Provincial, referiu que o Programa de Combate à Pobreza tem registado melhorias desde 2010.

O PAPAGRO, recordou, destina-se a contribuir para o aumento do rendimento das famílias camponesas e de outros produtores, estimular a produção interna e reduzir as importações do que pode ser cultivado em Angola. O programa, criado pelo Executivo, pretende igualmente assegurar o escoamento e comercialização regular da produção nacional pelos serviços logísticos e distribuir todos os excedentes da produção familiar camponesa, das cooperativas e associações agrícolas.

O PAPAGRO tem como principais clientes os Ministérios de Defesa e do Interior e as empresas petrolíferas e da construção civil.

Na reunião, que serviu para avaliar a execução do programa na província, a ministra também anunciou a entrada em funcionamento este ano de um programa de mobilização social para incentivar a população a vender ao Estado lixo que recolha.  No encontro participaram a vice-governadora para área económica, DeolindaVilarinho, em representação do governador provincial, e membros do conselho da auscultação social.


PROTESTOS ORQUESTRADOS POR WASHINGTON DESESTABILIZAM A UCRÂNIA

15 fevereiro 2013, Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Paul Craig Roberts*

Os protestos no ocidente da Ucrânia são organizados pela CIA, pelo Departamento de Estado dos EUA e por organizações não governamentais (ONGs) financiadas pela UE que trabalham em conjunto com a CIA e o Departamento de Estado. A finalidade dos protestos é anular a decisão do governo independente da Ucrânia de não aderir à UE.

Os EUA e a UE inicialmente estavam a cooperar no esforço para destruir a independência da Ucrânia e torná-la uma entidade subserviente ao governo da UE em Bruxelas. Para o governo da UE, o objectivo é expandir a UE.

Para Washington as finalidades são tornar a Ucrânia disponível para o saqueio por bancos e corporações dos EUA e trazer a Ucrânia para dentro da NATO de modo a que Washington possa ganhar mais bases militares na fronteira da Rússia.

Há três países no mundo que estorvam o caminho da hegemonia de Washington sobre o mundo – a Rússia, a China e o Irão. Cada um destes países é atacado por Washington para derrube ou para que a sua soberania seja degradada pela propaganda e bases militares dos EUA que deixam os países vulneráveis a ataque, portanto coagindo-os a aceitar a vontade de Washington.

O problema que se levanta entre os EUA e a UE em relação à Ucrânia é que os europeus perceberam que a tomada da Ucrânia é uma ameaça directa à Rússia, a qual pode cortar o petróleo e gás natural à Europa, e se houver guerra destruir a Europa completamente. Consequentemente, a UE tornou-se mais favorável a parar de provocar protestos na Ucrânia.

A resposta da neoconservadora Victoria Nuland, nomeada secretária de Estado Assistente pelo Obama de duas caras, foi "F**-se a UE", quando tratava de descrever os membros do governo ucraniano que Washington pretendia impor sobre um povo tão inconsciente a ponto de acreditar que estão a alcançar a independência ao precipitar-se nos braços de Washington. Outrora eu pensava que nenhuma população do mundo podia ser tão inconsciente quanto a população dos EUA. Mas eu estava errado. Os ucranianos ocidentais são ainda mais inconscientes do que os americanos.

A orquestração da "crise" na Ucrânia é fácil. A neoconservadora secretária de Estado Assistente Victoria Nuland contou no National Press Club, em Washington, dia 13/Dezembro/2013, que os EUA "investiram" US$5 mil milhões em agitação na Ucrânia.

A crise assenta essencialmente na Ucrânia ocidental, onde ideias românticas acerca da opressão russa são fortes e a população é menos russa do que na Ucrânia oriental.

O ódio da Rússia na Ucrânia ocidental é tão disfuncional que os ludibriados protestantes não percebem que aderir à UE significa o fim da independência da Ucrânia e o domínio por parte dos burocratas da UE em Bruxelas, do Banco Central Europeu e de corporações dos EUA. Talvez a Ucrânia seja dois países. A metade ocidental poderia ser dada à UE e a corporações dos EUA e a metade oriental poderia ser reincorporada como parte da Rússia, onde assentava toda a Ucrânia desde que os EUA existem.

A insatisfação para com a Rússia que existe na Ucrânia ocidental torna fácil para os EUA e a UE provocar perturbações. Aqueles em Washington e na Europa que pretendem destruir a independência da Ucrânia retratam-na como uma refém da Rússia, enquanto a Ucrânia na UE estaria alegadamente sob a protecção dos EUA e da Europa. As grandes somas de dinheiro que Washington despeja em ONGs na Ucrânia propagam esta ideia e trabalham a população para uma inconsciência frenética. Nunca na minha vida testemunhei um povo tão inconsciente como os protestantes ucranianos que estão a destruir a independência do seu país.

As ONGs financiadas pelos EUA e UE são quinta colunas destinadas a destruir a independência dos países nos quais operam. Algumas pretendem ser "organizações de direitos humanos". Outras doutrinam pessoas sob a capa de "programas de educação" e de "construção da democracia". Outras ainda, especialmente aquelas dirigidas pela CIA, especializam-se em provocações, tais como as "Pussy Riot". Poucas, se é que alguma, destas ONGs são legítimas. Mas elas são arrogantes. O chefe de uma da ONGs anunciou antges das eleições iranianas na qual Mousavi era o candidato de Washington e da CIA que a eleição resultaria numa Revolução Verde. Ele sabia antecipadamente, porque havia ajudado a financiá-la com dólares do contribuinte estado-unidense. Escrevi acerca disso na altura. Isso pode ser encontrado no meu sítio web,www.paulcraigroberts.org , e no meu livro que acaba de ser publicado, How America Was Lost.

