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sexta-feira, 30 de março de 2012

Brasil/Países emergentes mostrarão que cenário econômico mundial mudou, diz Dilma


30 março 2012/Agência Brasil http://agenciabrasil.ebc.com.br

Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

Brasília - No penúltimo dia em Nova Delhi, na Índia, a presidenta Dilma Rousseff reiterou hoje (30) que os países do Brics – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – mostrarão que as perspectivas econômicas no mundo podem ser positivas. Mas ela condiciona esse quadro positivo ao fato de os emergentes passarem a ser mais respeitados e a ocupar espaços adequados nas instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial e o Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Dilma disse que esse “quadro positivo de perspectivas” será apresentado pelo bloco do Brics durante a Cúpula do G20 (que reúne as 20 maiores economias do mundo), nos dias 18 e 19 de junho, no México. A previsão é que a presidenta participe dessas discussões, que antecedem a Conferência Rio+20, no Rio de Janeiro.

“Temos um quadro positivo de perspectivas”, disse Dilma, no encerramento do Fórum Empresarial, que reuniu mais de 110 empresários brasileiros de diversos setores. “Nosso processo de economia é virtuoso”, acrescentou ela, ao lembrar que a crise econômica internacional atingiu os emergentes como consequência dos “graves” problemas enfrentados pela Europa e os Estado Unidos.

A presidenta ressaltou que os países desenvolvidos, atingidos pelos impactos da crise econômica internacional, tiveram as dificuldades e fragilidades expostas. Como exemplo, ela citou o aumento das taxas de desemprego e a redução dos direitos sociais dos trabalhadores. “Nossas economias sofreram um processo de desaceleração em decorrência [dos efeitos da crise global].”

Segundo Dilma, os avanços alcançados pelos países em desenvolvimento indicam a construção de uma nova realidade mundial. “[O que] reforça uma tendência de profunda transformação que ocorre no mundo, nos fluxos do comércio e nos investimentos internacionais”, disse a presidenta, ressaltando o que chamou de “fonte de dinamismo internacional”.

A presidenta ratificou que é fundamental combater o protecionismo internacional, adotado principalmente pelos países desenvolvidos nas relações com os emergentes, e atuar no comércio multilateral na busca pela “complementaridade” de atividades, respeitando os direitos de cada região.

Leia também:

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BRICS: A AGENDA POSITIVA DE DILMA E O RECADO AO IMPERIALISMO
30 março 2012/EDITORIAL Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)

A viagem de Dilma Rousseff à Índia, onde participou da 4ª reunião de cúpula do Brics - que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul - é mais uma demonstração da projeção internacional alcançada pelo Brasil depois que a política externa do abandonou o alinhamento automático e a subserviência aos EUA e países ricos e passou a fortalecer a parceria soberana com nações de idêntico nível de desenvolvimento.

Este salto, iniciado no governo de Luís Inácio Lula da Silva, consolida-se a olhos vistos e a interferência brasileira no contexto mundial avança em áreas decisivas, como a economia e a política internacional.

No balanço final da participação de Dilma naquela cúpula há três aspectos que precisam ser ressaltados e valorizados. O primeiro é a condenação das pressões contra o Irã e a Síria e a exigência de uma saída negociada para a crise criada pela intransigência norte-americana e europeia em impor seus próprios pontos de vista e interesses a nações soberanas.

O segundo aspecto é a exigência - reiterada por Dilma - de maior respeito ao novo papel mundial desempenhado pelo Brics, reconhecendo a eles maior influência e poder em organismos internacionais. Na ONU, a reforma do Conselho de Segurança e a incorporação de países chamados “emergentes”, como o Brasil, torna-se cada vez mais uma necessidade para conter o já capenga unilateralismo dos EUA. O fortalecimento da ONU e do respeito ao direito internacional nas relações entre todas as nações exige aquela reforma e a incorporação de países como o Brasil, mudança necessária inclusive para que aquele organismo internacional possa refletir a nova correlação de forças que vai sendo desenhada no mundo.

Dilma defendeu explicitamente a incorporação de Brasil e Índia aumentando, assim, a presença do Brics no Conselho de Segurança da ONU, onde Rússia e China já têm assento.

O terceiro aspecto da agenda positiva do Brics foi o anúncio da criação de seu banco de desenvolvimento. Desmentindo aqueles que torcem contra o entendimento entre estas nações, a criação do banco é uma ação concreta que terá efeitos a longo prazo e vai fortalecer sua autonomia e a soberania nacional, criando laços efetivos para a contraposição aos EUA e países europeus.

O banco do Brics vai financiar investimentos em infraestrutura e projetos de desenvolvimento e viabilizar, na prática, o uso das moedas próprias no comércio entre estes países que, hoje, representam um quarto do PIB mundial e, em breve, terão a metade da riqueza produzida no mundo. Vai levar também ao fortalecimento de uma visão alternativa ao monetarismo neoliberal predominante. A criação do banco, disse Dilma aprovando a iniciativa, é “indício positivo” e permitirá ao Brics demonstrarem a possibilidade do crescimento econômico com distribuição de renda e geração de empregos. O Brics, assegurou ela, é hoje “um elemento dinâmico no comércio internacional”, condição que vai avançar.

Estas três preocupações podem ser resumidas na ênfase com que Dilma Rousseff condenou qualquer iniciativa do imperialismo para impor sua própria visão e seus interesses à Síria e ao Irã. Ela reprovou a retórica da violência e das ameaças e defendeu a busca do entendimento, do diálogo e da negociação pacífica. Da mesma maneira, defendeu o reconhecimento do Estado Palestino como condição fundamental para a paz no Oriente Médio. O Brasil, disse, não concorda com protestos retóricos de elevação do nível da discussão, e considerou “extremamente perigosas as medidas de bloqueio de compras do Irã” pois “outros países precisam dessas compras”.

Isto é, as contradições atuais do mundo, acentuadas pela intransigência imperialista e pela tentativa de jogar sobre os ombros das nações e dos povos a solução para os graves problemas econômicos enfrentados pelos EUA e pela União Europeia, só encontrarão solução com o redesenho equitativo da geopolítica mundial que reconheça e respeite a importância crescente e o direito ao desenvolvimento dos demais países.

Falando sobre as ameaças ao Irã e à Síria, Dilma foi enfática. Ela condenou a retórica agressiva e defendeu uma atitude baseada “no direito internacional, no direito dos países de usarem energia nuclear para fins pacíficos, assim como nós fazemos”; pregou o fim do tom agressivo como o caminho para evitar conflitos e, assim, favorecer o desenvolvimento de todos. Este talvez seja o resumo adequado do recado de Dilma aos governos dos países imperialistas.

sábado, 24 de março de 2012

Brasil/CONVITE PARA PALESTRA DO EMBAIXADOR DO IRÃ NO BRASIL


Convite para Palestra do embaixador do Irã no Brasil, dr. Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás, AEPET, Sindicato do Petroleiros do Rio de Janeiro-SINDIPETRO, CGTB e o Partido Pátria Livre-PPL têm a satisfação de convidar a todos para a palestra "A visão do Irã sobre a geração de energia nuclear e a conjuntura internacional", a ser proferida pelo embaixador do Irã no Brasil, dr. Mohammad Ali Ghanezadeg Ezabadi. O evento será realizado na Associação Brasileira de Imprensa-ABI, na Rua Araújo Porto Alegre 71/7º andar, no dia 29 de março, às 18:30 horas. A entrada é franca. Haverá tradução do persa/farsi para o português.

Mercosul & CPLP agradece à professora Beatriz Bissio pela divulgação desta palestra.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

UN MOMENTO ESTRATÉGICO PARA SUDAMÉRICA

29 julio 2011/Sur y Sur http://www.surysur.net

Raúl Zibechi*

En medio de la creciente turbulencia global la región sudamericana se convierte en espacio en disputa entre imperios decadentes y potencias emergentes. Las cuantiosas y crecientes reservas hidrocarburíferas y de minerales, el mayor potencial hidroeléctrico del planeta, y las reservas de agua y biodiversidad, están en el centro de esa disputa. Tres hechos recientes lo confirman.

A mediados de julio la Organización de Países Exportadores de Petróleo (OPEP) informó que Venezuela sobrepasó a Arabia Saudí como poseedora de las mayores reservas del planeta. En 2010 alcanzó 296 mil 500 millones de barriles, con un crecimiento de 40 por ciento respecto de 2009, frente a 264 mil 500 millones de barriles de los saudíes, cuyas reservas permanecen estancadas. A bastante distancia les siguen Irán e Irak. Los 12 países de la OPEP detentan 81.3 por ciento de las reservas mundiales. El petróleo sudamericano se torna cada vez más relevante.

El 16 de julio la presidenta Dilma Rousseff inauguró el Programa de Desarrollo de Submarinos (Prosub), afirmando que se trata de "un momento estratégico para Brasil", porque se incorpora al "pequeño grupo de países que domina la construcción de submarinos, y en especial los de propulsión nuclear". El acto se realizó con la presencia de miembros del gabinete, comandantes de las fuerzas armadas, el ministro de Defensa de Francia y empresarios de la industria militar de ambos países.

