5 janeiro 2014, Vermelho http://www.vermelho.org.br (Brasil)
O general Magnus Malan escreve nas suas memórias que a campanha foi
uma grande vitória para as forças de defesa da África do Sul (SADF), mas a
opinião de Nelson Mandela não podia ser mais diferente: "Cuito Cuanavale
marcou a viragem da luta de libertação do meu continente e do meu povo contra o
flagelo do apartheid".
Por Piero Gleijeses*, no Diário.Info
"Nós não lutamos nem pela glória nem pelas condecorações, nós lutamos
pelas ideias que consideramos justas". -- Fidel Castro
O debate acerca do significado de Cuito Cuanavale foi intenso, em parte porque
os principais documentos sul-africanos relativos a esta operação foram
classificados. Todavia, pude consultar os documentos dos arquivos cubanos, bem
como os documentos dos Estados-Unidos. Apesar do fosso ideológico que separa
Havana e Washington, estes documentos fascinam pela sua semelhança.
Examinemos os fatos. Em julho de 1987 o exército angolano (FAPLA) lança uma
ofensiva de grande envergadura no sudeste de Angola contra as forças de Jonas
Savimbi. Constatando que esta operação se desenvolvia com sucesso, as SADF que
controlavam as zonas mais meridionais do sudoeste do país intervieram no
sudeste. No início do mês de novembro, as SADF tinham cercado as melhores
unidades angolanas na aldeia de Cuito Cuanavale e preparavam-se para as
destroçar.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas exigia a retirada incondicional das
SADF de Angola, mas a administração Reagan encarregou-se de agir de forma a que
esta exigência fosse entendida como mais uma resolução a não ser respeitada.
O secretário de Estado adjunto encarregado de África, Chester Crocker,
assinalou ao embaixador dos EUA na África do Sul: "A resolução não exige
sanções e não prevê qualquer assistência a Angola. Isto não se verifica por
acaso, é fruto dos nossos esforços para manter a resolução dentro de certos
limites".