Os "protestantes" ucranianos têm sido violentos, mas a polícia tem sido contida. Washington tem um interesse oculto em manter os protestos em andamento na esperança de transformá-los numa revolta de modo a que possa apossar-se da Ucrânia. Esta semana a Câmara de Deputados dos EUA aprovou uma resolução a ameaçar sanções se os protestos violentos fossem sufocados pela polícia.

Por outras palavras, se a polícia ucraniana comportar-se com protestantes violentos do mesmo modo como a polícia dos EUA comporta-se com protestantes pacíficos, isso é uma razão para Washington interferir nos assuntos internos da Ucrânia. Washington está a utilizar os protestos para destruir a independência da Ucrânia e já tem pronta uma lista de fantoches que pretende instalar como o próximo governo do país.

*Ex secretário Assistente do Tesouro para Política Económica e editor associado do Wall Street Journal. Colaborou na Business Week, Scripps Howard News Service e Creators Syndicate. Seu livro mais recente é The Failure of Laissez Faire Capitalism and Economic Dissolution of the West.

O original encontra-se em www.globalresearch.ca/... 


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Patria Grande/Venezuela denuncia ante la CELAC amenazas de Estados Unidos

19 febrero 2014, 11:28 am, TeleSUR http://www.telesurtv.net (Venezuela)

El Canciller venezolano rechazó que a la derecha venezolana y a la internacional no les baste la institucionalidad democrática de la que goza la nación suramericana, pues el Gobierno de la Revolución Bolivariana ganó 18 de 19 procesos electorales en los que se midió.

El canciller venezolano, Elías Jaua, denunció este miércoles ante los embajadores de los países miembros de la CELAC las amenazas del Departamento de Estado de Estados Unidos, en medio de un intento de golpe de Estado realizado por la derecha venezolana financiada por Washington.

Jaua entregó a los embajadores presentes una carta donde dan a conocer lo dicho por un vocero estadounidense al representante permanente de Venezuela en la OEA, Roy Chaderton.
“Esta comunicación, les rogamos, se la hagan llegar sus respectivos gobiernos como una alerta de una amenaza, de un hecho que se ha consumado de acuerdo a las libertades públicas”.

El Canciller rechazó que a la derecha venezolana y a la internacional no les basta la institucionalidad democrática de la que goza la nación suramericana, pues el Gobierno de la Revolución Bolivariana ganó 18 de 19 procesos electorales en los que se midió desde 1998, liderado por el comandante eterno Hugo Chávez.

"No les basta la legitimidad democrática. No han sido suficiente 19 elecciones de las que hemos ganado 18 para que vean que la mayoría ha buscado el cambio profundo de la sociedad venezolana (...) por un lado apoyan la democracia, pero por otro conspiran con acciones violentas para provocar un golpe de Estado", expresó el canciller.

Asimismo, indicó que en el gobierno del dignatario Nicolás Maduro, se ha respetado el derecho a la protesta pacífica establecido en la Constitución y aseguró que el derecho a la disidencia fue propiciado por el líder de la Revolución Hugo Chávez desde inicios de su mandato.

"En todos los procesos electorales hemos planteado que el carácter de nuestro proyecto es el socialismo, sin negar el derecho a protestar de quienes opinan distinto, y se les garantiza el derecho a expresarse, como se les garantizó el 12 de febrero. Los sectores juveniles de la oposición se expresaron en todo el país y plantearon sus inquietudes en cuanto a temas que reconocemos son problemas nacionales como la seguridad pública y el desabastecimiento producto de la guerra económica", expresó.

Desde inicios de la Revolución Bolivariana, Venezuela ha vivido un proceso de integración de los sectores menos favorecidos en la política venezolana, por ello los seguidores del proyecto socialista también han tomado las calles: en apoyo al Gobierno o para exigir mejoras, que se responden posteriormente.

El canciller destacó que antes de la Revolución se encontró: “una sociedad que a través de la política de privatización no había podido contar con los recursos para disminuir la pobreza extrema”.

Jaua agradeció a países aliados como China y Rusia por la preocupación que manifestaron por los hechos de violencia ocurridos en Venezuela.

Indicó que en caso de requerir mediación, Venezuela solo aceptaría la intervención de la Unión de Naciones Suramericanas (Unasur), en caso de ser necesario.

Venezuela/EUA apoiaram opositores violentos, denuncia jornalista

17 fevereiro 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

“O governo dos Estados Unidos apoiou os opositores violentos desde o começo – com dinheiro e apoio político”. A denúncia foi feita pela jornalista e advogada venezuelano-americana, Eva Golinger em entrevista ao cientista social Juan Manuel Karg para o jornal argentino El Tiempo. Para ela, os jovens estudantes que participam das marchas da oposição, não lutam por mais direitos para o povo e sim “para tomar o poder do povo para empresas e pessoas de dinheiro”.

Eva tem se dedicado nos últimos anos a estudar a ingerência estadunidense na Venezuela e em outros países da América Latina. Para ela, os ocorridos no país caribenho desde o dia 12 de fevereiro têm grandes semelhanças com 2012 quando o ex-presidente Hugo Chávez vivenciou um golpe mal sucedido. Na ocasião, “houve uma condenação imediata do governo estadunidense contra o governo Chávez baseada na mentira e logo reconheceram o governo golpista”, lembrou.

