segunda-feira, 1 de abril de 2013

Argentina/FRANCISCO I E A REPRESSÃO: ALGO A ESCONDER?



17 março 20013,  Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)

Amy Goodman

Jornalista argentino que investigou relações entre ditadura e Igreja revela papel real de Bergoglio. Também prevê: Papa será um “conservador-populista”

Entrevista a Amy Goodman e Juan González, em Democracy Now | Tradução: Gabriela Leite
No início desta semana, o cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio foi eleito por seus pares como novo Papa da Igreja Católica. Assumiu o posto sob o título de Francisco. Imediatamente, vieram à tona os laços de cumplicidade mantidos entre a cúpula eclesiástica argentina e a ditadura militar, no poder entre 1976 e 83. Qual teria sido o papel de Bergoglio nestas relações perigosas?

Um dos principais jornalistas investigativos da Argentina, Horacio Verbitsky (hoje no diário “Pagina 12”) escreveu extensivamente sobre a carreira do Cardeal Bergoglio e suas ações no período, em que mais de 30 mil pessoas foram sequestradas e assassinadas. Uma ação judicial de 2005 acusou Jorge Bergoglio de estar conectado aos sequestros de dois padres jesuítas em 1976, Orlando Yorio e Francisco Jalics. A ação foi protocolada após a publicação do livro de Verbitsky, “O Silêncio: De Paulo VI a Bergoglio: As Relações Secretas entre a Igreja e a ESMA”. ESMA é a antiga Escola Superior de Mecânica da Marinha argentina, transformada em um centro de detenção onde prisioneiros eram torturados pela ditadura militar.

Bergoglio negou as acusações. Ele invocou duas vezes seu direito, sob a lei argentina, de recusar-se a depor no processo aberto para apurar os fatos. Quando finalmente o fez, em 2010, os ativistas de direitos humanos caracterizaram suas respostas como evasivas. Na última quarta-feira (13/3), Verbitsky falou a “Democracy Now” sobre o passado do novo Papa, e também sobre seu perfil.

Amy Goodman: Para começar, gostaria que você nos contasse o que acha importante para entendermos o perfil do novo Papa, Francisco.
O principal a se entender sobre Francisco I é que ele é um conservador populista, ao mesmo estilo de João Paulo II. É um homem de posições conservadoras fortes em questões de doutrina, mas com um toque popular. Prega em estações de trem, nas ruas. Vai até os bairros pobres para rezar. Não espera as pessoas irem até a igreja, vai até elas. Mas a mensagem é absolutamente conservadora. Ele opôs-se ao aborto, à lei do casamento homoafetivo. Lançou uma “cruzada contra o mal”, quando o Congresso estava aprovando esta lei, exatamente no mesmo estilo de João Paulo II. Isso é o que considero ser a característica principal do novo papa.

Juan González: Bem, talvez este conservadorismo seja característica comum de muitos cardeais consagrados nos dois últimos papados. Mas no caso de Bergoglio, existe também a questão de seu papel, ou das acusações sobre seu envolvimento na “Guerra Suja”, na Argentina. Você, que fez diversas reportagens investigativas sobre o tema, poderia nos dizer algo a respeito?
É claro. Ele foi acusado por dois padres jesuítas de tê-los denunciado aos militares. Faziam parte de um grupo sob direção de Bergoglio. Ele tornou-se o superior provincial da ordem, na Argentina, quando ainda muito jovem. Foi o provincial jesuíta mais novo da história: aos 36 anos [em 1972]. Durante um período de grande atuação política na Companhia de Jesus, ele estimulou o trabalho social dos jesuítas. Mas quando o golpe militar derrubou o governo de Isabel Perón, ele mantinha contato com os militares e pediu aos jesuítas para interromperem a ação social. Como recusaram-se a fazê-lo, deixou de protegê-los, e permitiu que os militares soubessem que eles não estavam mais sob proteção da Companhia de Jesus. Eles foram sequestrados e o acusam por esta ação. Ele nega. Ele disse a mim que tentou libertá-los, que falou com os ex-ditadores Videla e Massera para libertá-los.

