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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

HOMILIA DE DOM ERWIN KRÄUTLER POR OCASIÃO DOS TRÊS ANOS DE MORTE DE IRMÃ DOROTHY


Portal do Conselho Indigenista Missionario/21 fevereiro 2008

Caríssimos irmãos e irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo,

Celebramos o terceiro aniversário da morte de nossa Irmã Dorothy. Em 12 de fevereiro de 2005 ela foi brutalmente executada. Durante esses três anos muitas vezes fui perguntado por que uma Irmã que consagrou sua vida aos pobres e acompanhou sua luta por mais dignidade, por justiça e pelos mais elementares direitos de ter um chão para plantar e colher, por que essa Irmã dos pobres sofreu uma morte tão cruel. A resposta é simples e todos nós sabemos qual é. Ao colocar-se decididamente ao lado dos desfavorecidos, excluídos por um sistema capitalista selvagem que reina em nossa região, ela contrariou os interesses e as ambições de uma oligarquia que quer apoderar-se da Amazônia para usufruir de suas riquezas sem nenhuma preocupação pelas conseqüências para as futuras gerações. O lema é "aproveite-se enquanto puder" e quem esboçar uma reação contra esta investida, corre risco de vida porque os representantes deste sistema agressivo à Amazônia reagem e conspiram imediatamente contra quem não rezar por sua cartilha. Dorothy foi vítima de seu amor à Amazônia. Por causa deste amor perdeu a vida.

A classe política se fez presente no dia do sepultamento de nossa Irmã. Anapu nunca viu tanto senador e deputado federal ou estadual. Hoje estou convicto de que a maioria dos que se fizeram presentes naquele funeral veio por causa da mídia que cobriu o triste evento. Essas autoridades que choraram ao lado do féretro queriam mostrar para o mundo que não compactuam com a morte e violência na Amazônia. Mas não deram nenhuma amostra de engajamento corajoso e valente para mudar a realidade. Não se converteram e a idéia de desenvolvimento que têm em relação a nossa região é meramente economicista. Pensa-se só em lucros imediatos e propositadamente se ignora as perdas irreparáveis. Delega-se às futuras gerações o enfrentamento da desgraça causada nestes tempos. É abominável uma geração descuidar de seus filhos e netos, deserdando-os por privá-los das mais elementares condições de sobrevivência.

Nos meses passados fomos sempre de novo alertados para o risco que a Amazônia corre, de sofrer danos sem precedentes. O ambicioso Plano de Aceleração do Crescimento, PAC, visa melhorar a infra-estrutura de transportes, comunicação e energia na região. À primeira vista o plano parece favorável à região. No entanto traz no bojo a ameaça de destruição da maior floresta tropical do mundo. Ao lado das investidas da parte de fazendeiros que mesmo multados insistem nas queimadas, ao lado da exploração por parte de madeireiros que, apesar de terem sido confiscados milhares de toras, continuam a derrubar, serrar e transportar clandestinamente madeiras de lei, ao lado desta depredação já em curso, a construção de barragens e de extensos linhões para transmissão de energia elétrica levará fatalmente a um desmatamento generalizado.

Irmã Dorothy foi morta porque denunciou essas agressões ao meio-ambiente que já a médio prazo prejudicarão o lar (oikos) habitado pelos povos da Amazônia.

Causa-nos revolta e indignação que o segundo julgamento do réu confesso Rayfram foi anulado, alegando-se que, "ao executar a freira, estaria potencialmente sob ameaça de cinquenta homens armados, os posseiros de Dorothy Stang". É incrível até que ponto um advogado de defesa chega e mais incrível ainda é que não foi preso por ter levianamente acusado os agricultores do PDS de "pistoleiros", equiparando-os ao criminoso que matou a Irmã. E pior, graças a essa intervenção o júri é anulado!

Que Justiça é essa que de repente inverte os papéis, imputando a criminalidade à pobre Irmã que derramou seu sangue e alegando legitima defesa para o assassino que disparou cinco tiros em cima da vítima indefesa, cuja única arma fora a Bíblia Sagrada?

Que Justiça é essa que depois de três anos não conseguiu ainda completar os inquéritos ou então os encerrou por motivos que nunca conseguem convencer-nos?

Que Justiça é essa que adia de ano em ano o processo contra pessoas altamente suspeitas de ter encomenado o crime?

Que Justiça é essa que nunca levou a sério a existência do "consórcio do crime" nesta terra?