Participação dos EUA
“Realmente, Washington havia apoiado o golpe [de 2002] desde o começo, inclusive financiando grupos envolvidos e os respaldando com equipes militares e estratégias políticas e de comunicação. Agora acontece algo semelhante com os meios de comunicação privados na Venezuela e os internacionais, que estão mentindo sobre os responsáveis pela violência e dizendo que o governo de Nicolás Maduro é o culpado, quando na realidade são os manifestantes opositores que estão provocando a violência”, esclareceu.
A jornalista pontuou que nas manifestações de 12 de fevereiro morreram três pessoas entre opositores e chavistas: “autoridades venezuelanas afirmaram que a mesma arma foi usada para matar dois destes jovens – um de oposição e um chavista. Então isso abre a possibilidade de que tenha sido um francoatirador ou um infiltrado preparado para matar as pessoas dos dois lados, de modo a provocar mais violência – uns contra os outros”. 

Ainda sobre a participação dos EUA em questões internas do país, ponderou: “O governo dos Estados Unidos tem apoiado a oposição violenta desde o início – com dinheiro e apoio político —. O Departamento de Estado já emitiu declarações ‘
condenando’ a suposta repressão do governo venezuelano contra manifestantes e exortando que ‘respeitem os direitos humanos’. Nada poderia ser mais hipócrita porque, nos EUA jamais permitiriam manifestações tão violentas como as que estão sendo feitas por opositores na Venezuela, bloqueando estradas, destruindo prédios públicos, queimando pneus e lixo nas ruas, atirando bombas molotov”.

A mesma direita
A autora do livro O Código Chávez e a Agressão Permanente lembrou que o líder da oposição Leopoldo López esteve envolvido no golpe contra Chávez, quando era prefeito de Chacao, em Caracas. “Hoje, ele e outra líder da extrema-direita, Maria Corina Machado – que também estava no golpe de Estado em 2002 e assinou o decreto do ditador Pedro Carmona, que dissolveu todas as instituições democráticas do país são os responsáveis pela violência atual”. 
“Eles estão há meses dizendo publicamente que a saída do governo não é ‘eleitoral’ . A grande diferença entre 2002 e hoje na Venezuela são os protagonistas dos fatos: hoje são grupos de jovens e estudantes, enquanto que em 2002 foram os mesmos políticos que estiveram no poder antes. Claro, os jovens opositores são principalmente de classe média e alta. Sua luta não é para os direitos dos povos; é para tomar o poder do povo para empresas e pessoas de dinheiro. E muitos deles são parte de organizações que receberam centenas de milhares de dólares em financiamento de agências de Washington nos últimos sete anos, com a intenção de treiná-los e formá-los nas táticas e estratégias de desestabilização para derrubar o governo e instalar um favorável aos interesses dos EUA”.

Ela observa ainda que nunca houve unidade entre a oposição que apoiou Henrique Capriles como candidato à presidência nas duas últimas eleições. “Eles não são um partido único, nem compartilham a mesma ideologia como o caso do chavismo. Na oposição há mais de 20 partidos, organizações e grupos diferentes que têm suas próprias agendas. Eles só concordaram em seu desejo de derrubar o chavismo e agora o governo de Nicolás Maduro. Mas daí a apresentar alguma alternativa ou maneira de fazê-lo em que todos estejam de acordo, eles nunca fizeram em 15 anos”. 

Integração regional
Questionada sobre a importância da integração regional no respaldo aos governos progressistas, Eva Golinger avaliou que " sem dúvida a união, a força e a soberania que existe hoje na América Latina, graças aos esforços e a liderança do presidente Hugo Chávez, serve como o principal defensor e protetor dos governos democráticos na região. As manifestações de solidariedade e apoio de países vizinhos da região para com o governo Maduro evidenciam esta força. E não é a primeira vez que a união e a solidariedade regional impedem um golpe de Estado na região contra um governo progressista: aconteceu na Bolívia em 2008 e no Equador em 2010. Agora, o apoio à Venezuela demonstra que a região não aceitará outro golpe ou ruptura constitucional contra um governo democrático, e isso é muito importante".


Da redação do Portal Vermelho,
Vanessa Martina Silva, com informações de El Tiempo

Patria Grande, Bolivia/Morales denuncia conspiración de EEUU contra democracia de Venezuela ante éxito de Celac

18 febrero 2014, ULAN Unión Latinoamericana de Agencias de Noticias http://agenciasulan.org (Argentina)

La Paz, (ABI)-- El presidente Evo Morales denunció el martes una conspiración abierta del ‘imperio’ de Estados Unidos contra la democracia de Venezuela, ante el éxito de la cumbre de la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (Celac), realizada en enero en La Habana, Cuba.

Los presidentes y gobiernos de la Celac decidimos declarar (América Latina y el Caribe) una zona de paz y después viene esta conspiración, por supuesto como una venganza del Gobierno de Estados Unidos, dijo en una entrevista con la cadena internacional Telesur.
En esa dirección, sostuvo que pedir la renuncia del presidente de Venezuela, Nicolás Maduro, es una abierta conspiración a la democracia.
El imperio usando las oligarquías de los países de América Latina, a veces usando sus propios instrumentos como la Embajada y Usaid invierten para acabar con un Presidente de un Gobierno antiimperialista, buscan una dominación política para un saqueo económico, esa es la triste historia de toda América Latina y el Caribe, dijo.
Recordó que la historia de América Latina se basa en que el imperio busca conflictos y cuando no encuentran conflictos buscan como acabar con líderes políticos o dirigentes sindicales antiimperialistas mediante masacres, torturas y confinamientos.
En los últimos años ha terminado esta clase de acabar con a vida porque los pueblos defienden democráticamente, revoluciones con la conciencia de los pueblos y la participación para recuperar los recursos naturales, dijo.
Apuntó que el imperio norteamericano financia grupos violentos y terroristas para enfrentar a los pueblos y justificar una intervención de Cascos Azules y de la OTAN.
Esa es la nueva estrategia política intervencionistas del Gobierno de Estados Unidos, afirmó.


