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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Haiti/“A PARTIR DE HOJE SOMOS TODOS NEGROS”




28 julho 2016, Odiario.info http://www.odiario.info (Portugal)

Eduardo Grüner
Professor na Universidade de Buenos Aires (UBA)

Os haitianos ainda hoje pagam caro o atrevimento de em 1804 terem aprovado a mais radical e igualitária das Constituições do século XIX.
Eduardo Grüner ensina-nos que os haitianos não se limitaram a construir a 1ª República independente negra do mundo, mas também descobriram que eles estavam excluídos da «totalidade» da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão que haviam recebido com alvoroçada e vã esperança.
E para isso, logo no seu artº 14º a Constituição haitiana de 1804 define a totalidade, agora a partir da parte que havia sido excluída (eles), e prescreve:
«Todas as distinções de cor necessariamente desaparecerão entre os filhos de uma e a mesma família, onde o Chefe de Estado é o pai; todos os cidadãos haitianos, de aqui em diante, serão conhecidos pela denominação genérica de negros», denominação que não excluía brancos nem mulheres…

Começo por citar uma abruptamente uma frase justamente célebre em certos meios restritos, ainda que devesse sê-lo muito mais conhecida, pelo seu profundo alcance numa teoria crítica da identidade. A frase é esta:

«Todos os cidadãos, de ora em diante, serão conhecidos pela denominação genérica de negros».

Esta frase não é a expressão de um capricho, nem um improviso provocatório, e muito menos um delírio surrealista. É o artigo 14º da Constituição Haitiana de 1805, promulgada por Jean-Jacques Dessalines, de acordo com os rascunhos de Toussaint Louverture em 1801, mas cuja institucionalização teve que

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Libro/LAS AUTONOMÍAS INDÍGENAS EN AMÉRICA LATINA (Francisco López Bárcenas)

Envío: Gentileza Dionicio Barrales

9 julio 2009/Mapuexpress Informativo Mapuche http://www.mapuexpress.net

En América Latina se viven tiempos de autonomías. De autonomías indígenas. El reclamo se posicionó como demanda central de los movimientos indígenas en la década de los noventas del siglo XX y se consolidó a principios del siglo XXI. No es que antes no existiera, al contrario, desde la época de la conquista —española en unos casos, portuguesa en otros— hasta la consolidación de los estados nacionales, desde las rebeliones de Lautaro, en tierras mapuches, Tupac Amaru, Tupac Katari y Bartolina Sisa, en tierras andinas, hasta las de Jacinto Canek en tierras mayas contra el poder colonial; pasando por las de el Willka Pablo Zarate en Bolivia, o las de Tetabiate y Juan Banderas entre los pueblos yaquis de México, durante la época republicana, o las de Emiliano Zapata en México y Manuel Quintín Lame en Colombia, durante el siglo XX, hasta la rebelión del Ejército Zapatista de Liberación Nacional, también en tierras mayas, a finales del siglo XX y principios del siglo XXI, las luchas de resistencia y emancipación de los pueblos indígenas han estado permeadas por las reivindicaciones autonómicas; no siempre con ese nombre, pero si con los mismos proyectos utópicos, que pasan por ser pueblos con derechos plenos, territorios, recursos naturales, formas propias de organización y de representación política ante instancias estatales, ejercicio de la justicia interna a partir de su propio derecho, conservación y desarrollo de sus culturas y elaboración y ejecución y puesta en práctica de sus propios planes de desarrollo, dentro de sus demandas mas significativas.

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segunda-feira, 13 de outubro de 2008

A VIGOROSA ATUALIDADE DAS IDÉIAS DE CHE GUEVARA, 41 ANOS DEPOIS...

Beto Almeida *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

9 outubro 2008

Há 41 anos, num 8 de outubro como hoje, a humanidade recebia a notícia da covarde execução de Ernesto Guevara por um agente da CIA na Bolívia, horas após ter sido aprisionado por uma patrulha do exército boliviano controlado pelo exército dos EUA. A troca rápida de telefonemas entre os comandos militares de La Paz e Washington deixou antever a pressa em eliminar a presa, antes que todo um mundo de manifestações gigantescas se levantassem mundo afora para exigir a libertação de Che. Já era prova do temor às suas idéias, ao seu exemplo, à sua função na história.

