29 julho 2014, ODiario.info http://www.odiario.info
(Portugal)
Este texto data de Março deste ano. Não só não perdeu
actualidade, como ganhou acrescida importância face à evolução dos graves
acontecimentos na Ucrânia, para cuja análise é indispensável a compreensão da
natureza do poder que o imperialismo instalou em Kiev. Que figuras de proa do
imperialismo (Merkel, Kerry) se façam fotografar lado a lado com os fascistas
ucranianos já é de registar. Mas é igualmente de registar que figuras da
“esquerda” francesa (nomeadamente Mélenchon) tudo façam para ignorar o carácter
fascista desses fascistas.
Regresso à insurreição de Maidan e seus resultados
A questão do “fascismo ucraniano”, com ou sem
aspas, não é primordial, e não faço disso uma obsessão.
O que é essencial é principalmente o risco de
guerra entre a Rússia e a Ucrânia, uma possibilidade terrível, impensável há
poucos meses. É depois o desastre social que se seguirá, para o povo ucraniano,
à eventual adopção, pelo poder resultante da insurreição de «Maidan», dos
planos europeus de comércio livre e de «reformas» sob a égide do FMI. Mas
acontece que, para lá chegar, a UE e os EUA, numa manobra deliberadamente
aventureira e provocadora, puseram no poder em Kiev os partidos da oposição
minoritários no país (não representativos do leste e do sul da Ucrânia) e
encorajaram as suas facções extremas, os partidos e grupos neonazis e
ultranacionalistas. Acontece também que este aspecto da realidade ucraniana é
ocultado nos média, desde longa data.