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segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Brasil/AUTONOMIA ESTRATÉGICA: RÚSSIA, ÍNDIA, ESTADOS UNIDOS... E NÓS?

20 dezembro 2014, Folha Diferenciada http://folhadiferenciada.blogspot.com.br (Brasil)

A sórdida campanha promovida contra a Petrobras tem como alvo a vontade do povo brasileiro de construir com as próprias mãos o seu destino.

Sebastião Velasco

A idéia deste artigo surgiu da constatação, dias atrás, do contraste entre a importância patente do fato nele comentado, e o espaço minúsculo que a mídia brasileira lhe dedicava. Muito provavelmente, porém, essa idéia se perderia no torvelinho de um fim de ano especialmente agitado, não fora uma circunstância imprevista: a pergunta lançada, a título de desafio, pelo moderador da última mesa redonda do seminário Fórum Idéias para o Século 21, que se reuniu no Sindicato de Engenheiros de São Paulo na tarde da segunda-feira, 15 de dezembro de 2014.

A pergunta em questão pode ser resumida um tanto livremente assim: nesse momento de grandes perigos – no país e no mundo -- face à ofensiva de uma direita inconformada com a derrota eleitoral e decidida a ganhar na prática aquilo que as urnas lhe sonegaram, em que medida os BRICS podem ser acionados numa estratégia votada a vencer o cerco e recriar as condições para o aprofundamento da democracia e da reforma social entre nós.

Não era preciso respondê-la na hora. O que o orador -- por acaso, o principal inspirador da iniciativa do Fórum – pedia era que os expositores pensassem no assunto, e quando pudessem traduzissem em artigos as suas respostas.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Indonésia/“THE ACT OF KILLING”, UM EXTRAORDINÁRIO DOCUMENTO



16 novembro 2013, ODiário.info http://www.odiario.info (Portugal)

Os Editores

Um realizador norte-americano empreendeu a tarefa de documentar a chacina anti-comunista levada a cabo na Indonésia em 1965. O monstruoso massacre de um milhão de homens e mulheres, encorajado e saudado pelo imperialismo, surge reencenado por um dos seus principais perpetradores, pessoalmente responsável por mais de mil mortes. O filme foi estreado em Espanha a 30 de Agosto. Esperemos que venha a ser visto em Portugal.

Um realizador de cinema pede a um assassino que recrie, em filme, as torturas e crimes que cometeu na vida real. Este, encantado com a oferta, dispõe-se a isso com entusiamo e diligência. O resultado da experiência é uma alucinação cinematográfica que adquire proporções épicas quando se descobre que o criminoso é um dos líderes mais sanguinários dos esquadrões da morte na Indonésia, bandos de carniceiros que, em 1965, acabaram com a vida de um milhão de pessoas em menos de um ano. The Act of Killing, de Joshua Oppenheimer, é a consequência desse assustador delírio de fama dos genocidas indonésios que, no entanto, hoje vivem como heróis no seu país. O filme estreou em 30 de Agosto em Espanha.

Werner Herzog, um dos realizadores mais talentosos do cinema documental, revelou publicamente o seu assombro perante The Act of Killing. “Não vi um filme tão poderoso, surreal e aterrador em pelo menos uma década”, disse, acertando em cheio nos cinco adjectivos e na ordem com que os empregou. Tão impressionante, tão demente é a história deste filme, que a primeira reacção perante o mesmo é de surpresa. Uma espécie de estupefacção que se transforma em perturbação e confusão, antes de se transformar em espanto e, finalmente, em algo muito parecido com a angústia física.

Os Esquadrões da Morte
Anwar Congo, um dos cabecilhas dos Esquadrões da Morte que actuaram na Indonésia depois do golpe militar contra o Presidente Sukarno, é a estrela deste filme. Este verdugo, responsável, de acordo com as suas palavras, pela tortura e assassinato, com as suas próprias mãos, de mais de mil pessoas, encena perante a câmara os crimes que cometeu, explica como perpetrava as suas agressões e vangloria-se de se ter para isso inspirado em filmes de gângsteres que estreavam no cinema.

Assassino do grande ecrã,