O Evangelho proclamado neste dia (Mt 6,5-14) faz parte do Sermão da Montanha. Jesus ensina a seus discípulos e discípulas a rezar. É a oração por excelência da Igreja e de todos os cristãos e cristãs. Cada versículo merece uma meditação especial, cada palavra é sacrossanta e toca o nosso coração.

No contexto desta Santa Missa em que lembramos o terceiro aniversário de morte da Irmã Dorothy, escolhemos o pedido "Venha nós o vosso Reino!"
Nascemos neste mundo, mas somos cidadãos, cidadãs de outro mundo. Somos chamados a colaborar na construção de um Reino que não é deste mundo, mas é para este mundo. Essa missão não é nada fácil. Somos enviados "como ovelhas entre lobos" (Mt 10,16; Lc 10,3). Muitos rejeitam a mensagem que queremos anunciar. Não a rejeitam apenas, mas querem eliminar a mensagem e a quem a anuncia. Mas também nesta realidade conflitiva ouvimos as palavras de Jesus: "o servo, a serva não é maior que o seu senhor. Se eles me perseguiram, também a vós perseguirão" (Jo 15,20). O Reino é dádiva divina, é graça de Deus, mas não dispensa nosso empenho. O que caracteriza mesmo o cristão, a cristã, é a perseverança em meio a adversidades e frente ao ódio e à violência.

Tombam irmãos e irmãs, sacrificados, executados pelos asseclas de um sistema iníquo, mas quem acredita no Reino de Deus e em sua justiça, não vacila nem treme. O sangue derramado de Irmã Dorothy, de Dema, de Brasília e de tantos outros por esta Amazônia afora é semente fecunda que se multiplica em inúmeros irmãos e irmãs que continuam no Caminho, apostam na utopia do Reino, acreditam no triunfo final de Cristo Senhor, não recuam e, se preciso for, estão dispostos a dar até a própria vida.

"Venha a nós o Vosso Reino!" "Reino da verdade e da vida, reino da santidade e da graça, reino da justiça, do amor e da paz” (Prefácio de Cristo Rei). Amém.

Anapu, 12 de fevereiro de 2008
Erwin Krautler, Bispo do Xingu

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=3035&eid=367


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IRMÃ DOROTHY E SUA TRÍPLICE CIDADANIA


Frei Lourenço M. Papin. OP


Todo cidadão brasileiro sincero, cristão ou não, certamente indignou-se e comoveu-se diante do brutal assassinato de Irmã Dorothy Mae Stang, religiosa missionária no Oeste do Pará, pertencente à Congregação de Nossa Senhora (Notre Dame de Namur), fundada em 1804 na França. Cidadã norte-americana, nasceu em Dayton, nos Estados Unidos, no dia 7 de junho de 1931. De 1956 a 1966 foi professora em várias escolas de sua Congregação em seu país.

Veio para o Brasil em 1966. Foi residir não em grandes cidades, mas em Coroatá no Estado do Maranhão. Em seguida, desde a década de setenta, viveu na Amazônia junto aos trabalhadores rurais da Região do Xingu, na vasta Prelazia onde é bispo Dom Erwin Kräuter. Era de temperamento tranqüilo e decidido, de voz mansa marcada pelo sotaque de seu inglês norte-americano.

Sua atividade pastoral junto as trabalhadores rurais da Transamazônica visava a busca e geração de empregos e renda com projetos de reflorestamento em áreas devastadas e de preservação da natureza, onde, aliás, entram tantos interesses em jogo.

Foi uma líder em diversos movimento sociais no Pará. Ganhou reconhecimento nacional e internacional pela sua atuação em projetos de desenvolvimento sustentável iniciados na pequena Vila de Sucupira, no município de Anapu, a 500 km da capital paraense. Lutava por uma reforma agrária justa e objetiva. Empenhava-se em promover diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, em busca de soluções concretas em relação à posse e à exploração da terra na Região Amazônica. Naturalmente incomodava gananciosos fazendeiros, muitos dos quais “grileiros” de terras da União.Uma importante iniciativa de Irmã Dorothy em favor das populações pobres, foi colaborar efetivamente na fundação da primeira Escola de Formação de Professores(as) (Escola Grande Brasil) na rodovia Transamazônica que passa por Anapu.

Irmã Dorothy sempre participou da CPT (Comissão Pastoral da Terra) da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

Tantas vezes criticamos, e com razão, tantos nossos irmãos norte-americanos pelo seu espírito capitalista, consumista e dominador. Devemos, todavia, reconhecer multidões de norte-americanos idealistas como Irmã Dorothy, preocupados com a justiça social, defensores dos empobrecidos e excluídos da sociedade. Essa Irmã tanto amava o nosso povo que fez questão de adquirir a cidadania brasileira, pois assim poderia mais eficazmente defender os direitos fundamentais dos camponeses explorados e garantir-lhes condições dignas de vida. Norte-americana de nascimento, brasileira de adoção e coração!