El Gobierno de Estados Unidos usan grupos de venezolanos para enfrentar y posibilitar una intervención de casos azules como la OTAN, eso busca Estados Unidos y por eso es importante hacer una profunda conciencia no solamente en Venezuela sino en toda América Latina y el Caribe porque estamos en procesos de liberación, complementó.

Pátria Grande, Brasil, Argentina, Chile/OS DESAFIOS E SEMELHANÇAS DAS TRÊS PRESIDENTAS DA AMÉRICA DO SUL

14 fevereiro 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
Eleita para governar o Chile pela segunda vez, Michelle Bachelet assumirá a presidência do país no dia 11 de março com o desafio de não decepcionar os eleitores que querem um governo diferente do neoliberal Sebastian Piñera. Com isso, ela deve se aproximar politicamente de países sul-americanos, especialmente Brasil e Argentina, que carregam entre si as semelhanças e os problemas criados por terem saído de ditaduras há pouco tempo, embora de formas distintas.

Por Débora Fogliatto, no Sul21
Cristina Kirchner, Michelle Bachelet e Dilma Rousseff foram as primeiras mulheres eleitas para governar seus países, todas pelo menos 15 anos após a redemocratização de nações que passaram por períodos ditatoriais. Apesar deste traço histórico em comum, as situações dos três países, atualmente, é bastante distinta. Conforme explica o professor associado de Economia da UFRGS e economista da FEE Luiz Augusto Faria, Bachelet ainda tem, neste segundo mandato, “a dívida que o Brasil e a Argentina já estão pagando” no que diz respeito a programas sociais e melhorias de serviços públicos.

A socialista Bachelet governou o país de 2006 a 2010, sendo sucedida pelo atual presidente, e agora voltará ao comando em uma situação política diferente. O Chile passou por mobilizações estudantis que pediam por educação pública, começando em 2007, ainda no seu governo, e se acentuando durante os anos de Piñera. Agora, a presidenta-eleita promete fazer uma ampla reforma na educação e construir novas escolas públicas. A situação do congresso no país, com a eleição de alguns dos líderes dos protestos estudantis, pode colaborar para que Bachelet consiga realizar mais projetos de cunho esquerdista do que foi possível em seu mandato anterior.

Nos três países sul-americanos, os governos ditatoriais privatizaram serviços até então estatizados. No Chile e na Argentina, isso foi ainda mais marcante, mas no segundo país a re-estatização já está sendo realizada, especialmente desde o governo de Nestor Kirchner (2007-2010), antecessor de Cristina. “O Estado argentino se fortaleceu com a re-estatização de serviços como a previdência e a companhia de petróleo. Já no Chile isso nunca aconteceu. Outro fator é que a educação pública foi destruída no país, tudo é pago”, esclarece Faria.

O cientista político e professor da ESPM, Bruno Lima Rocha, aponta que, apesar de semelhanças entre os projetos das três presidentas, em termos de avanços relacionados ao fim das desigualdades sociais, ainda há diferenças gritantes. “Temos que ser justos, o governo da Cristina tem uma incidência do papel do Estado maior que no Brasil, e no governo Dilma é muito maior que no do Chile. Apenas agora no retorno da Bachelet é que ela se compromete com uma agenda social e com o desmonte de parte da herança de Augusto Pinochet”, explica, referindo-se ao ditador que comandou o Chile entre 1973 e 1990 e que realizou as privatizações no país.

E é com este novo mandato que Bachelet poderá se “reorientar”, conforme definiu Rocha. “Ela volta com uma agenda social, que na coalizão de seu primeiro governo sempre foi um pouco tímida. Agora, inclusive ao mobilizar os líderes da luta estudantil, ela pode se reorientar”, considera o cientista político. A Concertación, coalizão que comandou o país por vinte anos, até o primeiro mandato de Bachelet, passou por algumas mudanças e, agora chamada Nueva Mayoría, enfrenta o desafio de ser cobrada pelos movimentos sociais e estudantis.

Economicamente, enquanto Brasil e Argentina têm muitas semelhanças, com o olhar voltado para os vizinhos da América do Sul, o Chile tem um histórico de exportações para os Estados Unidos e para a Ásia. “Há uma ação norte-americana que quer de certa forma cercar o Brasil, a Argentina e Venezuela, pelo Pacífico, com o projeto de Aliança do Pacífico. Mas ao mesmo tempo, o Peru, o Chile e a Colômbia fazem parte da Unasul, e quando o Chile foi presidente (durante o primeiro governo de Bachelet), o mandato da Unasul foi muito sul-americano”, aponta Faria, destacando que espera “que esse tipo de política volte” a partir de 2014.

Ao contrário do Chile, onde os serviços continuam privatizados e a economia é voltada para as exportações, na Argentina, onde a presidenta Cristina Kirchner encerra seu mandato em 2015, o poder Executivo tem as rédeas do país. “A Cristina é uma dirigente peronista prática, modelada para a situação atual. Não institucionalizar seu governo é parte de um governo argentino típico”, definiu Bruno Lima Rocha, em uma referência ao modelo político criado a partir do pensamento do ex-presidente Juan Perón, que tem como bandeiras a justiça social, um governo centralizado e popular.


