sexta-feira, 4 de março de 2011

Brasil/Itamaraty divulga nota à imprensa sobre conflito nos países árabes

4 março 2011/Blog do Planalto http://blog.planalto.gov.br

O Ministério das Relações Exteriores divulgou, nesta sexta-feira (4/3), nota à imprensa sobre posicionamento do governo brasileiro diante do conflito nos países árabes. O documento diz que “o governo e o povo brasileiros se solidarizam com as eloquentes manifestações das sociedades no mundo árabe em favor da realização de suas justas aspirações e anseios por maior participação nas decisões políticas, em ambiente democrático, com perspectivas de crescimento econômico e inclusão social, capaz de gerar oportunidades de emprego, liberdade de expressão e dignidade humana”.

A nota informa ainda que o ministro Antonio Patriota, durante visita a Pequim, tratou do tema nas conversas com o ministro de Negócios Estrangeiros da China, Yang Jiechi. Informa ainda que o assunto deverá ser tratado, igualmente, em reunião com o assessor de Segurança Nacional da Índia, embaixador Shiv Shankar Menon, em encontro amanhã, em Nova Delhi. “Além disso, o ministro Patriota tenciona coordenar-se com seus homólogos da Índia e da África do Sul, em reunião Ministerial do IBAS, a realizar-se na capital indiana, em 8 de março, em momento em que os três países têm assento no Conselho de Segurança da ONU”, diz.

Leia o artigo completo:

MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES

Nota à Imprensa nº 88

4 de março de 2011

Situação nos países árabes

No momento em que o mundo árabe passa por período de profundas mudanças, é importante reafirmar a parceria existente entre América do Sul e países árabes, conforme consignado na Declaração de Brasília por ocasião da Primeira Cúpula América do Sul- Países Árabes, em 2005.

Nessa ocasião, com base nos laços humanos e culturais, bem como nas aspirações que as unem, as duas regiões afirmaram que, para promover a paz, a segurança e a estabilidade mundiais, a cooperação bi-regional deve ser norteada pelo compromisso com o multilateralismo, o respeito ao Direito Internacional e a observância dos Direitos Humanos e do Direito Internacional Humanitário; com o desarmamento e a não-proliferação de armas nucleares e de outras armas de destruição em massa.

O Governo e o povo brasileiros se solidarizam com as eloquentes manifestações das sociedades no mundo árabe em favor da realização de suas justas aspirações e anseios por maior participação nas decisões políticas, em ambiente democrático, com perspectivas de crescimento econômico e inclusão social, capaz de gerar oportunidades de emprego, liberdade de expressão e dignidade humana. Manifestam, ainda, a expectativa de que as transformações em curso ocorram em ambiente pacífico, sem arbitrariedade ou uso da força.

A suspensão da Líbia do Conselho de Direitos Humanos pela Assembleia Geral das Nações Unidas, em resolução co-patrocinada pelo Brasil e adotada por consenso, com apoio dos países árabes e africanos, foi decisão sem precedentes, que afirma a expectativa de pleno respeito dos direitos humanos dos manifestantes líbios.

Conforme ressaltou a Secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Ministra Maria do Rosário, na abertura da 16ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos (CDH) – Segmento de Alto Nível da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça, em fevereiro último, “eventuais ondas migratórias devem ser tratadas com humanidade, com respeito aos direitos humanos, com compreensão pela diversidade e sem xenofobia.”

Onde surjam situações de emergência humanitária, faz-se necessário assegurar acesso tempestivo e irrestrito aos prestadores de assistência humanitária. Igualmente, devem ser respeitados os direitos dos jornalistas, inclusive estrangeiros, de reportar e de circular livremente, sem constrangimentos ou intimidações.

Os recentes eventos nos países árabes oferecem oportunidade para se levar adiante iniciativas que possam contribuir para a paz e a segurança mundiais, a exemplo da proposta de estabelecimento de zonas livres de armas nucleares, especialmente em regiões com focos de tensão, como o Oriente Médio, como consta do documento final da Conferência de Revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, de maio de 2010.

O Brasil considera que o debate sobre proposta de estabelecimento de zona de proibição de voos no espaço aéreo líbio, ou acerca de qualquer iniciativa militar naquele país, só terá legitimidade no marco estrito do respeito à Carta da ONU, no âmbito do Conselho de Segurança.

O Brasil privilegiará a diplomacia, o diálogo e a negociação no encaminhamento de situações de tensão, em que haja risco de conflagração ou quadro de violência.
O Brasil tem mantido consultas permanentes sobre a situação no Norte da África e no Oriente Médio com os demais membros do Conselho de Segurança da ONU e com o Secretário Geral das Nações Unidas.

Durante a visita do Ministro das Relações Exteriores, Antonio de Aguiar Patriota, a Pequim, em 3 e 4 de março, o tema foi suscitado nas conversas com o Ministro de Negócios Estrangeiros da China, Yang Jiechi. O assunto deverá ser tratado, igualmente, em reunião com o Assessor de Segurança Nacional da Índia, Embaixador Shiv Shankar Menon, em encontro no sábado, 5 de março, em Nova Delhi. Além disso, o Ministro Patriota tenciona coordenar-se com seus homólogos da Índia e da África do Sul, em reunião Ministerial do IBAS, a realizar-se na capital indiana, em 8 de março, em momento em que os três países têm assento no Conselho de Segurança da ONU.


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Conselho Mundial da Paz (CMP) apela à ONU contra intervenção estrangeira na Líbia

4 março 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O Conselho Mundial da Paz (CMP), presidido pela brasileira Socorro Gomes, divulga nesta sexta-feira (4) nota em que se solidariza com o povo líbio e defende a sua autodeterminação, repudiando qualquer tipo de intervenção estrangeira no país.

“Os povos não podem aceitar a intervenção, a destruição de soberanias pelas potências imperialistas, capitaneadas pelos Estados Unidos. O povo líbio deve resolver de forma soberana seus rumos”, argumenta Socorro, que é também presidente do Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz).

Para a presidente do CMP, os países que propõem intervenção na Líbia, sob o argumento de estruturar a democracia do país, pretendem saquear os recursos naturais – sobretudo energéticos – de países do Oriente Médio. “Os Estados Unidos e a Inglaterra querem, com essa máquina estúpida de guerra que é a Otan, controlar a região para saquear o petróleo, abocanhar o gás e dominar a política no Oriente Médio. Quando os Estados Unidos dizem que querem redesenhar o Oriente Médio, a ferro e fogo, o interesse é abrir caminho para assaltar os recursos naturais”. A nota tem o objetivo de ser um apelo público à ONU para que não permita intervenção estrangeira no país.

Enfática, Socorro rechaça intervenção na Líbia e manifesta solidariedade ao seu povo: “repudiamos qualquer intervenção ao mesmo tempo em que somos completamente solidários ao povo líbio para construir o caminho da paz de forma soberana”, completa Socorro.

Leia a íntegra da nota do CMP:

"Declaração do Conselho Mundial da Paz ante a situação na Líbia e os planos de intervenção militar estrangeira.

O Conselho Mundial da Paz (CMP) expressa sua profunda indignação com os recentes acontecimentos ocorridos na Líbia. Desta maneira, condena o assassinato de centenas de civis inocentes que protestavam desarmados contra as forças armadas do governo líbio, assim como expressamos a nossa categórica rejeição a toda intervenção militar por parte dos Estados Unidos, a Organização do Tratado Atlântico Norte (Otan), a União Europeia, sob qualquer pretexto.

Destacamos o direito do povo líbio de expressar a sua raiva, agonia, e as suas demandas por mudanças nos campos sociais, econômicos e pelo seu direito soberano para determinar a política de desenvolvimento do seu próprio país.

Os imperialistas ao serviço das grandes companhias multinacionais e do capital internacional estão a procurar a oportunidade do descontentamento para ter um maior e amplo controle sobre o petróleo, o gás e outros recursos naturais da Líbia, expandindo assim a sua esfera de influência.

Denunciamos a presença militar de barcos de guerra de vários países membros da Otan nas águas internacionais próximas à Líbia, o que serve de preâmbulo para um possível ataque, ao mesmo tempo que demandamos a sua saída imediata da área.

Independentemente de qualquer opinião que tenhamos sobre a atuação do regime líbio e as suas atuações e prioridades na sua política exterior, particularmente nos últimos anos, é direito inalienável do povo líbio determinar e aplicar as decisões sobre as mudanças que considere necessárias sem nenhuma presença militar estrangeira ou política de imposição.

O Conselho Mundial da Paz expressa de coração o seu total apoio solidário com o povo líbio ao mesmo tempo que demanda a cessação do derramamento de sangue.

Expressamos o nosso desacordo com as sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, que somente afetarão o povo líbio, e reiteramos que nenhuma agressão militar estrangeira será aceita em nenhuma condição

Secretariado do Conselho Mundial da Paz.
Atenas, 3 de Março 2011"

Da redação, Luana Bonone

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Fidel Castro: A INEVITÁVEL GUERRA DA OTAN (I)

3 março 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Diferentemente do que acontece no Egito e na Tunísia, a Líbia ocupa o primeiro lugar no Índice de Desenvolvimento Humano na África e tem a maior expectativa de vida no continente. A educação e a saúde recebem atenção especial do Estado. O nível cultural da população é certamente maior. Seus problemas são de outra natureza.

CubaDebate

A população não carece de alimentos e de serviços sociais essenciais. O país precisava de mão de obra estrangeira abundante para realizar planos ambiciosos de produção e desenvolvimento social. Dessa forma, proporcionava emprego a centenas de milhares de trabalhadores egípcios, tunisianos, chineses e outras nacionalidades.

A Líbia dispunha de enormes receitas e reservas em divisas depositadas nos bancos dos países ricos, com as quais adquiriu bens de consumo e até mesmo armas sofisticadas, fornecidas precisamente pelos mesmos países que agora querem invadi-la em nome dos direitos humanos.

A maciça campanha de mentiras, desencadeada pela grande mídia, deu lugar a uma grande confusão na opinião pública mundial. Vai levar tempo até que se possa reconstituir o que realmente aconteceu na Líbia — e separar o real dos fatos falsos que têm sido relatados.

Emissoras sérias e prestigiadas, como a Telesur, foram obrigados a enviar repórteres e cinegrafistas às atividades de um grupo e, por outro lado, relatar o que realmente acontecia.

As comunicações foram bloqueados, os diplomatas honestos arriscaram suas vidas atravessando bairros e observando atividades, de dia ou de noite, para informar o que estava acontecendo. O império e seus principais aliados empregaram os mais sofisticados meios para divulgar informações distorcidas dos acontecimentos, entre as quais a de inferir as características da verdade.

Sem dúvida, os rostos dos jovens manifestantes em Benghazi, homens e mulheres com um véu ou sem véu, expressou indignação real.

Pode-se ainda ver, em contrapartida, a influência exercida pelo componente tribal nesse país árabe, apesar da fé muçulmana compartilhada abertamente por 95% de sua população.

O imperialismo e a Otan — seriamente preocupados com a onda revolucionária que se iniciou no mundo árabe, onde se gera grande parte do petróleo que sustenta a economia de consumo dos países desenvolvidos e ricos — não podiam deixar de aproveitar o conflito interno na Líbia para promover a intervenção militar. As declarações feitas pela administração dos EUA desde o primeiro momento foram categóricas a este respeito.

A situação não poderia ser mais propícia. Nas eleições de novembro, a direita republicana desferiu um golpe contundente ao presidente Obama, um especialista em retórica.

O grupo fascista "missão cumprida", agora apoiado ideologicamente pelos extremistas do Tea Party, reduziu o alcance do atual presidente a um papel meramente decorativo, que põe sob risco seu programa de saúde e a incerta recuperação da economia, a causa do déficit orçamental e o crescimento incontrolável da dívida pública, que já batem todos os recordes históricos.

Apesar da avalanche de mentiras e da confusão criada, os Estados Unidos não conseguiram impor à China e à Federação Russa a aprovação, no Conselho de Segurança, de uma intervenção militar na Líbia, ainda que tenham conseguido obter, no Conselho de Direitos Humanos, a aprovação dos objetivos visados nesse momento. Em relação à intervenção militar, a secretária de Estado declarou em palavras que não admitem a menor dúvida: "Nenhuma opção está descartada".