Pela sua atuação corajosa e transparente, recebeu diversas ameaças de morte sem nunca se intimidar. Há uma sua profética declaração pouco antes de ser assassinada: “Não vou fugir e nem abandonar a luta desses agricultores que estão desprotegidos no meio da floresta. Eles têm o sagrado direito a uma vida melhor numa terra onde possam viver e produzir com dignidade, sem devastar”.

Irmã Dorothy foi assassinada, na covardia de uma emboscada, com sete tiros, a mando certamente de alguns latifundiários da região. Consta que antes de morrer, tirou de sua bolsa a Bíblia Sagrada. Leu um trecho bíblico e caiu no chão sem vida.

O testemunho evangélico e profético de Irma Dorothy, despertou a mídia nacional e internacional, despertou a sociedade e as autoridades legitimamente constituídas para a grave questão social rural, para as violências e as injustiças no campo.

Os antigos cristãos diziam: “O sangue dos mártires é semente de novos cristãos”!

Parafraseando essas palavras, creio poder afirmar que o sangue dessa Irmã mártir pela causa do evangelho, “suscitará a solidariedade e a paz no Brasil, através de políticas públicas para promover o respeito à dignidade e aos direitos fundamentais de cada pessoa humana e para assegurar a justiça e a paz para todos”, da carta da CNBB a Dom Erwin.

Com seu martírio Irmã Dorothy adquiriu sua terceira cidadania, a celeste. Cidadã dos Céus, interceda por este povo que você tanto amou!


http://www2.uol.com.br/debate/1247/cadd/cadernod04.htm

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cúpula Ibero-americana reúne no Chile chefes de Estado e de governo de 22 países

Mylena Fiori/Enviada especial

Santiago (Chile), 7 novembro 2007 - Centro de Imprensa para a 17ª Cúpula Ibero-americana de Chefes de Estado e de Governo, que ocorre de amanhã ( 8) a sábado (10)
Santiago (Chile) - Chefes de Estado e de governo de 22 países de língua portuguesa e espanhola da América Latina e da Europa estarão reunidos de amanhã (8) a sábado (11) em Santiago do Chile, para debater políticas sociais que tornem as sociedades ibero-americanas mais justas e inclusivas. Esse será o foco da 17ª Cúpula Ibero-americana, que tem como tema neste ano Coesão Social.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve chegar a Santiago amanhã para se encontrar com representantes da Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Espanha, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Peru, Paraguai, Portugal, Principado de Andorra, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Também estarão presentes o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, e o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, ex-presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
De acordo com o que foi negociado em reuniões ministeriais preparatórias, os líderes ibero-americanos devem firmar Convênio Ibero-americano de Seguridade Social, que beneficiará cerca de 5 milhões de trabalhadores imigrantes. Também ficou acertada a criação de um Observatório de Igualdade de Gênero.
Como em todos os anos, ao final do encontro, os chefes de Estado e de governo adotarão uma declaração política e declarações sobre temas específicos.
Em entrevista há duas semanas em Madri, o secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, antecipou que a Declaração Final deverá apontar, entre outras prioridades, a educação, a reforma fiscal, a luta contra a corrupção e um novo pacto social.
A conferência ibero-americana foi lançada em 1991, por sugestão espanhola, como parte das comemorações pelos 500 anos do chamado "Encontro de Dois Mundos" - seu calendário inclui reuniões ministeriais preparatórias e uma cúpula anual de chefes de Estado e de governo. O objetivo central desta aproximação é impulsionar a cooperação, a coordenação de posições e a solidariedade entre as nações ibero-americanas.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/11/06/materia.2007-11-06.9211753012/view

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Brasil/Benditas foices que roçaram eucaliptos