La construcción de cuatro submarinos convencionales y uno nuclear, con tecnología brasileña y francesa, como consecuencia del acuerdo de cooperación militar firmado durante el gobierno de Lula, representa apenas el primer paso en una secuencia que prevé la botadura de seis submarinos nucleares y 19 convencionales hasta 2048. La transferencia de tecnología y la construcción de un astillero y una base naval en la costa de Río de Janeiro le permitirán a Brasil construir dos submarinos de forma simultánea, que se comenzarán a entregar a razón de uno cada año y medio a partir de 2017.

Sólo Estados Unidos, Rusia, Francia, Inglaterra y China son capaces de fabricar submarinos nucleares. Rousseff fue muy clara: "Este país posee un valor muy grande con el descubrimiento de la capa pre-sal (de petróleo) en su plataforma continental". La Estrategia Nacional de Defensa aprobada en 2008 eligió la defensa submarina. Para 2020 Brasil habrá duplicado su producción actual de petróleo, llegando a 5.7 millones de barriles diarios, y se ubicará como cuarto productor mundial y tercer exportador, por detrás de Arabia Saudí y Rusia.

Brasil ya domina todo el ciclo nuclear y ese es el dato decisivo que modifica la relación de fuerzas en la región. "Podemos estar orgullosos porque en los últimos años Brasil reafirmó su capacidad de volver a producir y dominar tecnologías que durante algunos años dejamos de lado", dijo Rousseff, en referencia al periodo neoliberal privatizador, cuando se paralizó el programa nuclear.

Un documento oficial reservado, que fue difundido por O Estado de Sao Paulo el 10 de julio, señala que los objetivos son defender el comercio marítimo, las reservas de metales pesados que están siendo mapeadas en la plataforma marítima, de alto valor para las industrias electrónica y aeronáutica, y por supuesto el petróleo en aguas profundas, donde se hacen nuevos descubrimientos todos los años.

El diario informa además que a 600 kilómetros de la base donde se construyen los submarinos, en el Centro Aramar, la marina terminó la construcción de la central de gas de uranio. Con ella Brasil pasa a realizar todo el ciclo del combustible nuclear en su propio territorio, ya que una parte del proceso de enriquecimiento se realizaba en Canadá. En septiembre la central comienza a recibir "elementos sensibles", como nitrato de uranio y ácido fluorhídrico, y a partir de 2012 la central producirá 40 toneladas anuales de uranio enriquecido al 5 y al 20 por ciento en ultracentrifugadoras diseñadas por técnicos brasileños.

Por ahora Brasil cuenta con la autonomía tecnológica como para fabricar sus propios reactores para instalar en los submarinos nucleares. Cuenta además con la sexta reserva mundial de uranio, cuando aún falta explorar 70 por ciento de su territorio, y ante la certeza de que existen importantes yacimientos en la triple frontera con Venezuela y Colombia. Esa autonomía le puede permitir a Brasil construir armas nucleares. No es que ya las tenga, ni que las esté construyendo, sino que está en condiciones de hacerlo cuando lo considere necesario.

El tercer dato a tener en cuenta es la difusión del informe de UNCTAD sobre las inversiones en el mundo en 2010. Entre los datos de mayor interés surge que América del Sur fue la región del mundo que registró un mayor crecimiento de la inversión extranjera directa (IED), con un aumento de 56 por ciento respecto de 2009. La cifra total es de 86 mil millones de dólares, cerca de los 106 mil millones que ingresaron en China por ese concepto. Una parte importante de esos ingresos (unos 20 mil millones de dólares) fueron realizados por multinacionales asiáticas, sobre todo chinas e indias, que invierten en petróleo y gas.

Brasil captó en 2010 más de la mitad de las inversiones en Sudamérica, colocándose como el quinto destino de la IED en el mundo (antes ocupaba el lugar número 15), con 48 mil 400 millones de dólares. El banco central acaba de informar que en los seis primeros meses de 2011 las inversiones extranjeras directas en Brasil crecieron un estratosférico 170 por ciento (Folha de Sao Paulo, 27 de julio), y se calcula que a fin de año habrán superado los 60 mil millones de dólares.

Las tres situaciones mencionadas resaltan el papel estratégico que está jugando Sudamérica en el mundo, y de modo muy destacado el lugar que comienza a ocupar Brasil. Una vez más, conviene subrayar que son buenas noticias para la construcción de un mundo multipolar aunque la creciente presencia asiática refuerza el modelo vigente. Para los movimientos antisistémicos se abren tiempos turbulentos y plagados de peligros, como suele suceder ante cada recodo de la historia.Por hacer su trabajo fue obligada a abandonar su cargo, fue degradada y hostigada.

*Analista internacional uruguayo

segunda-feira, 21 de março de 2011

Obama llega a Chile en medio de multitudinarias protestas en su contra


21 marzo 2011/TeleSUR http://www.telesurtv.net

El presidente de Estados Unidos (EE.UU.) Barack Obama, llegó este lunes a Santiago de Chile en medio de una gran manifestación popular en repudio del acuerdo nuclear firmado entre los dos Gobiernos en medio de la crisis que vive Japón luego que el terremoto del pasado día 11 dejara riesgosos daños en la central Fukushima.

El diputado independiente chileno, Sergio Aguiló, afirmó que las protestas protagonizadas en el país en rechazo a la política nuclear impulsada por el presidente de EE.UU. Barack Obama, son consecuencia de los acuerdos firmados hace tres días y de la intervención armada que lidera en Libia.

"Representantes de la Cancillería de ambos países firmaron un protocolo de acuerdo para impulsar la energía nuclear en otro país, cosa que ha generado una rebelión en importantes sectores de la población chilena, encabezados por ambientalistas y la izquierda chilena", dijo en entrevista exclusiva para teleSUR.

El enviado especial de teleSUR a Santiago, Edgardo Esteban, reportó la llegada del líder de la Casa Blanca poco después de las 13H00 locales (17H00 GMT) para sostener reuniones con su homólogo Sebastián Piñera, principal aliado de Washington en la región, según palabras del propio Obama.

El pacto, firmado el viernes en Santiago por el canciller chileno Alfredo Moreno y el embajador estadounidense Alejandro Wolff, fue rechazado por varias organizaciones ambientalistas y calificado de "inoportuno" por grupos opositores.

"En Chile han generado bastante molestia los acuerdos firmados hace tres días para la construcción de una central nuclear de energía que será ratificada este lunes por los jefes de Estado" en medio del dolor que vive Japón por la central Fukushima y la crisis nuclear desatada.

Desde el domingo, la capital del país vive una serie de marchas por parte de movimientos y organizaciones sociales y partidos políticos que rechazan el pacto entre los dos Gobiernos.

En la ajustada agenda que cumple Obama en Chile, como parte de su gira latinoamericana, se prevé que pronuncie un discurso cerca de las 16H00 (20H00 GMT) sobre una propuesta de una nueva alianza de igualdad en la región.

"La intención es retomar la propuesta de alianza para el progreso del 13 de marzo de 1961 impulsada por el ex presidente John Kennedy sobre una economía igualitaria que mas tarde fracasó" dijo el periodista.

Agregó que la situación generada por el conflicto en Libia, cuyo ataque está encabezado por Estados Unidos, produjo un malestar entre los chilenos quienes en sus protestas por la presencia del líder norteamericano, expresan su preocupación por lo que ocurre en el norte de África.

Aguiló agregó que este lunes a las 16H00 locales (20H00 GMT) los manifestantes se concentrarán en una plaza cercana a la reunión de los mandatarios para protestar por la visita de Obama y por la firma del acuerdo nuclear en ese país".

Consignas como "energía nuclear, energía de muerte", "Obama = muerte", "ni invasión a Libia ni energía nuclear", se dejan leer en las pancartas que portaron los chilenos desde el domingo en la céntrica plaza de Armas en Santiago.

Obama fue recibido con honores militares por el ministro de Relaciones Exteriores de Chile, Alfredo Moreno y más tarde, se desplazó con su esposa Michelle Obama al Palacio de la Moneda (sede del Ejecutivo) donde son atendidos por el presidente Sebastián Piñera.

Seguidamente, se llevará a cabo una recepción en el Palacio de los Cañones y posteriormente un saludo protocolar para los medios de comunicación.

Finalmente, sostendrá una reunión con su homólogo local en el Salón Azul, de la sede del Ejecutivo.

El diputado independiente aseguró que el pueblo pide a EE.UU. que termine con su intervención armada en el norte africano "no por compartir lo que allí pasa, ese es un tema que le importa a los libios y no a los norteamericanos que van por el petróleo, y que temine el bloqueo inhumano contra Cuba que tanto sufrimiento ha causado en ese pueblo".

"Ojalá que Obama empiece una nueva era de respeto entre EE.UU. y América Latina y ojalá que el primer presidente afroamericano de un vuelco a lo que ha sido estas tradicionales relaciones con el patio trasero de EE.UU.".