O fato real é que a Líbia está agora envolvida em uma guerra civil, como havíamos previsto, e as Nações Unidas nada podem fazer para impedi-lo, exceto pelo fato de que seu próprio secretário-geral lançou uma boa dose de lenha na fogueira.

Os atores talvez não imaginassem que o problema é que os próprios líderes da rebelião abordaram esse complicado tema declarando que rejeitam toda e qualquer intervenção militar estrangeira.

Várias agências de notícias informaram que Abdelhafiz Ghoga, porta-voz do Comitê da Revolução, declarou na segunda-feira (28) que "o restante da Líbia vai ser libertado pelo povo líbio".

"Contamos com o Exército para libertar Trípoli", assegurou Ghoga durante o anúncio da formação de um "Conselho Nacional" para representar os municípios do país que estão nas mãos da insurgência.

"O que nós queremos é informação de inteligência, mas que, em caso algum, afete nossa soberania aérea, terrestre ou marítima", acrescentou ele, durante um encontro com jornalistas nesta cidade localizada mil quilômetros a leste de Tripoli.

"A intransigência dos líderes da oposição sobre a soberania nacional reflete a opinião expressa espontaneamente por muitos líbios à imprensa internacional em Benghazi", informa um despacho da AFP na segunda-feira passada.

No mesmo dia, uma professora de Ciência Política da Universidade de Benghazi, Abeir Imneina, disse: "Há um sentimento nacional muito forte na Líbia. Além disso, o exemplo do Iraque amedronta o conjunto do mundo árabe", ressalta, referindo-se à invasão norte-americana de 2003 que deveria levar a democracia a esse país e, em seguida, por contágio, a toda a região — uma hipótese completamente desmentida pelos fatos.

Prossegue a professora: "Sabemos o que aconteceu no Iraque, que se encontra em plena instabilidade, e realmente não queremos seguir o mesmo caminho. Não queremos que os americanos venham para acabar se arrepender por Kadafi", continuou essa especialista.

“Mas, segundo Abeir Imneina, ‘há também a sensação de que é a nossa revolução — e cabe a nós fazê-la’”.

Poucas horas depois da publicação desse despacho, dois importantes órgãos de imprensa dos Estados Unidos, The New York Times e The Washington Post, apressaram-se em oferecer novas versões sobre o assunto, conforme informou a agência DPA no dia seguinte, 1º de março: "A oposição líbia pode solicitar que o Ocidente bombardeie a partir das posições estratégicas das forças leais ao presidente Muammar al-Kadafi, informa hoje a mídia estadunidense."

"O assunto está sendo discutido dentro do Conselho Revolucionário líbio, detalham o New York Times e o Washington Post em suas versões online."

"O New York Times observa que essas discussões podem manifestar a crescente frustração dos líderes rebeldes ante a possibilidade de que Kadafi recupere o poder”.

"No caso das operações aéreas realizadas no âmbito das Nações Unidas, estas não implicaram intervenção internacional, explicou o porta-voz do Conselho, citado pelo The New York Times".

"O conselho é formado por advogados, acadêmicos, juízes e membros proeminentes da sociedade líbia".

Afirma o despacho:

"O Washington Post cita os rebeldes reconhecendo que, sem o apoio do Ocidente, os combates às forças leais a Kadafi poderiam durar muito mais tempo e custar uma grande quantidade de vidas humanas”.

Vale ressaltar que nessa relação não é mencionado um único trabalhador, agricultor, construtor, alguém associado à produção material, um jovem estudante ou um dos combatentes que participam das manifestações. Por que o esforço para retratar os rebeldes como membros proeminentes da sociedade, reivindicando o bombardeio dos Estados Unidos e da Otan para matar os líbios?

Um dia saberemos a verdade, através de pessoas como a professora de Ciência Política da Universidade de Benghazi, que com tanta eloquência narra o calvário que matou, destruiu casas, provocou desemprego e forçou milhões de pessoas a migram no Iraque.

Nesta quarta-feira, 02 de março, a agência EFE apresenta um porta-voz rebelde conhecido por fazer declarações que, na minha opinião, afirmar e ao mesmo tempo contradizem as notícias de segunda-feira: "Benghazi (Líbia), 02 de março. A liderança rebelde líbia pediu hoje ao Conselho de Segurança da ONU que lance um ataque aéreo ‘contra os mercenários’ do regime de Muammar Kadafi”.

"‘Nosso exército, por seu papel defensivo, não pode lançar ataques contra os mercenários’, afirmou o porta-voz rebelde Abdelhafiz Ghoga em uma conferência de imprensa em Benghazi”.

"‘Um ataque aéreo estratégico é diferente de uma intervenção estrangeira, a qual rechaçamos’, sublinhou o porta-voz das forças da oposição, que sempre se posicionaram contra uma intervenção militar estrangeira no conflito líbio”.

A qual das muitas guerras imperialistas esta se parece? À da Espanha em 1936, à de Mussolini contra a Etiópia em 1935, à de George W. Bush contra o Iraque no ano de 2003 ou a qualquer uma das dezenas de guerras promovidas pelos Estados Unidos contra os povos da América, desde a invasão do México em 1846 até a das Ilhas Malvinas em 1982?

Isso sem excluir, é claro, a invasão mercenária da Baía dos Porcos, a guerra suja e o bloqueio da nossa pátria (Cuba) ao longo de 50 anos — marca que será completada em 16 de abril.

Em todas essas guerras, como também a do Vietnã, que custou milhões de vidas, prevaleceram as justificações e as medidas mais cínicas.

Para aqueles que têm alguma dúvida sobre a inevitável intervenção militar que terá lugar na Líbia, a agência de notícias Associated Press, a qual considero bem informada, publicou hoje: "Os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) desenvolvem um plano de contingência baseado no modelo das zonas de exclusão aérea estabelecida sobre os Balcãs na década de 1990, em caso de a comunidade internacional decida impor um embargo aéreo contra a Líbia, disseram diplomatas”.

Mais tarde, conclui-se: "Os funcionários — que não podiam dar os seus nomes por causa da delicadeza do assunto — indicaram que as opções têm como ponto de partida a zona de exclusão aérea imposta pela aliança militar ocidental na Bósnia em 1993, que contou com a autorização do Conselho de Segurança, e os bombardeamentos da Otan no Kosovo em 1999, QUE NÃO FUNCIONOU. "


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Fidel Castro: A INEVITÁVEL GUERRA DA OTAN (II)

Quando Kadafi, coronel do exército líbio, inspirado em seu colega egípcio Abdel Nasser, derrubou o rei Idris I em 1969, com somente 27 anos de idade, aplicou medidas revolucionárias, como a reforma agrária e a nacionalização do petróleo. As maiores receitas foram dedicadas ao desenvolvimento econômico e social, particularmente aos serviços educacionais e de saúde da reduzida população líbia, situada em um imenso território desértico e com pouquíssima terra cultivável.

Sob aquele deserto existia um extenso e profundo mar de águas fósseis. Tive a impressão, quando conheci uma área experimental de cultivos, que aquelas águas, em um futuro, seriam mais valiosas que o petróleo.
A fé religiosa, pregada com o fervor que caracteriza os povos muçulmanos, ajudava em parte a compensar a forte tendência tribal que todavia subsiste nesse país árabe.

Os revolucionários líbios elaboraram e aplicaram suas próprias ideias em relação às instituições legais e políticas, que Cuba, como norma, respeitou.

Nos abstivemos por completo de emitir opiniõe sobre as concepções da direção líbia.

Vemos com clareza que a preocupação fundamental dos Estados Unidos e da Otan não é a Líbia, mas sim a onda revolucionária desatada no mundo árabe que desejam impedir a qualquer preço.

É um fato irrefutável que as relações entre Estados Unidos e seus aliados da Otan com a Líbia, nos últimos anos, eram excelentes, antes que surgisse a rebelião no Egito e na Tunísia.

Nos encontros de alto nível entre a Líbia e os dirigentes da Otan, nenhum deles tinha problemas com Kadafi. O país era fonte segura de abastecimento de petróleo de alta qualidade, gás e, inclusive, potássio. Os problemas surgidos entre eles durante as primeiras décadas haviam sido superados.

Foram abertos ao investimentos estrangeiros setores estratégicos, como a produção e a distribuição de petróleo.

A privatização alcançou muitas empresas públicas. O Fundo Monetário Internacional exerceu seu papel "bem-aventurado" na instrumentalização de tais operações.

Naturalmente, Aznar se desfez em elogios a Kadafi, assim como Blair, Berlusconi, Sarkozy, Zapatero e até o meu amigo, o rei da Espanha, desfilaram diante do zombeteiro olhar do líder líbio. Estavam felizes.

Ainda que pareça que estou zombando, não é assim; me pergunto simplesmente por que querem agora invadir a Líbia e levar Kadafi ao Tribunal Penal Internacional em Haia.

Acusam-no durante as 24 horas do dia de disparar contra cidadãos desarmados que protestavam. Por que não explicam ao mundo que as armas e, sobretudo, os equipamentos sofisticados de repressão que a Líbia possui foram fornecidos pelos Estados Unidos, Reino Unido e outros ilustres anfitriões de Kadafi?

Me oponho ao cinismo e às mentiras com que agora se quer justificar a invasão e ocupação da Líbia.

A última vez que visitei Kadafi foi em maio de 2001, 15 anos depois que Reagan atacou sua residência bastante modesta, onde me levou para ver como tinha ficado. Recebeu um impacto direto da aviação e estava consideravelmente destruída; sua pequena filha de três anos morreu no ataque: foi assassinada por Ronald Reagan. Não houve acordo prévio da Otan, do Conselho dos Direitos Humanos nem do Conselho de Segurança.

Minha visita anterior havia sido em 1977, oito anos depois do início do processo revolucionário na Líbia. Visitei Trípoli, participei no Congresso do Povo Líbio, em Sebha. Percorri as primeiras experiências agrícolas com as águas extraídas do imenso mar de águas fósseis. Conheci Bengazi, fui alvo de uma calorosa recepção. Se tratava de um país lendário, que havia sido cenário de históricas batalhas na última guerra mundial. Ainda não tinha seis milhões de habitantes, nem era conhecido o enorme volume de petróleo leve e água fóssil. As antigas colônias portuguesas da África já haviam se libertado.

Em Angola, haviamos lutado durante 15 anos contra os bandos mercenários organizados pelos Estados Unidos sobre bases tribais, o governo de Mobutu e o bem equipado e treinado exército racista do Apartheid. Este, seguindo as instruções dos Estados Unidos, como hoje é conhecido, invadiu Angola para impedir sua independência em 1975, chegando até os arredores de Luanda com suas forças motorizadas. Vários trabalhadores cubanos da construção civil morreram naquela invasão brutal. Foram enviados para lá recursos com a máxima urgência.

Expulsos de Angola pelas tropas internacionalistas cubanas e angolanas até a fronteira com a Namíbia, ocupada pela África do Sul, durante 13 anos os racistas tiveram a missão de liquidar o processo revolucionário em Angola.

Com o apoio dos Estados Unidos e de Israel, desenvolveram armas nucleares. Possuiam já o armamento quando as tropas cubanas e angolanas derrotaram, em Cuito Cuanavale, suas forças terrestres e aéreas eles já possuiam a bomba. Em desafio a isso, os cubanos e angolanos empregaram táticas e meios convencionais e avançaram até a fronteira da Namíbia, onde as tropas do Apartheid pretendiam resistir. Duas vezes na história nossas forças estiveram sob o risco de serem atacadas por esse tipo de armas: em outubro de 1962 e no sul de Angola, mas nessa segunda ocasião, nem utilizando essas bombas a África do Sul teria conseguido evitar a derrota que marcou o fim do seu sistema odioso. Os fatos aconteceram sob o governo de Ronald Reagan nos Estados Unidos e Pieter Botha na África do Sul.

Disso e das centenas de milhares de vidas que a aventura imperialista custou, não se fala.

Lamento ter de recordar estes fatos, quando outro grande risco se abate sobre os povos árabes, porque não se resignam a seguir vivendo vítimas do saque e da opressão.

A revolução no mundo árabe, que tanto temem os Estados Unidos e a Otan, é a dos que, carentes de todos os direitos, diante dos que ostentam todos os privilégios, chamada portanto a ser mais profunda que a que em 1789 se desatou na Europa com a tomada da Bastilha.

