quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Moçambique/Governo inicia combate ao branqueamento de capitais

Maputo, 5 dezembro 2007 - O Gabinete de Informação Financeira de Moçambique (Gifim), instituição que visa combater o branqueamento de capitais, entra em funcionamento dia 9 de Janeiro de 2008, anunciou terça-feira em Maputo o porta-voz do governo.
Falando a jornalistas no final de mais uma reunião do Conselho de Ministros, Luís Covane, vice-ministro da Educação e Cultura e porta-voz do Governo, disse ser urgente a entrada em funcionamento do Gifim, "porque, dada a complexidade do mundo do crime, que se vai sofisticando cada vez mais, Moçambique não pode deixar de fazer esforços para se associar aos outros países no combate a este tipo de crimel".
"O Gifim é um gabinete que vai trabalhar para que Moçambique não seja palco de operações ilegais de branqueamento de capitais. Vai recolher e analisar informação e fazê-las chegar às instituições relevantes para o controle e combate ao branqueamento de capitais. Portanto, é uma instituição do tipo policial, que vai operar a nível nacional e que terá a sua acção também no exterior", disse. (macauhub)

FOTO DO DIA / FOTO DEL DIA

Foto: Aborígene australiano
Representantes de populações nativas do Brasil, Nova Zelândia, Austrália e Canadá pediram maior integração de povos indígenas no mundo. Durante a 1ª Conferência Internacional e o 1º Encontro Nacional de Saúde Mental Indígena (realizados em outubro do corrente ano), eles apresentaram os maiores problemas dos índios em diferentes países.
O australiano Edward Wilkes é aborígene (população nativa da Austrália) e trabalha no programa de Pesquisas Aborígenes do Instituto Nacional de Pesquisa de Drogas do país. Segundo ele, a situação dos aborígenes e dos índios brasileiros é parecida.
"Nosso povo foi retirado do lugar onde morava e ainda há indiferença e intolerância com o povo nativo, o que sabemos que é racismo. A saúde mental de nosso povo está muito relacionada ao fato de que existe racismo, muita pobreza e nosso povo está tentando sobreviver. Isso gera impactos psicológicos nas nossas famílias e nas comunidades", disse ele.
Wilkes afirmou que os problemas de saúde mental da população nativa da Austrália acontecem por causa da falta de expectativas de emprego, educação e saúde. "Grande parte da juventude aborígene recorre ao álcool e às drogas para escapar das pressões ocidentais de viver num mundo capitalista. Isso está atingindo também os mais velhos. Consequentemente nos vemos em um ciclo de pobreza que tem impactos na nossa saúde mental".
O australiano disse que a conferência internacional é importante para que as populações indígenas passem a discutir os problemas sociais em nível mundial. "É importante que a questão indígena seja discutida na globalização. Esses povos, mesmo falando português ou inglês, precisam manter suas culturas e saúde".
A índia canadense Gaetan Pétiquay, da tribo Attikemekw, disse que se identificou muito com a situação da juventude indígena do Brasil. "As reivindicações são muito parecidas com as do jovem do meu povo. A falta de diálogo, o preconceito na hora de procurar emprego e o racismo".
Samuel Carajás é índio da tribo dos Carajás, no Mato Grosso. Ele afirma que, antes de ouvir os representantes dos povos estrangeiros, pensava que os problemas de terras, saúde, educação e emprego atingiam apenas os índios brasileiros. Para ele, essas populações devem unir forças na luta pelos seus direitos. "Precisamos estar juntos nessa batalha".
O índio Valter Martins da tribo Kiowá, do Mato Grosso do Sul, afirmou que aprendeu muito com a troca de experiências com representantes de outros países". (Adaptado de um texto de Clara Mousinho/Agência Brasil/A Tarde Online/Página Um - 24/10/07)

