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quinta-feira, 9 de junho de 2016

Perú/DERROTA DO FUJIMORISMO



6 junho 2016, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

Os Editores

Pedro Pablo Kuzcynski (77 anos) é o presidente eleito do Peru.

Foi uma vitória tangencial obtida na reta final da campanha. Há oito dias as sondagens atribuíam à adversária, Keiko Fujimori, cinco a sete pontos de vantagem. Mas nos últimos dias graves acusações sobre o financiamento da sua campanha por mafias do narcotráfico e grandes manifestações de protesto na capital arruinaram a sua candidatura. Segundo os números oficiais divulgados ate ao momento em que escrevemos, perdeu por uma diferença de apenas 1%.

Keiko que nas últimas eleições fora muito criticada por exigir a libertação do pai, que cumpre sentença de 25 anos de prisão, absteve-se desta vez de abordar o tema.

Mas a sua campanha foi desde o início apoiada pelo fujimorismo. Ela manteve-se sempre solidária com o pai após a prisão e condenação por corrupção e crimes contra a humanidade durante uma ditadura brutal. Alberto Fujimori foi nomeadamente responsabilizado pela esterilização de 370.000 mulheres.

Keiko distanciou-se da mãe, Suzana, que acusou Fujimori de a mandar encarcerar e submeter à tortura. Um dos irmãos tomou

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Brasil/BANIDA PELA DITADURA, FILOSOFIA VOLTA AO CURRÍCULO ESCOLAR


3 abril 2011/Vermelho http://www.vermelho.org.br

A filosofia vai voltar, na prática, para o conteúdo curricular dos alunos de ensino médio, depois de 47 anos fora dos currículos das escolas de educação básica no país. No ano que vem, as escolas da rede pública receberão pela primeira vez, desde a ditadura, livros didáticos da disciplina para orientar o trabalho dos professores. Foi o regime militar que baniu a filosofia das escolas.

Em 2008, uma lei trouxe de volta a filosofia e a sociologia como disciplinas obrigatórias para os estudantes do ensino médio. A professora Maria Lúcia Arruda Aranha ensinava filosofia em 1971 quando a matéria foi extinta pelo governo militar. Hoje, é uma das autoras dos livros que foram selecionados para serem distribuídos aos alunos da rede pública pelo Programa Nacional do Livro Didático (PNLD).

“Ela desapareceu [a filosofia nas escolas] na década de 70 e reapareceu como disciplina optativa em 1982. Mas, nesse meio tempo, eu continuava dando aula em escola particular. A gente ensinava, só que o nome da matéria não podia constar como filosofia”, lembra.

Ela avalia que o país “demorou demais” para incluir as duas disciplinas novamente entre as obrigatórias e ainda falta “muito chão” para que elas sejam ministradas da forma adequada. Ainda faltam professores formados na área já que, por muito tempo, não havia mercado de trabalho para os licenciados e a procura pelo curso era baixa. Em 2009, 8.264 universitários estavam matriculados em cursos superiores de filosofia – 78 vezes menos do que o total de alunos de direito.

Muitas vezes são profissionais formados em outras graduações como história ou geografia que assumem a tarefa. Os livros didáticos devem ajudar a orientar os docentes no ensino da filosofia. “O livro é muito importante porque dá uma ordenação do conteúdo e propõe como o professor pode trabalhar os principais conceitos, como o que é filosofia e a história da filosofia. Mesmo o aluno formado na área, às vezes, não está acostumado a dar aula para o ensino médio, não tem dimensão de como chegar ao aluno que nunca viu filosofia na vida”, explica.

A história da filosofia, as ideias dos principais pensadores como Platão, Kant e Descartes, servem de base para ensinar aos jovens conceitos básicos como ética, lógica e política. Mas Maria Lúcia ressalta que é muito importante conectar o conteúdo com a realidade do aluno para que ele “aprenda a filosofar”.

“O professor deve apresentar o texto dos filósofos fazendo conexões com a realidade daquele tempo em que o autor vive, mas também estimular o que se pensa sobre aquele assunto hoje. Isso desenvolve a capacidade de conceituação e a competência de argumentar de maneira crítica. Ele aprende a debater, mas também a ouvir”, compara. (Fonte: Agência Brasil)

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Moçambique/Faculdade de Filosofia arranca em Fevereiro

22 dezembro 2009/Notícias

A projectada Faculdade de Filosofia da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) entra em funcionamento em Fevereiro próximo, segundo garantias dadas pelo respectivo Reitor, Filipe Couto.

Um memorando de entendimento com vista à concretização deste plano foi ontem rubricado por Filipe Couto e pelo Bispo da Diocese dos Libombos, Dom Dinis Sengulane. Assim, a Diocese dos Libombos passa a acolher a Faculdade de Filosofia nas suas instalações, no recinto da Escola Anglicana São Cipriano.

Falando no acto da assinatura que formaliza esta vontade, o Reitor da UEM disse que já era necessária a criação daquela faculdade numa altura em que o país precisa de jovens munidos de ferramentas suficientemente sólidas para, segundo disse, catalogar a realidade.

