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terça-feira, 6 de novembro de 2007

Brasil/Avanço na Rodada Doha depende da boa vontade dos Estados Unidos e União Européia, diz Amorim

Rio de Janeiro, 5 novembro 2007 - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, manifestou otimismo com relação à Rodada Doha, para a liberalização do comércio mundial. Segundo Amorim, a rodada, iniciada em 2001, no Qatar, poderá ser concluída ainda este ano, mas o sucesso nas negociações dependerá de concessões maiores por parte dos Estados Unidos e da União Européia.
“Mesmo que a Rodada Doha não seja concluída este ano, é possível chegar a um bom termo dentro de um ano ou um ano e meio. Estamos muito próximos, e falta um pouquinho de vontade política para chegarmos até o resultado final”, disse Amorim.
O ministro lembrou que três pontos, que formam um triângulo básico do diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, são essenciais para um acordo: o fim dos subsídios à agricultura, praticados principalmente pelos Estados Unidos; o acesso aos mercados agrícolas, que estaria sendo dificultado pela União Européia, e a abertura aos produtos industriais, que cabe aos países em desenvolvimento.
“O triângulo não pode ser equilátero [três lados iguais]. Tem que ser isósceles [dois lados iguais], e os dois lados maiores têm que corresponder à União Européia e aos Estados Unidos. Essa é a proporcionalidade que procuramos”, afirmou.
Após participar hoje (5) da abertura da 2ª Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional, o ministro Celso Amorim informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva irá marcar encontro, provavelmente este ano, com o presidente da Bolívia, Evo Morales, para discutir a possibilidade de retomar os investimentos em energia naquele país.
Amorim disse ainda que com taxas de crescimento em torno dos 5% ao ano, o Brasil irá precisar de mais energia, proveniente de vários lugares. “O melhor é que essa oferta venha do Brasil e de países da América do Sul”.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/11/05/materia.2007-11-05.9039275253/view

terça-feira, 30 de outubro de 2007

Venezuela: por um mundo multipolar


Martinho Júnior /Blog pagina-um/30 outubro 2007

Em finais de Outubro de 2007, no momento da assinatura de sete acordos entre a República Bolivariana da Venezuela e a República Argelina Democrática e Popular, o Presidente Hugo Chavez fez um pronunciamento que procurou sintetizar a posição daqueles que, fazendo parte das nações mais subdesenvolvidas da Terra, buscam soluções fora da “camisa de forças” imposta pelos instrumentos de domínio hegemónico dos poderosos.
“Nada devemos esperar, senão o que é realizado por nós mesmos; nós temos a solução, não podemos avançar pedindo aos países desenvolvidos que mudem eles a sua orientação, não a vão mudar, pedindo à Organização Mundial de Comércio (OMC), pedindo ao Fundo Monetário Internacional (FMI), por que eles não vão mudar, esse é o nosso ponto de vista”.
Hugo Chavez não fica pelas críticas e, empenhando o estado Bolivariano em todas as frentes, assume o exemplo das alternativas multipolares, afirmando um padrão distinto de opções, quase sempre criativas, por que dirigidas em benefício daqueles que têm historicamente sido condenados a nem sequer ter voz, muito menos possibilidades de opção.
Indica também alterações de método para se implementarem as realizações, rompendo com a psicologia da submissão e de forma a mobilizar os esforços dos que têm experimentado na carne e até à exaustão, os resultados das doutrinas e políticas que só têm conduzido a humanidade para o beco sem saída em que se encontra e agora podem ter a oportunidade de se assumir num sentido mais amplo, equilibrado e saudável para todos.
“É o momento de apurar a marcha e fortalecer os caminhos da união e da integração, para além da libertação dos povos pobres do terceiro mundo, no sentido da construção dum mundo multipolar , de paz e de solidariedade”, afirmou Chavez no acto da assinatura dos acordos.
Tirando partido da posição da Venezuela na Organização dos Países Exportadores de Petróleo, o arranque das políticas inovadoras nos relacionamentos externos, está a ser feito recorrendo a outros membros da OPEP, como a Argélia, a fim de transmitir mais coerência e força aos que se propõem ao multipolarismo, mas desde lago Chavez alerta para a necessidade de ir para além do que proporciona a OPEP, “a fim de conseguir as mudanças que necessita o mundo”.
Os acordos agora assinados com a Argélia, são resultados de múltiplos esforços e contactos, entre eles os que estão em curso com outro membro da OPEP, Angola, ou aqueles que se preparam para que o Equador adira àquela Organização.
Por essa razão, Chavez entende e expressa a necessidade de fortalecer as relações entre a América Latina e África, destacando que os países das duas regiões separadas pelo Atlântico, “poderão obter a força necessária em matéria moral,