Constituyente ecuatoriana afina reglas de funcionamiento

Montecristi (Ecuador), 5 diciembre 2007 (PL) - La Asamblea Constituyente ecuatoriana retoma hoy el análisis del Reglamento interno de funcionamiento de esa institución de plenos poderes, encargada de elaborar una nueva carta magna.
En su cuarta sesión los asambleístas reanudan los debates con el propósito de aprobar los artículos del documento de conducta, el cual establece las reglas del juego de la Constituyente.
La Asamblea ratificó anoche por 86 votos a favor que la nueva Constitución, a elaborar en los próximos seis meses, será sometida a referéndum y reiteró la supremacía de los actos decisorios de este órgano.
Ninguna de sus decisiones será susceptible de control o impugnación por parte de alguno de los poderes constituidos, señala uno de los artículos sancionados.
Representantes de los bloques de la minoría, como Sociedad Patriótica (PSP), Red Democrática e Izquierda Democrática, se quejaron sobre la exigua oportunidad para ser escuchados en el desarrollo de las sesiones.
Sin embargo, el presidente de la Asamblea, el ex ministro Alberto Acosta, destacó que todos tienen las mismas oportunidades de hablar y hacer propuestas.
Los asambleístas facultaron asimismo a Acosta para que "disponga el funcionamiento administrativo y financiero de la Asamblea Constituyente" y se instó al Ministerio de Economía a destinar las partidas presupuestarias correspondientes.
El líder la Asamblea resaltó que la nueva legislación ecuatoriana defenderá la propiedad privada, siempre y cuando cumpla una función social y garantizó que el Estado respetará a los inversionistas.
Puntualizó que todas las formas de economía deben tener claramente garantizadas las formas de propiedad y las diversas maneras de tenencia.
Según el estatuto de la Constituyente, la Asamblea tiene siete días para aprobar el Reglamento, cuyo borrador fue presentado el lunes último por los 80 representantes del movimiento Alianza País.

http://www.prensalatina.com.mx/article.asp?ID={666D3A8D-D351-4C64-969C-EC91562A5A2B})#uage=ES

Angola/Projecto Baía de Luanda vai custar 135 milhões de dólares

Luanda, 5 dezembro 2007 - O projecto Baía de Luanda já consumiu 50 milhões dos 135 milhões de dólares que irá custar quando ficar concluído dentro de dois anos, afirmou terça-feira em Luanda Catarina Sierra, responsável pela área de comunicação do projecto.
Com a finalização da intervenção marítima, que inclui dragagens, abertura de um canal navegável e, entre outras movimentações, a descontaminação do local, prevista para Outubro/Novembro do próximo ano, o projecto, que acaba por ser a cara da profunda alteração física de Luanda motivada pelo forte crescimento económico do país, terá as atenções concentradas na frente terrestre.
Dois anos, até final de 2009, é o prazo estimado para a conclusão da frente terrestre, que coincidirá com a finalização global do projecto Baía de Luanda, tendo o concurso internacional para está nova dimensão sido foi lançado sendo as propostas recebidas até Fevereiro próximo.
A requalificação e o reordenamento urbano da área de intervenção, está, agora, na finalização da segunda fase da empreitada da obra marítima, que enquadra a dragagem do canal na zona sul da Baía de Luanda para o alargamento da Avenida 4 de Fevereiro.
Os trabalhos de dragagem e aterro em curso abrangem uma área que vai desde o início da Ilha do Cabo (local de maior alargamento devido à futura construção do viaduto no nó da Fortaleza) até ao Posto de Informação, localizado em frente ao Largo do Baleizão, informa uma nota da entidade promotora.
O projecto Baía de Luanda, no que se refere à parte marítima, tem evoluído faseadamente e de acordo com três empreitadas principais: dragagem do troço inicial do canal e aterro para alargamento da marginal no Largo 17 de Setembro que já se encontra concluída; dragagem de parte do canal, aterro parcial da área adjacente à marginal e aterro das parcelas e a remoção dos sedimentos contaminados junto à marginal.
As intervenções na área marítima do projecto são financiadas por um consórcio denominado Baia de Luanda, SA que integra um grupo alargado de empresas, incluindo o banco português Millenium BCP e a Water Front Corporation, sendo a empresa promotora a belga Dredging International.
Após a conclusão global do projecto, em 2009, está previsto um investimento privado que poderá chegar aos dois mil milhões de dólares e que engloba edifícios para várias actividades, financeiras, hotelaria e habitação, essencialmente. (macauhub)

