Mostrando postagens com marcador Christina Kirchner. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Christina Kirchner. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Abya Yala*/World usurers prepare to strangle Argentina


2019/09/01, Strategic Culture Fund (Russia) https://www.fondsk.ru/news/2019/09/01/mirovye-rostovschiki-gotovjatsja-dushit-argentinu-48912.html

Valentin KATASONOV

Russia and Argentina may be on one side of the barricades

Argentina is a prime example of what money-lenders can do with a country if the country falls into their network. Today it is difficult to imagine that at the beginning of the twentieth century Argentina was one of the richest countries in the world. She was especially popular during the years of Peron's presidency (1946-1955). At that time, a severe economic reform was carried out in the country in the interests of workers, which limited the appetites of local and foreign capital. As a result, Peron was overthrown by the efforts of the United States.

After that, a military dictatorship was established in the country. In the period 1975-1990. the economy of Argentina was the so-called great depression. Since the late 80s, the domestic political situation seems to have normalized, and liberalization of the state’s economic policy has begun. Reforms were carried out with the active participation of Minister of Economy Domingo Cavallo and IMF advisory assistance. The doors were opened for foreign (primarily American) capital, the markets were completely deregulated, all barriers to merchandise imports were removed, the currency management regime was

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

MENSAGEM DA AMÉRICA LATINA AO MUNDO ÁRABE


Legenda da foto: Hoje presidenta do Brasil, Dilma Rousseff foi torturada em 1970 pela junta militar que governava o país [Ricardo Amaral]

10 dezembro 2011/Instituto João Goulart http://www.institutojoaogoulart.org.br (Brasil)

Pepe Escobar, Al-Jazeera, Qatar


Olhem bem essa foto de 1970.

Essa moça de 22 anos está diante de um bando de inquisidores subtropicais, para ser interrogada.

Foi torturada com choques elétricos e sofreu simulação de afogamento – práticas que, para Dick Cheney, são apenas “interrogatório estimulado” – durante 22 dias.

E não cedeu.

Hoje, essa mulher, Dilma Rousseff, é presidenta do Brasil – aquele perene “país do futuro”, a 7ª maior economia do mundo (à frente de Grã-Bretanha, França e Itália), país-membro dos BRICS, mestre de um soft power que vai além da música, do futebol e da alegria de viver.

Essa foto acaba de ser divulgada, como parte de uma biografia de Rousseff, exatamente quando o Brasil afinal cria uma Comissão da Verdade, para saber o que realmente aconteceu durante a ditadura militar (1964-1985). A Argentina já fez esse trabalho, bem antes do Brasil – julgando e punindo os inquisidores de uniforme sobreviventes.

Esse sábado, Rousseff estará em Buenos Aires, para a cerimônia de posse de Cristina Kirchner, reeleita presidenta da Argentina. Esses dois países chaves da América do Sul têm mulheres na presidência. Contem lá àquele Tantawi da junta que governa o Egito – ou àqueles exemplares paradigmáticos de democracia da Casa de Saud.

Essas coisas demoram...

Os egípcios talvez não saibam que os brasileiros tiveram de esperar 21 anos para livrarem-se de uma ditadura militar. Equivalentes de Dilma, a que não quebra e que se vê na foto dos anos 1970s, hoje da geração Google, estão lutando por melhor democracia, do Cairo a Manama, de Aleppo ao leste da Arábia Saudita.

Liberdade é o nome que se dá ao que resta quando já nada se tem a perder – além de tempo, muito tempo. No Brasil, uma verdadeira democracia estava começando a avançar, quando, em 1964, foi esmagada por um golpe militar ativamente supervisionado por Washington. O coma durou duas longas décadas.

Então, nos anos 1980s, os militares decidiram dar um pequeno passo, numa transição em ritmo de lesma, “lenta, gradual e segura” (segura para eles mesmo, claro) na direção de alguma democracia. Mas foi a rua – ao estilo da Praça Tahrir – que finalmente fez a coisa andar adiante.