O país passa por um momento de tensão econômica, com a desvalorização da moeda e o temor inflacionário. A presidenta continua implantando medidas de investimento social, e anunciou na quarta-feira (5) passada o aumento dos benefícios aos aposentados e pensionistas. Em discurso em rede nacional, Kirchner criticou os que chamam seu governo de “inflacionário” e “populista”, afirmando que “os direitos na Argentina continuam a ser ampliados”.

E mesmo com as aproximações entre os governos de Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, ambas com histórico de militância política com viés esquerdista, os dois países se diferem em formas estruturais e históricas. “A melhor definição é de um colega meu, a de que a Argentina é como se fosse um cavalo indomável correndo campo a fora. E o Brasil é um elefante, anda a passos muito lentos. A Argentina é um país em construção permanente”, comparou o cientista político. Luiz Augusto Faria afirma que, em termos de economia internacional, é inegável a aproximação entre Brasil e Argentina, o que marcou o primeiro ano de gestão de Dilma.

Os dois países contam com programas sociais contra a miséria e a pobreza, buscando promover a inclusão social, e isso ainda é “muito tímido” no Chile, conforme explicou Faria. “O grande desafio de Bachelet é encarar isso, porque o modelo econômico chileno é muito excludente, é um modelo exportador de recursos naturais do país”, esclareceu. Na avaliação dos especialistas, a presidenta do Chile, que assume o governo em pouco mais de 30 dias, provavelmente irá tentar aproximar politicamente seu país das vizinhas Cristina Kirchner e Dilma Rousseff.

Brasil/OS POTENCIAIS DOS PROGRAMAS ANTIPOBREZA

17 fevereiro 2014, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Demos os primeiros passos e já falam em esgotamento do modelo, muitos com a esperança que se esgote, e com as vistas postas nas eleições. A comprovação estaria no “pibinho”. Tirou-se 36 milhões de pessoas da miséria, ampliou-se um pouco a profundidade do mercado consumidor, e agora teríamos de buscar outros caminhos. Na realidade não há esgotamento, e os potenciais do desenvolvimento decente e sustentável continuam centrados na redução da miséria, na inclusão produtiva, na elevação da massa salarial e dos direitos sociais.

Entre 1991 e 2010 o aumento da renda familiar per capita medido pelo IDH nos 5.565 municípios do país, esforço conjunto das Nações Unidas, IPEA, FJP e IBGE, foi de 346 reais. Isto representa muito para os mais pobres, mil reais por mês para uma família de três pessoas, mas é suficiente?

O estudo também mostra que neste período tivemos no Brasil um ganho médio de 9 anos de expectativa de vida, passando de 65 para 74 anos, o que representa um resultado espetacular em tão curto período. Mas outros países estão acima de 80 anos.
 
A educação foi a que mais avançou, com o IDHM (Indicador de Desenvolvimento Humano Municipal) passando do trágico 0,28 em 1991 para 0,64 em 2010. Foi o maior avanço em termos de ritmo, mas ainda é o que é o nosso pior indicador, pelo trágico que era o ponto de partida. Neste indicador de educação, um componente é que a população de 18 a 20 anos com ensino médio completo passou de 13% para 41%, um gigantesco avanço, mas também um imenso atraso a recuperar.

Os dados aí estão, o Brasil acordou mesmo, e está avançando a passos largos, mas ainda está a anos luz das necessidades para um país minimamente equilibrado, para uma vida digna no andar de baixo, e um luxo menos espalhafatoso no andar de cima. Não há dúvida de que a injeção de recursos na base da sociedade foi essencial para este despertar, pois a partir de um certo nível de falta de recursos a pobreza se transforma também em falta de oportunidade, na chamada armadilha da pobreza. Esta armadilha está sendo rompida.

O entusiasmo inicial de quem olha apenas para o PIB, que chegou a dar um salto muito expressivo, é míope, por olhar essencialmente para o consumo imediato e de fortes repercussões no mercado, com a compra, por exemplo, da linha branca e de carros. Uma família ter geladeira significa que a comida que pode ser guardada, que o remédio não estraga. O carro não é o problema que se proclama – parece até divertido os mais aquinhoados acharem um acinte pobre ter carro - pois o problema está na ausência de transporte público para os deslocamentos de milhões se dirigindo para basicamente os mesmos destinos nos mesmos horários em transporte individual. O uso do carro para deslocamentos familiares diversificados não é a questão central, e sim a insuficiente presença do sistema público de transporte de massa. 

É este segmento de expansão do acesso ao básico que está diminuindo. Na análise da PNAD de 2012 sobre a posse de bens duráveis, “Em 98,7% dos domicílios particulares permanentes investigados em 2012 havia fogão. Nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, os percentuais dos que tinham esse bem superou 99%. Nas Regiões Norte e Nordeste essas proporções foram, respectivamente, de 97,3% e 97,5%. A pesquisa confirmou o avanço na posse de alguns bens duráveis de 2011 para 2012, tais como: geladeira (de 95,8% para 96,7%); máquina de lavar roupa (de 51,0% para 55,0%) e televisão (de 96,9% para 97,2%).(...) Em 2012, os percentuais de domicílios em que ao menos um morador possuía carro ou motocicleta para uso pessoal foram de 42,4% (26,7 milhões de unidades) e 20,0% (12,6 milhões de unidades), respectivamente.” (PNAD 2012, IBGE, p. 72)

Esta inclusão pelos bens duráveis deve sem dúvida continuar, pois não se concebe um domicílio sem geladeira, e muito menos sem luz, que era uma dimensão trágica de milhões de pessoas antes do Luz para Todos. Mas o impacto desta linha de atividades deve tornar-se menor, pelo nível alcançado. O importante aqui, é que conforme avança o nível de renda e a sociedade passa a ter acesso ao essencial, gera-se uma diversificação de demanda. Não é o volume de atividades que diminui, tanto assim que temos o menor desemprego da história, mas a sua composição que se desloca.