Uruguay respalda ingreso de Venezuela a Mercosur

Montevideo, 5 diciembre 2007 (ABN) - Uruguay reiteró este miércoles su respaldo al ingreso pleno de Venezuela al Mercado Común del Sur (Mercosur), a pocos días de celebrarse en esta capital la XXXIV Cumbre del bloque. En declaraciones a la televisión nacional, el canciller uruguayo, Reinaldo Gargano, opinó que la membresía plena de Venezuela es deseable por numerosas razones, una de ellas el que extendería el Mercosur desde el Caribe a la Patagonia y del Atlántico al Pacífico, divulgó Prensa Latina.
Alegó que el potencial energético de Venezuela podría significar una enorme aportación, amén de que su ingreso sentaría un equilibrio en el bloque en tanto no sólo estarían dos grandes (Brasil y Argentina), sino también un tercero junto a los dos socios menores (Uruguay y Paraguay).
Para que Venezuela ingrese al Mercosur, los parlamentos de los cuatro países miembros deben aprobar un protocolo de adhesión. Ya los de Uruguay y Argentina lo ratificaron, pero faltan los de Brasil y Paraguay.
Gargano opinó que el domingo último, con su reconocimiento a los resultados del referendo sobre el proyecto de reforma constitucional, el gobierno de Hugo Chávez dio una contundente muestra de su apego a los principios de la democracia.
'Lo acusaron de totalitario y de otras cosas peores (a Chávez), de que la votación iba a ser tramposa y que en caso de una derrota la desconocería, pero ocurrió todo lo contrario y la campaña (de descrédito contra el presidente venezolano) se fue al piso', dijo.
Asimismo, añadió: 'No soy chavista ni antichavista, pero como canciller uruguayo miro objetivamente, recalcó Gargano.
Adelantó que entre los temas centrales de la XXXIV Cumbre figurarán las asimetrías entre los miembros, determinantes de situaciones desventajosas para los socios menores, así como la eliminación del doble arancel.
Por otra parte, el ministro dijo estar de acuerdo con que Uruguay firme tratados de libre comercio con todos los países del mundo, siempre que no tengan los formatos y contenidos de los propuestos por Estados Unidos en tanto serían perjudiciales para Uruguay.

http://www.abn.info.ve/go_news5.php?articulo=113276&lee=Array[0]

Cabo Verde quer ser plataforma para mercados africano, europeu e americano

Macau, China, 5 dezembro 2007 - Cabo Verde pretende ser uma plataforma para ajudar a China a conquistar mercados, afirmou terça-feira em Macau o ministro da Economia, Crescimento e Competitividade daquele país africano.
"A China tem também como estratégia a conquista dos mercados e não é segredo para ninguém que está interessada nos mercados africano, europeu e americano", afirmou José Brito. "Cabo Verde está no meio dos três continentes e poderá oferecer à China uma base comercial e económica para ajudar o país a conquistar melhor este espaço", adiantou.
José Brito, que foi recebido pelo chefe do Executivo de Macau, Edmund Ho, falava à margem da assinatura do protocolo de geminação entre Macau e a cidade da Praia e afirmou que o encontro com o líder do governo de Macau foi "positivo" porque cabo-Verde não quer um relacionamento com a Região Administrativa Especial chinesa baseado apenas em trocas comerciais.
"Temos uma cultura, um passado comum que podemos desenvolver e promover o intercâmbio das experiências no sector do turismo que poderá beneficiar Cabo Verde", disse.
No âmbito da visita à China, José Brito destacou uma "nova etapa" de relacionamento que permitirá impulsionar as trocas comerciais hoje estimadas em 10 milhões de dólares, mas que são bastante superiores já que Cabo Verde compra muitos produtos chineses através de países europeus, situação que poderá ser agora invertida através da importação directa, garantiu. (macauhub)