Obama llegó a Santiago procedente de Rio de Janeiro en la segunda etapa de la primera gira latinoamericana del mandatario que lo llevará después a El Salvador.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Reflexiones de Fidel: LA CONTIENDA INEVITABLE

16 junio 2010/CUBADEBATE. Contra el Terrorismo Mediático

Círculo de Periodistas Cubanos contra el Terrorismo http://www.cubadebate.cu

Recientemente afirmé que el mundo se olvidaría pronto de la tragedia que estaba a punto de producirse como fruto de la política seguida, durante más de dos siglos, por la superpotencia vecina: Estados Unidos.

Hemos conocido su forma sinuosa y artera de actuar; el impetuoso crecimiento económico alcanzado a partir del desarrollo técnico y científico; las enormes riquezas acumuladas a costa de la inmensa mayoría de su pueblo trabajador y de los del resto del mundo por una exigua minoría que, en ese país y en los demás, dispone y disfruta de riquezas sin límite.

¿Quiénes se quejan cada vez más sino los trabajadores, los profesionales, los que prestan servicios a la población, los jubilados, los que carecen de empleo, los niños de la calle, las personas desprovistas de conocimientos elementales, que constituyen la inmensa mayoría de los casi siete mil millones de pobladores del planeta, cuyos recursos vitales se agotan visiblemente?

¿Cómo los tratan las llamadas fuerzas del orden que debieran protegerlos?

¿A quiénes golpean los policías, armados de todos los instrumentos de represión posible?

No necesito describir hechos que los pueblos en todas partes, incluido el de Estados Unidos, observan a través de los televisores, las computadoras y otros medios de información masiva.

Un poco más difícil es desentrañar los proyectos siniestros de quienes tienen en sus manos el destino de la humanidad, pensando absurdamente que se puede imponer semejante orden mundial.

¿Qué escribí en las últimas cinco reflexiones con las cuales ocupé el espacio de Granma y del sitio Web CubaDebate entre el 30 de mayo y el 10 de junio de 2010?
Ya los elementos básicos de un futuro muy próximo han sido lanzados al vuelo y no tienen marcha atrás posible. Los impactantes acontecimientos de la Copa Mundial de Fútbol en Sudáfrica, en el curso de unos breves días, han captado nuestras mentes.

Apenas tenemos tiempo de respirar durante las seis horas que se transmiten en vivo y en directo por la televisión de casi todos los países del mundo.

Habiendo presenciado ya los encuentros entre los equipos más prestigiosos en sólo seis días, y aplicando mis poco confiables puntos de vista, me atrevo a considerar que entre Argentina, Brasil, Alemania, Inglaterra y España está el campeón de la Copa.

Ya no queda equipo prominente que no haya mostrado sus garras de león en ese deporte, donde con anterioridad no veía más que personas corriendo en el extenso campo de una puerta a otra. Hoy, gracias a nombres famosos como Maradona y Messi, conocedor de las proezas del primero como el mejor jugador de la historia de este deporte y su criterio de que el otro es igual o mejor que él, puedo ya distinguir el papel de cada uno de los 11 jugadores.

Conocí también en estos días que la nueva pelota de fútbol es de geometría variable en el aire, más veloz y rebota mucho más. Los propios jugadores, comenzando por los porteros, se quejan de estas nuevas características, pero incluso los delanteros y la defensa también se quejan y bastante, ya que la bola va más rápida y toda su vida ellos aprendieron a manejar otra. Son los dirigentes de la FIFA quienes deciden sobre el asunto en cada Copa Mundial.

Esta vez han transfigurado ese deporte; es otro, aunque sigue llamándose igual. Los fanáticos, que no conocen los cambios introducidos en la pelota -que es el alma de un gran número de actividades deportivas- y repletan las gradas de cualquier estadio, son los que gozan de lo lindo y todos los aceptarán bajo el mágico nombre del glorioso fútbol. Hasta Maradona, que fue el mejor jugador de su historia, se resignará tranquilamente a que otros atletas anoten más goles, a más distancia, más espectaculares y con más puntería que él, en la misma puerta, y del mismo tamaño, que aquella donde su fama alcanzó un sitial tan alto.

En la pelota amateur era distinto, los bates pasaban de la madera al aluminio, o de este a la madera, sólo se establecían determinados requisitos.

Los poderosos clubes profesionales de Estados Unidos decidieron aplicar normas rígidas con relación al bate y otra serie de requisitos tradicionales, que mantienen las características del viejo deporte. Realmente dieron al espectáculo especial interés y también las enormes ganancias con que el público y los anuncios publicitarios pagan.

En la actual vorágine deportiva, un deporte extraordinario y noble como el voleibol, que tanto gusta en nuestro país, está inmerso en su Liga Mundial, el torneo más importante para esta especialidad cada año, exceptuando los títulos que se derivan del primer lugar en unas competencias olímpicas o los campeonatos mundiales.

El viernes y sábado de la semana pasada, en la Ciudad Deportiva, se efectuaron los penúltimos juegos que deben tener lugar en Cuba. Nuestro equipo hasta ahora no ha perdido un solo partido. El último adversario fue nada menos que Alemania. Entre sus atletas estaba un gigante alemán de 2,14 metros de altura, y es un excelente rematador. Fue una verdadera hazaña ganarle todos los set, excepto el tercero del segundo partido. Los miembros de nuestro equipo, muy jóvenes todos, uno de los cuales tiene sólo 16 años, mostraron una sorprendente capacidad de reacción. El actual campeón de Europa es Polonia, y el equipo alemán obtuvo la victoria en los dos encuentros que tuvo contra aquel equipo. Antes de estos éxitos, nadie supuso que el equipo de Cuba estaría de nuevo entre los mejores del mundo.

Desgraciadamente, por otro lado, en la esfera política el camino está saturado de enormes riesgos.

Un asunto que señalé con anterioridad, entre los elementos básicos de un futuro muy próximo lanzados al vuelo, que no tienen ya retroceso posible, es el hundimiento del Cheonan, buque insignia de la marina surcoreana que naufragó el 26 de marzo en cuestión de minutos, ocasionando la muerte de 46 marinos y decenas de heridos.

El gobierno de Corea del Sur ordenó una investigación para conocer si el hecho fue consecuencia de una explosión interna o externa. Al comprobar que procedía del exterior, acusó al gobierno de Pyongyang del hundimiento de la nave. Corea del Norte sólo disponía de un viejo modelo de torpedo de fabricación soviética. Carecía de cualquier otro elemento excepto la lógica más simple. No podía siquiera imaginar otra causa.

El pasado mes de marzo, como primer paso, el gobierno de Corea del Sur ordenó la activación de los altavoces de propaganda en 11 puntos de la frontera común desmilitarizada que separa las dos Coreas.

El alto mando de las Fuerzas Armadas de la República Popular Democrática de Corea, por su parte, declaró que destruiría los altavoces tan pronto se iniciara esa actividad. La misma había sido suspendida desde el año 2004. La República Popular Democrática de Corea declaró textualmente que convertiría a Seúl en un “mar de fuego”.

El pasado viernes, el Ejército de Corea del Sur anunció que la iniciaría tan pronto el Consejo de Seguridad anunciara sus medidas por el hundimiento del buque surcoreano Cheonan. Ambas repúblicas coreanas están ya con el dedo en el gatillo.

El gobierno de Surcorea no podía imaginar que su estrecho aliado, Estados Unidos, había colocado una mina en el fondo del Cheonan, como relata en un artículo el periodista investigador Wayne Madsen, publicado por Global Research el 1º de junio de 2010, con una explicación coherente de lo sucedido. Se fundamenta en el hecho de que Corea del Norte no posee ningún tipo de cohete o instrumento alguno para hundir el Cheonan, que no pudiera ser detectado por los sofisticados equipos del caza submarino.

Norcorea había sido acusada de algo que no llevó a cabo, lo cual determinó el viaje urgente de Kim Jong Il a China en el tren blindado.

Cuando estos hechos se producen súbitamente, en la mente del gobierno de Corea del Sur no había ni hay espacio para otra causa posible.

En medio del ambiente deportivo y alegre, el cielo se ensombrece cada vez más.
Las intenciones de Estados Unidos son obvias desde hace rato, a medida que su gobierno actúa obligado por sus propios designios sin alternativas posibles.

Su propósito ¬-acostumbrados a la imposición de sus designios por la fuerza-, es que Israel ataque las instalaciones productoras de uranio enriquecido en Irán, utilizando los más modernos aviones y el sofisticado armamento que irresponsablemente le suministra la superpotencia. Ésta le sugirió a Israel, que no tiene fronteras con Irán, solicitar de Arabia Saudita permiso para sobrevolar un largo y estrecho corredor aéreo, acortando considerablemente la distancia entre el punto de partida de los aviones atacantes y los objetivos a destruir.

Según el plan, que en partes esenciales ha sido divulgado por la Inteligencia de Israel, oleadas de aviones atacarán una y otra vez para machacar los objetivos.

El pasado sábado 12 de junio, importantes órganos de prensa occidentales publicaron la noticia sobre un corredor aéreo concedido por Arabia Saudita a Israel, previo acuerdo con el Departamento de Estado norteamericano, con el objetivo de realizar ensayos de vuelo con los caza bombarderos israelitas para atacar sorpresivamente a Irán, que ya estos habían llevado a cabo en el espacio aéreo saudita.

Voceros de Israel nada negaron, limitándose sólo a declarar que los mencionados países sentían más temor por el desarrollo nuclear iraní que el propio Israel.