“Estando no ano Eduardo Mondlane, há necessidade de fazer com que os jovens comecem a pensar em factos. Por exemplo, fala-se da corrupção, transparência, pobreza, riqueza mas é preciso conhecer a realidade, e saber, acima de tudo, no que as pessoas acreditam”, disse.

A parceria entre a Universidade Eduardo Mondlane e instituições religiosas não é nova. Num passado não distante, um acordo similar foi assinado com a Comunidade Maometana, que cedeu espaço num estabelecimento de ensino, onde funciona a Escola de Comunicação e Artes.

Para Dom Dinis Sengulane, Bispo dos Libombos, o acto ora testemunhado é a concretização de um desejo antigo de, formalmente, a igreja que representa dar o seu contributo no ensino superior em Moçambique, promovendo a dignidade humana através do alargamento do conhecimento.

“Sendo este o ano Eduardo Mondlane, a Igreja Anglicana introduz neste mesmo ano, em seu património, o nome Eduardo Mondlane, dando assim o seu contributo de honrar o arquitecto da unidade nacional, numa instituição de relevo na vida anglicana, ainda que humilde. O nome Mondlane não nos é alheio, anglicanamente falando”, disse Sengulane.

A Universidade Eduardo Mondlane já realizou inscrições para os exames de admissão referentes ao ano académico de 2010 sem, no entanto, contemplar a nova Faculdade. Sobre o procedimento a dar, Couto disse que será aberta uma excepção no sentido de se realizarem exames de admissão para o curso de Filosofia e posterior arranque do curso que, numa primeira fase, não terá mais do que cem estudantes.

Esta e a primeira vez na história da Universidade Eduardo Mondlane que se tem Filosofia como curso. Segundo o reitor, existe capacidade de resposta em termos de docentes para darem início às aulas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Espanha/PARA UM ESTADO DE SÍTIO PERMANENTE COM OS IMIGRANTES

Essa política pública anti-imigrante, inspirada na filosofia do Estado de Sítio, terminará deteriorando as debilitadas bases da convivência pacífica

Jubenal Quispe *

2 março 2009/Brasil de Fato http://www.brasildefato.com.br

“Senhor(a), boa noite, me apresenta seus documentos, por favor”, é a saudação sacramental que aterroriza aos imigrantes indocumentados nos espaços públicos de Madrid.
“Quando escutei dita saudação, fiquei gelada por um momento. Agachada, tentei convencer-me por um instante que não se dirigiam a mim. Mas não havia ninguém mais ao meu redor. Então, fui custodiada a passar a noite na prisão de Carabanchel e ganhei uma carta de expulsão”, comenta uma boliviana indocumentada, que trabalha em uma casa, de doméstica, cuidando de anciãos. “Fico com os idosos por cerca de 17 horas diárias, seis dias por semana e doze meses por ano, sem contrato, nem segurança social. Em troca, me pagam 650 euros mensais”, comenta a entrevistada. Ela faz parte dos 70% de bolivianos/as em situação de indocumentados na Espanha.
Enquanto isso ocorre, há dias saiu à luz pública a obrigatoriedade imposta aos policiais de cumprir com cotas de detenção de imigrantes. Um policial denunciava: “Estão nos obrigando deter uma determinada quantidade de imigrantes indocumentados nos diferentes municípios. Se cumprimos com as cotas, nos dão, como prêmio, dias livres”.
Na Espanha existem cerca de um milhão e meio de imigrantes indocumentados. Muitos deles ingressaram no país quando a demanda de trabalhadores se multiplicou de 12 a 20 milhões em questão de 13 anos (1994-2007, especialmente nos últimos anos). Então, se necessitavam de braços e pernas para mover a indústria nacional e o setor da construção. O controle policial nos aeroportos e nas fronteiras do sul, nesse momento, era só uma simulação.
Segundo o informe oficial do Escritório Econômico do Presidente, de 2006, “30% do crescimento do PIB da última década pode ser atribuído ao processo de imigração, e essa porcentagem se eleva até 50% se a análise se limita aos últimos cinco anos”. Aqui, a referência é só a economia formal. A exploração do imigrante na economia informal e nos serviços domésticos não entra nos dados contábeis do Estado. E são as trabalhadoras domésticas que mantêm o envelhecido Estado de Bem-Estar, agora em situação de mal estar, não só porque este não lhes paga seguro algum, senão porque cuidam, quase gratuitamente, de sua população envelhecida. Além disso, liberam a muitas mulheres espanholas das tarefas domésticas para que estas colaborem com o Estado. Será que expulsarão todas as trabalhadoras domésticas e todos os imigrantes indocumentados, com cujos trabalhos não pagos algumas empresas compensam suas perdas econômicas nestes tempos de crise?
Agora que a bolha do milagre da economia espanhola, baseada na fé no tijolo, se desinflou, a caça dos imigrantes indocumentados se constitui praticamente em uma política pública, sem a existência de uma justificativa ética ou coerência argumentativa.
Aqui não existe um mínimo de respeito aos direitos fundamentais reconhecidos na Constituição Política. Onde está o direito à livre locomoção que o Estado espanhol exige a seus similares do sul? Onde está o direito ao devido processo para os detidos nos Centros de Internamento para Estrangeiros? Por que os deixaram entrar no país se o Estado espanhol sabia que os do sul não vinham fazer turismo no norte? “Chamaram os imigrantes, com ou sem documentos, e os espremeram por igual, até convertê-los em dejetos sócio-trabalhistas. E, agora, a polícia persegue esses remanescentes do deficitário mercado trabalhista espanhol, buscando um prêmio ao melhor caçador. Você não acha que estamos diante de uma versão pós-moderna do circo romano? Onde está o Estado de Direito?
Essa política pública anti-imigrante, inspirada na filosofia do Estado de Sítio, terminará deteriorando as debilitadas bases da convivência pacífica. Se está atiçando o fogo da xenofobia contra o outro diferente e alimentando guetos étnicos na Espanha multicultural. Debaixo dessa lógica política, mais cedo ou mais tarde, a Europa desandará pelas históricas rotas da aniquilação.
Essa situação deveria preocupar a todos/as. Estamos assistindo à emergência de um Estado de exceção permanente. Um contexto no qual as garantias constitucionais são suprimidas e se concedem os direitos segundo as condições ideológicas, de origem, de gênero etc. Agora são os imigrantes, amanhã serão as mulheres, os bascos ou os catalãos. Aqui, não se reconhecem mais os direitos e as garantias das pessoas justamente por serem pessoas, mas sim com base em suas condições!