Brasil/Greve de fome de frei completa uma semana

Reportagem: Raquel Casiraghi/Agência Chasque/4 dezembro 2007

Porto Alegre (RS) - A greve de fome do frei Luiz Flávio Cappio contra a transposição do rio São Francisco completou uma semana nesta terça-feira (04). Aos 61 anos, este é o segundo jejum realizado pelo religioso, que também é bispo da Diocese do município da Barra, na Bahia. Manifestação semelhante já havia sido realizada em 2005, quando o frei passou um mês sem comer. O protesto somente foi interrompido com a promessa do presidente Lula em realizar amplo debate com a população sobre o tema.
Em entrevista à RadioCom, de Pelotas (RS), frei Cappio se mostrou decepcionado com o presidente. Ele afirma que as discussões sobre a transposição e as alternativas à distribuição de água no Nordeste não ocorreram. Em fevereiro, o frei tentou novo diálogo com o governo por meio de documento protocolado no Palácio do Planalto. No entanto, como resposta, recebeu a notícia do início das obras de transposição pelo Exército."O projeto de transposição não beneficia de forma alguma os pobres do Nordeste brasileiro. Pelo contrário, além de prejudicar muito o rio São Francisco, ele vai beneficiar algumas empresas em detrimento das populações. É mais uma vez a primazia do capital. Quando fizemos nosso primeiro jejum só encerramos porque o presidente assumiu comigo um trato de abrirmos uma longa discussão nacional sobre as alternativas para o abastecimento do Nordeste, porque a transposição não é a melhor saída. Pelo contrário, é a pior maneira. E infelizmente, durante dois anos, tentamos debater o tema, o que não ocorreu", diz.
Frei Cappio reafirmou que a única condição para terminar com a greve de fome é a paralisação das obras. Caso isso não ocorra, não haverá nenhum tipo de diálogo ou de negociação com o governo Lula. Ele avalia que o episódio da transposição do rio São Francisco mostra, mais uma vez, a exclusão dos movimentos sociais no segundo mandato do governo Lula. "Eu percebo que os movimentos sociais vêm sendo totalmente excluídos da pauta do presidente Lula. Ele se tornou refém do grande capital e dos grandes interesses econômicos, e os movimentos sociais estão totalmente à margem. Ele se esqueceu do povo, de quem realmente o elegeu, e serve ao grande capital", afirma.
Durante a primeira semana da greve de fome, frei Luiz Cappio recebeu inúmeros manifestos de apoio. Além de jejuar, ele tem rezado missas para a população local e visitantes. No entanto, a iniciativa do frei também tem encontrado resistência na Igreja Católica, como a do arcebispo metropolitano da Paraíba, dom Aldo Pagotto. O religioso, que apóia o projeto de transposição, criticou em nota o protesto de Cappio. No documento, Pagotto diz que ninguém tem o direito de tirar a própria vida "a qualquer título".
Em resposta, frei Cappio escreveu uma carta nesta terça, em que contesta as afirmações do arcebispo, dizendo que seu comportamento é coerente com a trajetória em defesa das populações mais pobres. Também reafirmou sua posição de permanecer em greve de fome até quando for necessário.
http://www.agenciachasque.com.br/boletinsaudio2.php?idtitulo=e956a9f95f9f42a2c55e624b4fd3c714

Bolivia/Juristas americanos preocupados por violencia desatada por opositores

Buenos Aires, 4 diciembre 2005 (ABI) - La Asociación Americana de Juristas (AJJ) expresó este martes su profunda preocupación por la violencia fomentada desde la oposición boliviana contra los delegados a la Asamblea Constituyente elegidos democráticamente.
La Rama Argentina de la organización no gubernamental, con estatuto consultivo en el Consejo Económico y Social de la ONU, emitió un comunicado en el que denuncia, además, la injerencia directa y desestabilizadora de Estados Unidos.
Citado por Prensa Latina, subrayó que, ante el peligro creciente de ruptura del proceso democrático boliviano, repudia toda acción enfilada a desestabilizar la institucionalidad democrática de Bolivia, cuyo Gobierno fue elegido libremente por una mayoría absoluta de los votantes.
Opina que las agresiones y actos de violencia contra los integrantes de la Asamblea son inadmisibles y reflejan "una práctica anti-democrática y contraria al proceso de autodeterminación del pueblo boliviano, que libremente ha decidido realizar cambios en su organización social".
El documento subraya la obligación de respetar en todas circunstancias el principio fundamental de la autodeterminación de los pueblos.
Manifiesta total rechazo a todo tipo de intervención estadounidense con el fin de provocar actos de violencia, desestabilización y ruptura del proceso democrático en Bolivia.
La AJJ remarca su compromiso con el proceso democrático del país suramericano, la integración de Latinoamérica, la lucha por el respeto de los derechos humanos y de la autodeterminación de los pueblos.
Suscriben el documento, Vanessa Ramos, presidenta de AAJ Continental; Beinusz Szmukler, titular del Consejo Consultivo; y Hugo Ruiz Díaz, representante permanente de AAJ ante la sede de la ONU en Ginebra.