El 13 de junio, cuando el Times de Londres publicó una información tomada de fuentes de inteligencia, asegurando que Arabia Saudita divulgó un acuerdo que concede autorización a Israel para el paso por un corredor aéreo sobre su territorio para el ataque a Irán, el Presidente Ahmadinejad declaró, al recibir las cartas credenciales del nuevo Embajador saudita en Teherán, Mohamad ibn Abbas al Kalabi, que había muchos enemigos que no deseaban relaciones cercanas entre ambos países, “…Pero si Irán y Arabia Saudí permanecen uno al lado del otro, esos enemigos renunciarán a continuar con la agresión…”.

Desde el punto de vista iraní, a mi juicio, esas declaraciones se justificaban, cualesquiera que fuesen sus razones para hacerlo. Posiblemente no deseaba herir en lo más mínimo a sus vecinos árabes.

Los yankis no han dicho una palabra, sólo para reflejar más que nunca su deseo ardiente de barrer el gobierno nacionalista que dirige a Irán.

Hay que preguntar ahora cuándo el Consejo de Seguridad analizará el hundimiento del Cheonan, que fuera buque insignia de la Armada Surcoreana; qué conducta seguirá después que los dedos en los gatillos de las armas en la península coreana las disparen; si es cierto o no que Arabia Saudita, de acuerdo con el Departamento de Estado, autorizó un corredor aéreo para que las oleadas de modernos bombarderos israelitas ataquen las instalaciones iraníes, lo que posibilita incluso el empleo de las armas nucleares suministradas por Estados Unidos.

Entre juego y juego de la Copa Mundial de Fútbol, las diabólicas noticias se van deslizando poco a poco, de modo que nadie se ocupe de ellas.

Fidel Castro Ruz
Junio 16 de 2010

quarta-feira, 9 de junho de 2010

ONU APROVA SANÇÕES AO IRÃ. BRASIL E TURQUIA DIZEM NÃO

9 junho 2010/Tijolaço http://www.tijolaco.com

Acaba de sair a notícia de que o Conselho de Segurança da ONU aprovou novas sanções contra o Irã, com 12 votos favoráveis e dois contrários, o do Brasil e o da Turquia. O Líbano, que se opõe às sanções mas ocupa a presidência (rotativa) do Conselho, se absteve.

Era um resultado esperado. Rússia e China fizeram os EUA diminuirem o peso das sanções, mantendo, pragmaticamente, seus negócios com aquele país. Mas evitaram explicitar o confronto que mantém com os Estados Unidos em matéria de influência externa. Afinal, estão na “primeira divisão” do Mundo, com direito a veto a qualquer decisão da ONU. E a ambos também não interessa muito um vizinho mais desenvolvido, inclusive em termos de tecnologia.

Eu quero cumprimentar a postura do nosso Itamaraty. Foram muitas as pressões para que o Brasil se abstivesse, como forma de não criar “mal-estar” maior com as grandes potências. O Brasil e a Turquia conservaram estatura moral para continuarem a ser aceitos como interlocutores por teerã.

Seria uma desmoralização impensável que Brasil e Turquia, que apresentaram uma proposta efetiva para encontrar-se o caminho da paz, aceitassem uma dança hipócrita em torno de sanções que não resolvem coisa alguma e servem apenas para mostrar “quem manda aqui” e se abstivessem.

Não sou eu quem diz que estas sanções não ajudam, senão, a agravar a crise. Quem o diz é o próprio premier russo, e homem-forte do governo daquele país. Embora tenha votado pela sanção, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, afirmou que a punição contra o Irã é ineficaz. “Você conhece um único exemplo de sanções eficazes? Em seu conjunto, são ineficazes”, declarou Putin.

As grandes potências – e seus aliados “de confiança” – não querem um mundo livre de armas atômicas. Querem, apenas, que ninguém, além deles, as possua. Olhe o mapa, publicado pelo UOL, que ilustra este post. Procure o Irã. Não está lá. Mas é quem vai pagar o pato atômico.


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ONU aprova sanções contra o Irã e inviabiliza saída pela paz

9 junho 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta quarta-feira (9) uma nova resolução — a quarta — que impõe sanções ao Irã por conta de seu programa nuclear. Dos 15 membros do órgão, 12 votaram a favor das medidas — incluindo todos os membros permanentes — Rússia, China, EUA, França e Reino Unido. Já Brasil, Turquia e Líbano deram pareceres contrários.

A decisão seguiu à risca o posicionamento autoritário dos Estados Unidos e praticamente tornou inviável uma saída pacífica ao impasse. Susan Rice, representante americana no Conselho de Segurança, tentou minimizar a força das pressões de seu país para impor as sanções. “Foi o Conselho que assumiu suas responsabilidades. Agora o Irã deve escolher um caminho mais sábio.”

A nova resolução prevê restrições à Guarda Revolucionária e ao sistema de mísseis do Irã, além do congelamento de investimentos ligados ao enriquecimento de urânio. Todos os carregamentos de exportação com o Irã como destino também serão submetidos a uma fiscalização mais rigorosa.

A embaixadora brasileira, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alertou aos outros membros do Conselho que não faz sentido “ver as sanções como um meio efetivo” no caso do Irã. Turquia e Brasil afiançavam que o acordo de troca nuclear que eles obtiveram no Irã, no mês passado, tornou desnecessárias futuras sanções.

As sanções eram pedidas por potências nucleares alegando, contraditoriamente, o temor de que o Irã enriqueça urânio para produzir armas atômicas. As acusações, nunca comprovadas, são rechaçadas pelo Irã, que diz manter seu programa nuclear apenas para fins civis.

A ofensiva da ONU tende a não surtir o efeito planejado e, em vez disso, acirrar a animosidade entre o Irã e o Ocidente. Nesta quarta-feira (9), o embaixador iraniano na ONU, Mohammad Khazaei, afirmou que as sanções deixam o Irã “sem outra alternativa, a não ser a confrontação” com países do órgão. O diplomata acusou, ainda, os Estados Unidos, o Reino Unido e a França de “falta de honestidade”.

“Tais ações precipitadas desviam o caminho do diálogo de sua rota natural e indicam que o outro lado escolheu o caminho da confrontação. Assim, Teerã não tem outra alternativa, a não ser escolher uma forma apropriada de enfrentar o segundo caminho", disse Khazaei. (Da Redação, com agências)

Leia também: Potências anunciam que rejeitam acordo feito pelo Brasil com Irã

quinta-feira, 27 de maio de 2010

QUESTÃO NUCLEAR: BRASIL TEM DIREITO DE OPINAR, DIZ INÁCIO ARRUDA

Inácio Arruda (PCdoB-CE) é o único representante do Senado na Conferência do Tratado de Não-proliferação, que acontece até sexta-feira, 28, em Nova York. Pouco antes de embarcar, ele conversou com o Vermelho sobre o assunto e sobre o incômodo que tem causado aos países desenvolvidos a posição independente e soberana do emergente Brasil. “Os EUA já não falam mais sozinhos e também têm de ouvir os demais países. E o Brasil se coloca como um daqueles que querem e têm o direito de falar”, ressaltou.

26 maio 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Vermelho: Quais são as suas posições – como senador e como comunista – em relação à Conferência do Tratado de Não-Proliferação nuclear?
Inácio Arruda:
O evento trata da revisão do tratado internacional de não-proliferação e pelo desarmamento nuclear, documento do qual o Brasil é signatário. Quando foi assinado pelo Brasil (1998) houve um debate bastante controverso; muitos acharam que o país não deveria ter assinado porque ele levaria – como está ocorrendo hoje – a uma tentativa de impedir que as nações pudessem desenvolver tecnologia para fins pacíficos.

O uso da tecnologia para fins pacíficos é um tema discutido apenas por aqueles países com muita força no cenário internacional; hoje, os que dispõem de tal força são justamente os países que já usam, usaram ou podem vir a usar a tecnologia nuclear para fins não-pacíficos, tanto que alguns sequer assinaram o acordo. Esses países querem impor restrições draconianas contra quem quer ou pode desenvolvê-la para fins pacíficos.

O Brasil resolveu colocar em sua Constituição que o desenvolvimento e o uso da tecnologia nuclear seriam exclusivamente para fins pacíficos. Além disso, assinou acordos com esse mesmo sentido. Agora, tem a obrigação de defender que qualquer nação que queira se colocar de pé tenha direito de desenvolver a tecnologia nuclear e usá-la para fins pacíficos.

Quando resolvemos iniciar nossos trabalhos com energia nuclear, ainda no governo Jânio Quadros, os Estados Unidos ficaram de nos entregar urânio enriquecido. Eles fizeram uma única entrega e nada mais. Então, não dá para confiar em parceiros que cometem desacordos dessa ordem.