As pessoas passam a ter necessidade de melhorar o entorno da casa, em particular com saneamento, urbanização decente, infraestruturas de bairro, o conjunto das coisas que não se resolvem por consumo individual, e sim por consumo coletivo. Uma família não resolve sozinha a questão do esgoto ou dos alagamentos. E consumo coletivo exige políticas públicas. Um sistema de esgoto instalado gera muito bem-estar nas famílias, coisa que não é medida pelo PIB, e inclusive pode diminuí-lo ao reduzir as doenças e hospitalizações. Calcula-se que um real investido em saneamento reduz em 4 reais os gastos com saúde.
 
Economizar dinheiro racionaliza a composição dos nossos gastos, mas não aumenta o PIB. Aliás o que aumenta o PIB é jogar pneus e fogões velhos nos rios e córregos, pois isto obriga a contratar empresas para o desassoreamento, o que “ativa” a economia. Além do tamanho do PIB, aliás perfeitamente razoável na conjuntura (2,3%), temos de olhar para a qualidade do PIB.
As áreas como saúde e educação tornaram-se eixos muito mais importantes do gasto das famílias. Grande parte deste esforço passa sob forma de consumo coletivo através de serviços públicos – é o imposto convertido em renda familiar de forma indireta – e não tem impactos imediatos de aumento do PIB. O investimento que fazemos na educação dos jovens hoje é essencial, mas irá se reverter em melhor produtividade sistêmica dentro de dez ou quinze anos, quando este jovem se tornar mais produtivo.

As grandes infraestruturas que são objeto hoje de importantes investimentos têm características semelhantes. Uma ferrovia que reduz o custo tonelada-quilómetro do transporte de produtos representa hoje um sacrifício, mas amanhã significará maior produtividade e aumento do PIB. Investimentos também mobilizam recursos e aumentam o PIB, mas ainda sem os impactos de dinamização do conjunto de atividades produtivas de uma região que rompe o seu isolamento. É preparar o amanhã.

Para muitos, é estranho ver pleno emprego e forte avanço da qualidade de vida das famílias, frente a um PIB relativamente menor. Mas não há paradoxo, apenas uma mudança da composição inter-setorial das nossas atividades. A atividade econômica é muito mais do que shopping, linha branca e automóvel. Quanto mais avança a sociedade, maior é a proporção de consumo de bens imateriais como educação, saúde e cultura, e maior é a presença das atividades públicas. Sai simplesmente mais barato ter sistemas universais e gratuitos, e a universalização é essencial para a redução das desigualdades.

O Brasil está mudando, e rapidamente. Olhar com lentes antigas não ajuda. Está aumentando a dimensão das políticas sociais no conjunto das atividades econômicas do país, a economia criativa e o conhecimento em geral estão passando a ocupar o centro das atividades, infraestruturas integradoras estão redesenhando as relações entre os territórios. Não basta olhar para a linha branca e o Bolsa Família. O perfil de consumo está mudando. A convergência do aumento dos salários, da expansão da previdência, de inúmeros programas como Pronaf, Pronatec, Prouni, Territórios da Cidadania – são cerca de 150 programas de inclusão ao todo – está gerando uma nova realidade. Frente às necessidades, é muito pouco. Frente ao passado, é um despertar, e o caminho da inclusão, como vetor de dinamização do desenvolvimento, continua central.

*Ladislau Dowbor é professor da PUC-SP nas áreas de economia e administração, e consultor de várias agências das Nações Unidas. 

O EUROCENTRISMO ATACA NOVAMENTE

15 fevereito 2014, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)


Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva. Aliás, dentro e fora da América Latina.


Desde que a América Latina ‘saiu do lugar’ – implementou programas consistentes de rompimento do ciclo da pobreza – os pensamentos, todos, de esquerda e de direita, se sentiram extremamente incomodados.

Perderam o primo pobre que os ajudava a se manter no próprio lugar. E auto-centrado, com premissas e conclusões inamovíveis. A Europa era a pátria-mãe do pensamento revolucionário. E o resto era comosto por seus discípulos. Mas a Europa deixou de ser um modelo, tanto para a esquerda, quanto para a direita.

Desde algum tempo o pensamento eurocêntrico vem tentando retomar a ofensiva.
 
Aliás, dentro e fora da América Latina.

À direita, o caso é negar a pertinência das alternativas de Estado à política de privilégios dos mercados.

The Economist, Financial Times et alii, inclusive em publicações como The Guardian, tomam a dianteira. No Brasil – diamante da América do Sul – nada funciona. É o caos. Citam apenas – Guardian inclusive – a velha mídia. A mídia alternativa não existe para eles. Só têm parâmetros eurocêntricos para pensar isto. Mídia alternativa aqui é coisa de paróquia, igreja, sindicato (aaargh!), não existe, e, se existe, não é respeitável. São políticas-bolha, evanescentes, desaparecerão com o tempo.

Mas há a esquerda. As políticas de combate à pobreza são irrelevantes. Oferecer melhor e mais alternativas às populações pobres é uma falácia. Constróem seu discurso sobre uma Europa que deixou de existir. Hoje, na Espanha, Portugal, Itália, Irlanda, Ucrânia, Bósnia-Herzegovina, França, Chipre, Esolvênia, Lituânia, etc., etc., destróem-se direitos como chupa-se picolé na praça. Esta é que é a verdade.
 
