Quando
foram publicadas , nesta semana, notícias de que a Polícia Federal prendeu
quatro suspeitos de hackear o Telegram de várias autoridades brasileiras e de
enviar parte desse material ao Intercept, muitos de nossos
leitores se perguntaram: qual o efeito que isso terá no jornalismo que estamos
produzindo a partir desse arquivo?
A
resposta, em uma palavra, é: nenhum. Não terá efeito nenhum.
O
interesse público na divulgação desse material era óbvio desde o princípio:
esses documentos revelam más condutas sérias e sistemáticas – e, o que nos
parece claro, flagrantes ilegalidades – por parte do então juiz, agora ministro
da Justiça, Sergio Moro, bem como do coordenador da operação Lava Jato Deltan Dallagnol
e de outros procuradores da força-tarefa. As impropriedades cometidas por Moro
e pelos demais e expostas pelas reportagens do Intercept são tão sérias que
levaram alguns dos maiores aliados de Moro a abandoná-lo
e exigir sua renúncia uma semana depois da publicação das primeiras
matérias.
À medida
em que novas revelações foram sendo publicadas – pelo Intercept e por nossos
parceiros jornalísticos – eles recorreram à mesma tática empregada por
autoridades no mundo todo quando vêem sua corrupção sendo revelada pela
imprensa: distrair a atenção de seus atos, demonstrados pelas