Escrito por Frei Pilato Pereira

Correio da Cidadania/22 outubro 2007

Foices não roçam sozinhas, então é preciso dizer benditas mãos que foram erguidas ao céu empunhando bandeiras, ao som de gritos e canções em defesa da terra, da água e de tudo o que Deus criou. Benditos trabalhadores que, no dia 16 de outubro de 2007, deixaram suas casas e, com suas foices, ferramentas de trabalho, foram defender o amanhã, o futuro do planeta e da humanidade - o MST realizou no Rio Grande do Sul dois atos de protestos contra as monoculturas de eucaliptos em Santana do Livramento e na região de Bagé. Parece estranho dizer que alguém foi defender o futuro da humanidade com uma foice nas mãos. Também parece estranho o que se lê no Evangelho quando Jesus de Nazaré disse aos fariseus que queriam ver seus discípulos calados: “Se eles se calarem, as pedras gritarão” (Lc 19,40).
Tivemos o histórico ato das mulheres no dia 8 de março de 2006. Onde elas arrancaram mudas de eucaliptos como a mãe que arranca o espinho que faz doer a carne do filho indefeso. Aquela ação acordou a sociedade para a questão das monoculturas de plantas exóticas. Mas as multinacionais da celulose, com apoio do governo gaúcho, tentaram calar todas as vozes de denúncia contra essas monoculturas no Rio Grande do Sul. O governo do estado realizou ações fortes e severas para garantir o ambicioso projeto das papeleiras multinacionais. E alguns já pensavam que o fato estava consumado e que não tinha mais volta. Mas quando achavam que a voz profética tinha sido calada, eis que as foices gritaram, roçando caminhos para a vida.
Com medo das foices e dos que não temem a opressão, o governo da Yeda mandou sua polícia com todo seu aparato de guerra para agredir e prender os trabalhadores que lá estavam apenas roçando com suas foices para resgatar a terra aprisionada pela ambição. Junto com a polícia estava também a imprensa de plantão para registrar um fato político de direito constitucional como ato criminoso.

E o chefe da polícia disse na imprensa que agiram contra o crime, prenderam os criminosos que danificaram o patrimônio alheio. Concordamos que este é o papel da polícia. Então, deveriam prender os donos, gerentes, diretores das papeleiras multinacionais que estão danificando o Pampa gaúcho com suas monoculturas de plantas exóticas. Pois crime mesmo é fazer monocultivos de eucaliptos, porque provocam terríveis e irreparáveis danos ambientais e sociais. Por serem desenvolvidos no modelo de monocultura, esses plantios geram poucos empregos e causam a perda da biodiversidade. Os eucaliptos, por exemplo, consomem grande quantidade de água e provocam enorme desequilíbrio ao ambiente natural. A experiência que temos no Brasil, no estado do Espírito Santo, é que a indústria de celulose, além de devastar a mata nativa, também expulsou muitas comunidades de suas terras. E naquele estado já secaram centenas de córregos e nascentes de água. É apenas um pouco das conseqüências destas monoculturas. E quem não vê que isto é crime?

E a polícia deveria prender também a dona Yeda Crusius por sua conivência e cumplicidade com o crime organizado das indústrias de celulose no Rio Grande do Sul. São elas que estão cometendo crime contra o patrimônio do povo gaúcho e não podemos ser cúmplices disso. As futuras gerações poderão herdar uma Pampa mais pobre que esta que nós herdamos de nossos pais. Poderão herdar os campos desertos virados em tocos de eucaliptos, sem cavalos e sem tropas. Uma terra sem vida para germinar a semente, para fazer florir o trigo e produzir o pão. Se é isto que queremos deixar de herança para nossos descendentes, então fiquemos de braços cruzados. Mas, do contrário, se queremos preservar a vida com justiça e paz, então devemos continuar a luta contra as monoculturas e as indústrias de celulose.
E se tentarem calar as vozes que clamam contra os desertos verdes, as foices gritarão. Não é isso que queremos. Desejamos que os ouvidos do entendimento e do diálogo se abram para escutar as diversas opiniões da sociedade e assim construirmos caminhos alternativos para um outro desenvolvimento. Que seja um desenvolvimento economicamente viável, político-socialmente justo e ecologicamente sustentável.

Frei Pilato Pereira é membro da CPT(Comissão Pastoral da Terra) e do Serviço de Justiça, Paz e Ecologia da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos.

http://www.correiocidadania.com.br/benditas-foices-que-rocaram-eucaliptos.html

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Brasil/MST recebe homenagem de escola de direito em MG


Belo Horizonte, 17 setembro 2007 - João Pedro Stedile, em nome da coordenação nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entrou para a história da Escola Superior Dom Helder Câmara ao ser o primeiro homenageado com o recém criado “Destaque Dom Helder Câmara”, em Belo Horizonte (MG).