Entretanto, os pensadores do eurocentrismo continuam a achar que darão as cartas do milênio em matéria de ‘combate ao capitalismo’ – combate no qual se renderam. Renderam-se na frente política, onde partidos de esquerda são minorias bombardeadas continuamente na mídia e fora dela, e sem acomodaram a esta situação ‘cômoda-incômoda’, renderam-se na frente acadêmica, onde são minorias departamentais sem expressão institucional, e renderam-se na frente midiática: nada existe aqui equivalente à Carta Maior, Rede Brasil Atual, TVT, sites de Nassif, Amorim, etc., nem mesmo Democracy Now ou Al-Monitor. Nada.

Para este pensamento, tirar milhões da pobreza é extremamente incômodo. Pobre, afinal, é um bom argumento de discurso. Ao vivo, e saindo da pobreza em dimensões continentais, é um problema.

Rouba-lhe uma razão de ser, talvez até de pensar.

Que pensarão depois?

Não sabem.

Talvez nem nós. Ainda bem. Teremos de pensar tudo de novo. Na contra-mão deste povo.

Grandes projectos em Moçambique pagaram 299 milhões de dólares em impostos em 2013

18 fevereiro 2014, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)
A contribuição dos grandes projectos em Moçambique para as receitas do Estado ascendeu a 9,3 mil milhões de meticais (299 milhões de dólares) em 2013, informou o matutino Notícias, de Maputo, que cita um relatório de execução governamental.
No relatório recentemente divulgado, o governo destaca a contribuição do sector petrolífero, com cerca de 6,1 mil milhões de meticais, sublinhando que os números reportam um crescimento em mais de 350% em termos homólogos.
Para o governo, esse crescimento encontrou suporte na entrada no mercado de um novo operador, concretamente na bacia do Rovuma, de que resultou o aumento dos rendimentos e a correspondente tributação.
Além disso, pesaram igualmente o aumento do volume de gás natural extraído, o reinício do pagamento de direitos (“royalties”) do gás condensado bem como a tributação de mais-valias em cerca de 3,6 mil milhões de meticais.

Outros grandes projectos considerados na avaliação são dos sectores de exploração de recursos minerais, que contribuiu com 1,7 mil milhões de meticais e de produção de energia, com 1,06 mil milhões de meticais, ambos com taxas de crescimento homólogas fixadas em 41 e 44,9%, respectivamente. (macauhub)

Ministra das Finanças de Cabo Verde defende associação entre companhias aéreas de Angola e de Cabo Verde

18 fevereiro 2014, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)
A Transportes Aéreos de Cabo Verde pretende associar-se à sua congénere angolana TAAG para actuação conjunta na África Ocidental, disse segunda-feira em Luanda a ministra das Finanças e Planeamento de Cabo Verde.
A ministra Cristina Duarte adiantou que o governo de que faz parte tem abordado esta questão com o seu congénere de Angola no decurso dos últimos cinco anos, abordagem que não tem passado de conversas, “não havendo quaisquer negociações no sentido de as duas companhias aéreas se associarem.”
A ministra disse ainda que a TACV e a TAAG complementam-se em determinados pontos e garantiu que caso se juntassem teriam muito a ganhar, “atendendo a que o mercado da aviação da África Ocidental continua à espera de uma grande associação para uma melhor prestação de serviço.”
Cristina Duarte salientou que a concretização desta ideia esteve condicionada pela falta de infra-estruturas, mormente aeroportos internacionais, uma situação já ultrapassada por Cabo Verde.
“Uma empresa aeronáutica com vocação ou condição regional deve ter infra-estruturas e as infra-estruturas já existem em Cabo Verde, nomeadamente os aeroportos internacionais”, assegurou.

De acordo com a agência noticiosa angolana Angop, Cristina Duarte não se referiu em qualquer momento a anteriores afirmações suas, segundo as quais há pelo menos uma empresa chinesa interessada na privatização da Transportes Aéreos de Cabo Verde, decisão já anunciada pelo governo de José Maria Neves. (macauhub)

SERÃO OS MEDIA APENAS UMA OUTRA PALAVRA PARA CONTROLE?

7 fevereiro 2014, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)

Por John Pilger*


Um inquérito recente perguntou ao povo britânico quantos iraquianos foram mortos devido à invasão do país em 2003. As respostas dadas foram chocantes. A maioria disse que menos de 10 mil haviam sido mortos. Estudos científicos informam que mais de um milhão de homens, mulheres e crianças iraquianos morreram num inferno desencadeado pelo governo britânico e seu aliado em Washington. Isso é o equivalente ao genocídio em Ruanda. E a carnificina prossegue. Implacavelmente. 

O que isto revela é como nós na Grã-Bretanha temos sido enganados por aqueles cujo trabalho é manter a informação correcta. O escritor e académico americano Edward Herman chama a isto "normalizar o impensável". Ele descreve dois tipos de vítimas no mundo das notícias: "vítimas valiosas" e "vítimas não valiosas". "Vítimas valiosas" são aquelas que sofrem nas mãos dos nossos inimigos: os tipos de Assad, Qadafi, Saddam Hussein. "Vítimas valiosas" qualificam para o que chamamos "intervenção humanitária". "Vítimas não valiosas" são aquelas que estorvam o caminho do nosso poder punitivo e aquelas dos "bons ditadores" que empregamos. Saddam Hussein foi outrora um "bom ditador" mas ficou arrogante e desobediente, tendo então sido despromovido a "mau ditador".
 

