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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Receitas das alfândegas de Angola subiram 1634 por cento desde 2000

Londres, Reino Unido, 5 outubro 2009 – O programa de reforma das alfândegas angolanas permitiu aumentar em 1634 por cento a colecta de receitas entre 2000 e 2008 e também reduzir para 48 horas o tempo médio de processamento de mercadorias.

Dados da empresa britânica Crown Agents, encarregue do programa de modernização e expansão alfandegária em Angola, revelados recentemente numa conferência em Londres, indicam que o aumento foi conseguido apesar de uma redução das tarifas sobre a importação de grande número de bens, no mesmo período.

As receitas totais adicionais colectadas ascenderam a 6,8 mil milhões de dólares, segundo revelou Vivienne Davies, da Crown Agents, numa conferência do instituto de relações internacionais Chatham House.

Em 2008, a colecta equivaleu a 10,71 por cento do PIB angolano, “uma importante fonte de receitas para o governo, especialmente dado que o preço dos diamantes e do petróleo foi afectado pela recessão global”, sublinha o resumo do encontro, que foi patrocinado pela petrolífera Sonangol.

Apesar da conjuntura desfavorável, o crescimento de receitas manteve-se nos últimos meses e no primeiro trimestre deste ano rondou 72 por cento.

Ainda segundo a mesma fonte, o período de processamento alfandegário foi reduzido de 28 dias para 48 horas.

“Estes ganhos foram possíveis graças à decisão de Angola introduzir sistemas de tecnologias de informação e gestão de risco, reforma de leis e procedimentos, investimento em recursos humanos e reforço da integridade dos programas”, adianta o relatório.

A conferência, intitulada “Angola como Actor Global”, contou ainda com a intervenção de representantes da petrolífera BP e do presidente do Banco Africano de Investimentos, além do ministro britânico para África, Lorde Malloch-Brown.

De acordo com a BP, Angola, onde opera os blocos 18 e 31, já é uma das seis operações mais lucrativas da petrolífera em todo o mundo, e em 2012 deverá render perto de 350 mil barris de petróleo diários.

Os investimentos da BP no país ascendem a 10 mil milhões de dólares e para os próximos anos está prevista a aplicação de mais 3 mil milhões, de acordo com o director para o país, José Patrício.

Ted Giletti, director do Banco Africano de Investimentos, traçou o cenário de modernização do sector financeiro angolano, dando como exemplo o facto de já haver 18 bancos em actividade, além de 19 cambistas. (macauhub)

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Trocas comerciais entre a China e a CPLP em recuperação após início do ano em quebra

Macau, China, 7 setembro 2009 – Depois de terem atingido em 2008 um recorde absoluto, as trocas comerciais entre a China e os Países de Língua Portuguesa recuaram no primeiro semestre, mas nos meses mais recentes já dão sinais de recuperação.

De acordo com as estatísticas dos Serviços da Alfândega da China a que o macauhub teve acesso, entre Janeiro e Junho as trocas comerciais entre a China e países lusófonos caíram 35 por cento em relação ao primeiro semestre de 2008, para 23.522 milhões de dólares, com Angola e Brasil a registarem as maiores quebras e Timor-Leste e Guiné-Bissau os maiores aumentos.

A crise económica e financeira internacional teve entre o último trimestre do ano passado e o primeiro de 2009 um impacto muito negativo no preço das matérias-primas, que são a base das trocas chinesas com o mercado angolano ou o brasileiro, os dois mais importantes para o gigante lusófono entre os “oito”.

Com um crescimento superior a 66 por cento, as trocas comerciais ficaram em 2008 acima dos 77 mil milhões de dólares, e já este ano a China tornou-se no maior parceiro comercial do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos.

Graças aos recordes de preço de matérias-primas energéticas, como o petróleo, ou agrícolas, como a soja, nos mercados de “commodities” ao longo de 2008, veio justamente de Angola e Brasil o principal impulso para as trocas no espaço sino-lusófono, permitindo ultrapassar antecipadamente a meta definida para 2009: 50 mil milhões de dólares.

Os Serviços da Alfândega da China indicam que, até Junho, a maior descida entre os diversos fluxos e países registou-se nas exportações de Angola para o gigante asiático: menos 63,9 por cento, para 4,4 mil milhões de dólares.

As exportações da China para Angola cresceram 17 por cento, para 1,37 mil milhões de dólares, situando-se a quebra nas trocas bilaterais em 56,8 por cento, para os 5,77 mil milhões.

No caso do Brasil, a quebra ascendeu a 23,3 por cento, para 16,52 mil milhões de dólares, com as exportações da China a recuarem 40,1 por cento e as importações 12,5 por cento, para 11,45 mil milhões de dólares.

Também as trocas com Portugal evoluíram negativamente, mas bem mais ligeiros 9,1 por cento, para 1,04 mil milhões de dólares, com as importações da China a subirem 21,7 por cento e as exportações a perderem 14 por cento.

Em relação a todos os outros mercados, mais pequenos, a variação foi positiva, e nalguns casos de grande expansão.

Timor-Leste, por exemplo, regista uma variação positiva de 119,6 por cento no primeiro semestre, para 6,43 milhões de dólares, com as exportações da China a crescerem 119,5 por cento.

O comércio com a Guiné-Bissau expandiu-se 43,4 por cento, sobretudo graças ao comportamento das exportações da China, enquanto que Cabo Verde regista uma subida de 29,8 por cento nos seis primeiros meses do ano.

Mais ligeiras são as subidas nas trocas com São Tomé Príncipe (2,1 por cento) e Moçambique (6,2 por cento).

O mercado moçambicano continua a ser o quarto mais importante para a China no espaço lusófono, com trocas avaliadas em 169,9 milhões de dólares e as exportações chinesas a crescerem mais de 30 por cento.

O total do primeiro semestre nas trocas sino-lusófonas representa uma redução de 12.583 milhões de dólares face ao mesmo período de 2008 (36.105 milhões de dólares). No total, as importações da China somaram 16.082 milhões de dólares, menos 37 por cento, e as exportações 7.440 milhões de dólares, menos 31 por cento.

As estatísticas alfandegárias revelam que em Junho, quer as importações, quer as exportações estavam em franca recuperação.

O valor apurado em Junho - 5.603 milhões de dólares - representa um aumento de 807 milhões de dólares, 17 por cento, face ao mês anterior (4.796 milhões de dólares).

As importações subiram 20 por cento face ao mês de Maio, enquanto as exportações da China para os países lusófonos ganhavam 9 por cento.

Entre 2003 e 2006, as trocas comerciais entre a China e os países lusófonos mais do que triplicaram, para um total de 34 mil milhões de dólares no final de 2006.

Em 2007, o aumento homólogo ficou-se pelos 46,9 por cento, e no ano passado acelerou para 66 por cento. (macauhub)