O MST recebeu a homenagem na “Categoria Social” no dia em que a escola comemorou cinco anos em uma solenidade que aconteceu no Espaço Loyola, na semana passada. A Escola Superior Dom Helder Câmara, ligada à Companhia de Jesus (Ordem Religiosa dos Padres Jesuítas) e à Fundação MDC, criada em 1998, se dedica ao ensino de direito.

“Levarei aos meus companheiros de MST essa homenagem de uma instituição acadêmica que tem o compromisso doutrinário de formar cidadãos comprometidos com o nosso povo”, disse Stedile, em auditório principal completamente tomado por alunos, professores e autoridades.

Ele aproveitou a oportunidade para esclarecer aos presentes o papel do movimento na sociedade brasileira que, segundo ele, muitas vezes é distorcida pelos meios de comunicação. “O MST não é uma seita, mas um instrumento de organização dos pobres do campo. Ele foi organizado para lutar contra as injustiças, em especial a concentração da propriedade da terra”, destacou.

“Nenhuma sociedade pode se dizer verdadeiramente democrática se mantém a concentração da propriedade de terra”, defendeu Stedile, entre suas críticas aos bancos, aos partidos políticos e às políticas agrárias do governo do presidente Lula.

“Existe um bombardeio pelo individualismo, como se consumir levasse ao caminho da felicidade. Isso pode ter conseqüências. Acho que caminhamos a passos largos para uma barbárie ou revolução social”, prevê o militante do MST, que recebeu placa alusiva à homenagem ao MST (veja a foto) das mãos de Paulo Umberto Stumpf, diretor da escola.

No fim de sua explanação, ele voltou a agradecer por ter sido o escolhido na “Categoria Social” do Destaque Dom Helder Câmara. “Nos dá orgulho ter amigos com conhecimento o suficiente capaz de transformar a sociedade e que não visam somente o lucro”, apontou.

A Escola Superior Dom Helder Câmara instituiu a homenagem Destaque Dom Helder Câmara a personalidades públicas que têm se destacado pela atuação ética e promoção da justiça, contribuindo, assim, para o aprimoramento das instituições democráticas de direito no Brasil.

Foram homenageados também o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Mário da Silva Velloso, como “Destaque Dom Helder Câmara” na Categoria “Judiciário”, e João Roque Rohr, ex-presidente da Conferência dos Religiosos do Brasil (CRB), que recebeu o “Destaque Dom Helder Câmara” na Categoria “Direitos Humanos”.

(com informações da página na internet da Escola Superior Dom Helder Câmara)

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segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Brasil/Grito conseguiu levantar debate sobre privatizações, avalia coordenador da mobilização

Bruno Bocchini e Roberta Lopes / Repórteres da Agência Brasil


São Paulo e Brasília, 8 setembro 2007 - Fazer com que a sociedade volte a discutir as privatizações no país foi um dos principais objetivos atingidos pelo 13º Grito dos Excluídos, realizado ontem (7). A avaliação é de um dos coordenadores nacionais da manifestação, Ari Alberti.

“Nós conseguimos trazer para a sociedade esse tema, que parecia que era uma questão já totalmente resolvida”, diz. “Para nós, o ponto alto foi que as atividades aconteceram nos 26 estados e no Distrito Federal. O fato de você conseguir trazer para a sociedade e discutir isso de Norte a Sul e de Leste a Oeste no país a gente avalia como ponto positivo.”

Esta edição do Grito dos Excluídos, um contraponto às comemorações do Dia da Pátria, reuniu ao menos 212 mil pessoas em todo o país, segundo os organizadores. A intenção da manifestação, organizada por cerca de 60 entidades e movimentos sociais, foi protestar principalmente contra a privatização da mineradora Vale do Rio Doce, em 1997. O processo de venda da empresa é considerado fraudulento pelos manifestantes.
O coordenador avalia também que a participação dos “excluídos de fato” nas mobilizações está crescendo ano a ano, mas que ainda não é satisfatória. “O desafio não está completo até que você consiga que os excluídos de fato possam se sentir protagonistas do acontecimento. E se eles estiveram cada ano mais presentes nas atividades, significa que o processo de construção está sendo correto”, afirma.

São Paulo foi o estado onde o maior número de pessoas participou das manifestações. De acordo com os organizadores, participaram mais de 95 mil pessoas em Aparecida e 13 mil na capital paulista, onde as atividades incluíram missa na Catedral da Sé e caminhada até o Monumento do Ipiranga.

Em Brasília, os manifestantes saíram da rodoviária em direção à catedral, mas a Polícia Militar (PM) barrou os manifestantes em frente à Biblioteca Nacional. Na Paraíba, mais de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação em João Pessoa, segundo a organização, mas foram barradas pela PM durante a passeata. Também houve manifestações em outras cidades, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Porto Alegre e Curitiba.