Durante um longo período, ouvi duas versões: a versão dos dois padres sequestrados, que foram soltos depois de seis meses de tortura e cativeiro, e a versão de Bergoglio. Essa foi uma questão controversa e divisiva no movimento de direitos humanos a que pertenço, o Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS). O presidente fundador do CELS, Emilio Mignone, afirmou que Bergoglio era cúmplice dos militares. Uma advogada do CELS, Alicia Oliveira, que era amiga de Bergoglio, conta outra parte da história, que Bergoglio os ajudou. Essas são as duas versões.

Mas durante a pesquisa para um dos meus livros, encontrei, no arquivo do ministério de Relações Exteriores da Argentina, documentos que, segundo entendo, encerram o debate e mostram o duplo padrão que orientou Bergoglio. O primeiro documento era uma nota na qual ele pedia ao ministro a renovação do passaporte de um desses jesuítas, sem que tivesse necessidade de voltar à Argentina. O segundo, é uma nota do oficial que recebeu a petição, recomendando a seu superior, o ministro, a recusa da renovação do passaporte. E o terceiro documento é uma nota do mesmo oficial, dizendo que esses padres tinham ligação com a subversão – era assim que os militares caracterizavam qualquer pessoa envolvida com a oposição do governo, política ou armada –; que ele havia sido preso na ESMA; e que essa informação fora dada pelo Padre Jorge Mario Bergoglio, provincial superior da Companhia de Jesus.
Isso significa, no meu entendimento, um duplo padrão. Ele pediu o passaporte para o padre em uma nota formal, com sua assinatura; mas, em privado, disse o oposto, e repetiu as acusações que fizeram os padres ser sequestrados.
Amy Goodman: Você pode explicar o que aconteceu a estes padres, Orlando Yorio e Francisco Jalics?
Ambos, quando soltos, estavam drogados, confusos. Foram transportados de helicóptero para a periferia de Buenos Aires e abandonados. Quando encontrados, dormiam sob efeito de drogas, em péssima condição. Haviam sido interrogados e torturados. Um dos interrogadores aparentava ter conhecimento de questões teológicas, o que levou um dos padres, Orlando Yorio, a pensar que seu próprio provincial, Bergoglio, estivesse envolvido no interrogatório.
O cardeal Bergoglio, que costumava usar o metrô de Buenos Aires. Para Verbitsky, “ele vai aos bairros pobres, mas mensagem é absolutamente conservadora”.

Amy Goodman: Segundo este padre, o próprio Bergoglio teria feito parte de seu interrogatório?
Ele me disse que teve a impressão de que seu próprio provincial, Bergoglio, estava presente durante o interrogatório, no qual um dos interrogadores sabia bastante sobre questões teológicas. Quando solto, ele foi a Roma, onde viveu sete anos, antes de voltar à Argentina. Ao regressar, ligou-se à diocese de Quilmes, na Grande Buenos Aires, cujo bispo era um dos líderes do ramo progressista da igreja argentina, oposto ao de Bergoglio. Então, Orlando Yorio denunciou Bergoglio. Eu recebi seu testemunho quando Bergoglio foi eleito arcebispo de Buenos Aires. E também entrevistei Bergoglio, que negou as acusações, dizendo que defendeu os padres.
Orlando Yorio colocou-me em contato com o outro padre, Francisco Jalics, que vivia na Alemanha. Ele confirmou a história, mas não quis ser mencionado em minha matéria, porque preferia, segundo disse, não lembrar dessa triste parte de sua vida e perdoar. Acrescentou que havia passado muitos anos ressentido com Bergoglio, mas estava disposto a perdoar e esquecer. Quando publiquei meu livro sobre o caso, um jornalista argentino que havia sido discípulo de Jalics falou com ele e pediu que contasse a verdadeira história. Jalics respondeu que não iria nem afirmá-la, nem negá-la.

Juan González: Gostaria de indagar sobre outro padre que se envolveu com a Guerra Suja, Christian von Wernich, um antigo capelão do Departamento de Polícia na Argentina.
Ele foi condenado, e ele está na cadeia, em prisão comum. Mas a igreja argentina, durante o mandato de Bergoglio, não o puniu, em termos canônicos. Ele foi condenado pela justiça humana mas, pelos padrões da igreja, continua a ser um padre. Isso também diz algo sobre Bergoglio e a igreja argentina.