Sequer Luís XIV, quando proclamou que o Estado era ele, possuía os privilégios do rei Abdulá da Arábia Saudita e muito menos a imensa riqueza que jaz sob a superfície do quase desértico país, onde as transnacionais ianques determinam a extração e, portanto, o preço do petróleo no mundo.

A partir da crise na Líbia, a extração na Arábia Saudita aumentou em um milhão de barris diários, a um custo mínimo e, consequentemente, só por esse único fato os lucros desse país e de quem o controla aumentaram bilhões de dólares por dia.

Que ninguém imagine, entretanto, que o povo saudita nada em dinheiro. São comovedores os relatos das condições de vida de muitos trabalhadores da construção civil e outros setores, que se veem obrigados a trabalhar 13 a 14 horas por dia com salários miseráveis.

Assustados pela onda revolucionária que sacode o sistema de pilhagem que ali prevalece, depois do que ocorreu com os trabalhadores do Egito e da Tunísia, e também com os jovens desempregados na Jordânia, os territórios ocupados da Palestina, Iêmen e inclusive o Barein e os Emirados Árabes, que têm rendas mais elevadas, a alta hierarquia saudita está sob o impacto dos acontecimentos.

Diferentemente de outros tempos, hoje os povos árabes recebem informação quase instantânea dos acontecimentos, embora sejam extremamente manipuladas.

O pior para o status quo dos setores privilegiados é que os teimosos fatos coincidem com o considerável aumento dos preços dos alimentos e o impacto demolidor das mudanças climáticas, enquanto os Estados Unidos, o maior produtor de milho do mundo, gastam 40% desse produto subsidiado e uma parte importante da soja para produzir biocombustível para alimentar os automóveis. Com certeza, Lester Brown, o ecologista mais bem informado do mundo sobre produtos agrícolas, poderá nos oferecer uma ideia da atual situação alimentar.

O presidente bolivariano, Hugo Chávez, realiza um esforço tenaz à procura de uma solução sem a intervenção da Otan na Líbia. Suas possibilidades de alcançar o objetivo serão maiores se conseguir a proeza de criar um amplo movimento de opinião antes, e não depois, que aconteça uma intervenção, e os povos não vejam repetir-se em outros países a atroz experiência do Iraque.

Fidel Castro Ruz, Havana, 22h32 de 3 de março de 2011

Angola/Bureau Político do MPLA denuncia ataques sistemáticos de diferentes forças hostis

Luanda, 4 março 2011 - O bureau político do MPLA divulgou hoje (sexta-feira), em Luanda, uma declaração, na qual faz uma resenha sucinta do percurso histórico de Angola, e denuncia os ataques sistemáticos de diferentes forças hostis, sob as mais variadas formas, com o objectivo de impedir o desenvolvimento e a melhoria da qualidade de vida dos angolanos.

A declaração, lida pelo secretário do MPLA para a Informação, Rui Falcão, surge em resposta a intenção manifestada por alguns grupos nacionais que, com o apoio de círculos da comunidade internacional, pretendem realizar actos hostis contra as instituições da República de Angola e do seu Presidente, José Eduardo dos Santos.

O documento destaca as conquistas obtidas desde a proclamação da independência nacional, em 11 de Novembro de 1975, passando pela derrota das forças estrangeiras que invadiram o país, à conquista da paz, consolidação das instituições do Estado e o crescimento do país do ponto de vista económico que, na óptica do MPLA, continuam a preocupar aqueles que sempre estiveram contra a autonomia e o bem-estar do povo angolano.

"A conquista da paz em 2002 permitiu acelerar o processo de reconstrução nacional e, neste sentido, muito está a ser feito para que o modelo de desenvolvimento sustentado incorpore a melhoria substancial da situação sanitária do país, priorizando-se o acesso de toda a população aos cuidados primários de saúde, como forma de reduzir a mortalidade materna, infantil e infanto-juvenil, bem como a morbilidade e mortalidade por doenças prioritárias no quadro nosológico nacional", lê-se.

A declaração indica que outras prioridades que tem vindo a ser dinamizadas é são actividades sócio-económicas a nível local, que sejam capazes de gerar empregos para pessoas de baixa e média qualificação, visando ampliar a rede do sistema nacional de emprego e auto-emprego, bem como incentivar a inserção de jovens e de mulheres na vida activa e no mercado formal.

Segundo o documento, o MPLA considera que o combate à pobreza, de forma sustentável, só é possível pela via da promoção do emprego e do aumento da produtividade, sendo que, neste domínio, o Estado desempenha um papel crucial e, por isso, deve defender uma política de emprego abrangente e concertada com as outras políticas, visando a promoção da qualificação dos recursos humanos.

Refere que o partido no poder defende e promove um maior e mais regrado investimento no ordenamento do território e na qualificação e requalificação dos assentamentos urbanos, com vista à criação e expansão de áreas urbanas e urbanizáveis adequadas aos padrões elementares de vida, condição imprescindível para um crescimento harmonioso dos aglomerados populacionais.

Por outro lado, acrescenta o documento, defende também que deve ser priorizada a recuperação do mundo rural, através de medidas conducentes ao assentamento e à estabilização das populações, a redução do êxodo rural e a criação de melhores condições de vida no campo.

"O MPLA continua a atribuir à família o papel de núcleo formativo fundamental da sociedade, e aos pais, o de promotores primários do asseguramento da alimentação, da guarda, da protecção e da educação integral dos seus filhos", sublinha a declaração. (AngolaPress)


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Angola/MPLA pugna pela consolidação e garantia da paz e da segurança interna e externa

Luanda, 4 março 2011 - O MPLA pugna pela consolidação e garantia da paz e da segurança interna e externa de Angola, e por um Estado de justiça social, pelo que continuará a combater energicamente todas as tentativas ou acções que visem desencadear a guerra entre angolanos ou, de algum modo, atentar contra os mais elementares direitos dos cidadãos, as regras da democracia e da convivência pacífica.

Esta determinação está contida na declaração do Bureau Político do MPLA, divulgada hoje (sexta-feira), em Luanda, na qual faz um resumo sucinto sobre a situação política, económica e social do país, face a intenção manifestada por alguns grupos nacionais que, com o apoio de círculos da comunidade internacional, pretendem realizar actos hostis contra as instituições da República de Angola e do seu Presidente, José Eduardo dos Santos.

No documento, lido pelo secretário do partido no poder para a Informação, Rui Falcão, sublinha-se que só a paz, a estabilidade e a ordem podem assegurar a tranquilidade necessária para que se atinjam as metas preconizadas.

"O MPLA sempre defendeu ser importante que o sentimento da angolanidade, o sentido de compromisso e a atitude patriótica de todos os actores políticos, económicos e sociais estejam para além dos limites de programas e medidas partidárias, projectando-se como factores determinantes para a estabilidade perene, o crescimento dinâmico e o desenvolvimento sustentável do país", ressalta.

Sublinha que o MPLA é um partido sério, responsável e honra todos os compromissos que assume, postura que o consolida como fiel representante dos mais nobres interesses do povo angolano, dai a total confiança que tem merecido por parte da sociedade.
"Estamos a cumprir e tudo faremos para atingir os objectivos preconizados no Programa de Governação que submetemos a veredicto popular nas últimas eleições legislativas", narra a declaração do Bureau Político do MPLA.

Lembra que todos os cidadãos democratas e patriotas sabem que a vontade maioritária e esmagadora da população angolana não pode ser subvertida pelo interesse e obstinação de um punhado de cidadãos, que pretende chegar ao poder a qualquer preço.

"Por isso mesmo, o MPLA continua a respeitar, como sempre, de forma escrupulosa, a Constituição da República e todas as Leis que dela emanarem", acentua o documento.

O MPLA entende que a promoção da justiça social deve traduzir o esforço de concretização da democracia económica, social e cultural e que se deve dar maior importância aos pressupostos dos direitos fundamentais dos cidadãos, assegurando a protecção inequívoca desses mesmos direitos, lê-se ainda. (AngolaPress)


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Angola/Unita demarca-se de qualquer manifestação em Luanda

Luanda, 2 março 2011 - A Comissão Política da Unita demarca-se de qualquer manifestação que esteja a ser convocada em Luanda, afirmou hoje, quarta-feira, o presidente deste partido, Isaías Samakuva, durante uma conferência de imprensa convocada para abordagem do actual momento político do país.

O político afirmou que a Unita não tem qualquer envolvimento na preparação ou mobilização de militantes para a manifestação, referindo que depois da conquista da paz os angolanos apenas estão preocupados com a necessidade da melhoria das suas condições de vida.

"A Unita não está a organizar nenhuma manifestação para o dia 7 de Março, ouviu falar dela de forma informal mas não conhece os seus organizadores, nem instruiu os seus membros para nela participar”, sublinhou o presidente da Unita.

"Quem mais está hoje em condições de fazer a guerra?, interrogou-se, afirmando que "não há razão".

"No cumprimento da Constituição, a Unita reafirma o seu empenho em prosseguir a luta pacífica pelas aspirações de liberdade dos angolanos e pelo triunfo da democracia e do Estado de direito em Angola”, realçou o líder da Unita. (AngolaPress)

quinta-feira, 3 de março de 2011

Venezuela/Kadafi e Liga Árabe aceitam plano de paz proposto por Chávez

3 março 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O líder líbio Muamar Kadafi e o secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, concordaram com o plano de paz proposto pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, noticiou nesta quinta-feira (3) a rede de TV do Catar Al Jazira.

Chávez telefonou para Kadafi nesta segunda (28) e terça-feira (1º) para apresentar formalmente sua proposta para buscar uma solução negociada para a violência na Líbia. De acordo com a Al Jazira, o plano consiste em enviar à Líbia uma comissão integrada por países da América Latina, Europa e Oriente Médio. Nem o governo líbio, nem o venezuelano, informaram detalhes. Outras informações sobre a estratégia devem ser apresentadas ainda nesta quinta (3), no Cairo, em nova reunião da Liga Árabe.

O presidente da Venezuela apresentou o plano pela primeira vez na semana passada, durante um encontro com estudantes. Na ocasião, ele criticou as estratégias de intervenção militar apresentadas pela comunidade internacional, liderada pelos Estados Unidos. “Em vez de mandar marines, aviões, navios de guerra e tanques contra o povo líbio, por que não enviamos uma comissão de boa vontade que vá tratar de ajudar para que não continuem matando lá na Libia?”, disse Chávez.

Liga Árabe
Moussa foi um dos que criticou a repressão que o regime de Kadafi exerceu sobre os protestos na Líbia. Numa resolução aprovada nesta quarta-feira (2), a Liga Árabe suspendeu a Líbia da organização e sugeriu que Kadafi desse uma resposta às reivindicações.

Imperialismo em ação
Na segunda-feira (28), o Pentágono informou que reposicionaria forças navais e aéreas em torno da Líbia para entrar em ação "caso fosse necessário". Desde então, os navios têm se aproximado da região. O Egito confirmou que os navios anfíbios USS Kearsarge e o USS Ponce foram autorizados a seguir para o Mediterrâneo. Além dos navios, os EUA também mantêm um porta-aviões no Golfo Pérsico, mas ainda não há informações sobre o deslocamento da embarcação.

Apoios
Na quarta-feira, o presidente do Equador, Rafael Correa, declarou que não era "uma má ideia" a proposta de criar uma comissão de países para a paz na Líbia. O presidente insistiu que seu país "tem mantido uma atitude prudente com os países do Oriente Médio". Ele lembrou que entre fevereiro e março o chanceler Ricardo Patiño programou um giro entre esses países para "estreitar os laços".

Correa destacou também que a realidade desses países "não é igual à da América Latina, onde não existir eleições em quatro anos [representa] a ruptura da democracia". Correa também destacou que seu governo "está contra qualquer atentado aos direitos humanos".

Vários líderes da América Latina, entre eles Juan Manuel Santos, da Colômbia, Mauricio Funes, de El Salvador, e Felipe Calderón, do México, já condenaram a repressão violenta contra a população líbia.

Intervenção internacional
Venezuela, Cuba e Nicarágua se posicionaram contra a hipótese de uma intervenção estrangeira na Líbia. "O povo líbio deve definir seu destino sem interferências estrangeiras. Os povos soberanos são os únicos protagonistas da história e nenhuma força estrangeira está autorizada a intervir nos assuntos internos da nação líbia", declarou o embaixador da Venezuela na ONU (Organização das Nações Unidas), Jorge Valero, durante a reunião da Assembleia Geral, que retirou a Líbia do Conselho de Direitos Humanos (CDH).