http://www.abi.bo/index.php?i=noticias_texto_paleta&j=20071204201752&PHPSESSID=b0aa812030f5631fc39709631a2d19a7

Moçambique/Governo vai avaliar jazidas de turmalinas em Manica

Maputo, Moçambique, 3 dezembro 2007 - A exploração informal de turmalinas, tanto por moçambicanos como por estrangeiros, levou o Ministério dos Recursos Naturais a enviar uma equipa de geólogos para o distrito do Báruè, província de Manica, informou o jornal Notícias, de Maputo.
Em despacho de 12 de Novembro passado, a ministra do pelouro, Esperança Bias, ordenou a suspensão de todas as actividades de comercialização de pedras preciosas e semipreciosas no distrito de Báruè, bem como a emissão de títulos para a exploração naquela região.
A medida, de acordo com o referido despacho, "visa a reorganização dos processos de licenciamento, bem como a melhoria do sistema de controlo dos detentores de licenças de comercialização de produtos mineiros circunscritos no distrito de Báruè".
A presença da referida equipa em Báruè tinha em vista a recolha de informações detalhadas sobre o jazigo de turmalinas recentemente descoberto em Nhampassa, por forma a orientar o Governo no licenciamento da sua exploração nos termos da lei.
Os geólogos deverão determinar a área real coberta pelo jazigo, bem como as suas potencialidades. Actualmente, segundo Geraldo Valoi, director provincial dos Recursos Minerais e Energia em Manica, o Governo delimitou uma área de cerca de 500 hectares, junto de um monte situado na povoação de Manouassaca, em Nhampassa.
A fim de controlar a situação e impor ordem na zona de ocorrência dos jazigos foram posicionados efectivos policiais e das Alfândegas no local mas aparentemente o negócio de turmalinas, sobretudo a variedade de rubilite, continua a decorrer naquele distrito. (macauhub)

Moçambique/Maputo inicia processo de desarmamento aduaneiro regional

Maputo, 3 dezembro 2007 - Uma extensa lista de mercadorias provenientes dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC, na sigla em inglês) passou a ter desde o dia 1 de Dezembro em Moçambique uma redução de 20 para 10 por cento da sua taxa aduaneira.Ainda de acordo com Autoridade Tributária e as Alfândegas de Moçambique, que sexta-feira divulgaram a lista, a partir de Janeiro as mesmas mercadorias estarão livres de quaisquer direitos aduaneiros.
Uma série de outras mercadorias não alimentares conheceu uma redução das suas tarifas para 3 por cento, a partir de 1 de Dezembro, devendo passar para zero por cento a partir de 1 de Janeiro próximo.
Falando sexta-feira em Maputo, Rosário Fernandes, presidente da Autoridade Tributária de Moçambique, disse que o desarmamento tarifário "não deve ser visto como uma ameaça mascomo um desafio às política fiscal e aduaneira e como uma porta aberta para a competitividade económica e capitalização das vantagens comparativas".
No decurso de uma conferência de Imprensa destinada a prestar informações sobre as taxas a vigorar no quadro do desarmamento pautal, Rosário Fernandes disse ainda que as mercadorias abrangidas pela redução aduaneira correspondem a 85 por cento do total da pauta aduaneira.
"Estamos a falar em direitos aduaneiros, não se confunda com outras categorias de imposto do comércio externo, como por exemplo impostos de consumos específicos, IVA de importação e outros, que vão manter as taxas em vigor. Estamos aqui a falar de direitos aduaneiros, que é uma das categorias de impostos do conjunto dos encargos nesse contacto com o exterior", disse.
Rosário Fernandes acrescentou que tendo em vista a salvaguarda da produção moçambicana alguns produtos hortícolas não entram de imediato no desarmamento aduaneiro. (macauhub)