Hoje, toneladas de papel continuam sendo escritas sobre ele, o debate segue com vigor. O aparato ideológico capitalista é obrigado a dar continuidade ao trabalho de demolição da imagem histórica de Che, comprovando, contra a sua vontade, que seu exemplo e suas idéias seguem amedrontando os donos do capital e do poder. Os publicitários capitalistas apenas superam-se na capacidade de insultos e ofensas à personalidade do Che, revelando, involuntariamente, sua incapacidade de apagar da história este personagem, que, ao contrário, se agiganta. Especialmente agora, quando os fantasmas de uma nova crise do capitalismo especulativo baseado em moeda falsa desequilibra a mais potente economia capitalista do mundo, ramificando a crise por todos os lados, dada a extraordinária dependência que a economia mundial construiu em torno de alguns destes pólos capitalistas, hoje em crise. O fantasma de Che tira o sono dos capitalistas, ele mesmo que deu continuidade à abordagem teórica de Marx e Lênin sobre a inevitabilidade da crise do sistema do capital, e, ao mesmo tempo, também desenvolveu importantes aspectos da crítica que Trotsky fazia à burocratização da União Soviética, que, tal como fanáticos religiosos, muitos partidos comunistas, entre eles um que traiu criminosamente ao Che, o boliviano, classificavam incorretamente como socialismo.

A previsão de Trotsky, feita lá em 1936, de que a URSS se desmoronaria não pela invasão militar externa, mas pela não realização da revolução política interna que retomasse a democracia soviética vivida em plenitude nos sete primeiros anos revolucionários, - a única forma de democracia livre da tirania do capital - só veio a ser cumprida, dramaticamente, em 1990, com a sua dissolução. Quarenta anos depois, as críticas de Che àquela estrutura burocratizada, distante dos ideais socialistas, degenerada na sua forma de funcionamento interno, também adquirem vigor e atualidade, como a crítica de Trotsky; para desespero dos catálogos publicitários a soldo do capital, como a Revista Veja aqui no Brasil. Estes, diante da monumental comprovação de toda uma análise histórica e um desenvolvimento teórico magistral rigorosamente confirmado pelos acontecimentos, contra-atacam apenas com falsificações históricas e insultos, chegando a ponto de usar como "argumento" contra Che... "que ele cheirava mal", numa confissão de sua desqualificada estatura intelectual. Esta crítica de Che à economia soviética burocratizada ganhou ampla divulgação recentemente - 40 anos depois de elaborada - por meio da publicação do indispensável livro "Apontamentos críticos à economia política", infelizmente, ainda não publicado no Brasil até hoje, desafiando o mundo editorial e em particular aos partidos de esquerda, inclusive alguns que elogiam religiosamente a Che, mas não o publicam. Por quê?

De sua personalidade enriquecida pela inteligência, pelo estudo persistente, pela bravura desprendida e infinita e pela ética revolucionária haveria muito sobre o que escrever, estudar, aprender, desenvolver, e, sobretudo, aplicar dialeticamente para as contradições da luta de classes atual. Mas, num artigo limitado no espaço e no tempo, mencionemos apenas algumas destas características que confirmam aquela vigorosa atualidade reivindicada ao início: o Che comunicador revolucionário, o Che médico-revolucionário e o Che ministro-revolucionário.

O comunicador Che Guevara

Uma das facetas desta extraordinária personalidade é o jornalista Che Guevara. Não é o caso de detalhar aqui sobre suas atividades como foto-jornalista e seus escritos denunciando as injustiças das veias hemorragicamente abertas da América Latina antes mesmo de vincular-se ao movimento revolucionário cubano no México, após escapar da invasão ianque à Guatemala rebelde do coronel Jacob Arbenz. Mas, o organizador revolucionário também na área da comunicação logo se expressou quando, ainda durante os combates em Sierra Maestra, Che organizou a fundação de um periódico, cuja impressão foi possível em gráfica montada com equipamentos levados a lombo de burro e em várias viagens clandestinas para o quartel-general da guerrilha comandada por Fidel. Logo depois, um passo ainda mais audaz: a fundação da Rádio Rebelde, também em território liberado de Sierra Maestra. Os transmissores foram igualmente para lá conduzidos em lombo de burro e as emissões puderam ser captadas por rádios venezuelanas que, por sua vez, retransmitiam muitas dessas alocuções de Fidel e de Che, possíveis de serem captadas por rádios da Argentina. A Revolução Cubana começava a construir seu sistema de comunicação social revolucionário.