O embaixador cubano na ONU, Pedro Núñez Mosquera, se alinhou ao colega venezuelano nessas acusações e defendeu "uma solução pacífica e soberana, sem ingerências nem intervenções estrangeiras". "Acompanhamos com preocupação as reiteradas declarações dos EUA e da União Europeia sobre a possibilidade de uma intervenção armada", à qual "Cuba se opõe categoricamente."

Nesse mesmo sentido se pronunciou a embaixadora da Nicarágua na ONU, María Rubiales de Chamorro, que expressou a preocupação de seu país com a perda de vidas humanas no caso de uma intervenção. "Acreditamos na capacidade e sabedoria do povo líbio e de sua liderança comandada por Kadafi para resolver seus problemas internos e encontrar uma solução pacífica de maneira soberana, sem ingerências, sem dois pesos e duas medidas, sem intervenções militares estrangeiras de nenhum tipo", afirmou. (Fonte: Opera Mundi)


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Venezuela/Chávez conversó con líder libio Gaddafi sobre propuesta de comisión de paz


3 marzo 2011/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, se comunicó con el líder libio, Muammar Al Gaddafi, para conversar sobre la propuesta de la creación de una comisión de paz que busque una solución al conflicto que se desarrolla en Libia.

El ministro venezolano de Comunicación e Información, Andrés Izarra, confirmó en su cuenta de la red social Twitter que Chávez conversó con Gaddafi el pasado martes.

“Confirmamos conversación del Comandante Chávez con Gaddafi en el día de ayer (martes) sobre propuesta de Comisión de Paz para Libia”, escribió el funcionario venezolano en su cuenta @IzarraDeVerdad.

Durante un acto de graduación de estudiantes del programa Misión Cultura, Chávez propuso el pasado martes el establecimiento de una misión internacional de paz formada que medie para evitar una guerra civil en Libia, a la vez que condenó cualquier intervención militar extranjera en el país del norte de África.

Chávez aprovechó la ocasión para enviar un mensaje de paz a los jefes de Estado de todos los países del mundo. La propuesta está orientada en línea contraria a cualquier intento de intervención militar foránea.

“En lugar de mandar (Estados Unidos) marines, aviones, buques de guerra y tanques contra el pueblo libio, ¿Por qué no enviamos una comisión de buena voluntad que vaya a tratar de ayudar a que no se sigan matando allá en Libia?”, planteó le jefe de Estado venezolano.

En ese mismo orden, al participar en un acto conmemorativo por el 80º aniversario del Partido Comunista de Venezuela (PCV), el canciller de la nación suramericana, Nicolás Maduro, reiteró el pasado martes que su país se opone ante cualquier posibilidad de invasión militar a Libia por parte de los Estados Unidos y algunos países aliados de la Unión Europea (UE).

Asimismo, el embajador venezolano ante la Organización de las Naciones Unidas (ONU), Jorge Valero, rechazó el pasado martes la movilización guerrerista de fuerzas aéreas y navales estadounidenses contra el pueblo de Libia, durante la sesión extraordinaria en la que la Asamblea General del organismo multilateral expulsó a la nación árabe del Consejo de Derechos Humanos.

Valero insistió en lo expresado anteriormente por el presidente venezolano, respecto a que el reposicionamiento de las fuerzas militares del Gobierno de Estados Unidos para atacar a este pueblo árabe está motivado por la apetencia imperial por el petróleo y no por la defensa de los Derechos Humanos.

En un acto, transmitido por televisión a todo el país, el líder libio Muammar Al Gaddafi manifestó que los medios de comunicación internacionales “han mostrado una imagen más grande de lo que está pasando en Libia. Ahora mismo oímos reportes de intervención extranjera”.

“Es toda una conspiración para tratar de controlar el petróleo de nosotros, personas que quieren ocuparnos como lo hizo Italia con Libia y eso no lo vamos a permitir”, denunció.

Agregó que “siguen haciendo ataques por parte de personas que quieren afectar empresas extranjeras, que quieren nuestro petróleo Es lamentable, quieren nuestras riquezas”.

“Hay países que dicen estar preocupados por la situación en Libia, lo que quieren es que Libia no siga exportando el petróleo, tratan de forzar a las empresas petroleras y estas personas van a terminar afectándose”, acotó Gaddafi.

Cuba/O CDH APLICARÁ SANÇÕES AOS EUA CASO UMA GUERRA TENHA INÍCIO?

3 março 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Em declaração no Conselho de Dereitos Humanos da ONU, na última terça-feira (1º/3), em Genebra, o do Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, fez questões pertinente sobre a atuação do Conselho em relação ao comportamento internacional dos Estados Unidos, marcadamente belicista.

"Se o direito humano fundamental é o direito à vida, estará o Conselho preparado para suspender membros que desencadeiam a guerra?", questiona Rodríguez.

"Pode o Conselho dar uma contribuição substancial para eliminar a principal ameaça à vida da espécie humana que é a existência de enormes arsenais de armas nucleares, em que uma pequena parte, a explosão de 100 ogivas, provocaria um inverno nuclear, segundo conclusões cientificas irrefutáveis?", lembra o ministro de Relações Exteriores cubano.

Leia abaixo a íntegra de seu discurso:

Sr. Presidente:

A consciência humana rejeita a matança de pessoas inocentes em qualquer circunstância e lugar. Cuba concorda inteiramente com a preocupação mundial com a perda de vidas de civis na Líbia e deseja que seu povo alcance uma solução pacífica e soberana em vez da guerra civil que acontece ali, sem nenhuma interferência estrangeira, e que garanta a integridade da nação.

Certamente o povo líbio se opõe à toda intervenção militar estrangeira, que afastaria um acordo e provocaria milhões de mortes, de desabrigados e enormes danos à população em geral.

Cuba rejeita categoricamente qualquer tentativa de explorar a situação dramática criada para ocupar o país e controlar o petróleo.

É notória a voracidade pelos hidrocarbonetos, e não pela paz ou a proteção à vida dos libios, a motivação que anima as forças políticas, fundamentalmente conservadoras, que provocam hoje, nos Estados Unidos e em alguns países da Europa, uma intervenção militar da OTAN em território libio. Não parece também ser a objetividade, a exatidão e o apego à verdade o que predomina em uma parte de imprensa, utilizada por impérios de mídia para atiçar o fogo.

Diante da magnitude do que acontece na Líbia e no mundo árabe e das circunstâncias de uma crise econômica global, deveria prevalecer a responsabilidade e a visão de longo prazo nos países desenvolvidos. Embora possa enganar a boa vontade de uma parte da opinião pública, é evidente que uma intervenção militar levará a uma guerra e acarretará em consequências graves para a vida das pessoas e especialmente a bilhões de pobres, que correspondem a 4/5 da população do planeta.

Apesar da falta de alguns dados e fatos, a realidade é que a origem da situação no Oriente Médio e norte da África está na crise da política de saques imposta pelos Estados Unidos e seus aliados da OTAN na região. Os preços dos alimentos triplicaram, a água é escassa, crescem os desertos, aumenta a pobreza, e com ela, uma crescente desigualdade social e exclusão na distribuição da opulenta riqueza petrolífera na região.

O direito humano fundamental é o direito à vida, que não merece ser vivida sem dignidade humana.

Desperta grande preocupação a maneira como este direito à vida é violado. Segundo várias fontes, morreram em conflitos armados em guerras modernas mais de 111 milhões de pessoas. Não podemos esquecer que se na Primeira Guerra Mundial as mortes de civis foram só 5% do total de baixas, nas guerras de conquistas posteriores a 1990, principalmente no Iraque, com mais de um milhão, e no Afganistão, com mais de 70 mil, os mortos inocentes chegaram a 90%. A proporção de crianças nestes dados é horrível e sem precedentes.

Foi aceita na doutrina militar da OTAN e das nações muito poderosas o conceito de “danos colaterais”, o que ofende a natureza humana. Na última década, a Declaração Universal dos Direitos Humanos tem sido pisoteada, como acontece na Base Naval norte-americana de Guantânamo, que usurpa o território de Cuba.

Os dados globais de refugiados como consequência destas guerras aumentaram em 34%, mais de 26 milhões de pessoas.

Os gastos militares cresceram 49% em uma década e chegaram a 1,5 trilhões de dólares, mais da metade nos Estados Unidos. O complexo militar continua produzindo guerras.

A cada ano, morrem 740 mil pessoas como vítimas de crimes violentos associados ao crime organizado.

Em um país europeu, morre a cada cinco dias uma mulher vítima de violência doméstica. Nos países do sul, morrem anualmente 11 milhões de crianças.

Por razões associadas à desnutrição, temos 100 mil mortes por dia, somando 35 milhões por ano.

Só com o furacão Katrina, no país mais desenvolvido do mundo, morreram 1.836 pessoas, quase todas negras e com poucos recursos. Nos últimos dois anos, 470 mil pessoas morreram no mundo devido a desastres naturais sendo 97% delas com baixos rendimentos.

Somente no terremoto de janeiro de 2010 no Haiti, morreram mais de 250 mil pessoas, quase todas moradoras de casas muito pobres. O mesmo aconteceu com as casas arrasadas pelas chuvas no Rio de Janeiro e São Paulo, no Brasil.

Se os países em desenvolvimento tivessem taxas de mortalidade infantil e materna como as cubanas, se salvariam anualmente 8,4 milhões de crianças e 500 mil mães. Na epidemia de cólera no irmão Haiti, médicos cubanos atenderam quase a metade dos doentes, com uma taxa de mortalidade cinco vezes menor do que aqueles atendidos por médicos de outros países. A cooperação médica internacional cubana permitiu salvar mais de 4,4 milhões de vidas em dezenas de paises em quatro continentes.

A dignidade humana é um direito humano. Hoje existem 1,4 bilhões de pessoas em extrema pobreza. Existem 20 milhões de famintos, outros dois milhões padecem de desnutrição. Existem 759 milhões de adultos analfabetos.

Senhor Presidente.

O Conselho tem demonstrado sua capacidade para enfrentar as situações dos Direitos Humanos no mundo, incluindo aqueles que requerem atenção urgente e ações da comunidade internacional. Confirmou-se a utilidade do Exame Periódico Universal, como a base da cooperação internacional para avaliar o desempenho na matéria de todos os países, sem distinção.

Preservar, aperfeiçoar e fortalecer este Conselho no seu papel de promover e proteger os Direitos Humanos para todos, foi o espírito que animou nossa atuação no processo de revisão do órgão.

Os resultados deste exercício expressam o reconhecimento das mais importantes realizações do Conselho em sua curta existência. Enquanto os acordos não são suficientes diante das demandas dos países em desenvolvimento, foi preservado a instituição daqueles que pretendiam reformá-lo à sua conveniência para satisfazer apetites hegemônicos e ressuscitar o passado de confronto, hipocrisias, discriminação e imposição.

As discussões destes dias seria de esperar que este Conselho dos Direitos Humanos continue construindo e avançando para o pleno exercício de seu mandato.

Seria muito negativo, com o pretexto de analisar a construção institucional do Conselho e de abusos desta situação dramática, que se manipule e se pressione de maneira oportunista para estabelecer precedentes e modificar acordos.

Se o direito humano fundamental é o direito à vida, estará o Conselho preparado para suspender membros que desencadeiam a guerra?

Pode o Conselho dar uma contribuição substancial para eliminar a principal ameaça à vida da espécie humana que é a existência de enormes arsenais de armas nucleares, em que uma pequena parte, a explosão de 100 ogivas, provocaria um inverno nuclear, segundo conclusões cientificas irrefutáveis?

Estabelecerá um procedimento sobre um impacto da mudança climática no exercício dos direitos humanos e proclamará o direito a um ambiente saudável?

Suspenderá os Estados que financiam e fornecem ajuda militar empregada pelo Estado receptor em violações massivas, flagrantes e sistemáticas dos direitos humanos e ataques à população civil, como as que ocorrem na Palestina?

Aplicará esta medida contra países poderosos que realizam execuções extrajudiciais em território de outros Estados com emprego de alta tecnologia, como munições inteligentes e aviões não tripulados?

O que acontecerá com Estados que aceitam em seus territórios prisões ilegais secretas, facilitem o transito de vôos secretos com pessoas sequestradas ou participem de atos de tortura?

Poderá o conselho adotar uma declaração sobre o direito dos povos à paz?