Banca no espaço de língua portuguesa termina 2007 em efervescência

Macau, China, 3 dezembro 2007 - O sector bancário dos países de língua oficial portuguesa entra na recta final de 2007 em verdadeira efervescência, com aquisições, novos bancos, projectos de expansão e de cooperação, dispersões de capital e muitas operações volumosas.
Stanley Ho, milionário do jogo de Macau, é um dos principais protagonistas, depois de ter assegurado no espaço de poucos meses a compra de um banco na Guiné-Bissau, e, segundo foi conhecido já no final de Novembro, criar de raiz um banco em Moçambique, país onde já tinha tentado várias abordagens.
O empresário entra no mercado bem acompanhado: segundo noticiou em Lisboa a Agência Lusa, nada menos do que centena e meia de investidores, quase todos pessoas individuais e empresas moçambicanas, compõem a Moçambique Capitais, que será accionista maioritário do Moza Banco com 51 por cento, cabendo os restantes 49 por cento à Geocapital de Ho e de Jorge Ferro Ribeiro.
Sinal da forte aposta em Moçambique, Ho coloca na presidência do Moza Banco o antigo governador do Banco de Moçambique, Prakash Ratilal, um "peso pesado" do sector.
Virado para o investimento e serviços a empresas e gestão de património, o Moza Banco abre o seu primeiro balcão em 2008.
Stanley Ho assegura assim a presença da Geocapital num mercado com um crescimento pujante, em que no ano passado os lucros dos nove bancos comerciais moçambicanos aumentaram duas vezes e meia, segundo o mais recente relatório da Associação Moçambicana de Bancos e pela consultora KPMG.
O BIM, do grupo português Millennium Bcp, mantém-se o maior banco comercial moçambicano, com activos de 24,7 mil milhões de meticais (mais um quinto do que no ano anterior), o que compara com os 7,67 mil milhões de meticais do BCI-Fomento, e aumentou os seus lucros em 259 por cento em 2006.
A Geocapital tinha estado perto da compra do Banco de Desenvolvimento e Comércio (BDC), relatando então a imprensa moçambicana que Almeida Santos, na condição de advogado da Geocapital, teria inclusivamente contactado o presidente moçambicano, Armando Guebuza, no sentido obter uma aprovação célere à operação, então dependente do Banco de Moçambique.
Depois da ruptura das negociações e afastamento da Geocapital, os portugueses do Montepio Geral passaram os sul-africanos do First National para a frente no negócio.
Já na Guiné-Bissau o negócio entre Geocapital e Montepio Geral consumou-se, com a compra de 60 por cento do capital do Banco da África Ocidental (BAO), onde Ho e Ferro Ribeiro terão entre os seus associados o empresário guineense Carlos Domingues Gomes.
Apesar da pequena dimensão do mercado bancário guineense, o BAO apresenta a mais-valia de estar autorizado a abrir sucursais nos países-membros da União Económica e Monetária da África Ocidental (UEMOA) – Benim, Burkina-Faso, Costa do Marfim, Mali, Níger, Senegal e Togo.
Tem sido dada a conhecer também a aproximação de Ho ao mercado angolano, através do Banco Angolano de Negócios e Comércio (BANC), um projecto antigo e aparentemente paralisado, segundo a newsletter Africa Monitor, devido à recusa da atribuição de uma licença de exploração de jogo no novo hotel de cinco estrelas "Rosa Linda", empreendimento cuja primeira pedra foi lançada em Junho.
