1º.
Setembro 2014, ODiario.info http://www.odiario.info (Portugal)
John Pilger
A 2 de
Maio, em Odessa, 41 russos étnicos foram queimados vivos no quartel general da
união comercial, com a polícia ao pé. Há provas de vídeo horripilantes. Nos
media americanos e britânicos foi considerado uma tragédia horrível resultante
dos embates entre nacionalistas (neonazis) e separatistas (pessoas que angariam
assinaturas para um referendo numa Ucrânia federal). O New York Times
enterrou-o, tendo-o considerado propaganda russa sobre as políticas fascistas e
anti-semitas dos novos clientes de Washington. O Wall Street condenou as
vítimas. Fogo destruidor na Ucrânia, lançado pelos rebeldes, afirma o governo.
Obama cumprimentou a Junta pela sua «contenção».
Uma destas noites vi o «1984» de
George Orwell representado num palco de Londres. Embora precisasse de uma
interpretação contemporânea, o aviso de Orwell sobre o futuro foi apresentado
como uma peça de época, remota, quase reconfortante. Foi como se Edward Snowden
nada tivesse revelado, o Big Brother não fosse agora uma realidade e o próprio
Orwell nada tivesse dito. «Para sermos corrompidos pelo totalitarismo, não
temos de viver num país totalitário».