Adotará um Programa de Ação que inclua compromissos concretos para garantir o direito à alimentação em momentos de crise alimentar, subida de preços dos alimentos e utilização de cereais para produzir biocombustível?

Senhor Presidente.

Distintos Ministros e Delegados.

Que medidas adotará este Conselho contra um Estado membro que cometa atos que causem grandes sofrimentos e atentam gravemente contra a integridade física e mental, como o bloqueio a Cuba, tipificado como genocídio no artigo 2, inciso B e C, da Convenção de Genebra de 1948?

Muito Obrigado.

(Fonte: Opera Mundi)

CPLP pretende harmonizar funcionamento de estruturas da cooperação

Lisboa, 2 março 2011 - Representantes dos países lusófonos, reunidos em Lisboa no âmbito da CPLP, concordaram com a necessidade de harmonizar o funcionamento das estruturas de cooperação nos vários Estados-membros com o objetivo de "trabalharem todos na mesma passada".

"Fizemos uma profunda reflexão sobre o estado de funcionamento das estruturas nos nossos Estados-membros, identificámos alguns constrangimentos e concluímos que desta análise deverá surgir um documento orientador, não vinculativo, que possa definir balizas e tentar fazer convergir para um mesmo sentido o funcionamento dos pontos focais de cooperação a nível da CPLP", disse Isabel Godinho, do ministério das Relações Exteriores de Angola.

A responsável angolana falava aos jornalistas no final da primeira reunião do ano dos pontos focais da cooperação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que decorreu durante três dias e terminou hoje em Lisboa e serviu para fazer o ponto de situação da "cooperação intracomunitária".

A responsável adiantou que com base nas diferentes experiências de funcionamento das estruturas, o secretariado-executivo "ficou com a incumbência de reformular um documento existente que servirá de linha orientadora" e que cada Estado adaptará à sua realidade.

"Visa essencialmente trabalhar numa mesma passada", disse.

Durante a reunião, os representantes analisaram ainda um projeto de revisão do regulamento do Fundo Especial da CPLP, que prevê nomeadamente que uma percentagem dos dinheiros do referido fundo seja destinada ao secretariado-executivo da CPLP.

De acordo com Isabel Godinho, a proposta está a ser analisada juntamente com outras que surgiram durante a reunião.

"O princípio está aceite, estamos é a equacionar qual a percentagem [do dinheiro a destinar ao secretariado]. Alguns Estados-membros precisaram de ter o respaldo das suas capitais e, para não nos precipitarmos, preferimos dilatar o tempo de análise do documento, permitindo que esse respaldo venha e assim termos um documento seguro que possa vigorar num lapso de tempo maior", disse Isabel Godinho.

A responsável sustentou que "é preciso dotar o secretariado-executivo de uma certa flexibilidade para poder ir avançando".

O Fundo Especial, constituído por doações voluntárias, públicas e privadas, era a 31 de dezembro de 2010 de cerca de 4,5 milhões de euros.

No âmbito da reunião, que decorre duas vezes por ano, foi ainda assinado um protocolo de cooperação entre o Governo brasileiro e a CPLP para o desenvolvimento da segunda e terceira fases de um projeto de apoio ao desenvolvimento da produção de artesanato em São Tomé e Príncipe.

Com um orçamento de cerca de um milhão de euros, o projeto da Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e do Instituto Mazal abrange 120 artesãos e visa o desenvolvimento do artesanato são-tomense numa perspetiva empresarial e de internacionalização.

O encontro, que juntou cerca de cinco dezenas de técnicos, de delegações da CPLP e dos ministérios dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo-Verde, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste foi coordenado por Angola, que tem a presidência rotativa da organização. (Lusa)

Moçambique/Portugal vai ajudar no projecto de extensão da plataforma continental

Maputo, 3 março 2011 - Portugal vai ajudar Moçambique no projecto de extensão da plataforma continental, que o país vai defender "brevemente" nas Nações Unidas, indicou hoje (quinta-feira) em Maputo o ministro da Defesa de Portugal, Augusto Santos Silva.

No balanço da visita de três dias que realiza a Moçambique, Augusto Santos Silva afirmou que a cooperação no projeto de extensão da plataforma continental do país faz parte de um "novo patamar" na colaboração no sector da Defesa.

"Portugal apresentou em 2009 e defendeu em 2010 o seu projecto de extensão da plataforma continental nas Nações Unidas. Moçambique apresentou em 2010 e vai defender brevemente. É uma área que parece óbvia para cooperação futura", disse o ministro português, em declarações aos jornalistas.

Avaliando como "positivos" os 23 anos de cooperação com Moçambique no domínio militar, Augusto Santos Silva apontou ainda que os dois países decidiram incrementar a colaboração no sector da vigilância marítima, capitalizando a experiência conferida pelo estatuto de países marítimos.

"Os dois países são ambos marítimos e tem uma extensão considerável de águas sob sua jurisdição e as capacidades de vigilância marítima são essenciais. Aí também queremos incrementar a cooperação", sublinhou Augusto Santos Silva.

O ministro português da Defesa realçou que os mais de 20 anos de cooperação com Moçambique permitiram a formação de 1.500 bolseiros moçambicanos em estabelecimentos militares de ensino portugueses e a formação, em Moçambique, de 4.700 militares moçambicanos com o apoio de instrutores portugueses.

Mais de mil instrutores portugueses trabalham em Moçambique, destacando-se o seu envolvimento na criação da Academia Militar Samora Machel, a única no país do ramo castrense, e no treino de fuzileiros navais moçambicanos, disse Augusto Santos Silva.

Foram também conseguidos progressos no apoio à capacitação institucional das Forças Armadas de Defesa de Moçambique, com enfoque no auxílio à organização do exército moçambicano.

No âmbito da cooperação bilateral no domínio militar, Augusto Santos Silva procedeu hoje (quinta-feira) à oferta de um avião Cessna à Força Aérea de Moçambique, destinado a operações aeromédicas, vigilância marítima e treino de pilotos.

Uma palestra subordinada ao tema: "Fatores de União e Novas Áreas de Cooperação na CPLP" vai assinalar o final da visita de Augusto Santos Silva a Moçambique, que regressa sexta-feira a Lisboa. (AngolaPress)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Brasil/ARTIGOS SOBRE COMBATE AO NARCOTRÁFICO NO RIO DE JANEIRO

1- A ARTE DA GUERRA NO RIO DE JANEIRO

2- QUE GILMAR MENDES NÃO SOLTE OS BANDIDOS DO RIO

3- COMBATER O BRAÇO FINANCEIRO E INSTITUCIONAL DO CRIME

4- VIOLÊNCIA DO CRIME ORGANIZADO



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1- A ARTE DA GUERRA NO RIO DE JANEIRO

2 dezembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Luciano Rezende *

Sun Tzu disse: “Na guerra, o objetivo principal é a vitória. Se esta tardar, embotam-se as armas e deprime-se o moral”. Décadas da presença do crime organizado em vastas regiões da cidade do Rio de Janeiro, com a cumplicidade de setores da própria polícia, fizeram com que a reputação desta corporação e dos poderes constituídos do Estado fosse maculada perante o povo. Resgatar a confiança e a credibilidade das instituições de segurança pública é tarefa das mais importantes.

Sun Tzu disse: “Ataca onde quer que o inimigo esteja despreparado; irrompe quando ele não te esperar”. Como se diz: “Quando o trovão ribomba, não há tempo de tapar os ouvidos”. A complexidade do tráfico faz necessário que além das ações mais enérgicas e de enfrentamento ostensivo se invista no trabalho de inteligência. Sitiar as movimentações financeiras é uma forma de manter o inimigo sob pressão e esgotá-lo.

Sun Tzu disse: “A natureza do terreno é o fator fundamental para o exército consolidar sua vitória”. “(...) Em terreno íngreme, devo tomar posições nas elevações ensolaradas e aguardar o inimigo”. Com as instalações das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) nos topos dos morros, deslocando os traficantes de suas antigas bases estratégicas, contribuirá sobremaneira para uma efetiva ocupação destas comunidades que, por sua topografia irregular, necessita contar com visão privilegiada para dificultar o retorno do inimigo. “Quando um gato se posta diante de um buraco de ratos, dez mil ratos não saem; quando o tigre vigia o vau, dez mil carneiros não atravessam o rio”.

Sun Tzu disse: “Um exército sem agentes secretos é exatamente como um homem sem olhos e sem ouvidos”. Nesse quesito, parece que os traficantes sempre dispuseram de informações privilegiadas partindo de dentro da própria polícia. Em contrapartida, percebe-se que agora a própria população, ao readquirir o moral de combatentes auxiliares desta guerra, passa a ser informante contra o tráfico, apoiando a polícia através de importantes denúncias telefônicas.

Sun Tzu disse: “Quando as tropas estão em situação favorável, o covarde é bravo; quando não, o bravo é covarde. Na arte da guerra não existem regras fixas. Estas dependem unicamente das circunstâncias”. Esperemos que a firmeza do discurso oficial no atual momento seja mantida com o decorrer do tempo e que as políticas sociais de fato “subam o morro” e sejam implantadas com a coragem necessária para superar de vez as práticas assistencialistas do inimigo.

Sun Tzu disse: “Não permitas que seus inimigos se aliem. Examina o conteúdo dessas alianças e provoca sua ruptura. Se o inimigo tem alianças, o problema é grave e a posição dele, muito forte; se não as tem, o problema é menor e a posição dele, muito fraca”. O crime organizado no Rio conseguiu tecer vasta rede de colaboradores. Tem representação no Parlamento e está infiltrado em várias repartições com anuência de vários agentes do poder público. Romper esse consórcio é tarefa a ser perseguida.

Sun Tzu disse muito mais em “A Arte da Guerra”. Documento milenar que a despeito de seu contexto histórico guarda enorme atualidade. Mas Sun Tzu não viveu o capitalismo. Não desconfiava de poder existir um modo de produção capaz de disseminar uma cultura de guerra e violência de fazer inveja aos antigos senhores de guerra.

A cultura da violência vem do berço no capitalismo que sobrevive do espírito de uma bestial competição, em todos os sentidos. A própria insegurança da população é um ótimo negócio a ser comercializado pela indústria da segurança, inclusive por milícias. Banalizou-se a violência como em poucos momentos da história da civilização. Hoje uma criança pede à mãe para comprar um “caveirão” do Bope de brinquedo, assistindo um ingênuo Pica-pau vermelho e azul meter uma paulada na cabeça de um índio. Todos riem.

Relembrando Brecht: “Muitos acusam o rio de violento, mas poucos são os que condenam as margens que o reprimem”. Em meio a mais uma cobertura midiática sensacionalista, é fundamental que, ao reafirmarmos a validade das operações policiais, também sejamos capazes de fazer uma leitura histórica e científica da violência no Rio, no Brasil e no mundo. Não ser ingênuo a ponto de pensar que o tráfico vai ser vencido apenas com políticas sociais, mas também não imaginar que somente a ação policialesca será suficiente para se alcançar o apaziguamento. O rio (e o Rio) está (ão) cada vez mais estreito (s).

A verdadeira paz só será atingida com outro sistema social, o que exigirá um outro tipo de guerra, mais prolongada, de longo fôlego. Sun Tzu disse: “A invencibilidade depende de nós. A vulnerabilidade do rival depende dele”. O capitalismo é débil por natureza, perecerá mais cedo ou mais tarde, a depender de nossa estratégia.
* Engenheiro agrônomo, mestre em Entomologia e doutorando em Genética. Professor do Instituto Federal do Amazonas (IFAM).


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2- QUE GILMAR MENDES NÃO SOLTE OS BANDIDOS DO RIO

2 dezembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Messias Pontes *

O Brasil inteiro assistiu, atônito, nos últimos dias, às ações das forças militares e policiais no Rio de Janeiro contra o crime organizado. Toda a sociedade apoiou o combate sem trégua aos bandidos e aplaudiu por não atingir pessoas inocentes nos morros da Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão. Muita droga – maconha, cocaína e crack – e muita arma pesada e farta munição foram apreendidas, causando enorme prejuízo financeiro aos traficantes, calculado em mais de R$ 100 milhões.