No BANC, a empresa de Stanley Ho e outros investidores tinha como parceiros influentes personalidades angolanas, como José Pedro de Morais, actual Ministro das Finanças, e Kundi Paihama.
Esta instituição financeira estava vocacionada para a comunidade chinesa, prevendo a intervenção em investimentos no sector privado, através de concessão de crédito ou tomada de participações.
Se o Montepio Geral vende, o maior banco português, a Caixa Geral de Depósitos, aparece também em posição de ataque, e está em vias de aumentar o seu peso em São Tomé e Príncipe.
Na semana passada, a newsletter Africa Monitor noticiava que o grupo financeiro português de capitais públicos está interessado em tornar-se único accionisto do Banco Internacional de São Tome e Príncipe (BISTP), onde detém 60 por cento e o Estado 40 por cento, devido a divergências na gestão.
Entretanto, a Caixa está em vias de iniciar a sua actividade em Angola, em parceria com o maior banco ibérico, o espanhol Santander, esperando-se uma autorização definitiva do banco central nas próximas semanas, depois de um atraso de mais de um ano, devido ao rearranjo das participações accionistas.
Também em Cabo Verde a actividade financeira, nomeadamente no "off-shore", tem vindo a captar importantes investimentos ao longo do último ano, mas de todos os "oito" é em Angola que parece registar-se maiores "movimentos tectónicos" na banca.
No sentido inverso, de Angola para Portugal, foi o banco BIC Portugal, do empresário Américo Amorim e Isabel dos Santos, filha do chefe de Estado Angolano.
Este, que se assume actualmente como um dos principais concorrentes do Fomento em Angola, vai dedicar-se à gestão de patrimónios e serviços às empresas, esperando-se que seja uma "ponte" para novos investimentos angolanos na antiga metrópole, depois dos protagonizados pela Sonangol, que assegurou recentemente uma participação de cinco por cento no maior banco privado português, o Millenium Bcp, e se tornou accionista de referência da Galp Energia, maior petrolífera portuguesa.
Na semana passada, a Voz da América noticiava que a Sonangol tem como objectivo entrar no capital do Millenium Angola e da Fomento, numa altura em que já é accionista do Banco BAI e de um outro de menor dimensão.
Se o Santander e a Caixa tardam em conseguir entrar em Angola, o "gigante" europeu Fortis deu um primeiro passo na semana passada, ao associar-se ao Banco de Negócios Internacional (BNI) na prestação de serviços bancários.
Também os bancos chineses dão significativo contributo para a efeverscência verificada no sector.
Segundo a imprensa brasileira, o Banco da China solicitou autorização das entidades reguladoras da maior economia sul-americana para iniciar operações bancárias e de corretagem.
Num outro plano, o Banco de Exportação e Importação da China (Eximbank), ligado ao financiamento de grandes projectos em Angola e Moçambique, apresentou recentemente aos representantes dos países de língua portuguesa um conjunto de propostas a fim de promover a criação de uma plataforma financeira.
A montagem de empréstimos para projectos de grande dimensão, o estabelecimento de financiamento conjunto de projectos, privilegiando os de grande influência nas relações bilaterais, são algumas das coordenadas que o banco chinês pretende seguir para pôr em funcionamento uma plataforma financeira entre a China e os países de língua portuguesa. (macauhub)