O fortalecimento das instituições democráticas demorou mais uma década – e incluiu impeachment, por corrupção, de um presidente eleito. E passaram mais oito anos, para que um presidente eleito – o presidente Lula, imensamente popular, que Obama reverenciou como “o cara” – abrisse o caminho para Dilma Roussef.

A estrada foi longa, até que um dos países mais desiguais do mundo – governado por séculos por uma elite arrogante e corrupta, que só tinha olhos para o Norte rico – afinal consagrasse a luta pela inclusão social como questão essencial da política nacional.

O progresso no Brasil foi semelhante ao de várias outras partes da América do Sul.

Semana passada alcançou-se um clímax parcial, quando a nova Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe (conhecida pela sigla CELAC, em espanhol), reuniu-se em Caracas. A CELAC começou como ideia luminosa ante a emergência – num novo sistema-mundo, como diria Immanuel Wallerstein – de uma nação latino-americana integrada, baseada na justiça, no desenvolvimento sustentável e na igualdade. Dois homens foram essencialmente importantes nesse processo: o presidente Lula do Brasil e o presidente Hugo Chavez da Venezuela. A visão desses dois convenceu todos, do presidente Pepe Mugica do Uruguai, ex-guerrilheiro, ao presidente do Chile, Sebastian Piñera, banqueiro.

Assim, hoje, em meio à crise agônica que consome o Norte Atlanticista, a América Latina surge como possibilidade de uma verdadeira ‘terceira via’ (que nada tem a ver com o que Tony Blair inventou).

Enquanto a Europa – onde o Deus Mercado governa – constrói meios para miserabilizar cada vez os povos europeus, a América Latina acelera no seu impulso rumo a inclusão social cada vez mais ampla.

E, enquanto virtualmente todas as latitudes, do Norte da África ao Oriente Médio sonham com democracia, a América Latina pode, realmente exibir os frutos, duramente buscados, de suas conquistas democráticas.

Não percam o foco, não esperem presentes caídos do céu

A CELAC é aposta poderosa nas possibilidades do diálogo sul-sul. Será dirigida, nesse estágio inicial, por Chile, Cuba e Venezuela.

Pepe Mugica, presidente do Uruguai e ex-líder dos guerrilheiros Tupamaro, disse, muito claramente em Caracas, que a estrada, até que se alcance o sonho da integração latino-americana não será um mar de rosas. Inúmeras batalhas ideológicas ainda terão de ser lutadas, antes que tome forma algum projeto político e econômico amplo.

A CELAC complementa a UNASUR – União Latino-americana – que o Brasil domina. A UNASUR também está começando; por hora, é, essencialmente, um fórum.

E há também o MERCOSUL – mercado comum de Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, ao qual, em breve, a Venezuela também se integrará. Em Caracas, Dilma e Cristina selaram a futura integração com Chavez.

O principal parceiro comercial do Brasil é a China; antes, foram os EUA. Em breve, a Argentina alcançará a posição de segundo principal parceiro comercial do Brasil – deixando os EUA para trás. O comércio dentro do MERCOSUL está crescendo rapidamente – e mais ainda crescerá com a incorporação da Venezuela.

Não que faltem obstáculos no caminho da integração. O Chile prefere acordos bilaterais. O México olha, sempre antes, para o norte – por causa do NAFTA. E a América Central está convertida em virtual satrapia dos EUA, por causa do CAFTA.

Mesmo assim, a UNASUR acaba de aprovar projeto estratégico crucialmente importante em termos geopolíticos: uma rede de 10 mil quilômetros de fibra ótica, administrada por empresas estatais locais, para livrar-se da dependência dos EUA.

Atualmente, nada menos que 80% do tráfego internacional de dados na América Latina viajam pelos cabos submarinos até Miami e a Califórnia – duas vezes a porcentagem da Ásia e quatro vezes a da Europa.