Em diversos estados, os movimentos organizadores do Grito continuam realizando, até amanhã (9), um plebiscito sobre a privatização da Vale do Rio Doce. As entidades pretendem levar o resultado ao conhecimento de representantes do Executivo, Legislativo e Judiciário.

"Nós precisamos avançar a democracia representativa do país. Ela deu mostras de que se esgotou como possibilidade de pensar um projeto de nação diferente. Então a nossa luta é para que aquele Artigo 14 da Constituição brasileira de 1988, que fala de plebiscito, referendo e consultas à população, seja de fato implementado", afirma Ari Alberti.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/09/08/materia.2007-09-08.3857614739/view

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Brasil - O dilema da Reforma Agrária

Claudemiro Godoy do Nascimento *

www.adital.com.br / 4 setembro 2007

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina

Adital - A concentração de terras em mãos de poucos fazendeiros, sistema de propriedade rural que se denomina latifúndio, tem sido o maior entrave à justiça social no campo. Sua problemática confunde-se com os primórdios da agricultura, da formação da família patriarcal e com a substituição da propriedade comunal para a propriedade privada.

Reforma agrária é o termo empregado para designar o conjunto de medidas jurídico-econômicas que visam a desconcentração da propriedade privada de terras cultiváveis a fim de torná-las produtivas. Sua implantação tem como resultados o aumento da produção agrícola, a ampliação do mercado interno de um país e a melhoria do nível de vida das populações rurais.

O Brasil apresenta uma estrutura agrária em que convivem extensos latifúndios improdutivos, grandes monoculturas de exportação e milhões de trabalhadores rurais sem terra. A área média de pequenas propriedades não ultrapassa os vinte hectares e a população rural vive em péssimas condições de higiene e alimentação, o que resulta em elevados índices de mortalidade. Há regiões no país nas quais os processos de irrigação, fertilização e recuperação do solo são desconhecidas, o analfabetismo prevalece e quase inexistem escolas técnico-agrícolas.

O segundo princípio na qual a posse não garante a propriedade veda ao trabalhador rural o acesso a terra e propicia a formação de uma casta de latifundiários que se apossa das áreas rurais brasileiras. Na base da pirâmide social, uma vasta classe de despossuídos foi relegada a mais extrema miséria e teve suas reivindicações reprimidas sistematicamente com violência. Portanto, a concentração da propriedade rural no Brasil dá origem a uma vasta camada de trabalhadores sem terra o que evidencia um dilema da política fundiária porque o modelo de reforma agrária do país pode fracassar.

Em vários momentos, esta camada de trabalhadores rurais organizados pelos movimentos sociais do campo reaparece, de tempos em tempos, ocupando posto de pedágio, ocupações de prédios públicos e saqueando caminhões de comida no melhor exemplo do que já dizia Santo Tomás de Aquino: se estiveres com fome, tome-o do outro que possua com fartura. Nestas ações coletivas há uma forte denuncia dos governos, de FHC a Lula, por sua lentidão em promover as desapropriações para a criação de projetos de assentamentos de reforma agrária.

Depois de um período de trégua quando foram saindo dos noticiários ridículos da Rede Globo e da Veja que nem sequer conseguem diferenciar a diferença de conceito entre invasão e ocupação, os sem-terra retornam à cena pública e com os mesmos problemas, apesar de reconhecermos alguns progressos obtidos nos últimos anos por parte do governo. Mas os dois últimos governos tratam os sem-terras quase da mesma forma, com descaso, pois o modelo de reforma agrária é o mesmo.

De acordo com as pesquisas mais detalhadas sobre o tema, o sistema defendido pelo MST não é adotado pelo governo. O governo adota o oposto da concepção de reforma agrária defendido pelo MST. Geralmente, adota o modelo de reforma agrária sindical a partir dos interesses da CONTAG que se baseia na desapropriação e distribuição da terra em pequenos assentamentos que estão divididos em parcelas individuais. De um latifúndio para o minifúndio. Já o MST, mesmo que em alguns casos seja obrigado a assumir este modelo devido a fatores culturais, possui outro modelo de reforma agrária baseado no cooperativismo e no associativismo.