Juan González: Von Wernich estava envolvido em assassinatos, torturas e sequestros. Você poderia detalhar alguns dos crimes pelos quais foi condenado?
Von Wernich era parte ativa nas torturas e assassinatos. Foi condenado não apenas como cúmplice, mas como participante dos crimes. Estava presente durante sessões de tortura. E não há apenas um capelão envolvido, existem alguns outros que estão sob julgamento nesse momento. O capelão Regueiro está sob prisão domiciliar, por ser idoso. O capelão Zitelli, da província de Santa Fé, esteve presente em sessões de tortura. Vários capelões foram parte da Guerra Suja.

Amy Goodman: Gostaria de ler parte de um despacho do Departamento de Estado dos EUA, revelado pelo WikiLeaks, que faz referências ao padre Christian von Wernich, condenado em 2007 por cumplicidade em muitos casos de assassinato, tortura e prisões ilegais na Argentina durante o período militar. O texto observa que a condenação deu-se, cito, “no momento em que alguns observadores consideraram o Cardeal Primaz Católico Romano Bergoglio um líder da oposição ao governo de Kirchner, devido a seus comentários sobre questões sociais; o caso von Wernich poderia também ter efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral de Igreja (e, por extensão, do Cardeal Bergoglio), ou sua capacidade de comentar questões políticas, sociais ou econômicas”. Horacio, você poderia comentar?
Podemos analisar este documento por partes. Primeiro, o Departamento de Estado considerou Bergoglio o chefe da oposição ao governo Kirchner. Eu concordo com esta avaliação. O Departamento de Estado também fala sobre a condenação do padre von Wernich ter, como possível objetivo, o de minar a posição de Bergoglio. Isso não é verdade, no meu entendimento. A condenação do padre von Wernich é uma consequência de um movimento que começou muito antes dos Kirchner chegarem ao poder e tem sua própria lógica judicial, não se subordina a um calendário político.

Amy Goodman: Gostaria de perguntar sobre o tema do ocultamento de prisioneiros políticos, quando uma delegação de direitos humanos foi à Argentina. Você pode relatar o episódio, as alegações e o eventual papel de Bergoglio?
Não, neste episódio Bergoglio não teve intervenção alguma. Quem agiu foi o cardeal que chefiava a igreja em Buenos Aires. À época, Bergoglio não era arcebispo. Quando a Comissão Interamericana de Direitos Humanos veio à Argentina, para investigar alegações de violação de direitos humanos, a marinha retirou 60 prisioneiros da ESMA e os levou a uma vila, usada pelo Cardeal Aramburu nos fins de semana. Este imóvel, na periferia de Buenos Aires, era também o local onde se celebrava, a cada ano, o final dos estudos, no seminário católico. A Comissão Interamericana visitou a ESMA, e não encontrou os prisioneiros que supostamente estariam lá.
Bergoglio não teve intervenção alguma no episódio. Na verdade, ele ajudou-me a investigar o caso. Deu-me a informação precisa sobre onde estavam os documentos atestando que a vila era propriedade do Arcebispado de Buenos Aires.

“LA PRÓXIMA REVOLUCIÓN SERÁ EN ÁFRICA”



31 marzo 2013, Rebelión http://www.rebelion.org (Mexico)

Entrevista a Gertrude Mongella, la que fuera la primera presidenta del Parlamento Panafricano

La Marea

Está a escasos 14 kilómetros de nuestras fronteras, sin embargo África sigue siendo, en muchas ocasiones, el continente invisible. Pero la llamada Mamá Beijing desde la IV Conferencia de la Mujer en Pekín en 1995 pasea su orgullo africano por todo el mundo tratando de dar a conocer la realidad de su tierra. Gertrude Mongella (Tanzania, 1945) asegura que se tiene una imagen de África muy desvirtuada: “se nos ve como un lugar oscuro y somos un contiene que genera riqueza y que lucha”.

La que fue primera presidenta del Parlamento Panafricano, premio Martin Luther King y premio Delta de Entendimiento Global, asegura que las mujeres “del continente de la esperanza” son “especialmente fuertes”. El pasado 16 de marzo acudió al III Encuentro con Mujeres que Trasnforman el Mundo en Segovia, donde participó en un coloquio sobre género y etnias con la periodista Montserrat Domínguez.