A sociedade brasileira aplaudiu também a prisão de vários “chefões” do tráfico, mas espera que os que conseguiram furar o cerco sejam presos no curto prazo. Espera também que haja uma averiguação rigoroso para apurar denúncias de que maus policiais facilitaram a fuga de alguns bandidos tanto no morro da Vila Cruzeiro como no Complexo do alemão. Há denúncias também de excesso por parte de policiais e até mesmo de roubo, conforme declarou um morador da Vila Cruzeiro que um soldado lhe roubou R$ 31 mil, dinheiro recebido da rescisão de contrato de trabalho.

Mas o que os brasileiros de bem esperam mesmo é que o ministro Gilmar Mendes – ou Gilmar Dantas, conforme o jornalista Ricardo Noblat – não venha a decretar a liberdade dos bandidos presos durante a operação policial-militar. A preocupação é procedente, pois este ministro, que infelizmente chegou à presidência da mais alta Corte de Justiça do País, tem sido benevolente, para não dizer um pai, com bandidos de colarinho branco.

Para surpresa geral, Gilmar Mendes soltou o banqueiro-bandido italiano Alberto Salvatore Cacciola, dono do banco Marka, que deu um rombo de mais de R$ 1,5 bilhão. Em liberdade, Cacciola fugiu para o seu país, e só foi preso pela Interpol quando resolveu passear no Principado de Mônaco, e depois extraditado para cá. Ele foi condenado a 13 anos de prisão por gestão fraudulenta e desvio de dinheiro público.

Gilmar Mendes, para não perder a fama, concedeu celeremente dois habeas corpus ao também banqueiro-bandido Daniel Dantas, indiciado por vários crimes, entre eles gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Além de proteger o banqueiro-bandido, Gilmar Mendes perseguiu implacavelmente o delegado federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha que apurou a roubalheira do dono do banco Opportunity ; também perseguiu o delegado federal Paulo Lacerda, então diretor da ABIN, e o juiz Federal Fausto di Sanctis que decretou as prisões de DD.

A posição e as decisões do ministro Gilmar Mendes foram tão esdrúxulas que um movimento nacional ganhou corpo para o seu impeachment, o que acabou não acontecendo porque a maioria dos senadores é muito conservadora e medrosa, para não dizer covarde. Dezenas de entidades nacionais se manifestaram pelo impeachment desse ministro que foi indicado pelo Coisa Ruim (FHC) para o Supremo Tribunal Federal apesar das advertências feitas pelo grande jurista Dalmo de Abreu Dallari.

Setores progressistas da igreja católica têm denunciado as ações antidemocráticas de Gilmar Mendes, notadamente na criminalização dos movimentos sociais, em especial do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Comprometido com os interesses do baronato da mídia, esse ministro tornou sem efeito a obrigatoriedade do diploma de curso superior em Comunicação Social para o exercício da profissão de jornalista.

Agora, para indignação geral, o ministro Gilmar Mendes põe em liberdade o médico-monstro Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão, em primeira instância, por crimes sexuais contra 60 pacientes. O relato das vítimas desse monstro, que é milionário, chocou a todos, menos ao ministro do STF que não gosta de ver bandido de colarinho branco na cadeia.

A consciência democrática brasileira não aceita, por hipótese alguma, que o ministro Gilmar Mendes tenha a petulância de ordenar a soltura dos traficantes de drogas e armas do Rio de Janeiro, presos nos últimos dias nas comunidades de Vila Cruzeiro e no Complexo do Alemão.

* Diretor de comunicação da Associação de Amizade Brasil-Cuba do Ceará, e membro do Conselho de Ética do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará e do Comitê Estadual do PCdoB.


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3- COMBATER O BRAÇO FINANCEIRO E INSTITUCIONAL DO CRIME

29 novembro 2010/Vermelho EDITORIAL http://www.vermelho.org.br

A provocação irracional e inaceitável iniciada pelo crime organizado com a onda de violência desencadeada no dia 21, teve um desdobramento inesperado não só para os bandidos mas também para toda população.

Pela primeira vez houve uma ação coordenada das polícias fluminenses, das Forças Armadas e de forças policiais da União para não só reprimir a ação criminosa, como também, numa verdadeira operação de guerra, desalojá-los dos espaços que controlavam e que transformaram em bases de operação para distribuir drogas ilegais, esconder seus arsenais, encontrar repouso e atendimento médico quando necessário depois de conflitos com a polícia ou adversários de outras facções criminosas. Eles construíram, em favelas e outras comunidades pobres do Rio de Janeiro verdadeiros para-estados, à margem da lei e das instituições.

A operação coordenada desta semana indica que é possível combater o tráfico e o crime organizado a ele associado. Ela teve um êxito inicial e o mérito cabe ao governo do Rio de Janeiro e do governo federal.

Há notícias de que o descontentamento dos criminosos que degenerou naqueles ataques decorreria da implementação das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), primeiro passo para a ocupação dos territórios antes entregues aos bandidos. Através das UPPs, o Estado retomou sua presença nas comunidades, seja através da prestação de segurança, como de outras políticas públicas, em benefício da população.

O apoio da população à ação bélica contra os bandidos (que pode ser medido pelo alto número de ligações anônimas feitas para o disque-denúncia, e que permitiu a localização e a prisão de inúmeros traficantes) revela o sucesso alcançado pelas UPPs, cuja mera existência passa a ser um sinal de reocupação pública de espaços dominados por facções. Para a deputada federal eleita Jandira Feghali (PCdoB-RJ), “antigamente a população tinha mais medo da policia do que dos traficantes e milícias, mas desta vez a população não apenas apoiou como colaborou”. E este apoio continuará sendo decisivo nesta etapa em que, ocupado o território, começa a varredura casa a casa para uma verdadeira “limpeza” do terreno e consolidação da “conquista”.

Vai durar? Esta é outra pergunta que está em muitas mentes. Setores conservadores se assanham com a presença das Forças Armadas nas ruas, mesmo que não tenham se envolvido no combate direto mas participado do apoio logístico e material e do controle do território tomado aos bandidos. Há, aqui, um eco de velhos sonhos antidemocráticos de “botar o Exército na rua” para ações policiais que não fazem parte de sua missão constitucional, que é a de defender a soberania e a integridade nacional.

A participação das Forças Armadas na operação ocorrida no Rio de Janeiro foi inestimável e merece elogios justamente pelo sentimento de respeito à lei demonstrado pelos militares, definindo claramente o papel e a função que tiveram na operação, manifestando a disposição de ir para o sacrifício e contribuir para consolidar a vitória obtida e subordinar-se ao comando civil da operação.

Foi essa participação que permitiu a vitória. E é possível imaginar que permitiu por várias razões que incluem o uso de veículos blindados, helicópteros, barcos, soldados e oficiais que se tornaram exímios em ações desse tipo. Mas há outra razão que precisa ser lembrada: a mera presença de oficiais das Forças Armadas nesta ação deve ter contribuído para encorajar os policiais honrados, que constituem a maioria, e intimidar a “banda podre” da polícia carioca, que a opinião quase unânime dos especialistas aponta como um dos principais fatores de existência e reforço do crime organizado com o qual mantém relações cúmplices de proteção e envolvimento em negócios altamente rentáveis como o tráfico de drogas e também de armas pesadas que asseguram o poderio bélico da criminalidade.

Vários especialistas opinam que a permanência do sucesso de uma operação dessa envergadura será consequência não do envolvimento das Forças Armadas no combate ao crime, mas de uma profunda reforma da polícia que elimine a “banda podre” formada por poderosos focos de corrupção e envolvimento com o crime. O antropólogo Luiz Eduardo Soares, que foi (em 1999/2000) coordenador de segurança, justiça e cidadania do Estado do Rio, usa palavras fortes para descrever a situação atual e justificar a necessidade de uma reforma profunda da polícia. Há uma “degradação institucional em curso”, diz ele.

Uma outra ponta do tráfico que precisa ser combatida com vigor semelhante ao demonstrado nesta semana no Rio de Janeiro é aquilo que se poderia chamar de “braço financeiro e institucional” do tráfico. Os financiadores do tráfico, de drogas e de armas, aqueles que se encarregam da lavagem do dinheiro, certamente não moram nas favelas nem nos morros, diz a deputada Jandira Feghali. Certamente eles sofrerão enormes prejuízos em consequência da operação militar desta semana. Mas é preciso ir além – identificá-los e submetê-los aos rigores da lei da mesma forma como se faz com os gerentes do tráfico e com a chefia intermediária, aquela que está nas favelas e nos presídios.


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4- VIOLÊNCIA DO CRIME ORGANIZADO

26 novembro 2010/Zillah Branco Escreve http://zillahbrancoescreve.blogspot.com/

Não há dúvida de que os dois mandatos do governo Lula plantaram na sociedade brasileira as sementes democráticas que agora, com Dilma, deverão ser defendidas e orientadas para a construção de instituições públicas livres do domínio oligárquico exercido pela velha elite mandante. Todos os que participaram dessa construção de uma dinâmica que implanta os princípios democráticos em cada expressão do Estado de Direito sabem que o caminho de transformação, com base nas alianças entre todas as forças sociais e políticas nacionais, é longo e exige tenacidade em cada passo.

Foram diferentes iniciativas, alterando a legislação e as normas administrativas, buscando a participação dos cidadãos para definir o caminho do país, analisando criticamente o funcionamento dos órgãos de serviço público, fortalecendo um sistema democrático de atendimento ao povo, combatendo preconceitos e abusos de poder que desvirtuam o papel do Estado, denunciando os obstáculos criados por uma oposição criminosa ao desenvolvimento social e estabelecendo os limites éticos da ação política e administrativa na gestão do patrimônio nacional. Foi aberto o caminho para que instituições verdadeiramente democráticas passem a definir o Estado e que a impunidade deixasse de entravar a justiça no país.

Vemos, neste episódio de guerra do narcotráfico contra as forças policiais do Rio de Janeiro, o quanto a sociedade evoluiu no tratamento dos problemas sociais afetados pela ação do crime organizado. A Segurança Pública do Rio de Janeiro, que há perto de trinta anos combate as ações criminosas que têm suas bases nas favelas onde vivem centenas de milhares de famílias de trabalhadores, foi agora organizada com fundamentos técnicos militares e conhecimento científico para entender o comportamento dos cidadãos envolvidos – de bandidos e de moradores inocentes – conduzindo com maestria um enfrentamento decisivo com um mínimo de vítimas pessoais.

O processo gradual que minou e desesperou os chefes do narcotráfico.tornou-se possível como reflexo do novo caminho aberto com a meta democrática. As forças militares e policiais de todo o país ofereceram a sua ajuda que foi sendo aceita na medida das necessidades para um confronto final e rápido. Não houve competição entre poderes, houve solidariedade nacional. Os tanques da Marinha, os aviões blindados da Aeronáutica, o apoio de militares para garantir a ordem liberando as polícias estaduais para darem seqüência ao plano de pacificação que vem sendo implantado em todas as favelas há longos meses através da fixação de UPP (unidades policiais de pacificação). Os especialistas em segurança pública, os analistas científicos e os militantes dos movimentos sociais concordam em que a polícia evoluiu de uma fase de vigilância, como poder externo, para a de ajuda integrada com os moradores. Só assim conseguiram quebrar a força de proteção popular exercida pelos criminosos e criar condições para que o Estado assumisse as suas funções e conquistasse a confiança da população.

Foram dados exemplos de profunda significação na chefia da Segurança Pública em contacto permanente com a população através dos telefones de apoio. Os erros denunciados, de ligação de elementos da Polícia com o crime organizado, de prática de violência contra civis inocentes, de abusos de poder – que desde a vigência da ditadura em 1964 se tornara habitual e assustador – foram banidos e a impunidade deixou de vigorar nas ações policiais e militares. Resta agora que o sistema judicial e carcerário nacional entre no mesmo caminho de saneamento tanto de leis inadequadas como de comportamento irresponsável que limita a luta da sociedade contra o crime organizado. No Rio de Janeiro, nesta semana, foram alcançados êxitos admiráveis de aliança democrática dos órgãos de segurança pública e a população que passou a participar solidariamente com confiança no Estado, e a adesão da mídia integrada aos objetivos de luta do comando unificado contra o crime organizado.