http://pagina-um.blogspot.com/

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Portugal / Premiê luso endossa Lula em críticas a subsídios agrícolas

Lisboa, 4 Julho 2007 (Lusa) - O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, endossou nesta quarta-feira as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao peso dos subsídios da União Européia e dos Estados Unidos no setor agrícola nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC) e disse que o Brasil era o "pilar" que faltava à política européia.

Sócrates e Lula concederam entrevista conjunta à emissora de TV estatal portuguesa RTP no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, antes da 1ª cúpula entre União Européia e Brasil, considerada uma das prioridades da Presidência portuguesa do bloco europeu, que vai até o fim do semestre.

"Portugal percebeu que faltava à política européia a existência de um pilar com o Brasil. Não era possível a Europa ter um papel relevante mundial no domínio da regulação sem ter uma relação especial com o Brasil, que é um dos grandes atores mundiais", disse o primeiro-ministro luso, que assumiu a Presidência rotativa da União Européia no dia 1º.

Novos líderes políticos
Em relação ao bloqueio das negociações da OMC, assim como Sócrates, o presidente Lula se mostrou otimista em relação a um consenso, considerando que a Europa tem novos líderes políticos despontando, como Nicolas Sarkozy (França) e Gordon Brown (Reino Unido).

"Tenho mais de 62 anos de idade e mais de 40 de negociações e nunca esperei uma negociação fácil na ronda de Doha. Do ponto de vista técnico o trabalho está encerrado, mas falta a decisão política dos primeiros-ministros e dos presidentes da República", observou Lula.

"Queremos que os Estados Unidos baixem os seus subsídios agrícolas para US$ 12 bilhões (R$ 22,9 bilhões) e que a União Européia flexibilize os seus mercados no setor da agricultura. Mas tanto a União Européia como os Estados Unidos querem que o Brasil flexibilize os seus mercados ao nível da indústria e dos serviços", disse o presidente brasileiro, defendendo em seguida "uma proporcionalidade que leve em conta o Produto Interno Bruto de cada país".

Redução de subsídios
Sócrates também destacou a necessidade de identificar as questões importantes para direcionar as decisões políticas. "Procuramos uma regulação da globalização e um equilíbrio entre liberalização e incentivos ao desenvolvimento", disse o premiê luso, para quem um acordo está muito dependente "da redução dos subsídios agrícolas por parte dos países desenvolvidos".

Para Sócrates, a redução dos subsídios deverá permitir "um acesso aos mercados dos países mais desenvolvidos por parte dos menos desenvolvidos". "Isso é absolutamente justo. Há um excesso de ajudas estatais no setor agrícola dos Estados Unidos e de alguns países europeus. A compensação será uma maior abertura dos mercados dos países menos desenvolvidos aos produtos industriais."

"As negociações ainda não acabaram e a minha convicção é que um acordo comercial pode estar perto, porque é bom para todas as partes", afirmou o primeiro-ministro português.

Outras notícias

terça-feira, 3 de julho de 2007

Doha: Lula diz que acabou a subserviência aos países ricos

Vermelho / 2 DE JULHO DE 2007 - 13h22

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta segunda-feira (2) um dos seus mais duros discursos com relação à postura que o Brasil passou a adotar nas suas relações comerciais externas. Falando diretamente sobre o enfrentamento do governo brasileiro na Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), Lula ressaltou: "Pela primeira vez tivemos a coragem de não ceder às economias desenvolvidas, como Estados Unidos e União Européia".