¿Qué hace diferente a África del resto de continentes?
Una historia muy complicada. Los africanos hemos vivido la esclavitud, la colonización y hemos luchado por la liberación de nuestro continente. Somos un pueblo fuerte, especialmente las mujeres, y eso nos hace diferentes. La próxima revolución será en África, porque allí tenemos los recursos y los estamos protegiendo. Sólo nos faltan los recursos humanos y dejar de depender de China y Occidente. Debemos estar preparados para explotar nuestros recursos y gestionarlos, así se dará la revolución.

¿Qué papel debe tener la mujer en esa revolución?
Debe dirigirla, y para ello debe estar formada y educada. Por eso es tan importante acabar con la brecha que todavía existe entre mujeres y hombres en la educación. En la escuela primaria de la mayoría de los países ya hay casi la mitad de niñas que van a la escuela, pero cuando se trata de la educación superior el número de mujeres es menor en comparación con el de hombres.

Y respecto a la política…
El número de mujeres políticas está creciendo más rápido incluso que en Europa, porque las mujeres africanas están muy concienciadas sobre la deliberación del continente, y por lo tanto la cultura política es parte de su vida. Y ahora, en algunos países, más de la mitad del Parlamento está representado por mujeres, por ejemplo en Ruanda, donde son el 56%. Ellas tomaron el desafío de reconstruir la sociedad tras el genocidio de 1994. Las mujeres tenemos cualidades inimaginables, una amiga mía rusa siempre dice que las mujeres somos como hojas de té, que para ver su fuerza tiene que ponerse en agua caliente. Así sacamos todo su color.

¿Qué cualidades debe tener una mujer para llegar a dirigir el Parlamento Panafricano?
Inteligencia, gran experiencia política y educación. Personalmente, creo que se está viviendo una transformación y el hecho de estar implicada en política me hace sentir orgullosa de ser parte de ello. [Ella lleva 40 años en política, siendo en su país ministra de Asuntos de la Mujer, ministra de Recursos Naturales y Turismo y ministra de la Presidencia, entre otros cargos].

¿Es usted partidaria de mantener cuotas en el poder en busca de la paridad?
Sí, mientras que no sea una realidad. Sigue siendo una cuestión cultural. Cuando la sociedad cambie, se deshará naturalmente, pero ahora la necesitamos. Es una estrategia, una llave de poder.

¿Pesa la tradición en la lucha feminista africana?  
Sin duda. Es uno de los mayores problemas. Por ejemplo, cuando se trata de la herencia y la propiedad de la tierra, los hombres todavía tienen el poder en la familia de poseer la propiedad y de heredar la propiedad. En muchos países se están cambiando las leyes para asegurar que las mujeres tengan los mismos derechos a la herencia, incluyendo mi país. Y al mismo tiempo tenemos una ley para proteger a las mujeres contra el abuso sexual y, por ejemplo, ahora en mi país violación se castiga con 30 años de prisión.

¿Cómo afectó la Conferencia de Pekín a África?  
Produjo un cambio en la mentalidad. Tuvo un impacto muy importante en las mujeres africanas, incrementó la conciencia y forzó algunos cambios legales. En mi país, Tanzania, se cambió las leyes de la tierra, se revisó la legislación para que una mujer pudiese heredar posesiones. 

¿Es el analfabetismo una herramienta para someter a las mujeres?  
Sin duda, la educación no es sólo la manera de dominar a las mujeres, sino también la forma en que las mujeres bien educadas pueden dominar a los hombres y las mujeres sin educación. Es un factor de poder. El que obtiene el conocimiento, domina. El mundo se mueve rápido y la información y la tecnología son necesarios hasta para coger un avión. En eso se está convirtiendo la educación ahora. Ya no sólo es la educación tradicional, se debe tener un nuevo conocimiento científico sobre las tecnologías de la información, todo. Por lo tanto, debe cambiar rápidamente la educación que las mujeres reciben porque es la educación lo que nos ayudará a vivir en el mundo moderno.


Bancos Centrais de Moçambique e China aprofundam cooperação

30 março 2013, Portal do Governo http://www.portaldogoverno.gov.mz (Moçambique)

Maputo (AIM) – Delegações dos bancos centrais de Moçambique e da China, chefiadas pelos respectivos governadores, Ernesto Gove e Zhou Xiaochuan, respectivamente, reuniram-se esta semana, em Maputo, para analisar a cooperação económica e financeira entre ambos os países, com destaque para as actividades das duas instituições bancárias.