Tais assentamentos minifundiários possuem pouca chance de sobrevivência, já que caminham na contramão da História legitimando o modelo capitalista de individualização da propriedade privada. Sem competitividade no mercado nem estrutura para engrenar a produção, os pequenos assentados agricultores que ganham suas terras depois de tanta luta social e estão destinados ao fracasso e ao retorno da fila da exclusão. Daí vem a mídia elitista dizendo: Ta vendo, são vagabundos, não querem trabalham. Com isso, formam o imaginário social do povo brasileiro com tais preconceitos. O governo, a serviço dos grandes monopólios do capital, representantes da indústria agrícola, continua acreditando que este modelo de reforma agrária seja o ideal, pois não compromete questionarmos a existência da propriedade privada como fazem a CPT e o MST.

A reforma agrária brasileira, cujo modelo atual funciona há mais de vinte anos, tem sido usada em grande parte para mandar ou devolver para o campo os desempregados urbanos e legiões de excluídos da atividade rural pelos processos da chamada modernização da agricultura como bem demonstrou em 2006 a TV Globo com um documentário apologeta sobre o Brasil Rural. Na verdade, o Brasil Rural das grandes empresas de soja transgênicas e dos fazendeiros com seus milhares de cabeças nelores pastando em terras que poderiam ser realmente utilizadas para a plantação e para outro modelo de reforma agrária que abolisse a propriedade privada.

Várias pesquisas demonstram esta situação onde se percebe a existência de trabalhadores com profissões diversificadas. Recentemente, num pré-assentamento na região do Araguaia conheci um químico formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG) que estava na luta pela terra. Encontra-se entre os assentados gente com várias profissões urbanas, como alfaiate, professores, militares, encanadores, bancários, caminhoneiros, entre outros, que muitas vezes não possuem intimidade com a terra e não lhes é oferecido nenhuma formação para que possam estar aprendendo novas formas de manejo com a terra. Outra situação que observamos pela experiência junto aos assentamentos de reforma agrária trata-se de que a maioria dos assentados possuem mais de 40 anos de idade, ultrapassando, portanto, aquele limite que costuma ser considerado um marco perverso da exclusão do emprego braçal, principalmente na grande cidade. Outra situação interessante é que grande parte dos assentados já foram anteriormente arrendatários, donos, meeiros ou parceiros na exploração da atividade agropecuária.

Há outros sinais concretos de que a reforma agrária brasileira funciona equivocadamente. Por exemplo: Apenas 1/5 dos que recebem terra conseguem gerar renda suficiente para se manter no campo. Outros abandonam a terra num período máximo de dez anos. O fenômeno do esvaziamento populacional no campo, aliás, é absolutamente natural e faz parte da história da maioria dos países desenvolvidos desse século. Nos Estados Unidos, restam apenas 1,5% da população trabalhando no campo. Na França, 6%. Mas isso custa bastante em termos de subsídios. No caso do Brasil, a massa que vai sendo derrotado pela tecnologia ganha o rótulo de excluída e acaba abastecendo iniciativas que parecem exigir que o planeta gire ao contrário. Como por exemplo, a própria reforma agrária pensada para realizar a inclusão social de sujeitos acaba transformando assentamentos num processo crescente de favelização rural.

Percebo apenas uma vantagem no modelo atual de luta pela terra e pela reforma agrária, a atuação de resistência do MST que continua atuando para organizar o povo para reivindicar, ocupar, resistir e produzir em comunhão, no espírito da partilha. Em contrapartida às dificuldades encontradas nos projetos de reforma agrária, existe no Brasil, principalmente nos estados do Sul (até mesmo por motivos culturais) o sucesso do modelo de cooperativas do MST. Em alguns casos, as cooperativas respondem por mais de 40% da produção nacional de determinada cultura. O grande problema é que para ligar uma coisa com a outra, se depende da familiaridade e da aptidão do assentado para o trabalho em união o que percebemos ser difícil acontecer nos assentamentos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. Por isso, acredito, que a reforma agrária bem sucedida somente se efetivará com a total eliminação da propriedade privada.

claugnas@gmail.com

* Filósofo e Teólogo. Mestre em Educação pela Unicamp. Doutorando em Educação pela UnB. Pesquisador do Centro Transdisciplinar de Educação do Campo e Desenvolvimento Rural - CETEC/UnB.

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quarta-feira, 18 de julho de 2007

ANÁLISE / Venezuela / Documento Episcopal y Pobreza

Por: León Moraria / Aporrea, 17/07/07

Toda la vida hemos oído a curas y políticos hablar de la pobreza, no así de sus causas ni de los causantes. Hablarle a los pobres de la pobreza es como enseñarle a los peces el agua. ¿Por qué la insistencia en enseñarle a los pobres la pobreza? En eso ha consistido durante siglos el discurso compasivo desde los púlpitos y el discurso demagógico desde los estrados de la política. Discurso para la compasión, jamás para la liberación. Discurso para motivar la conmiseración, “Bienaventurados los pobres” porque ellos serán felices en la explotación y en la miseria. ¡Qué cinismo! Como quien dice, ¡Bienaventurados los torturados! porque se asemejan al Cristo. La tortura es símbolo religioso.