Todos os que elegeram Lula em 2002 e que o acompanharam dentro ou fora do aparelho governamental, sabem que o processo segue o seu curso, agora com Dilma, na consolidação das primeiras conquistas democráticas (são muitas, a começar do combate à fome e pela integração social da maior parte da população brasileira com benefícios institucionais e no desenvolvimento nacional com independência) e que a fase de consolidação das conquistas abrirá novos caminhos para aprofundar as mudanças. Todos sabem que novas formas de oposição vão surgir, dos que encontram apoio em forças criminosas antidemocráticas criadas para gerar o caos nas sociedades que se levantam. A história da humanidade apresenta este quadro em várias épocas e diferentes regiões do planeta. Surgem razões pessoais, questões transitórias, ambições de grupos políticos, que se unem para destruir o que o povo constrói.

Assim é a violência que se desencadeou recentemente no Rio de Janeiro para intimidar os defensores de uma estratégia pacificadora das numerosas favelas onde se escondem as redes do crime organizado. Assim foi a campanha de difamação que se multiplicou através da internet e dos meios de comunicação social que apoiavam a fraca oposição à eleição de Dilma. Assim agiram os colonialistas britânicos no Oriente Médio dividindo os territórios árabes, os colonizadores europeus da África e da Ásia semeando a discórdia entre povos vizinhos, e o imperialismo norte-americano que sucedeu ao colonialismo globalmente. Com características de atos isolados, de rebeldia de grupos que perdem seus antigos privilégios, são confundidos com situações de insatisfação populares e as suas causas atribuídas à incapacidade ou erros dos governantes. A responsabilidade da mídia nesses momentos é decisiva para evitar que a violência de poucos seja utilizada por interesses privados contra as mudanças democráticas.

As dificuldades que se avizinham são atenuadas pelos vigorosos passos dados no sentido da solidariedade real da população e de meios de comunicação social com o Estado na medida em que se reestrutura com os recursos do conhecimento científico das questões sociais e das metas democráticas.

ARTIGOS SOBRE DOCUMENTOS PUBLICADOS POR WIKILEAKS

1- Ecuador invitará a fundador de WikiLeaks para que detalle espionaje contra Latinoamérica

2- Brasil/Em documentos confidenciais, EUA atacam soberania do Itamaraty

3- Argentina/EE.UU. pidió a su embajada en Buenos Aires espiar a presidenta Fernández, según Wikileaks


4- EE.UU. ha tratado de aislar al presidente Chávez de Latinoamérica, según Wikileaks


5- Wikileaks revela documentos secretos de la política exterior de EE.UU.

6- EE.UU/Consideran hipócrita respuesta de EE.UU. sobre textos de Wikileaks


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1- Ecuador invitará a fundador de WikiLeaks para que detalle espionaje contra Latinoamérica

30 noviembre 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El gobierno ecuatoriano anunció que invitará a Julian Assange, fundador del portal WikiLeaks, para que ofrezca detalles de los documentos que publicó el domingo en el sitio Web sobre las presuntas labores de espionaje de Estados Unidos en América Latina, y de forma particular, en Quito, a través de sus embajadas.

“Vamos a buscar invitarlo para que venga a Ecuador y pueda exponer libremente no sólo a través del Internet, sino a través de distintas instancias públicas lo que él tiene de información y toda la información y toda la documentación”, anunció el vicecanciller de Ecuador, Kintto Lucas.

"Sobre todo nos preocupa toda la información mundial, pero obviamente que nos preocupa mucho más lo que tiene que ver con el Ecuador y con los países amigos y con América del Sur y América Latina en concreto”, puntualizó.

Lucas explicó que la idea de invitar a Assange surge ante la necesidad de conocer a profundidad los datos que divulgó en el portal, pues Quito considera preocupante que se usen vías diplomáticas para espiar a Gobiernos del mundo, como se afirma en los expedientes colgados en la red.

“Más allá de la aplicación de los servicios secretos estadounidenses, también se involucra a la diplomacia, cosa que realmente nos preocupa muchísimo, y sobre todo porque justamente menciona a presidentes de países amigos”, afirmó el funcionario este martes, en declaraciones a la prensa.

Además anunció que como a Julian Assage se le ha negado en Suecia la residencia, Ecuador podría tramitar otorgársela, siempre que la solicite.

"Si el señor Assange solicitara la residencia a Ecuador, podría tramitarse este pedido, de acuerdo con las normas vigentes en el país", sostuvo al respecto el diplomático.

“Creemos que personas como éstas, que están constantemente investigando y tratando de sacar a luz estos lados oscuros de la información, lados oscuros de los Estados, son fundamentales para entender que sí es posible otro tipo de investigación periodística”, agregó.

Assange, un periodista australiano, programador y activista de Internet, enfrenta acusaciones de supuesta violación en Suecia, país que ordenó su captura internacional.

El domingo WikiLeaks publicó más de 250 mil comunicaciones del Departamento de Estado de EE.UU. en más de 270 embajadas, en las que se evidenciaron labores de espionaje y la política exterior de la Casa Blanca.

Desde diferentes esferas del Gobierno de EE.UU. se condenó la información de los documentos filtrados en WikiLeaks, y se les consideró un riesgo para los funcionarios de su cuerpo diplomático en el extranjero.

Ahora, desde el Congreso de Washigton se planea sugerir al gobierno de Obama que investigue si el grupo WikiLeaks debe sumarse a la lista de organizaciones que EE.UU. considera como "terroristas".

WikiLeaks, según se explica en la red "es un sitio web independiente, sin publicidad ni ayudas públicas, que publica informes anónimos y documentos filtrados con contenido sensible en materia religiosa, corporativa o gubernamental, preservando el anonimato de sus informantes".

Desde que el portal Web WikiLeaks comenzó a publicar en el año 2005 documentos desclasificados sobre las políticas de Washington en el Medio Oriente y en otros lugares del mundo, Julian Assage ha estado en la mira del Gobierno de Estados Unidos.


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2- Brasil/Em documentos confidenciais, EUA atacam soberania do Itamaraty

30 novembro 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Seis telegramas confidenciais de diplomatas dos Estados Unidos indicam que a Casa Branca considera o Ministério das Relações Exteriores do Brasil como um adversário que adota uma "inclinação antinorte-americana". Segundo esses documentos, os EUA enxergam o ministro da Defesa, Nelson Jobim, como “talvez um dos mais confiáveis líderes no Brasil”, em contraposição ao “quase inimigo” Itamaraty.

Não há nos telegramas confidenciais nenhuma menção a atos ilícitos nas relações bilaterais Brasil-EUA. São apenas descrições de encontros, almoços e reuniões. Os telegramas fazem parte de um lote de 1.947 documentos elaborados pela Embaixada dos Estados Unidos em Brasília, sobretudo na última década. Os despachos foram obtidos pela organização não-governamental WikiLeaks, que divulgará as íntegras desses papéis nesta terça-feira (30).

Num dos telegramas, de 25 de janeiro de 2008, o então embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Clifford Sobel, relata aos seus superiores como havia sido um almoço mantido dias antes com Nelson Jobim. Nesse encontro, o ministro brasileiro teria contribuído para reforçar a imagem negativa do Itamaraty perante os americanos.

Indagado sobre acordos bilaterais entre os dois países, Jobim citou o então secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães. Segundo o relato produzido por Sobel, "Jobim disse que Guimarães 'odeia os Estados Unidos' e trabalha para criar problemas na relação [entre os dois países]".

Ao mencionar um acordo bilateral, Sobel diz que caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidir entre as posições de um "inusualmente ativo ministro da Defesa interessado em desenvolver laços mais próximos com os EUA e um Ministério das Relações Exteriores firmemente comprometido em manter controle sobre todos os aspectos da política internacional".

Num telegrama de 13 de março de 2008, Sobel afirma que o Itamaraty trabalhou ativamente para limitar a agenda de uma viagem de Jobim aos Estados Unidos. Ao relatar a visita (de 18 a 21 de março de 2008), os americanos pareciam frustrados: "Embora existam boas perspectivas para melhorar nossa relação na área de defesa com o Brasil, a obstrução do Itamaraty continuará um problema".

Caças da FAB
Apesar de elogiado, Jobim nunca apresentou em reuniões nenhuma proposta especial aos Estados Unidos a respeito da licitação dos 36 aviões caça que serão comprados pela Força Aérea Brasileira. Em todos os relatos confidenciais os diplomatas americanos em Brasília mencionam frases de Jobim que coincidem com o que o ministro declarou em público.

Em uma ocasião, por exemplo, os americanos escrevem: "Compras de fornecedores dos Estados Unidos serão mais competitivas quando [o país] autorizar uma produção brasileira de futuros sistemas militares". O Departamento de Estado norte-americano se recusou a comentar as comunicações sigilosas. Uma porta-voz do departamento enfatizou que os países mantêm boas relações. (Da Redação, com informações da Folha de S.Paulo)


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3- Argentina/EE.UU. pidió a su embajada en Buenos Aires espiar a presidenta Fernández, según Wikileaks

29 noviembre 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Como parte de la política de espionaje a varios gobierno del mundo, Estados Unidos ordenó a su embajada en Argentina investigar sobre el estado de salud mental de la presidenta de esa nación suramericana, Cristina Fernández, según revelaron documentos filtrados por el portal de Internet Wikileaks.

Sin que aún se publique íntegramente el documento correspondiente, varios diarios europeos y estadounidenses reseñaron que, de acuerdo con Wikileaks, "la secretaría de Estado" estadounidense "llega a solicitar información sobre su estado de salud mental", en relación a Fernández.

Wikileaks, con la referida filtración, sostiene que existen detalles insospechados que maneja Estados Unidos sobre la personalidad de algunos destacados dirigentes extranjeros y el papel que desempeñan las más íntimas facetas humanas en las relaciones políticas.

Desde la embajada de Estados Unidos en Buenos Aires se han enviado al Departamento de Estado unos dos mil 233 documentos, mil 547 de los cuales han sido desclasificados, mientras otros 664 son de carácter confidencial y unos 22 secretos.
Argentina no es el único país latinoamericano en aparecer en los documentos del Departamento de Estado norteamericano, ya que en la filtración de Wikileaks además aparecen cables relacionados con movimientos hechos por Estados Unidos durante el derrocamiento del ex presidente panameño, Manuel Noriega, así como durante el golpe de Estado en Honduras en julio del pasado año.

Además, se reveló que la diplomacia estadounidense trabajó para que países de América Latina aislaran al presidente venezolano, Hugo Chávez.

El sitio de Internet filtró más de 250 mil documentos enviados por las embajadas al Departamento de Estado, los cuales dejan al descubierto secretos de la diplomacia estadounidense que incluyen acciones de espionaje, maniobras ocultas y de corrupción; además de críticas a líderes del mundo.

Se cree que este escándalo puede perjudicar las relaciones de Estados Unidos con algunos de sus principales aliados; así como también puede poner en riesgo algunos proyectos importantes de su política exterior, entre ellos el acercamiento a Rusia o el apoyo de ciertos Gobiernos árabes.


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4- EE.UU. ha tratado de aislar al presidente Chávez de Latinoamérica, según Wikileaks

29 noviembre 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Estados Unidos emprendió acciones en América Latina para que los gobernantes de países de la región aislaran al presidente de Venezuela, Hugo Chávez, como parte de los continuos esfuerzos del Gobierno estadounidense para atentar contra esa nación suramericana, de acuerdo con lo revelado por documentos filtrados por el sitio de Internet Wikileaks.

Según las revelaciones del portal electrónico, que ya ha publicado documentos sobre la invasión de Estados Unidos a Afganistán e Irak, es evidente que Estados Unidos ha realizado “esfuerzos por cortejar a países de América Latina para aislar al presidente venezolano”, reseñó el diario español El País.

Los datos de Wikileaks señalan que desde la embajada de Estados Unidos en Caracas se han enviado al Departamento de Estado unos dos mil 340 documentos, de los cuales 46 son de carácter secreto, 1950 confidenciales, 344 desclasificados.

Se trata de un nuevo episodio en el que se denuncian estrategias estadounidenses contra Venezuela. El Gobierno venezolano ha denunciado reiteradamente la permanente conspiración de Estados Unidos en su contra.

Entre las acciones más resaltantes de Estados Unidos contra el presidente venezolano está el apoyo que la nación norteamericana dio al golpe de Estado de abril de 2002, el cual apartó a Chávez del poder por espacio de 48 horas.

Ante esta política contra Venezuela, recientemente el ministro venezolano de Defensa, general en jefe Carlos José Mata Figueroa, denunció que Estados Unidos planea junto “con delincuentes y terroristas” de Latinoamérica un golpe de Estado contra su país y las demás naciones que conforman la Alianza Bolivariana para los pueblos de nuestra América (ALBA).