Vermelho: A partir daí, o Brasil passou a desenvolver sua tecnologia...
IA:
Sim. O país queria utilizar o urânio para usos medicinais e, sem recebê-lo, não teve alternativa senão desenvolver, com seus meios, sua própria tecnologia. O Brasil investiu, estudou e hoje se pode dizer que tem o ciclo completo do urânio, de maneira que pode fazer qualquer coisa com a energia nuclear. Inclusive, se quisesse, poderia fazer a bomba. Mas, o país não tem esse interesse e cumpre com a posição estabelecida em sua Constituição. Há uma infinidade de aplicações dessa tecnologia para melhorar a vida do povo brasileiro. Do ponto de vista da medicina, existe um número enorme de aplicações. Se não fosse a insistência e firmeza do país em investir no desenvolvimento da tecnologia nuclear, não teríamos condições de realizar esse tipo de pesquisa. Ou seja, há uma série coisas ligadas à questão nuclear que não pode ser negada às nações – e isso serve para o Irã também.

Vermelho: Uma das questões que têm sido defendidas pelo Brasil é a da paz e a luta pela não-utilização da energia nuclear para fins bélicos, que também está sendo apresentada na conferência...
IA:
É. Esta é uma posição que o governo tem defendido, de maneira bastante firme e positiva, e que é condizente com a do meu partido, o PCdoB. E é muito importante que o Senado também tenha essa visão e a leve à ONU. Essa posição é fruto de um amplo debate e, inclusive, de seminário feito na Casa (no mês de abril em parceria com o Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz e o Conselho Mundial da Paz). O episódio envolvendo a questão do acordo entre Irã, Turquia e Brasil demonstrou que, na verdade, as potências não querem que as demais nações tenham o mesmo direito das signatárias do tratado. Para o PCdoB, todas as nações têm o direito de desenvolver a tecnologia nuclear para fins pacíficos. Ao mesmo tempo, não se pode negar a uma nação o direito de se defender. O Brasil pode ampliar o uso da energia nuclear inclusive como geradora de energia elétrica para potencializar seu o desenvolvimento. Para isso, precisamos usar todas as fontes: hidroelétricas, de origem fóssil, eólica e nuclear, sendo esta considerada – mesmo por instituições que questionam a contaminação do meio ambiente – como uma das mais limpas. Portanto, não se pode negar ao Brasil o direito de utilizá-la.

Vermelho: Quais devem ser os pontos cruciais desse debate?
IA:
No caso do debate em torno da revisão do Tratado, há dois sentidos fundamentais. Primeiro, garantir que quem o assinou tenha o direito de desenvolver a tecnologia. O segundo é a questão do desarmamento. Para se destruir o planeta, por várias vezes, basta poucas bombas. E só os norte-americanos anunciaram ter mais de cinco mil ogivas. Hoje, a sofisticação na utilização de artefatos nucleares permite a países como os EUA e mesmo como a Rússia usar um número muito menor de artefatos com um poder muito maior de destruição. Então, para que se possa efetivamente dizer que há desarmamento, é preciso que seja como o presidente Lula colocou: zerando todos os arsenais.

Não defendemos o uso belicista da tecnologia, mas vamos pegar o exemplo do Irã. Em seu entorno estão Israel, Índia, Paquistão, todos com armas nucleares. Então, só ele não pode ter? Aí, vem aquele discurso: o problema do Irã é o sujeito que o dirige, como se os que jogaram bombas antes fossem muito tranquilos e refinados; não se dão conta da quantidade de sangue que derramaram.

Vermelho: O poder estadunidense já não é mais tão absoluto quanto antes. Hoje, há um contexto de crescente multipolaridade e há quem enxergue certo declínio da potência. Essa nova realidade influencia o diálogo pela paz e pelo desarmamento?
IA:
Com esse novo quadro internacional, os EUA ficam mais ferozes e chateados com a humanidade e precisam mostrar que ainda têm muita força e poder. Então, temos certo declínio econômico e o surgimento de outras nações com capacidade de opinar e de se manifestar muitíssimo maior do que antes. O Irã é forte em sua produção de petróleo. A demanda pelo combustível é mundialmente alta, o que faz com que seja despendido um alto grau de investimento no setor pelo conjunto das grandes nações e sua substituição por um produto mais vantajoso ecologicamente e economicamente ainda está longe de acontecer. E é exatamente essa questão que coloca os EUA no centro do Oriente Médio: a capacidade que a região tem de fornecer petróleo para o mundo. Os norte-americanos não aceitam que outros queiram opinar em uma área que eles consideram ser uma exclusividade deles.

Então, se temos por um lado certo declínio dos EUA, por outro eles se apresentam aparentemente com cada vez mais força do ponto de vista bélico. Mas, a cena política internacional se alterou completamente. Os norte-americanos já não falam mais sozinhos e também têm de ouvir os demais países. E o Brasil se coloca como um daqueles que querem e têm o direito de falar.

Vermelho: Mesmo com esse contexto de multipolaridade, parece ainda ser preponderante a visão de defender sempre os Estados Unidos nessas questões, especialmente por parte da elite brasileira e da grande mídia...
IA:
Temos dois problemas relacionados a isso. O primeiro é do ponto de vista internacional mais geral e diz respeito ao fato de que a sociedade ocidental estabeleceu que quem tem o direito a ter poder são os Estados Unidos e a Europa. Este é o pensamento de uma parte do mundo. Mas, se existe uma globalização, ela existe em dois sentidos, de maneira que os demais países também podem opinar. O grau de manipulação da informação em nosso país é gigantesco e dá a ideia de que só existe a voz dos EUA, todos estão com eles e o Brasil se isola quando opina de maneira divergente. É o que aconteceu agora com questão do Irã. Não há, portanto, unidade internacional em torno de questões centrais como essa. Todos aparentemente lutam pela paz, mas quando sentam à mesa de negociações vemos que os norte-americanos não têm possibilidade de sozinhos, quererem definir uma opinião. E a mídia brasileira dá a entender que as grandes potências estão afinadas. Quando você vai estudar a fundo, vê que não há afinação nenhuma. Na verdade, isso é uma tentativa, via mídia, de impor uma opinião.

A outra questão é a posição subordinada da elite brasileira aos interesses da potência dominante do momento. Tivemos um largo período sob o domínio inglês e era essa a opinião que prevalecia. Do início da Segunda Guerra para cá, estivemos sob o domínio norte-americano. A elite sempre foi muito subalterna e sempre que o Brasil quis dar um passinho à frente na tentativa de se colocar de pé, sofreu um grande bombardeio interno. Não há esse grau de dependência real, mas a elite sempre buscou colocar o Brasil nessa posição de alinhamento automático e permanente com os EUA. O fato de o país ter barrado a Alca e ter se aproximado mais da China, Índia e Rússia – formando o Bric – e não ter ficado amarrado aos americanos e aos europeus, foi muito ruim aos olhos desse setor. O resultado, no entanto, é que americanos e europeus entraram numa crise profunda e o Brasil se saiu muito bem. A opinião dessa elite é de que estaríamos nos afastando do nosso leito natural, nos distanciando dos americanos, ingleses, franceses...Mas, a verdade é que não estamos longe deles, estamos entre eles, opinando, participando do cenário internacional e defendendo nossa própria posição.

Vermelho: Como você vê a questão do Protocolo Adicional do TNP?
IA:
É uma completa ingerência nos assuntos nacionais e uma humilhação sem precedentes porque se trata de controlar inclusive o uso pacífico que se faz da tecnologia nuclear. O Brasil não tem que se subordinar a isso. Por exemplo: precisamos de um submarino com propulsão nuclear para vigiar o nosso mar. Temos centenas de plataformas no mar, uma capacidade de produção alimentícia e exploração mineral no subsolo marinho de valor inestimável. E quem vai vigiar isso tudo? Quem garante que isso ficará sob nosso controle? Além deste, há inúmeros outros exemplos de atividades que ficarão subordinadas a controles externos e que podem significar impedimentos variados na área da economia, da tecnologia etc. Assinar o Protocolo Adicional significaria prejuízos de toda sorte ao país. Este é um debate intenso que está sendo feito ao longo da semana e não é fácil chegar a acordos envolvendo questões como essa, já que o Protocolo é um desejo das nações ditas desenvolvidas – como EUA, Inglaterra, França e mesmo a Alemanha, outrora submetida a uma série de restrições devido às guerras que já patrocinou. Essa tentativa está ligada ao campo dos negócios porque a tecnologia nuclear é cara e sofisticada e quem pode vendê-la não quer que outro entre nesse mercado. E o Brasil, com sua capacidade, tem criado condições para também estar presente neste negócio. (De São Paulo, Priscila Lobregatte)

Canciller de Rusia apoya acuerdo nuclear suscrito entre Brasil, Irán y Turquía

Agencia Bolivariana de Noticias (ABN)

Moscú, 27 Mayo 2010 (ABN) - El ministro ruso de Asuntos Exteriores, Serguei Lavrov, manifestó este jueves su apoyo al acuerdo nuclear firmado entre Irán, Brasil y Turquía, que prevé el enriquecimiento de uranio iraní en territorio turco.

'Ese esquema responde a los intereses del arreglo político del problema nuclear iraní, por lo cual partimos que es necesario hacerlo todo para establecerlo', declaró Lavrov este jueves en una rueda de prensa realizada en Moscú, reseñó la agencia de información RIA Novosti.

El canciller ruso agregó que el apoyo de su país dependerá de la actitud de Irán.