A Rádio Rebelde desceu da Sierra Maestra na ponta do fuzil e existe atualmente, continua coerentemente fazendo jornalismo revolucionário. Após a tomada do poder, Che continuou tomando iniciativas como comunicador, era extraordinariamente consciente da imperiosa necessidade de travar a batalha das idéias contra o dilúvio de manipulação e mentiras que até hoje se lançam contra Cuba Socialista. Baseado numa iniciativa de um seu conterrâneo, o general Juan Domingos Perón, outro dirigente igualmente atento para a necessidade de enfrentar o sistema imperialista de desinformação, razão pela qual criou na Argentina uma Agência Latina de Notícias, Che Guevara foi um dos principais responsáveis pela criação da Agência Prensa Latina, ainda hoje desempenhando imprescindível papel nesta luta de classes ideológica e informativa, especialmente revelando as maquinações do terrorismo midiático incessante contra Cuba e contra todos os governos e povos que adotam posições de transformação social, soberania e independência ante o império.. Che, sempre organizador, foi ainda o criador da Verde Olivo, revista das Forças Armadas Revolucionárias de Cuba, no que se revela a importância da questão militar e da nova função revolucionária atribuída aos militares. Um detalhe: na sua primeira edição, a Verde Olivo trazia na capa o próprio Che. Informado, enfureceu-se, foi até a gráfica e determinou a inutilização de todas aquelas capas e a reimpressão de outra capa, sem qualquer possibilidade de que se alguém insinuasse culto à personalidade.

Hoje, seguindo o rastro de iniciativas organizativas revolucionárias de Che no campo da comunicação libertadora e confirmando a atualidade de seu pensamento em torno de uma informação anti-hegemônica temos a Telesur. A emissora televisiva multi-estatal demonstra a possibilidade de integração e cooperação em várias áreas, inclusive na informação e na cultura, e vai consolidando-se a passos largos permitindo que se tenha nas telas o protagonismo dos povos do sul, divulgando amplamente o processo de transformação da Bolívia, no Equador, Nicarágua, Venezuela, nacionalizando suas riquezas, derrotando o analfabetismo, realizando a integração social e energética, comunicando aos quatro ventos que a ALBA é uma realidade. Nas telas de Telesur pela primeira vez se mostrou o bombardeio da direita contra a Casa Rosada em 1955, se contou a verdadeira história do que foi o processo de transformação social na era peronista, assim como se contam histórias dos processos revolucionários dirigidos por Pancho Villa e Zapata, retira do ostracismo com toda força a personalidade de Eliecer Gaitan, se divulgam os filmes latino-americanos, inacessíveis nas telas gringas e colonizadas. Trata-se de vigorosa atualidade do pensamento de Che. Que deveria servir de reflexão e estímulo, por exemplo, ao PT que, até hoje, com vários anos de governo, ainda não tem imprensa própria de circulação nacional, embora prometida na última eleição de sua direção nacional.

Medicina e revolução

O Che médico já atendia aos camponeses nas zonas liberadas de Sierra Maestra. A consulta gratuita era acompanhada de fervorosa e apaixonada argumentação em defesa da revolução cubana, na qual, também se explicava o peso das condições sócio-econômicas na causa e determinação das enfermidades. A tal ponto que um menino camponês que observava atentamente as consultas de Che disse a sua mãe: não leve a sério este médico, ele diz para todos que a culpa dos problemas é do capitalismo...