O governador do Banco Central da República Popular da China realizou nos dias 28 e 29 de Março corrente a Moçambique, a convite de seu homólogo moçambicano, Ernesto Gove, tendo as delegações dos dois países trocado impressões sobre aspectos inerentes a concepção e implementação da Política Monetária.
Um comunicado de imprensa do Banco de Moçambique recebido pela AIM, refere que no encontro Gove e Zhou passaram em revista o estágio de desenvolvimento do sistema financeiro e as oportunidades para aprofundar o relacionamento bilateral entre as duas instituições e países.
Na ocasião, o Governador do BM destacou a dinâmica da economia moçambicana, apontando o crescimento económico de cerca de sete por cento em média e uma inflação de um dígito que se situou em menos de três por cento em 2012 como exemplos inequívocos.
A China é o segundo maior investidor em Moçambique com projectos de elevado valor económico e social, com destaque para a cooperação nas áreas de Finanças, Assistência para o Desenvolvimento no Quadro do Fórum Sino-Africano, Infra-estruturas, Transportes e Comunicações, Ciência e Tecnologia, Planificação e Desenvolvimento, Recursos Minerais, Agricultura e Florestas, Turismo, Saúde, Educação, Cultura, área empresarial, apoio mútuo Humanitário e aos Governos Locais.
As partes manifestaram interesse em aprofundar os laços de cooperação em diversas áreas de actuação dos Banco Centrais, Sistema Financeiro, Sistema Nacional de Pagamento e formação de quadros em diversas especialidades da actividade bancária incluindo a extensão dos serviços para as zonas rurais como forma de assegurar a inclusão financeira da população.
Participaram no encontro o embaixador da China em Moçambique, a conselheira política da embaixada, os administradores do BPC para as áreas de relações internacionais, política monetária II, administradores do BM, a representante do ministro das finanças e directores do gabinete do governador e da divisão do departamento internacional, para além do representante para a África do Banco Central Chinês. 

Ministra angolana sugere deslocação de empresas industriais da Europa para Angola


28 março 2013, Macauhub http://www.macauhub.com.mo (China)

A ministra angolana da Indústria sugeriu terça-feira em Lisboa que  as empresas industriais europeias que disponham de tecnologia moderna devem deslocar-se para Angola, antecipando a possibilidade de entrarem em insolvência devido à crise económica e financeira que se verifica no continente.
No decurso de uma conferência sobre Oportunidades de Negócios e Parcerias Luso Espanholas com Angola, organizada pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Espanhola, a ministra Bernarda Henriques da Silva anunciou que o governo angolano está a preparar um programa de deslocação de empresas da Europa para Angola, coordenado pelo Ministério da Economia.
“Se pensarmos que na Europa existem unidades industriais tecnologicamente actualizadas, mas, no contexto económico actual, sem mercado para os seus produtos, a deslocação para Angola, em função da possibilidade de entrarem em insolvência, pode ser uma boa solução”, disse Bernarda da Silva, de acordo com a agência noticiosa angolana Angop.
Segundo a ministra, os angolanos não querem equipamentos tecnologicamente obsoletos, como aconteceu nalguns casos no passado recente, com o argumento de que é um país subdesenvolvido, onde a prioridade é criar empregos, o pessoal é pouco qualificado e, por isso, tem que utilizar tecnologia desactualizada, compatível com os constrangimentos do país.
“O empresário que pensar assim não tem futuro em Angola, pois desconhece a realidade angolana, tem falta de visão e muito menos será um empresário industrial, porque a indústria em qualquer parte do mundo é, sempre, um investimento a longo prazo, que necessita de investimentos constantes de modernização para se manter competitiva”, reforçou.
Sobre as oportunidades de negócio em Angola, a ministra reafirmou o crescimento económico do país, depois de ter atravessado uma fase difícil de reconstrução nacional, com sucesso assinalável, reconhecido pela comunidade internacional.
“Em 2002, no final da guerra, praticamente todas as infra-estruturas e instalações de Angola estavam destruídas, a começar pela rede viária, energia, água, telecomunicações, escolas, hospitais, fábricas e habitações”, adiantou Bernarda da Silva.
Destacou a relevância das parcerias na concretização das oportunidades de negócio no sector da indústria transformadora, realçando ser importante uma classe empresarial nacional profissional, podendo as parcerias com investidores estrangeiros ser um instrumento privilegiado. (macauhub)