'Si se cumplen (los compromisos) de manera estricta, Rusia respaldará activamente la puesta en práctica del esquema propuesto por Brasil y Turquía', dijo.

El pasado 24 de mayo, el Gobierno iraní informó oficialmente al Organismo Internacional de Energía Atómica (OIEA) sobre el acuerdo suscrito con Turquía y Brasil.

Dicho documento establece que Irán entregará a Turquía 1,2 toneladas de uranio de bajo rendimiento para recibir en cambio 120 kilos de uranio enriquecido 20% en calidad de combustible para un reactor nuclear de investigación que se encuentra en Teherán.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Brasil/Lula diz que carta do Irã é o início do cumprimento de acordo

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília, 24 maio 2010 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (24) que a entrega da carta à Agência de Energia Internacional de Atômica (Aiea) pelo Irã será o primeiro passo para o cumprimento do acordo sobre a troca de material nuclear.

No documento, o Irã deve informar detalhes da troca de urânio negociada na última segunda-feira (17). O objetivo é que o governo do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, envie 1,2 mil quilos de urânio levemente enriquecido a 3,5% para a Turquia. O enriquecimento do material deverá ser feito sob supervisão da Aiea, dos turcos e iranianos. Em troca, o Irã receberá 120 quilos do produto enriquecido a 20%.

“Tudo aquilo que foi acordado conosco, está começando a ser cumprido agora. Depois da carta vem as conversas com a agência, vem o depósito do urânio na Turquia, e depois, aí, o prazo para que o Irã receba já o urânio enriquecido”, avaliou Lula durante o programa de rádio Café com o Presidente.

Lula disse que o acordo foi a “abertura para começar as negociações” sobre o programa nuclear iraniano, que preocupa as potências ocidentais. “Nós não fomos lá para negociar acordo nuclear. Fomos lá para tentar convencer o Irã a aceitar uma proposta feita pela Turquia e pelo Brasil, de sentar à mesa de negociações, e isso nós conseguimos”, disse Lula.

Com isso, a expectativa dos governos do Irã, Brasil e da Turquia é impedir a aprovação de sanções, no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, contra os iranianos. No entanto, os Estados Unidos atuam paralelamente, levantando dúvidas sobre o eventual cumprimento do acordo e seus efeitos por parte do Irã, e mantêm a defesa das sanções.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Brasil/O ACORDO DE TEERÃ E AS TENSÕES DE UM MUNDO EM TRANSIÇÃO

21 maio 2010/Vermelho http://www.vermelho.org.br

Ronaldo Carmona *

A ousada jogada diplomática turco-brasileira pela paz e pelo respeito aos pilares básicos do TNP atingiu o núcleo da política externa norte-americana, cuja essência, a despeito do governo de turno, permanece sendo prolongar sua hegemonia no mundo. Por isso mesmo, o Acordo de Teera foi seguido de reação de força que fez cair por terra qualquer aparência idealista da política externa de Obama.

A despeito de matizes e nuances, essencialmente, a reação das potências nuclearmente armadas explicitou a determinação destes países de concentrar neles mesmo o domínio do ciclo completo da energia nuclear, e, no limite, de congelar o stuatus quo da atual ordem internacional.

A Declaração de Teerã deu um xeque-mate na diplomacia norte-americana, ao conseguir acordar com os iranianos exatamente os termos propostos pelo P5+1 em outubro passado, e pela carta de Obama à Lula, enviada há três semanas atrás.

O xeque-mate forçou a explicitação, pelos EUA, de que o tema iraniano está longe de restringir-se ao tema nuclear. Trata-se rigorosamente de tema de natureza geopolítica e geoestratégica.

Há muitas razões para crer que os velhos preceitos de Mackinder – apresentados há mais de um século – acerca do domínio do heartland, seguem atuais na política externa do imperialismo norte-americano. A ofensiva anti-Iraque, que remonta a 1991, a ação no Afeganistão, a proteção de pai para filho para com Israel e suas 200 ogivas nucleares não-declaradas e a ofensiva contra o Irã – eixo do mal na era Bush – demonstra a centralidade, na estratégia estadunidense, da presença no Oriente Médio e na Ásia Central – a propósito, “porta dos fundos” da China e da Rússia.

Barack Obama e sua secretária de Estado, Hillary Clinton, tendo em vista o que estava em jogo, não brincaram em serviço, mostrando nitidamente que questões estratégicas para o Império são políticas de Estado, não de governo.

Diante da bruta ofensiva, o governo brasileiro demonstrou seu enorme desconforto com a atitude de Obama de buscar neutralizar as iniciativas brasileiras. Consta que pouco antes da chegada de Lula a Moscou, primeira escala de sua viagem, Obama passou hora e meia ao telefone com Medvedev – fato que se repetiu em ligação de Obama ao Emir do Catar, também pouco antes de Lula chegar a Doha. Seguiu-se, já na terça-feira, a apresentação do rascunho de resolução apertando as sanções contra o Irã e na reação nada amistosa da Sra. Clinton em depoimento no Senado daquele país.

O movimento turco-brasileiro visou, antes de tudo, seu próprio interesse nacional.

No caso dos turcos, essencialmente a busca de estabilidade em seu entorno geopolítico no Oriente Médio.

No caso do Brasil, a clara percepção de que o clube nuclear buscará impedir, custe o que custar, não apenas a posse de artefatos nucleares, mas também o domínio da tecnologia para produção de tecnologia nuclear com fins pacíficos, visando dominar uma fonte de energia do futuro, como já escrevemos aqui. Afinal, não é exagero dizer que, depois dos cinco países nucleares, o programa nuclear brasileiro é um dos mais, se não o mais desenvolvido. As pressões norte-americanas na década de ’70 e mais recentemente, as intrusivas tentativas de inspeções dirigidas a violar segredo industrial das instalações de Rezende (RJ) mostram a ameaça que segue pairando no ar.

Ignorando solenemente o artigo 4º do TNP – que permite desenvolvimento, por qualquer país, de tecnologia nuclear para fins pacíficos –, a reação ao Acordo de Teerã enfatizou declaração de autoridade iraniana que o país continuaria a buscar dominar o enriquecimento à 20%. Uma aberração, prontamente “comprada” pelo aparato propagandistico dos oligopólios de mídia internacional, que ignora um pressuposto que permitiu a assinatura do TNP em 1968. Alguns no estilo bushiano: matéria da Newsweek acusa diretamente o Brasil de praticar "Rogue Diplomacy" (Diplomacia Bandida).

A questão de fundo, quanto ao tema nuclear, é a seguinte: podem os cinco países nuclearmente armados, por critérios estratégicos e de disputa de mercado, definir quem pode e quem não pode dominar tecnologia nuclear para uso pacífico? Isso mina as bases do TNP, desequilibrando-o ainda mais e tornando-o lesivo ao interesse nacional e dos países em desenvolvimento.

Do ponto de vista geopolítico, renova-se e intensifica-se a tensão entre as grandes potências do CS, EUA à frente, agindo no sentido de congelar e renovar a ordem internacional caduca advinda da segunda guerra em contraste com a emergência do mundo multipolar e a conseqüente exigência de reforma do sistema de governança global.

Ensinamentos ao Brasil
Cabe valorizar a postura brasileira nesta redefinição de ordem que vive o mundo. A costura do Acordo de Teerã coroa diversas iniciativas de política externa, que sob o governo Lula, busca melhor refletir, como já dissemos neste espaço, a geografia e a demografia brasileira.

A questão iraniana, a palestina, a relação com a África, dentre outras, mostram o enorme soft power brasileiro. Nação miscigenada, acolhedora e com enormes potencialidades, leva adiante posições decididamente a favor da desconcentração do poder mundial. Por isso, a postura brasileira gera simpatia e admiração no mundo. Mas, ao mesmo tempo, o episódio de Teerã também mostra que, na medida em que aumenta a presença, os interesses e a influência de nosso país no mundo, também aumentam reações ao protagonismo brasileiro.

A vocação brasileira é a paz, para assim, gerar condições exógenas mais favoráveis a consecução do desenvolvimento, grande e primeira aspiração de nosso povo. Mas não nos iludamos: com o crescente protagonismo brasileiro, crescem e se renovam as ameaças. Isso exige, como nunca, fortalecer nossa capacidade de defender nossas independência política e, no limite, nossa própria soberania.

A ordem internacional de transição que vivemos possui, por definição, contornos incertos. O episodio de Teerã e outros tantos recentes, mostram que as potências centrais, mesmo que decadentes no plano histórico, não cederão poder facilmente. Aliás, note-se que mudanças na ordem internacional, em geral, só ocorrem quando se movem placas tectônicas no cenário geopolítico mundial. Amante da paz e do desenvolvimento, o Brasil precisa atualizar seu pensamento geopolítico e geoestratégico em função do novo cenário que se apresenta, mais instável, mais ameaçador à nossa soberania e integridade nacional.

A velha ordem não assistirá “de camarote” a ascensão da jovem e arejada potência, que ao buscar deslocar a confrontação para a cooperação, questiona de forma aguda políticas imperialistas convencionais, convertendo-se assim, num pólo de resistência, de essência anti-imperialista e anti-hegemônica, tendo em vista inclusive seu próprio interesse nacional.