Seguindo aquele exemplo do médico revolucionário, milhares de médicos cubanos estão espalhados hoje por 77 países dos vários continentes prestando serviço médico solidário, levando o exemplo revolucionário humanista do povo cubano, alcançando as zonas mais inóspitas, nas quais a medicina capitalista não chega, demonstrando assim todo o seu desprezo pelas camadas mais pobres da população.

Para ilustrar a presença do exemplo do médico Che no profissionalismo solidário dos médicos de Cuba, conto que em visita recente ao Timor Leste, rigorosamente do outro lado do mundo, deparei-me com a presença de 350 médicos cubanos. Inclusive, foram os médicos cubanos os que ofereceram os primeiros-socorros ao presidente timorense Ramos-Horta, vítima de atentado terrorista em fevereiro deste ano, episódio ainda envolto em dramáticas interrogações, sobretudo a partir das inevitáveis ramificações que pode ter com a imensa e cobiçada riqueza petroleira que aquela jovem nação oceânica é possuidora. O presidente Ramos-Horta me contou que quando se anunciou a chegada dos 350 médicos cubanos àquela ilha, o embaixador dos EUA ali não teve vergonha em manifestar sua insatisfação, pressionando para que os cubanos não fossem aceitos. Em resposta, Ramos-Horta perguntou ao embaixador quando médicos dos EUA atuavam no Timor. Diante da resposta "nenhum" - reveladora do mais alto grau de desprezo social - Ramos-Horta lhe disse: Cuba nos oferece uma ajuda desinteressada, além de oferecer bolsas para 600 timorenses estudarem medicina na Escola Latino-Americana de Medicina. Gratuitamente, tal como estudam lá aproximadamente 500 jovens pobres norte-americanos, em sua maioria negros, oriundos dos bairros proletários do Harlem e do Brooklin. Um deles me contou que se tivesse ficado nos EUA jamais teria a possibilidade de tornar-se um médico, e que, muito provavelmente, estaria com vínculos ao tráfico de drogas, como muitos de seus amigos que lá ficaram...

Esta vigorosa atualidade do pensamento de Che, encarnado em política do Estado Socialista de Cuba, é uma consciência que se espalha pelo mundo, fruto da generosidade de uma revolução que, apesar dos limitados recursos de que dispõe, faz da partilha de seus recursos humanos com outros povos uma razão de estado, uma ética de nação, transformando em realidade concreta um pensamento infinitas vezes repetido pelo próprio Guevara: tremeremos de indignação por qualquer ser humano oprimido, onde quer que ele esteja. Materializando este pensamento revolucionário, Cuba desenvolveu um método de alfabetização para indígenas da Nova Zelândia, e outro, para ser operado por meio do rádio, para alfabetizar em dialeto creolo, que nem escrita possui, ponderáveis parcelas da população da Haiti. Isto desenvolvido por pedagogos de uma Ilha que já vendeu o analfabetismo há décadas!!!. Estão vivas ou não as idéias de Che?

O Ministro revolucionário e visionário

Os 350 mil homens e mulheres cubanos que foram a Angola para lutar em defesa do bravo povo de Agostinho Neto, agredido pelo exército nazista do apartheid sul-africano, era um prolongamento lógico e inevitável do pensamento internacionalista de Che Guevara, alma da consciência internacionalista proletário do povo cubano e uma decisão de estado, comandada diretamente por Fidel Castro. Como disse Mandela, foi na Batalha de Cuito Cuanavale, no sul de Angola, em 1988, "o começo do fim do apartheid", abrindo uma nova era para o sul do continente africano, cujo mapa político registra governos progressistas e antiimperialistas que desenvolvem a cooperação para enfrentar a herança nefasta do colonialismo. O internacionalismo proletário, a solidariedade internacionalista, são políticas do estado socialista cubano, em cuja fase inicial tinha um Che como ministro, infatigável na luta contra a falta de especialistas, agravada pela fuga de cérebros, o terrorismo lançado contra Cuba, as limitações tecnológicas, a herança colonial e, a seguir, o bloqueio. Ali estava um exemplo vivo de administrador socialista, sempre incorporando a participação coletiva, considerando respeitosamente a diferença de opiniões, mas, intransigente na defesa da estatização, do monopólio do comércio exterior, da planificação estatal. Não é que Che fosse um romântico que desprezasse o poder, ao contrário, desprezava sim o poder pessoal, era atento aos perigos profissionais do poder, mas era, sobretudo, um intransigente construtor do poder proletário, lutou incansavelmente pela tomada do poder das mãos dos capitalistas, pela destruição de todo poder do capital.