No discurso proferido na cerimônia de comemoração dos 50 anos da Scania do Brasil, em São Bernardo do Campo (ABC paulista), Lula afirmou que seu governo fez questão de dizer, que a partir de agora as negociações serão em outro patamar. "Fizemos questão de dizer que tinha acabado aquele momento de subserviência. Queremos ser tratados em pé de igualdade", disse o presidente.

Lula fez questão de recorrer a alguns números para demonstrar que a opção do Brasil foi realmente a melhor possível. "Nos últimos três anos os EUA subsidiaram sua agricultura em US$ 15 bilhões, e somente no último ano foram US$ 11 bilhões. Além disso, eles queriam incluir uma cláusula no acordo para elevar esses subsídios para US$ 17 bilhões."

O presidente disse também que o Brasil pode fazer esse enfrentamento porque vive um momento de crescimento estabilizado. "O mundo precisa aprender que o Brasil resolveu assumir a sua grandeza política e econômica."
Ainda sobre a nova postura brasileira nas negociações internacionais, Lula disse: "Respeito é bom e nós gostamos de dar e receber". Na sua avaliação, o Brasil precisa deixar de ser pequeno, de ser a esperança do mundo e o país do futuro. "Chega de ser um monte de adjetivos que nunca se concretizaram, nos agora vamos concretizar". (Vermelho /Da redação, com agencias)

sábado, 30 de junho de 2007

Chile reafirma vontade de trabalhar com Brasil nas negociações da OMC, diz ministro brasileiro

Carolina Pimentel / Enviada especial / Agência Brasil


Assunção (Paraguai), 29 Junho 2007 - O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse hoje (29) que o governo chileno reiterou que pretende trabalhar com o Brasil nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC).

"Foi uma reiteração do interesse de trabalhar junto com o Brasil na questão da OMC e de que qualquer iniciativa que não contemple isso deveria ser parada", afirmou Amorim, ao relatar o encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a colega chilena, Michelle Bachelet, nesta manhã.


Há cerca de duas semanas, o Brasil e a Indía suspenderam o diálogo com os Estados Unidos e a União Européia sobre a redução dos subsídios agrícolas, tema principal da Rodada Doha da OMC. Os quatro fazem parte do G 4, grupo que vinha liderando as negociações na rodada.


Para Amorim, é preciso que os países participem das negociações para evitar a "falsa expressão" de que algumas posições são exclusivas do Brasil e da Indía. "Quando, na realidade, um grupo maior de países tem a mesma posição", ponderou.


"O que existe é que nós fomos os primeiros a sair da OMC e dizer que o papel do G 4, no momento, está morto. Se não está morto, está em hibernação".


http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/06/29/materia.2007-06-29.6365481036/view

sábado, 23 de junho de 2007

Lula culpa ricos por fracasso em Doha; Bush critica o Brasil

A saída do Brasil e da Índia da reunião do G-4, em Potsdam, Alemanha, provocou uma troca de acusações entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e George W. Bush, cada um responsabilizando o outro lado pelo bloqueio ao acordo agrícola da Rodada Doha. Lula lamentou o fracasso das negociações e culpou "o lado de lá" – os norte-americanos e os europeus. Lula não expressou qualquer arrependimento com a decisão tomada por Brasil e Índia de abandonar as negociações no âmbito da OMC.

Em Washington, o porta-voz da Casa Branca declarou nesta quinta-feira (21) que Bush ficou "desapontado" com o fracasso da reunião em Potsdam. O presidente norte-americano culpou Brasil e a Índia pelo insucesso do encontro. "O presidente está desapontado com certos países que estão bloqueando uma oportunidade de expandir o comércio global", afirmou o porta-voz da Casa Branca, Tony Fratto.

