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sábado, 20 de outubro de 2007

TESTEMUNHO II/Brasil/Mentiras deslavadas sobre Toldo do Umbu

Fonte: Portal do Conselho Indigenista Missionário/19 outubro 2007

“O relator acrescentou ainda que não há indícios históricos de que a área tenha sido ocupada por etnias indígenas, "pois essas terras foram tituladas há mais de um século pelo Estado do Paraná, consideradas à época terras devolutas", explicou”.

(Deputado Valdir Colatto -Aconteceu - 18/10/2007)

O velho Otavio Belino, já curvado pela idade, não segurou as lágrimas. “Aqui eu nasci, aqui minha mãe enterrou meu umbigo e plantou esse pé de umbu”. Era um dia quente de outubro de 1976. Um grupo de velhos Kaingang retornavam ao local donde haviam sido expulsos e onde vinham fazer os Kiki, rituais de seu povo.
Na década de 50 inescrupulosos funcionários do SPI se encarregaram de fazer o trabalho sujo de retirar à força, amarrados, os últimos Kaingang que resistiram no “Toldo do Umbu”, um toldo velho na região em que milhares de anos viveram tranqüilos os Kaingang, até que os invasores chegaram. Jogados na Terra Indígena Xapecó, ali permaneceram os Kaingang, até o momento de recobrarem forças e voltarem à sua terra.

O velho Otavio Belino, juntamente com Vicente Fokei e outras velhos contaram como foi brutal a retirada deles do toldo do Umbu. Chegou o funcionário do SPI com capangas e foram jogando os pertences dos índios em cima de um caminhão. Os que se opuseram a embarcar, foram amarrados e jogados na carroceria. Foi o que aconteceu com seu Otávio, que era o capitão-cacique do grupo.

É de doer a alma ouvir de parlamentares, que no mínimo deveriam ser bem informados, virem a público vomitar tamanhas mentiras como “não há indícios históricos de que a área tenha sido ocupada por etnias indígenas”. Chega de cinismo e hipocrisia. Se querem negar aos verdadeiros donos o direito sagrado à sua terra o façam assumindo perante a história e o mundo o descaramento de estarem negando ao um povo seu direito constitucional.

Aos nobres e bravos Kaingang, minha admiração, respeito, solidariedade e total apoio à luta pela sua terra! Tomei muito chimarrão nos seus ranchos, enquanto contavam as histórias das violências, expulsões, exploração e saque de seus recursos, especialmente os grandes pinheirais. Deles recebi o nome de “Goy kupri”, pela já falta de cabelos na cabeça. Com eles aprendi a admirar a beleza e grandeza da alma simples, para quem a vida é tudo e a terra é mãe.

Certamente todos esses anos de exílio e de luta não irão cair diante da ganância inescropulosa de alguns. Se houve erros e cumplicidade por parte de governos, que esses sejam responsabilizados em resolver a questão e não fiquem privando os Kaingang a seus sagrados espaços de terra para viver com dignidade!

Egon Heck

Cimi MS

Campo Grande

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2812&eid=257

sábado, 29 de setembro de 2007

Brasil/Kurusu Ambá: mais um julgamento político?

Nota do Cimi - Conselho Indigenista Missionário

Quatro lideranças Kaiowá Guarani, presas enquanto iam buscar comida para seu povo após a retomada de seu tekoha (terra tradicional), acabam de ser condenados a 17 anos de prisão pelo juiz em substituição, César de Sousa Lima, da 2ª. Vara de Amambai, Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai.

Conforme depoimento de várias pessoas que estiveram lá por ocasião da prisão, esta ação teve participação de fazendeiros, e, na ocasião também foram presas várias crianças e mulheres, posteriormente liberadas. Conforme os depoimentos, o crime dos indígenas foi acreditar nas palavras do representante de um dos fazendeiros e caírem, assim, na armadilha maquinada por estes para justificar suas ações violentas e criminosas, onde assassinaram covardemente a Guarani Julite Lopes, de 73 anos, e feriram outro indígena.

Conforme juristas, a condenação a 17 anos de prisão é um absurdo. O crime que eles cometeram é serem índios, pobres e estarem lutando por seu pedaço de terra num estado onde 32 indígenas foram assassinados desde janeiro de 2007. A sentença do juiz, com quase nenhuma fundamentação, está permeada de interpretações prejudiciais aos acusados e não reconhece a identidade indígena destes: o juiz sequer aplicou a legislação específica para indígenas acusados de crime (Art.56 do Estatuto do Índio).

Perguntamos: por ter ocorrido a prisão na luta efetiva pela terra indígena, não é de competência da justiça federal o julgamento de tal tipo de ação? Por que a justiça é tão ágil em condenar índios, mas não julgou e condenou nenhum dos assassinos de dezenas Kaiowá Guarani assassinados na luta pela terra nos últimos anos, como Marçal, Marcos Veron, Dorival e Dorvalino?

E no caso de Julite, assassinada um dia após as prisões, em Kurusu Ambá? Por que o inquérito ainda se arrasta e talvez leve vários anos até que os assassinos sejam julgados e, talvez, punidos? E ainda o assassinato de Ortiz Lopes, da mesma terra indígena, há poucos meses?

No momento em que a Organização das Nações Unidas (ONU) aprova a Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas e o presidente Lula anuncia a demarcação das terras indígenas até o final de seu mandato, vemos mais um exemplo lamentável de criminalização de lideranças indígenas na luta pelos seus direitos, especialmente à terra.

Causa indignação e revolta a condenação de indígenas a 17 anos de prisão por estarem lutando pela sua terra.

Brasília, 26 de setembro de 2007

Cimi - Conselho Indigenista Missionário

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2774&eid=293

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Jurista Eva Golinger asegura que será difícil que EEUU abandone injerencia en Bolivia

Caracas (Venezuela), 6 septiembre (ABI) - La abogada estadounidense Eva Golinger alertó hoy que será difícil que Washington abandone sus gestiones de injerencia en Bolivia, tal como solicitó el presidente Evo Morales.

En un artículo publicado en la prensa y citado por Prensa Latina, Golinger -quien reveló documentos desclasificados estadounidenses sobre el financiamiento de la oposición en Venezuela- opinó que un esquema similar se está aplicando en Bolivia.

Precisó que la Agencia de Estados Unidos para el Desarrollo Internacional (USAID) abrió en Bolivia una oficina en 2004 para propiciar una transición, bajo el manto de reducir las tensiones en zonas de conflicto social y apoyar eventos electorales.

Agregó que la USAID contrató a la empresa estadounidense, Casals & Associates, Inc. (C&A) para manejar más de 13.3 millones de dólares otorgados ya a 379 organizaciones, partidos políticos y proyectos en Bolivia.

En Bolivia, explicó, esa oficina se enfoca en combatir e influir sobre la Asamblea Constituyente, y el separatismo de regiones ricas en recursos naturales, como Santa Cruz, Tarija y Cochabamba.

La mayoría de los 13.3 millones de dólares, dijo la jurista estadounidenses, han sido dados a organizaciones y programas para "reforzar los gobiernos regionales", con la intención de debilitar el Gobierno nacional.

Explicó que otra proyección es infiltrar en comunidades indígenas, promover el modelo capitalista e influir sobre medios de difusión con propaganda pro-estadounidense y anti-socialista.

http://www.abi.bo/index.php?i=noticias_texto&j=20070906132512&PHPSESSID=d2923da6aa8ca5823161eb48b0cde340