Todos estes exemplos estão cada vez mais vivos na história revolucionária mundial e encontram ressonância em muitos lados, como, por exemplo, nas diretrizes adotadas pela Revolução Bolivariana, comandada por Chávez, uma delas na preocupação pela diversificação produtiva, pela industrialização, pela crescente intervenção do estado, pelo desenvolvimento de laços de cooperação estratégica com países que afirmem a integração latino-americana, com o sentido de reduzir a dependência da economia capitalista mundial, hoje afetada por uma crise ainda sem controle. Estes foram temas tratados à exaustão pelo Ministro da Indústria Che Guevara. E agora, diante desta crise financeira capitalista, da falência sucessiva de bancos, da nacionalização de bancos que se procedeu, por exemplo, na Inglaterra, não vemos mais do que outra vez confirmar a vigência das idéias de Che Guevara, intransigente defensor da estatização, da economia real produtiva, crítico severo e mordaz dos arranjos criados pelos países imperialistas para seguir com sua rapina e sua acumulação usurpadora, em nome de uma financeirização virtual e artificial, às custas da economia produtiva e dos que produzem, os trabalhadores, sempre atirados nos abismos mais profundos da miséria e da opressão.

O Che ministro era também exemplo de criatividade: fundou o Instituto de Investigações dos Derivados da Cana-de-açúcar, e , no discurso no dia inauguração fez uma previsão visionária que além de indicar sua insaciável curiosidade científica e tecnológica, encontra hoje ampla confirmação. Disse o Che: chegará o dia em que o açúcar será apenas um dos derivados da cana e não o mais importante. Atualmente, da cana já é possível produzir medicamentos, o etanol, a álcool-química, com seus plásticos biodegradáveis e fertilizantes orgânicos que tornarão possível a libertação da agricultora de petro-dependência atual, cara, insustentável ambientalmente e também para a saúde dos povos. Relativizando a importância do açúcar ao longo do tempo, inclusive em razão de seus complexos vínculos com um sistema de comércio internacional no qual Cuba não tinha e ainda não tem controle dos preços, Che nada mais fez que se antecipar a uma situação que de fato tornou-se realidade. Hoje Cuba desmantelou praticamente metade de sua produção açucareira e, segundo informa o Granma, dá início à implantação de 11 centros de produção de etanol em território venezuelano, num projeto binacional que confirma, uma vez mais, a importância das iniciativas em curso para a integração latino-americana. Combinada com a cooperação agrícola em curso entre Brasil, Venezuela, e Cuba, iniciativas como esta, impulsionadora do desenvolvimento de energia renovável num mundo com restrição de energia fóssil, viabilizam novas opções produtivas, colaborando com esforço já em curso para a transformação da agricultura dos dois países, e, fundamentalmente, revelando, novamente, a vigorosa atualidade das idéias de Che Guevara.

* Jornalista, presidente da TV Comunitária de Brasília e membro do conselho editorial do Brasil de Fato

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segunda-feira, 23 de junho de 2008

CHE GUEVARA: MENSAJE DE CUMPLEAÑOS


Frei Betto *

[ADITAL] Agencia de Información Fray Tito para América Latina www.adital.com.br

20 junio 2008

Adital - El 14 de junio el Che Guevara cumpliría 80 años. Su militancia entre nosotros terminó a los 39. Ni con ésas consiguieron matarlo. Hoy está más vivo que en sus cuatro décadas de existencia real. Además, son raros los revolucionarios que, como Mao y el mismo Fidel, envejecen. Muchos derramaron pronto su sangre capaz de abonar el proyecto de un mundo de libertad, justicia y paz: Jesús a los 33, Martí a los 42, Sandino a los 38, Zapata a los 39, Farabundo Martí a los 38, sólo para citar unos pocos ejemplos.