"Grandes economias como Brasil e Índia não deveriam ficar no caminho do progresso das nações pequenas, das (nações) pobres em desenvolvimento - mas isso parece que foi o que aconteceu na Alemanha nesta semana", disse Fratto. Ele disse que os Estados Unidos mostraram flexibilidade nas negociações comerciais na Alemanha, mas o acordo proposto não foi "o mais interessante para os Estados Unidos e certamente ninguém no Congresso dos EUA poderia esperar que concordássemos".

Para Lula, Brasil fez o possível
Lula foi avisado da decisão por um telefonema do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. O presidente estava em Belo Horizonte, participando da entrega de obras. "Acho que o Brasil agiu bem", disse ele a seus interlocutores, segundo apurou o Valor. "Não deu, não houve acordo, mas acho que fizemos o possível. A intransigência está do lado de lá."
O presidente referiu-se às dificuldades da União Européia e dos Estados Unidos em ceder mais na questão dos subsídios e do protecionismo ao setor agrícola. "Fomos até o limite que era possível para nós. Mais do que isso, era impossível", afirmou o presidente.

Lula estava otimista quanto ao êxito da Rodada Doha, mas sempre considerou que os países emergentes já haviam cedido o bastante. Além disso, criticava a ausência de contrapartidas por parte de norte-americanos e europeus.

Posição da União Européia
A expectativa do Brasil é de acelerar acordos bilaterais, se a Rodada Doha fracassar de vez. O principal acordo envolve o Mercosul e a União Européia. Mas nesta quinta-feira mesmo, no rastro do fiasco de Potsdam, a comissária européia de Agricultura, Mariann Fischer Boel, foi incisiva. Numa mensagem indiretamente endereçada ao Brasil, avisou que os ganhos no bilateral não vão chegar ao que se poderia ganhar com a negociação de Doha.

"A UE estava preparada para cortar em mais de 50% as tarifas, eliminar subsídios à exportação até 2013, reduzir em mais de 70% os subsídios domésticos. É claro que não vamos alcançar o mesmo nível no bilateral"', disse. Indagada depois se era tempo de retomar logo a negociação UE-Mercosul, disse que isso está previsto de todo jeito.

Fischer Boel exemplificou que, na Rodada Doha, só o tamanho do acesso adicional de carne bovina ao seu mercado seria maior do que toda a exportação argentina do produto. A idéia, segundo negociadores, era de jogar a exportação que o Brasil, Argentina e outros fazem extra-cota, com tarifa maior, para uma cota, com tarifa menor. Mas o tamanho da cota é muito inferior ao que os exportadores demandam e negociadores dizem que os europeus exageram no impacto do que oferecem.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Brasil reúne G-20 e aguarda disputa entre Canadá e EUA

O Brasil reúne nesta segunda-feira (11) ministros do G-20 em Genebra, ao mesmo tempo em que se prepara para entrar na disputa que o Canadá deflagrou contra os subsídios agrícolas dos Estados Unidos, na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Num momento decisivo da Rodada Doha, os canadenses denunciaram os EUA por violarem as regras globais com subsídios domésticos excessivos a seus agricultores e pagamento ilegal de subvenções à exportação. O pedido de painel (comitê de investigação) será examinado pela OMC no dia 20.

No dia 19, os ministros do Brasil, EUA, União Européia e Índia começarão uma reunião em Potsdam, na Alemanha, que pode durar toda a semana, para a barganha final sobre um entendimento agrícola e industrial entre eles, ou empurrar a Rodada Doha para os próximos anos.

Representantes do Canadá confirmam que sua ação contra os EUA visa influenciar a negociação agrícola na OMC, onde os americanos continuam sob pressão para reduzir seus subsídios agrícolas que mais distorcem o comércio. Querem também influenciar na futura lei agrícola americana que determina o total dos gastos pelos próximos cinco anos no setor.

As articulações aumentam em Genebra, na tentativa de salvar a negociação global de comércio. Confiante, o presidente Lula disse na Alemanha que o acordo está "por um fio". O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comandará hoje reunião dos ministros do G-20. O grupo reitera que a agricultura é central e está pronto a negociar. Também nesta segunda-feira serão discutidas opções na negociação de produtos industriais. (Vermelho / Fonte: Valor Econômico / 11 Junho 2007)

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