* Jubenal Quispe é advogado e ativista boliviano

http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/analise/espanha-2013-para-um-estado-de-sitio-permanente-com-os-imigrantes

terça-feira, 17 de junho de 2008

Brasil/Detentos fazem curso de graduação em Teologia e Filosofia

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina
www.adital.com.br

16 junho 2008

Uma carta endereçada ao diretor do Instituto de Ciências da Religião (Icre), Pe. Luis Sartorel, mudou a realidade de seis homens. O autor da carta, o nigeriano Cornelius - preso por drogas - era detento do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira (IPPO) II, em Fortaleza, Ceará, e enviou a carta porque estava interessado em fazer um curso de filosofia.

Ele prestou vestibular para o Icre e foi aprovado, mas a falta de carros e de policial para acompanhar impediam a freqüência dele nas aulas. Sartorel, com a ajuda da Pastoral Carcerária, entrou, então, em contato com a direção do IPPO II e com a Secretaria de Segurança Pública do Estado do Ceará para a realização de um curso de graduação em Teologia e Filosofia dentro do Instituto.

Tudo foi organizado, o vestibular foi feito e o sonho de estudo de um preso pôde ser ampliado para outros cinco. O curso, que é completamente regularizado junto ao Ministério da Educação (MEC), já está em no 4º semestre, dos oito que serão necessários para o diploma. Agora, ele terá continuidade fora das grades do IPPO II, pois os seis estudantes já estão em liberdade.

Em entrevista à Adital, o Pe. Luis contou do aprendizado duplo que é a realização do curso, já que os professores também aprendem muito ao trabalhar com os presos, e destacou a dificuldade e a complicação que é "falar de Deus e de liberdade dentro da cadeia". É preciso um "esforço para rever parâmetros", acrescentou ele.

A grade curricular e os horários tiveram que ser adequados aos horários do IPPO II. Assim, as aulas foram dadas no período da manhã, em módulos, até que fossem completas as 60 horas aulas necessárias de cada disciplina. O curso, que é financiado pela Conferência Episcopal Italiana, pode ter uma nova turma. O Icre está negociando com a Secretária de Segurança Pública essa possibilidade. A expectativa é que a nova turma tenha cerca de 15 alunos.

Em um espaço em que a violência, o "quem pode mais", o "quem chega primeiro" dão as cartas, o aprendizado tem uma força ainda mais significativa. "Os valores de referência se mantiveram os mesmos, num lugar em que as referências são outras", disse Pe. Sartorel. Com as aulas, os presos não aprenderam só lições acadêmicas, mas também a resgatar a dignidade, a auto-estima, a sensação de "ser gente.

Poder de transformação que foi além dos estudantes, alcançou às famílias, com as quais foi feito um trabalho de acompanhamento. O curso tornou-se, assim, uma base de sustento dentro da cadeia - um lugar marcado pela desesperança. Nesse sentido, Pe. Luis critica os sistemas penitenciários, de todo o mundo quando indaga "qual o sistema penal que resgata as pessoas?". Esta iniciativa prova que quando se tem os instrumentos, as pessoas têm condições de recomeçar.

Tanto é assim, que os professores do curso - que ainda está na metade - têm em suas mãos vários textos filosóficos e teológicos, produzidos pelos alunos, para compor o livro "teologia da ressocialização", que em breve deverá chegar ao público.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=33519

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