El enemigo debe tirarse de los pelos al constatar que, hoy, el Che se encuentra más presente que en la época en que él creía tener el poder de asesinar ideales. Lo intentaron todo para condenarlo al olvido: trocearon su cuerpo y escondieron sus miembros en diferentes lugares; le inventaron toda clase de mentiras; prohibieron que su literatura circulase en muchos países. Pero cual Fénix testaruda, el Che revive en fotos, músicas, espectáculos teatrales, películas, poemas, novelas, esculturas y textos académicos. ¡Hasta han bautizado una cerveza con su nombre! En el Spa más sofisticado de Brasil, el Unique Garden, el poster de su rostro, según la famosa foto de Korda, ocupa el centro del salón de banquetes.

Al constatar que las esposas no aprisionan símbolos ni las balas matan ejemplos, inventaron falsas biografías para tratar de difamarlo. Todo en vano. Hasta en partidos de fútbol algunos aficionados levantan pancartas con su rostro. Y no se gasta ni un centavo en esa propaganda de su imagen. Y ella sólo tiene importancia por reflejar ideales que hicieron de él un revolucionario. Nada de eso es fruto de mercadeo. Son gestos espontáneos de quien desea enfatizar que la utopía sigue viva.

Reasumir hoy el legado del Che y celebrar sus 80 años nos exige mantener el corazón y los ojos volcados hacia la preocupante situación de nuestro planeta, donde impera la hegemonía del neoliberalismo. Multitudes, sobre todo de jóvenes, son atraídas al individualismo, y no al espíritu comunitario; a la competitividad, y no a la solidaridad; a la ambición desmedida, y no a la lucha en pro de la erradicación de la miseria.

Se habla mucho del fracaso del socialismo en el Este europeo, y casi nunca del fracaso inocultable del capitalismo para 2/3 de la humanidad, ni de los cuatro mil millones de personas que viven por debajo del límite de la pobreza.

Nos angustia también la degradación ambiental. Si los líderes del mundo hubieran prestado oídos a lo que Fidel ya predijo en la Eco-92 en Rio de Janeiro, quizás la devastación no hubiera llegado al extremo de provocar frecuentes tsunamis, tornados, tifones y huracanes nunca vistos, sin hablar del calentamiento global, del deshielo de los casquetes polares ni de la desertificación de las selvas. El despalamiento de la Amazonía es alarmante.

El barril de petróleo, que cuesta menos de US$ 10 en la boca del pozo, ya cuesta más de US$ 120 en el mercado. Es triste constatar que grandes áreas de tierras de cultivo son reservadas para la producción de etanol destinado a alimentar los 800 millones de vehículos automotores que circulan por el planeta, y no a los 824 millones de bocas hambrientas amenazadas de muerte precoz. Ante este mundo en que la especulación financiera suplantó a la producción de bienes y servicios, y en el cual la Bolsa de Valores sirve de termómetro de la supuesta felicidad humana, ¿qué podemos hacer?

Bolívar debe de estar feliz con la primavera democrática en América del Sur. Después de siglos de dictaduras militares y de gobiernos neoliberales, ahora el pueblo elige gobiernos que rechazan el Alca y refuerzan el Mercosur, y repudian la invasión de Iraq y el bloqueo de Cuba por parte del gobierno de los Estados Unidos.

¿Cuál es la mejor manera de celebrar los 80 años del Che? Creo que el mejor regalo sería ver a las nuevas generaciones creer en y luchar por otro mundo posible, en que la solidaridad sea un hábito, no virtud; la práctica de la justicia una exigencia ética; y el socialismo el nombre político del amor. Construir un mundo sin degradación ambiental, sin hambre ni desigualdad social.

En vísperas del 50º aniversario de la Revolución Cubana, todos debemos mirarla, cada vez más, no como un hecho del pasado sino como un proyecto de futuro.

[Autor de "Fidel y la Religión" y "La mosca azul", entre otros libros.
Traducción de J.L.Burguet]

* Fray dominico. Escritor.

http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=ES&cod=33606

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