Na Indonésia, o general Suharto era um "bom ditador", pouco importando a sua carnificina de cerca de um milhão de pessoas, ajudada pelos governos da Grã-Bretanha e América. Ele também liquidou um terço da população de Timor Leste com a ajuda de caça britânicos e metralhadoras britânicas. Suharto foi mesmo saudado em Londres pela rainha e quando morreu pacificamente na sua cama, foi louvado como alguém esclarecido, um modernizador, um de nós. Ao contrário de Saddam Hussein, ele nunca se tornou arrogante.
 

Quando viajei no Iraque na década de 1990, os dois principais grupos muçulmanos, os xiitas e os sunitas, tinham suas diferenças mas viviam lado a lado, casavam-se mesmo entre si e consideravam-se com orgulho como iraquianos. Não havia Al Qaida, não havia jihadistas. Nós arrebentámos tudo aquilo em 2003 com "pavor e choque". E hoje sunitas e xiitas estão a combater-se por todo o Médio Oriente. Este assassínio em massa está a ser financiado pelo regime na Arábia Saudita que decapita pessoas e discrimina mulheres. A maior parte dos sequestradores do 11/Set vieram da Arábia Saudita. Em 2010, a Wikileaks divulgou um telegrama enviado a embaixadas dos EUA pela secretária de Estado Hilary Clinton. Ela escreveu isto: "A Arábia Saudita permanece um apoio financeiro crítico para a Al Qaeda, os Talibans, al Nusra e outros grupos terroristas... no mundo inteiro". E ainda assim os sauditas são nossos valiosos aliados. Eles são bons ditadores. Os membros da casa real britânica visitam-nos frequentemente. Nós lhes vendemos todas as armas que eles querem.
 

Utilizou a primeira pessoa do plural, "nós" e "nosso" de acordo com locutores e comentadores que frequentemente utilizam o "nós", preferindo não distinguir entre o poder criminoso dos nossos governos e nós, o público. Todos nós somos assumidos como partes de um consenso: Conservadores e Trabalhistas, a Casa Branca de Obama também. Quando Nelson Mandela morreu, a BBC foi a correr a David Cameron, depois a Obama. Cameron, que foi à África do Sul no 25º ano do aprisionamento numa viagem que equivalia ao apoio ao regime do apartheid, e Obama que recentemente derramou uma lágrima na cela de Mandela em Robben Island – ele que preside as jaulas de Guantanamo.
 

O que lamentavam eles quanto a Mandela? Evidentemente, não a sua extraordinária vontade de resistir a um regime opressivo cuja perversão os governos dos EUA e Grã-Bretanha apoiaram anos a fio. Ao invés disso, estavam gratos pelo papel crucial que Mandela desempenhou na supressão de um levantamento dos negros na África do Sul contra a injustiça da política branca e do poder económico. Isto foi certamente a única razão porque foi libertado. Hoje o mesmo poder económico implacável é apartheid de uma outra forma, fazendo da África do Sul a sociedade mais desigual da terra. Alguns chamam a isto "reconciliação".
 

Todos nós vivemos numa era de informação – ou assim nos dizemos um ao outro quando acariciamos nossos smart phones como contas de um rosário, com as cabeças inclinadas, verificando, monitorando, tweetando. Estamos ligados; enviamos mensagens; e o tema dominante das mensagens é nós mesmos. A identidade é o espírito da época. Há muito tempo, em "Admirável mundo novo", Aldous Huxley previu isto como o meio final de controle social porque era voluntário, viciante e amortalhado em ilusões de liberdade pessoal. Talvez a verdade seja que vivemos não numa era de informação mas numa era dos media. Tal como a memória de Mandela, a maravilhosa tecnologia dos media foi sequestrada. Desde a BBC até a CNN, a câmara de eco é vasta.
 

Ao aceitar o Prémio Nobel da Literatura em 2005, Harold Pinter falou acerca de uma "manipulação do poder à escala mundial, se bem que mascarando-o como uma força para o bem universal, um brilhante, mesmo esperto, acto de hipnose com grande êxito". Mas, disse Pinter, "isto nunca aconteceu. Nada alguma vez aconteceu. Mesmo enquanto estava a acontecer não estava a acontecer. Não importava. Não era de interesse".
 

Pinter referia-se aos crimes sistemáticos dos Estados Unidos e a uma censura não declarada por omissão – isto é, excluir informação crucial que possa ajudar-nos a dar sentido ao mundo.
 

Hoje a democracia liberal está a ser substituída por um sistema no qual o povo responde a um estado corporativo – não o inverso como deveria ser. Na Grã-Bretanha, os partidos parlamentares são devotados à mesma doutrina de cuidar dos ricos e combater os pobres. Esta negação da democracia real é uma mudança histórica. Eis porque a coragem de Edward Snowden, Chelsea Manning e Julian Assange é tamanha ameaça para os poderosos e inimputáveis. E é uma lição para aqueles de nós que pretendem manter as coisas claras. O grande repórter Claud Cockburn disse isto bem: "Nunca acredite em qualquer coisa até que seja oficialmente negada".
 

Imagine se as mentiras dos governos houvessem sido adequadamente desafiadas e reveladas quando eles secretamente preparavam-se para invadir o Iraque – talvez um milhão de pessoas estivesse viva hoje.

* Transcrição da participação de Pilger na edição especial do programa "Today", da BBC Radio 4, em 2/Janeiro/2014, editada pelo artista e músico Polly Harvey. Pode ouvir a transcrição acima aqui . 

O original encontra-se em johnpilger.com/articles/is-media-just-another-word-for-control