De La Paz, Bolivia

* Membro da Comissão de Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil (PCdoB)


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20 mayo 2010/TeleSUR http://www.telesurtv.net/noticias

Por: Grant Smith

“¿Desvío nuclear en EE.UU.? 13 años de contradicción y confusión” investiga el período entre 1957 y 1967 cuando la Corporación de Materiales y Equipamiento Nucleares (NUMEC) recibió más de 22 toneladas de uranio-235 -el material esencial utilizado para fabricar armas nucleares. El informe revela por qué la Conferencia de Revisión del Tratado de No Proliferación (TPN) de Armas Nucleares de 2010 en la ONU -como la GAO- no es realmente capaz de cuestionar a los verdaderos impulsores de la proliferación nuclear en Oriente Próximo.

La Conferencia de Revisión del Tratado de No Proliferación (TPN) de Armas Nucleares de 2010 tuvo lugar en la sede de la ONU en Nueva York. Un documento de trabajo requiere un Oriente Próximo libre de armas nucleares. Prescribe que los Estados miembros del TPN ''revelen en sus informes nacionales referentes a la aplicación de la resolución sobre Oriente Próximo toda la información de que dispongan sobre la naturaleza y alcance de las instalaciones y actividades nucleares israelíes, incluyendo información que tenga que ver con transferencias nucleares previas a Israel''. El 6 de mayo de 2010, la Oficina Gubernamental de Contraloría de EE.UU. (GAO, por sus siglas en inglés) publicó el informe de 1978, antes secreto, ''¿Desvío nuclear en EE.UU.? 13 años de contradicción y confusión'' [.pdf.] Llena importantes lagunas históricas sobre el desvío de uranio de grado de armas desde EE.UU. a Israel.

Los presidentes de EE.UU. han autorizado desde hace tiempo la ''ambigüedad estratégica'' -una política de no confirmar ni desmentir que Israel incluso posea armas nucleares- Este pretexto ha permitido que EE.UU. entregue la parte más grande de su presupuesto de ayuda al extranjero a Israel, a pesar de claras prohibiciones legales impuestas por las enmiendas.

Glenn y Symington a la Ley de Ayuda al Extranjero. Países miembros de la ONU han sospechado desde hace tiempo que EE.UU. hace caso omiso o apoya activamente la transferencia a Israel de know-how, uranio de grado de armas, y tecnología de doble uso. La investigación y correspondencia de 62 páginas de la GAO confirma que EE.UU. se niega a sentar las bases de investigaciones verosímiles que permitirían asegurar el procesamiento de sus autores.

''¿Desvío nuclear en EE.UU.? 13 años de contradicción y confusión'' investiga el período entre 1957 y 1967 cuando la Corporación de Materiales y Equipamiento Nucleares (NUMEC) recibió más de 22 toneladas de uranio-235 –el material esencial utilizado para fabricar armas nucleares. El fundador y presidente de NUMEC Zalman M. Shapiro era jefe de una sección local de la Organización Sionista de EE.UU. (ZOA) y agente de ventas para el Ministerio de Defensa de Israel en EE.UU. A principios de los años sesenta, la Comisión de Energía Atómica (AEC) comenzó a documentar deslices sospechosos en la seguridad en la planta de NUMEC en Apollo, Pensilvania. En 1965 una auditoría de la AEC ya no pudo explicar más de 90 kilos de uranio altamente enriquecido. Cálculos posteriores aumentaron a unos 272 kilos.

El Congreso encargó a la GAO que investigara cuatro afirmaciones sobre lo que había pasado con el uranio. La primera era que ''el material fue desviado ilegalmente a Israel por la administración de la NUMEC para su uso en armas nucleares.'' Fue el resultado de tempranas investigaciones de la AEC y del FBI sobre las actividades de Zalman Shapiro. La segunda teoría: ''el material fue desviado a Israel por la administración de NUMEC con la ayuda de la Agencia Central de Inteligencia (CIA)'' provino del silencio de la CIA y por su falta manifiesta de interés por todo el asunto. Las teorías finales exploradas por la GAO fueron más generales: que ''el material fue desviado a Israel con la aprobación del gobierno de EE.UU.'' o ''que ha habido un encubrimiento del incidente de NUMEC por parte del gobierno de EE.UU.''.

La GAO solicitó toda la información disponible desarrollada por la CIA, el FBI, el Departamento de Energía y la AEC, pero se le ''denegaron continuamente los informes y documentación necesaria... por parte de la CIA y el FBI''. La GAO intentó colmar las brechas o las negativas directas a cooperar mediante entrevistas directas de agentes especiales del FBI. La GAO también trató de publicar el informe, a fin de responder a la creciente preocupación pública. Al representante John Dingell (Demócrata de Michigan), presidente del Subcomité de la Cámara sobre Energía y Electricidad, quien solicitó la investigación, se le dijo seis meses antes de su publicación que sólo las áreas más sensibles del informe serían clasificadas. La CIA y el FBI insistieron en que todo el informe fuera clasificado al nivel ''secreto'' pasando por alto las objeciones de Dingell, quien dijo: ''Creo que es hora de que se informe al público sobre los hechos que rodean el... affaire y el posible desvío de uranio de grado de armas a Israel''.

El informe de la GAO arremete contra la realización intermitente de las investigaciones de NUMEC por el FBI: ''El FBI, que tenía la responsabilidad y autoridad para investigar el presunto incidente, no se concentró en el problema de un posible desvío nuclear hasta mayo de 1976, casi 11 años después. Inicialmente, el FBI rehusó a la solicitud del DOE [Departamento de Energía] de realizar una investigación de la posibilidad de un desvío aunque, bajo la Ley de Energía Atómica, se requería que realizara tales investigaciones''.

La investigación inicial del FBI durante los años sesenta se concentró rápidamente en la administración de NUMEC, pero las recomendaciones para la acción del FBI fueron bloqueadas. Según la GAO: ''El FBI se preocupó tanto por los riesgos de seguridad planteados por el presidente de NUMEC, que consultó al DOE si tenía la intención de terminar su aprobación de seguridad o detener el flujo de materiales a NUMEC. Conforme a la relación del FBI con la GAO, el FBI recomendó que se eliminara la licencia de operación de NUMEC''. Cuando la solicitud del FBI se ignoró, abandonó toda la investigación entre 1969 y 1976.

Fue necesaria una orden directa del presidente Gerald Ford en 1976 para que el FBI y el Departamento de Justicia ''encararan el aspecto del desvío''. La nueva investigación condujo rápidamente a cambios de rumbo de las posiciones oficiales del gobierno de EE.UU. respecto a NUMEC. Según el informe de la GAO, ''hasta el verano de 1977, el único punto de vista gubernamental publicado sobre el incidente de NUMEC fue que no había evidencia que indicara que había ocurrido un desvío de material nuclear''. En febrero de 1978, la Comisión Reguladora Nuclear (NRC) anunció que había ''reconsiderado'' su posición anterior de que no había ''ninguna prueba'' que confirmara el desvío.

Pero la brecha de 11 años ''obviamente obstaculizó'' la iniciativa. La GAO reveló que las salvaguardas de materiales nucleares del DOE, que antes de 1967 rastreaba el valor monetario más que la masa precisa de uranio, tenían serios defectos. NUMEC afirmó que antecedentes clave que cubrían un período de pérdidas de uranio pesado fueron destruidos durante una ''disputa laboral'' en 1964. NUMEC pagó en 1966 una multa de 1,1 millones de dólares por la falta de 93 kilos de uranio, lo que cerró el caso del DOE. NUMEC también contrató a uno de los principales investigadores in situ del DOE para reforzar la apariencia de un serio control y responsabilización por los materiales. La GAO descubrió que incluso en 1978 el FBI no había tomado contacto con individuos clave en el asunto. Un agente responsable del FBI dijo a la GAO que éste no investigó la fuente de fondos para pagar la multa del DOE a NUMEC ya que anticipó ''dificultades legales''. Por lo tanto la GAO investigó el tema, haciendo sus propios llamados telefónicos al Banco Mellon.

El informe de la GAO critica enérgicamente a la CIA: ''De entrevistas con un ex funcionario de la CIA y con antiguos y actuales funcionarios y personal del DOE y del FBI concluimos que la CIA no cooperó plenamente con el DOE o el FBI en el intento de resolver el asunto de NUMEC''. El informe no es concluyente sobre lo que sucedió exactamente en NUMEC, pero no sobre las agencias involucradas en la investigación hasta 1978. ''Creemos que un esfuerzo oportuno y concertado por parte de esas tres agencias habría ayudado considerablemente y posiblemente resuelto las preguntas sobre el desvío de NUMEC, si hubieran deseado hacerlo.''