Wikileaks filtró más de 250 mil documentos enviados por las embajadas al Departamento de Estado, los cuales dejan al descubierto secretos de la diplomacia estadounidense que incluyen acciones de espionaje, maniobras ocultas y de corrupción; además de críticas a líderes del mundo.

Se cree que este escándalo puede perjudicar las relaciones de Estados Unidos con algunos de sus principales aliados; así como también puede poner en riesgo algunos proyectos importantes de su política exterior, entre ellos el acercamiento a Rusia o el apoyo de ciertos Gobiernos árabes.


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5- Wikileaks revela documentos secretos de la política exterior de EE.UU.

29 noviembre 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

Este domingo diferentes medios de comunicación publicaron el contenido de una colección de más de 250 mil comunicaciones del Departamento de Estado de Estados Unidos, obtenidos por el portal WikiLeaks, en los que se descubren episodios inéditos ocurridos en los puntos más conflictivos del mundo, así como otros muchos sucesos y datos de gran relevancia que desnudan por completo la política exterior norteamericana.

Según lo que se ha revelado hasta ahora, los documentos filtrados recogen comentarios e informes elaborados por funcionarios estadounidenses, sobre personalidades de todo mundo un lenguaje llano.

A Angela Merkel se le describe como “teflón", pues "evita los riesgos y rara vez es creativa". Mención aparte reciben las "fiestas salvajes", del primer ministro italiano Silvio Berlusconi y se expone la desconfianza profunda que despierta en Washington.

Al presidente galo Nicolás Sarkozy se le describe como “el emperador desnudo” en alusión al cuento infantil “El traje nuevo del emperador” de Hans Christian Andersen y se sigue con gran meticulosidad acerca de cualquier movimiento para obstaculizar la política exterior de Estados Unidos.

Por su parte, el presidente iraní, Mahmoud Ahmadinejad es comparado con Hitler. Los mensajes filtrados prueban la intensa actividad de ese país para bloquear a Irán.
De igual manera los documentos muestran los esfuerzos por cortejar a países de América Latina para aislar al presidente venezolano Hugo Chávez.
Las comunicaciones dan a entender que el presidente Barack Obama "no tiene relación emocional con Europa", centrándose en cambio en los países asiáticos, según Der Spiegel.

Wikileaks, saboteado pero en marcha
El portal de Wikileaks, sitio en línea que publica informes anónimos y documentos filtrados, permanece inaccesible por un ataque malicioso; el hecho se produce horas antes de que sean publicados nuevas revelaciones sobre la actuación internacional del gobierno de Barack Obama ante la guerra en Irak.

Wikileaks reportó a comienzos de este domingo por la red social Twitter que su plataforma se encontraba “bajo un ataque masivo de denegación del servicio” acción maliciosa que consiste en simular visitas masivas que colapsan los servidores del portal. Aún no se determina el origen.

No obstante, los directivos de Wikileaks manifestaron que proseguirán con la publicación de 250 mil documentos filtrados entre los que destaca la comunicaciones que Estados Unidos (EE.UU.) ha efectuado entre enero de 2009 y junio de 2010 con sus embajadas en el mundo respecto a sus estrategias en la guerra de Irak, entre otros asuntos.

Este sábado el asesor legal del departamento, Harold Hongju Koh advirtió sobre los peligros que suponen esos documentos clasificados para periodistas, defensores de los derechos humanos, blogeros, soldados o informantes.

A pesar de esta postura, Estados Unidos reafirmó su postura de no involucrarse en tratos sobre la divulgación de materiales clasificados por considerar que fueron obtenidos en forma ilegal”si Wikileaks está de verdad interesada en evitar daños, debería dar marcha atrás en las publicaciones y devolver los documentos a los que tuvo acceso” agrega la misiva.

La secretaria de Estado norteamericana, Hillary Clinton, advirtió a los gobiernos de Francia, Alemania y Reino Unido, entre otros, de posibles revelaciones comprometedoras por los documentos de Wikileaks.

En dos versiones anteriores WikiLeaks hizo públicos casi 400 mil documentos vinculados con la guerra de Iraq entre 2003 y 2010; y 75 mil sobre la guerra en Afganistán en igual período, el primero publicado el 25 de julio y el otro el 22 de octubre.


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6- Estados Unidos/Consideran hipócrita respuesta de EE.UU. sobre textos de Wikileaks

28 noviembre 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net

La analista internacional, Phyllis Bennis, señaló este jueves que "hay mucha hipocresía" en la respuesta del Gobierno de Estados Unidos (EE.UU.) en cuanto a los casi 400 mil documentos sobre las matanzas de civiles en la guerra de Irak, publicados recientemente por el sitio Web Wikileaks.

"Pienso que hay mucha hipocresía en este caso, vemos a los oficiales estadounidenses enfocándose en la cuestión de cómo salieron los documentos a la luz e intentando ignorar lo que dicen los documentos", denuncia.

Bennis, quien también se desempeña como directora del Instituto de Estudios Políticos de Washington, hizo las declaraciones en entrevista exclusiva concedida a teleSUR.

Acotó que las publicaciones no dicen algo que no se supiera, sin embargo, hay "detalles de lo que nadie se pudiera haber imaginado".

"Es extraordinario y chocante, aunque no sea una sorpresa total, ver los detalles de las matanzas de civiles, en particular, saber que tropas estadounidenses veían que sus aliados iraquíes -a quienes ellos habían entrenado, pagado, armado, y todavía estaban apoyando- torturaban a otros prisioneros iraquíes y no hacían nada", relató.

Insistió que la preocupación de la gestión del presidente estadounidense, Barack Obama, de saber cómo se obtuvieron los textos es deshonesta.

"El hecho de que la reacción de la administración Obama y muchos congresistas, que hasta ahora sólo ha sido de indignación por saber que los documentos se divulgaron al público, es un enfoque muy deshonesto", acotó.

Explicó la importancia de que instituciones o medios denuncien los actos bélicos de países poderosos, puesto que la democracia los necesita.

"La democracia necesita denunciantes, como el que sacó estos documentos a la luz, la democracia necesita luz, transparencia", sostuvo la analista.

Del mismo modo, recordó que el ataque estadounidense contra Irak, en el año 2003, estuvo basado en mentiras.

"Que nadie más en este país olvide que cuando esta guerra en Irak comenzó fue basada en armas de destrucción masiva, que no existían; en la afirmación de que Irak tenía armas nucleares, que nunca tuvo; en la afirmación que se encontró uranio en Níger, que nunca existió; esto fue mentira", subrayó.

La internacionalista manifestó su esperanza de que los textos publicados hagan reflexionar a los ciudadanos estadounidenses de las veces que las autoridades han mentido.

"Parece que nos han mentido (...) unas 400 mil veces en Irak y por lo menos 70 mil veces en Afganistán", indicó en referencia a las pruebas clasificadas que son de conocimiento público.

Las acciones que se llevaron en Irak no fueron secretas para los iraquíes, "solamente eran secretos para los estadounidenses, para gente de este país, por eso debemos cambiarlo".

Al ser interrogada sobre cómo pudiera afectar la publicación de los documentos en el curso de las guerras de Irak y Afganistan, Bennis opinó que no cambiaría.

"Irónicamente no creo que cambie mucho la relación con el Medio Oriente, lo que cambia es la relación con EE.UU.", enfatizó.

Hizo hincapié en que la pregunta está enmarcada en la responsabilidad, es decir, si las personas encargadas de llevar el ataque asumirán los cargos.

"¿Habrá una rendición de cuentas para esas personas que implementaron esas políticas, que llevaron a este tipo de ataques?", se preguntó.

"Lo que estas fugas nos muestran es que la responsabilidad se encuentra aquí, entre nosotros, en este país, en donde pagamos impuestos, somos ciudadanos y votamos", señaló.

Sobre el mismo tema del compromiso y la sensatez la analista dijo que "existe la oportunidad de que tal vez empecemos a esperar que nuestro Gobierno tome responsabilidad".

Al hablar de "Gobierno", Phyllis Bennis señaló a los oficiales de alto rango en las Fuerzas Armadas, las personas que crearon las políticas y quienes la emplearon."Ellos deben tomar la responsabilidad primero", recalcó.

El pasado viernes, WikiLeaks cumplió su promesa de publicar 400 mil informes privados en los que se reveló "el día a día" de la guerra e invasión estadounidense a Irak. Entre los delitos destacan la muerte de aproximadamente 109 mil personas, de las que el 63 por ciento eran civiles.

Los crímenes reflejados en los documentos ocurrieron entre los años 2004 y 2009, y comprueban que el Ejército estadounidense tenía conocimiento de las torturas sistemáticas hechas por policías y soldados iraquíes a prisioneros.

Además, se conoció que militares estadounidenses asignados a puestos de control en Irak asesinaron a 680 civiles inocentes, entre ellos 30 niños, durante cinco años.

Movimento de passageiros no aeroporto de Luanda, Angola, superou 2 milhões no 1º semestre

Luanda, Angola, 30 novembro 2010 - O Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro registou, durante o primeiro semestre de 2010, mais de 2 milhões de passageiros em ambos os sentidos, disse sábado, em Luanda, o director-geral da instituição, Joaquim Cunha.

De acordo com o director do aeroporto, estes números contrastam com os registados antes da ampliação e remodelação do terminal, que rondavam 1,8 milhões por ano.

As obras de modernização e ampliação do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, que exigiram um investimento estimado em 74 milhões de dólares, consistiram na ampliação das salas de embarque e desembarque, passando a primeira (embarque) de 12 a 26 balcões de "check-in" e a segunda com três tapetes com capacidade operacional ajustado ao novo espaço disponível.

Os serviços de apoio como a alfândega, Polícia Fiscal e o Serviço de Migração e Estrangeiros passaram a dispor também de equipamentos modernos, salas equipadas e melhores condições de trabalho.

O aeroporto conta com três novos parques de estacionamento com capacidade para 856 viaturas, incluindo áreas específicas para portadores de deficiências e um sistema de controlo e gestão automático dos parques.

A Empresa Nacional de Aeroportos e Navegação Aérea está a executar um programa de recuperação e ampliação de 30 aeroportos e aeródromos do país de grande, média e pequenas dimensões, dispondo para o efeito de 400 milhões de dólares, no âmbito do Programa de Investimentos Públicos (PIP). (macauhub)

Capacidade do porto de Maputo, Moçambique, poderá quadruplicar até 2025

Joanesburgo, África do Sul, 30 novembro 2010 - A capacidade do porto de Maputo poderá crescer dos actuais 10 milhões de toneladas/ano para 48 milhões de toneladas até 2025, disse em Joanesburgo a directora executiva da Iniciativa de Logística do Corredor de Maputo (MCLI, na sigla em inglês).

Em declarações à agência noticiosa portuguesa Lusa, Brenda Horne anunciou também estar prestes a entrar em funcionamento o novo posto fronteiriço de uma só paragem entre a África do Sul e Moçambique, em Komatipoort/Ressano Garcia, e que será usado fundamentalmente por autocarros e táxis colectivos, com enormes poupanças de tempo na travessia entre os dois países.

Aquela responsável afirmou que o posto fronteiriço de uma só paragem para a indústria de logística (transporte de mercadorias), que já entrou em funcionamento no início do ano, tem proporcionado significativas poupanças de tempo de viagem aos operadores que, em número crescente, utilizam o porto da capital moçambicana para escoar as suas exportações e importações, em detrimento de portos nacionais.

“Camiões equipados com sistemas de localização por satélite permitiram-nos calcular que a viagem entre a fronteira e o porto, o descarregamento e o regresso demoram agora cerca de cinco horas, o que é fantástico, se compararmos com as dez horas que eram necessárias anteriormente, permitindo descongestionar substancialmente a fronteira”, salientou Brenda Horne.

Na mesma linha, a empresa tem planos, em conjunto com os concessionários e autoridades envolvidas, para aumentar os volumes de mercadorias manuseados no porto de Maputo, dos actuais 10 milhões de toneladas para 48 milhões de toneladas/ano, nos próximos 15 anos.

A MCLI, que é uma parceria entre os sectores público e privado, tem por missão melhorar a eficácia logística nas principais rotas regionais, focando a sua atenção em estradas, postos fronteiriços e outras infraestruturas, que permitam uma circulação mais rápida de pessoas e mercadorias na zona da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC). (macauhub)