As taxas cobradas pela Internet na América Latina são três vezes mais caras que nos EUA. Nessas condições, é difícil falar de soberania e integração.

Washington – que exporta três vezes mais para a América Latina que para a China– está e terá de continuar focada em outros pontos: na Ásia, continente ao qual o governo Obama tanto se empenha para vender a agenda do “Século do Pacífico”.

A verdade é que Washington – como as várias direitas latino-americanas – nada tem a propor aos povos da América Latina, nem em termos políticos nem em termos econômicos. Portanto, cabe aos latino-americanos aperfeiçoar suas democracias, fazer avançar a integração regional e construir modelos de democracia social que se possam apresentar como alternativas ao velho neoliberalismo hardcore.

Por um desses truques do Anjo da História, de Walter Benjamin, talvez seja hora, agora, de os latino-americanos partilharem sua experiência com os irmãos e irmãs do Oriente Médio, no sul global.

Que a estrada é longa, é. Começa com uma moça de 22 anos, que não baixou a cabeça frente à ditadura e aos ditadores.
E é caminho adiante, sem volta.

sábado, 27 de setembro de 2008

Brasil/QUARTA FROTA E A "GUERRA" DO PRÉ-SAL

Só os ingênuos e os entreguistas, muitos deles bancados pela mídia, não vêem na Quarta Frota um grave risco à soberania nacional e à integração regional.

25 setembro 2008/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br


Altamiro Borges *

Diante de quase dois mil operários da indústria naval que trabalham na construção da Plataforma P-53 da Petrobras, em Rio Grande (RS), o presidente Lula reforçou as suspeitas de que o recente relançamento da Quarta Frota Naval dos EUA tem como objetivo disputar o petróleo da camada pré-sal descoberto no litoral brasileiro. O duro discurso, realizado no dia 18 de setembro, indica que o país superou a deprimente fase do “alinhamento automático” com os EUA, imposto pelo servil FHC, e que crescem as tensões diante do "império do mal". Dois dias antes, Lula já havia dado apoio ao presidente Evo Morales na expulsão da Bolívia do embaixador norte-americano Philip Goldberg.

“A Marinha joga um papel importante para proteger o nosso pré-sal, porque os homens já estão aí com a Quarta Frota, quase em cima do pré-sal... A Marinha tem que ser a guardiã das nossas plataformas em alto-mar, porque daqui a pouco chega um espertinho aqui e fala ‘o petróleo é meu, está tudo no fundo do mar mesmo’”, atacou. Após o discurso, durante entrevista coletiva, Lula explicitou seus temores: “Eu já tive a oportunidade de conversar com o presidente Bush sobre a Quarta Frota... Eles dizem que não é nada, que é apenas para pesquisa, mas de qualquer forma estamos preocupados porque é muito próximo da fronteira marítima brasileira”.

Escalada militarista dos EUA

Só os ingênuos e os entreguistas, muitos deles bancados pela mídia, não vêem na Quarta Frota um grave risco à soberania nacional e à integração regional. Criada em 1943, visando derrotar a esquadra nazista no Atlântico Sul, esta força especial foi desativada em 1950. Agora, num gesto provocador, ela foi reativada em 12 de julho. A Quarta Frota é composta por 22 navios: quatro cruzadores com mísseis, quatro destróieres com mísseis, 13 fragatas com mísseis e um navio hospital. “Segundo as autoridades usamericanas, o seu objetivo é ‘realizar ações humanitárias’. Então, para que tantos mísseis?”, ironiza o teólogo da libertação Frei Betto.