Una cosa es invocar a los pobres y otra convocarlos. Una cosa es conocer la pobreza, vivirla, sentir sus latigazos, sufrir sus inclemencias y otra muy distinta, saber sus causas. Saber y conocer son sinónimos, tienen significado parecido, pero no son idénticos. Sutilezas del lenguaje. El conocer está referido a la expresión física, forma, características externas, praxis, circunstancias. Conocer una fruta, una persona, un libro. No basta conocer, es necesario saber la esencia, el contenido. Conocer una persona es distinguir su fisonomía pero no es saber de sus ideas, aptitudes, comportamiento. Hay que distinguir el simple acto de conocer y el profundo acto de saber. Los pobres ven en las vitrinas de los supermercados carnes, quesos, viandas de todo tipo, las conocen, las distinguen, pero no saben a que saben.

Los cambios revolucionarios comienzan cuando los pobres además de conocer la pobreza –porque la viven- saben sus causas e identifican a los causantes. Cuando toman conciencia de esa realidad se transforman en sujetos de su propia liberación. Esa es la diferencia entre el discurso de los monseñores obispos y el discurso revolucionario. La jerarquía católica no acepta la liberación. Durante dos mil años el catolicismo ha enfrentado las luchas de liberación, vengan de donde vengan. Rebeliones indígenas y de esclavos, rebeliones campesinas en la Edad Media, rebeliones heréticas dentro del mismo catolicismo que fueron condenadas y sus lideres llevados a la hoguera y sus seguidores destruidos por las guerras religiosas (cruzadas), ordenadas por el papado. La actitud de la jerarquía católica en contra de la Revolución Bolivariana y el presidente Chávez es la misma asumida frente a todo movimiento de liberación habido en América Latina en los últimos 250 años. Contra Galán y la Revolución Comunera, contra Bolívar y la Revolución de Independencia, la Revolución Mexicana, Sandinista, Cubana, Jacobo Arbens o Salvador Allende. La jerarquía católica aliada de los imperios (Constantino, Carlomagno o el imperio español), lo es ahora del imperialismo contemporáneo. Entonces, nada de extraño tiene el reciente documento de la Conferencia Episcopal. ¡Es la tradición de dos mil años! Los monseñores creen que los pobres son de su propiedad y no aceptan que se liberen de la sumisión ni de la dominación ni de la explotación del capital ni de la creencia.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Inician en Cuba Encuentro Internacional de Estudios Socioreligiosos


La Habana, 10 Julio (PL) - El quinto Encuentro Internacional de Estudios Sociorreligiosos se iniciará hoy en esta capital, con más de 200 participantes de América, Europa y Asia.

Al evento asistirán investigadores, líderes religiosos y estudiantes de distintas creencias, entre ellos medio centenar de delegados extranjeros, informó a Prensa Latina Ramón Torreira, del Centro de Investigaciones Psicológicas y Sociológicas (DESR) del Ministerio de Ciencia, Tecnología y Medio Ambiente, organizador de la cita.

El tema central de la reunión es "Los movimientos religiosos ante los conflictos y desafíos de un mundo en crisis" y los debates se extenderán hasta el próximo jueves 12.

Entre las actividades incluidas en la agenda para el primer día de trabajo esta un taller sobre religión, pobreza y justicia social en la realidad latinoamericana y caribeña actual y un panel titulado La mirada a la Historia en el Estudio de la Religión.

En este punto del temario, se presentarán los resultados y proyecciones del Seminario Internacional "Pobreza, religión y justicia social en América Latina y el Caribe", celebrado recientemente en Santo Domingo, República Dominicana.

Los asistentes cambiarán impresiones también sobre Religión, subjetividad y cotidianidad y otro de los temas abordará lo relacionado con la historia del protestantismo en Cuba.

El Encuentro rendirá homenaje póstumo, en su primera sesión, al doctor Jorge Ramírez Calzadilla, fundador del DESR, en ocasión del 25 aniversario de ese departamento.

http://www.prensalatina.com.mx/Article.asp?ID={532AF552-DA73-4075-93CF-DBE7A2E60923}&language=ES