Nicholas Spykman e a América Latina

José Luís Fiori/Carta Maior/5 dezembro 2007

Para o principal geoestrategista norte-americano do século XX, qualquer ameaça à hegemonia dos EUA na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile. Uma ameaça à hegemonia nesta região terá que ser respondida através da guerra, escreveu Spykman.
O principal "geoestrategista" norte-americano do século XX, nasceu em Amsterdam, em 1893, e morreu nos Estados Unidos, em 1943. Era de origem holandesa, mas fez seus estudos superiores na Universidade da Califórnia, e foi professor da Universidade de Yale, onde dirigiu o seu Instituto de Estudos Internacionais, entre 1935 e 1940. Morreu ainda jovem, com 49 anos, e deixou apenas dois livros sobre a política externa norte-americana: o primeiro, America’s Strategy in World Politics, publicado em 1942, e o segundo, The Geography of the Peace, publicado um ano depois da sua morte, em 1944. Dois livros que se transformaram na pedra angular do pensamento estratégico norte-americano de toda a segunda metade do século XX, e do início do século XXI.
Nicholas Spykman não foi um cientista, foi um "geopolítico" e a geopolítica não é uma ciência, é apenas uma disciplina que estuda a relação entre o espaço e a expansão do poder, antecipando e racionalizando as decisões estratégicas dos países que exercem poder fora de suas fronteiras nacionais. É por isto, aliás, que só existe produção geopolítica relevante, nas chamadas "grandes potências", e cada uma delas tem sua própria "escola geopolítica", com suas preocupações, objetivos e racionalizações específicas. Como no caso clássico da "escola geopolítica alemã", de Friederich Ratzel e Karl Haushofer, com a sua teoria do "espaço vital" e do "pan-germanismo", que serviu de ponto de partida para explicar a "necessidade geográfica" de expansão alemã, na direção da Europa Central, e da Rússia/União Soviética.
Ou também, como no caso da "escola geopolítica inglesa" de Halford Mackinder, com sua famosa tese de que "quem controla o "coração do mundo"( situado mais ou menos entre Berlim e Moscou), controla também a "ilha mundial" (a Eurásia), e quem controla a "ilha mundial" controla o mundo". Teoria que serviu de base para justificar a política externa britânica durante todo o século XX, e seu permanente veto e bloqueio de qualquer aliança entre a Alemanha e a Rússia/União Soviética.
Dentro desta tradição, não há dúvida que Nicholas Spykman foi o pai da "escola geopolítica norte-americana". Ele partiu das idéias de Halford Mackinder, mas modificou sua tese central: para Spykman, quem tem o poder mundial não é quem controla diretamente o "coração do mundo", é quem é capaz de cercá-lo, como os Estados Unidos fizeram durante toda a Guerra Fria, e seguem fazendo até os nossos dias. Spykman escreveu seus dois livros antes da entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, e por isto chama atenção a sua capacidade genial de prever o que aconteceria depois da guerra, tanto quanto a semelhança entre suas propostas estratégicas e a política externa que os Estados Unidos adotaram efetivamente, durante a segunda metade do século XX, na Europa, Ásia e América.Em 1942, Nicholas Spykman defendeu a necessidade de uma aliança estratégica e de uma hegemonia conjunta, anglo-americana, para "gerir o mundo" depois do fim da Guerra, como de fato ocorreu, em São Francisco, em Bretton Woods, e na formulação da Doutrina Churchill-Truman da "cortina de ferro". Além disto, Spykman defendeu a necessidade de que os Estados Unidos reconstruíssem e protegessem a Alemanha, depois da guerra, para facilitar a "contenção" da União Soviética, como aconteceu durante toda a Guerra Fria. E defendeu também a necessidade de reconstruir e proteger o Japão, para enfrentar a ameaça futura da China, que era na época o principal aliado asiático dos Estados Unidos. Por fim, Spykman se opôs ao projeto da unificação européia, e defendeu a manutenção do equilíbrio de poder europeu, tutelado pelos Estados Unidos, como vem acontecendo cada vez mais, depois da queda do Muro de Berlim.
E com relação à América, o que foi que previu e propôs Nicholas Spykman? Sobre este ponto, chama a atenção o grande espaço que ele dedica na sua obra à discussão da América Latina, e em particular, à "luta pela América do Sul". Ele parte de uma separação radical, entre a América dos anglo-saxões e a América dos latinos. Nas suas palavras "as terras situadas ao sul do Rio Grande constituem um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos. E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina do continente tenham que ser chamadas igualmente de América, evocando uma similitude entre as duas que de fato não existe" (p:46). (1)
Em seguida, ele propõe dividir o "mundo latino" em duas regiões, do ponto de vista da estratégia americana, no sub-continente: uma primeira, "mediterrânea", que incluiria o México, a América Central e o Caribe, alem da Colômbia e da Venezuela; e uma segunda que incluiria toda a América do Sul, abaixo da Colômbia e da Venezuela. Feita esta separação geopolítica, Spykman define a "América Mediterrânea como uma zona em que a supremacia dos Estados Unidos não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado cujas chaves pertencem aos Estados Unidos.. o que significa que o México, Colômbia e Venezuela (por serem incapazes de se transformar em grandes potências ), ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos Estados Unidos" (p: 60).
Donde, qualquer ameaça à hegemonia americana na América Latina deverá vir do sul, em particular da Argentina, Brasil e Chile, a "região do ABC". Nas palavras do próprio Spykman: "para nossos vizinhos ao sul do Rio Grande, os norte-americanos seremos sempre o "Colosso do Norte", o que significa um perigo, no mundo do poder político. Por isto, os países situados fora da nossa zona imediata de supremacia, ou seja, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum ou através do uso de influências de fora do hemisfério" (p:64) E neste caso, conclui: "uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida através da guerra". (p: 62). O mais interessante é que se estas análises, previsões e advertências não tivessem feitas por Nicholas Spykman, pareceriam bravata de algum destes populistas latino-americanos, que inventam inimigos externos e que se multiplicam como cogumelos, segundo a idiotia conservadora.

(1) Spykman, N. , "America’s Strategy in World Politics", Harcourt, Brace and Company, New York,1942

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=3780&boletim_id=388&componente_id=7193