Na prática, a Quarta Frota reflete uma nova escalada militarista dos EUA na América Latina. O “império do mal” teme o avanço das forças de esquerda no seu “quintal” e está de olho nas suas riquezas naturais, principalmente no pré-sal. James Stavrides, chefe do Comando Sul, confessou que o aparato bélico visa “ganhar corações e mentes das populações desta região”. Já o diretor de operações navais, Gary Roughead, garantiu que servirá no “combate ao terrorismo”. Tanto que o comandante da Quarta Frota, o contra-almirante Joseph Kernan, nunca fez carreira na marinha, mas sim na força de elite (Seal), destinada às sinistras “operações não-convencionais” dos EUA.

Fidel, Frei Betto e Socorro Gomes

Fidel Castro foi o primeiro a denunciar os intentos imperialistas. Ele lembrou que o anúncio da Quarta Frota ocorreu em abril, poucas semanas após a Colômbia invadir o território do Equador, “com armas e tecnologias dos EUA”. Também citou as ações separatistas do embaixador ianque na Bolívia. Para ele, a retomada das operações navais visa intimidar os governos progressistas da América Latina e abortar o atual processo de integração regional. “Os porta-aviões e as bombas nucleares que ameaçam nossos países servem para semear terror e morte, e não para combater o terrorismo. Deveriam servir ainda para envergonhar os cúmplices do império”.

Frei Betto criticou os que crêem na missão pacífica desta força bélica. “Não é muita coincidência a Quarta Frota ser reativada no momento em que Cuba aprimora a sua opção socialista, Ortega volta a presidir a Nicarágua, o Brasil descobre reservas petrolíferas sob a camada de sal, e a América do Sul é governada por pessoas como Chávez, Lula, Correa, Kirchner, Morales e Lugo, que não morrem de amores por Tio Sam e se empenham em reduzir a dependência de seus países em relação aos EUA?”. Já a presidente do Conselho Mundial da Paz, Socorro Gomes, alertou para a militarização da América Latina. “O governo Bush intenta dar vigência no continente aos pressupostos da guerra preventiva, uma doutrina fascista a serviço do terrorismo do Estado”.

A questão estratégica do pré-sal

Agora é o presidente Lula que coloca o dedo na ferida ao afirmar que a recriação da Quarta Frota objetiva abocanhar as reservas petrolíferas de pré-sal do Brasil. Circulam boatos em Brasília que o comando militar dos EUA estaria questionando as 200 milhas da nossa costa marítima. A grave crise econômica ianque, que tem um forte componente energético – o país é o maior importador mundial de petróleo –, teria atiçado a gula do governo e das corporações imperialistas. O sinal de alerta soou já nas Forças Armadas, o que explicaria o duro recado de Lula diante de uma platéia de dois mil operários da indústria naval. Motivos para temores não faltam.

Desde novembro passado, quando se anunciou a descoberta da megajazida de petróleo na Bacia de Santos, batizada de Tupi, a questão energética assumiu um papel ainda mais estratégico para o futuro do país. Na sequência, descobriu-se que as reservas se estendem do Espírito Santo a Santa Catarina, cobrindo uma área aproximada de 160 mil quilômetros quadrados. A descoberta passou a ser chamada de pré-sal, já que o petróleo está retido a sete mil metros abaixo da superfície nas entranhas rochosas. Tido como de alta qualidade, o petróleo está enterrado sob três quilômetros de água, mais dois quilômetros de rocha e outros dois quilômetros de crosta de sal.

As megajazidas, que podem estar interligadas num único campo, teriam capacidade de produzir de 70 bilhões a 100 bilhões de barris de óleo. O Brasil, que atualmente ocupa o 24o lugar entre as maiores reservas petrolíferas do planeta, pularia para oitavo ou nono posto – posições ocupadas hoje por Venezuela e Nigéria. Em valores monetários, tomando como base o barril a US$ 100, haveria sob o sal um tesouro de US$ 9 trilhões, quase o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Todo este potencial, como alertou o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, pode ser uma “benção ou uma maldição” para o país. A Quarta Frota, com sua alta carga explosiva, sinaliza para o pior.

* Altamiro Borges é jornalista

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/quarta-frota-e-a-guerra-do-pre-sal