12 março 2016, Carta Maior http://cartamaior.com.br (Brasil)
Ladislau Dowbor
Transformar o ódio à corrupção em ódio às visões progressistas do país constitui em si uma construção profundamente corrupta e desonesta.
O que apareceu
no início como positivo, o combate à corrupção, se transformou gradualmente num
pesadelo que ameaça a democracia e a legalidade institucional. Não é a primeira
vez que uma boa bandeira se transforma em cavalo de Tróia, abrigando o que há
de mais podre, e gerando mais problemas que soluções. Não foi muito diferente
com a tão legítima operação “Mãos Limpas” na Itália que gerou 20 anos de
retrocessos e populismo conservador com Berlusconi.
Quando a corrupção é sistêmica, e se trata sem dúvida do nosso caso, é o sistema que tem de ser combatido, e prisões espetaculares e midiáticas apenas deslocam o assunto, e mudam os corruptos de plantão. O sistema permanece, e agradece. Transparência (na linha da Lei da Transparência de 2011), democratização dos processos decisórios, auditorias abertas e não compradas, publicidade dos contratos e outras medidas de gestão precisam ser adotadas para que a presente luta não se resuma, como está sendo atualmente, à substituição de pessoas. A luta contra a corrupção deve ser substantiva, e não apenas ferramenta escancarada de luta pelo poder político.
Muito mais preocupantes ainda são os avanços sobre os recursos públicos que grupos famintos estão já preparando ou conseguindo: privatização e venda da Petrobrás e do Pre-sal, maiores avanços ainda dos grupos financeiros que já praticam juros extorsivos,
Quando a corrupção é sistêmica, e se trata sem dúvida do nosso caso, é o sistema que tem de ser combatido, e prisões espetaculares e midiáticas apenas deslocam o assunto, e mudam os corruptos de plantão. O sistema permanece, e agradece. Transparência (na linha da Lei da Transparência de 2011), democratização dos processos decisórios, auditorias abertas e não compradas, publicidade dos contratos e outras medidas de gestão precisam ser adotadas para que a presente luta não se resuma, como está sendo atualmente, à substituição de pessoas. A luta contra a corrupção deve ser substantiva, e não apenas ferramenta escancarada de luta pelo poder político.
Muito mais preocupantes ainda são os avanços sobre os recursos públicos que grupos famintos estão já preparando ou conseguindo: privatização e venda da Petrobrás e do Pre-sal, maiores avanços ainda dos grupos financeiros que já praticam juros extorsivos,