El paso del tiempo ha eliminado cualquier duda restante de que NUMEC desvió uranio a Israel. Se reveló posteriormente que Rafael Eitan, quien visitó a NUMEC en 1968, era el máximo espía israelí que apuntaba a objetivos nucleares de defensa nacional y económicos de EE.UU., cuando su agente (el analista de la Armada de EE.UU. Jonathan Pollard) fue arrestado por espionaje para Israel en 1985. Según Anthony Cordesman, ''no existe un motivo concebible para que Eitan haya ido [a la planta Apollo] sino a por el material nuclear''. El jefe de estación de la CIA en Tel Aviv, John Hadden, calificó a NUMEC de ''una operación israelí desde el comienzo'', una conclusión apoyada por su financiamiento de puesta en marcha y sus vínculos iniciales con los servicios de inteligencia israelíes. También es evidente ahora la razón por la cual los gobiernos de Lyndon Johnson y Richard Nixon no investigaron convincentemente a NUMEC como un problema de desvío.

Las presiones diplomáticas directas de John F. Kennedy por inspecciones estadounidenses del reactor Dimona de Israel aumentaron durante 1962-1963. Durante una reunión del 27 de diciembre de 1963, con la ministra de Exteriores de Israel Golda Meir, Kennedy expresó la esperanza de que la relación fuera un ''camino bidireccional''. Meir tranquilizó al presidente Kennedy en el sentido de que ''no habría ninguna dificultad entre nosotros con respecto al reactor nuclear israelí''. Kennedy dio un ultimátum final a Israel el 5 de julio de 1963, insistiendo en que Dimona se sometiera a inspecciones seriales ''de acuerdo con estándares internacionales'' a fin de verificar su ''propósito pacífico''. Simultáneamente, el Departamento de Justicia de Kennedy libraba una intensa batalla tras puertas cerradas para registrar y regular el lobby elitista de Israel en EE.UU., el Consejo Sionista Estadounidense, que traía fondos del exterior para cabildear. El asesinato de Kennedy en noviembre traumatizó a la nación y llevó a la revocación total y permanente de ambas iniciativas.

Según Avner Cohen, en 1958 el primer ministro israelí David ben Gurion había organizado con Abraham Feinberg, un ''importante recolector de fondos demócrata'', que se financiara en secreto un programa de armas nucleares entre ''benefactores'' en EE.UU. Abraham Feinberg, quien respaldó la exitosa campaña electoral de giras relámpago de Harry S. Truman, fue sucinto al describir su papel personal en el sistema político de EE.UU.: ''Mi camino al poder fue la cooperación en términos de lo que ellos necesitaban -dinero para la campaña-''. Feinberg abrió puertas en el Congreso para futuros dirigentes del lobby de Israel, incluido el fundador de AIPAC Isaiah L. Kenen. Según Seymour Hersh: ''No cabe duda de que Feinberg gozaba del mayor acceso e influencia presidencial con Lyndon Johnson en sus 20 años como recolector de fondos y lobista judío. Documentos en la Biblioteca Johnson muestran que incluso los miembros más importantes del Consejo Nacional de Seguridad comprendían que había que satisfacer cualquier tema presentado por Feinberg''. Su poder y su papel en el financiamiento de las perspectivas electorales de Lyndon B. Johnson invalidaron temporalmente un escrutinio del programa de armas nucleares de Israel -en EE.UU. y en el extranjero- en un momento crítico.

El 14 de octubre de 1964, menos de tres semanas antes de las elecciones presidenciales de 1964, el máximo asistente administrativo de Johnson, Walter Jenkins, fue arrestado en un retrete público acusado de un encuentro sexual ilícito. Por lo menos 250.000 dólares que Abraham Feinberg recolectó para Johnson se encontraban en la caja de seguridad en la oficina de Jenkins. Johnson llamó por teléfono a sus asistentes de confianza, Bill Moyers y Myer Feldman, con órdenes de sacar el dinero, lo que hicieron con ayuda de un pesado maletín. Posteriormente Israel volvió a rellenar las arcas de Feinberg (como lo había hecho con Zalman Shapiro mediante comisiones por ventas) con favores multimillonarios, como la propiedad de la franquicia nacional de Coca-Cola.

En 1968, mientras Israel incrementaba perceptiblemente las actividades en la instalación de armas nucleares de Dimona, el secretario de defensa Clark Clifford hizo un último llamado urgente a Johnson: ''Señor presidente, no quiero vivir en un mundo en el que los israelíes tengan armas nucleares''. El presidente Johnson fue abrupto antes de colgar a Clifford: ''No me moleste más con eso''. Para cuando la primera ministra israelí Golda Meir presionó al presidente Nixon para que redefiniera la política de no proliferación de EE.UU. como ''ambigüedad'' hacia las armas nucleares israelíes, el arsenal y la cantidad de armas desplegadas por Israel aumentaban continuamente.

El informe revela por qué la Conferencia de Revisión del Tratado de No Proliferación (TPN) de Armas Nucleares de 2010 en la ONU -como la GAO- no es realmente capaz de cuestionar a los verdaderos impulsores de la proliferación nuclear en Oriente Próximo. ''¿Desvío nuclear en EE.UU.? 13 años de contradicción y confusión'' es un informe tan singular y noble en su propósito que probablemente nunca habrá otro parecido. Aunque deja sin explorar la continua presencia, influencia y efecto de los lobistas de Israel que trabajan en el centro de los gobiernos de EE.UU., la GAO suministra a los estadounidenses preocupados una instantánea de un momento antes de que su Congreso, políticos ambiciosos, y administración de medio nivel de agencias gubernamentales, todos ''recibieran el memorando''.

En 2010 ese memorando no escrito dice algo como: Los crímenes cometidos en nombre de Israel -por audaces que sean- nunca serán adecuadamente investigados, para no hablar de enjuiciados… así que no pierdan su tiempo.

Grant F. Smith es autor del nuevo libro Spy Trade: How Israel's Lobby Undermines America's Economy. Es colaborador frecuente de Radio France Internationale y del Foro Interamericano de Voice of America. Smith también ha aparecido en BBC News, CNN, y C-SPAN. Actualmente es director del Institute for Research: Middle Eastern Policy en Washington, D.C.

Este artículo fue publicado por primera vez en: www.antiwar.com
Traducido del inglés para Rebelión por Germán Leyens
Fuente: http://www.rebelion.org/noticia.php?id=106064
Fuente original: http://www.informationclearinghouse.info/article25457.htm


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II -- Sarkozy pretende sembrar centrales nucleares en África y el mundo Árabe

Agencia Bolivariana de Noticias (ABN) http://www.abn.info.ve

Madrid, 21 mayo 2010 (ABN) - El presidente de Francia, Nicolás Sarkozy pretende sembrar en África y el Magreb centrales nucleares, además firmará contratos en Argelia, Chad, Libia, Camerún, República Centroafricana y Garbón, para así garantizar las necesidades internas de Francia, reseñó un artículo del periódico El Imparcial.

Bajo el título “Sarkozy está dispuesto a sembrar África y el Magreb de centrales nucleares”, el periodista español Pedro Canales señala que la prensa especializada gala reveló la existencia de un acuerdo franco-argelino, que tiene como objetivo emprender una nueva ruta del transporte de mineral uranífero proveniente de Níger y con dirección a Europa.

El artículo menciona que el consorcio francés Areva, especialista en la extracción y trasporte de uranio, alcanzó un acuerdo con el régimen de Abdelaziz Bouteflika para abrir una nueva ruta.

El nuevo proyecto consiste en abrir una ruta terrestre por el sur de Argelia y acceder directamente al Mediterráneo, pues anteriormente este proceso se realizaba vía marítima.

“Níger es el tercer productor mundial de uranio, tras Canadá y Australia, y aún posee reservas suficientes para alimentar la energía nuclear europea por varios decenios”, añade Canales.

La nueva ruta que tendrá el uranio se iniciará en las llanuras del norte de Níger y concluirá en el puerto de Argel o algún otro de la costa argelina, desde donde el mineral embarcará hacia Francia.

“Para completarla hay que terminar la carretera”, sería un total de “400 kilómetros, la mitad en territorio argelino desde Tam a Ain Guezzam, la otra mitad en Niger hasta Arlit”, agregó el periodista.

Sin embargo, Canales destaca que el proyecto propuesto por Areva va más allá, pues prevé construir un acuerdo de prospección y trasporte de la región chadiana de Tibesti. No obstante, añade que existen varias empresas de China, Australia, Corea y de Canadá que consiguieron concesiones tanto de explotación como de exploración de uranio en Níger.

El artículo resalta que Níger sigue siendo para Francia una “piedra angular de su estrategia”, pues a pesar de que a mediados de febrero París condenó el golpe de estado militar en Níger que destituyó al presidente, Mamadu Tandja, las promesas del Consejo Supremo de Restauración de la Democracia que tomó el poder en Niamev, de realizar elecciones libres, obligó a París a “intensificar discretamente relaciones con los militares nigerinos”.

Además de garantizar las necesidades de Francia, el mandatario francés pretende firmar acuerdos en Argelia, Tchad, Libia, Camerún, Centroafrica, Gabón y otras tantas excolonias donde abunda el mineral codiciado, afirma Canales.

La nota finaliza señalando que en la Conferencia internacional de París se mencionó la construcción de 480 centrales nucleares en todo el mundo, en los próximos años, y añade al mismo tiempo que Sarkozy “no dudará en utilizar todo lo que esté en su mano, incluido la cooperación antiterrorista como actualmente en relación con Eta, para 'convencer' al gobierno de Zapatero de atarse al tren nuclear francés”.