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segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Timor-Leste/PM recorda jovens que ajudaram a libertar países lusófonos há 40 anos/PM haktuir hikas kona-ba foin-sa’e hirak ne’ebé ajuda hodi liberta nasaun luzófona iha tinan 40 liu ba

9 novembro 2015,Loron Nasional Juventude Nian http://loronjuventudenian.blogs.sapo.tl (Timor-Leste)

O primeiro-ministro, Rui Maria de Araújo, recordou hoje o papel "inspirador" dos jovens que há 40 anos lideraram os movimentos para a libertação dos países lusófonos, afirmando que depois das pátrias falta agora libertar os povos.

Rui Araújo -- que falava em Díli no arranque do Fórum da Juventude da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) -- referiu-se ao papel transformador dos jovens, recordando a sua importância nos movimentos em Portugal, África e Timor-Leste.

Movimentos de mudança, recordou, que tiveram em comum "partir da iniciativa de jovens nos seus 20 e 30 anos de idade tais com Amílcar Cabral, Agostinho Neto, Samora Machel, os jovens capitães do 25 de abril e Nicolau Lobato" entre outros.

"Jovens que sentiram em determinada altura que poderiam fazer mais e melhor pelo seu país, jovens que arregaçaram as mangas ao trabalho e elevaram a voz para fazerem ouvir as suas ideias que podiam transformar, e transformaram a vida da população, não só naquele presente mas também em todo o futuro", disse.

Líderes jovens que inspiraram, participando ativamente na vida das suas comunidades, com "reivindicações e contestações" que representaram "um enorme contributo para a libertação" dos países que celebram quatro décadas de independência.

"Estes foram movimentos cujos valores de emancipação mudaram os nossos países com repercussões na ordem político tanto regional como global", disse.

Agora, libertada a pátria pela geração anterior de jovens é tarefa de

domingo, 14 de julho de 2013

Timor-Leste/INTERVENÇÃO NO PARLAMENTO NACIONAL DE DR. MARI ALKATIRI SECRETÁRIO-GERAL E DEPUTADO DA FRETILIN SOBRE O “ESTADO DA NAÇÃO”



12 julho 2013, Fretilin Media http://fretilinmedia.blogspot.com.br (Timor-Leste)




Dili, 11 de Julho de 2013

Senhor Presidente!

Senhor Primeiro Primeiro-Ministro! Ilustres Deputadas e Deputados! Senhores Membros do Governo!
EXCELÊNCIAS! Senhoras e Senhores!

Cabe-me a subida honra de fazer, em nome da FRETILIN, um balanço mais aprofundado sobre o Estado Nação nesta Magna Assembleia de representantes don nosso Povo.
Na verdade são duas coisas desenvolvidas em simultâneo, a saber, a Nação a ser consolidada e o Estado a ser institucionalizado. Seria pois, o Estado da Nação e o Estado do Estado.
Faço-o num momento em que o Mundo passa por uma fase extremamente crítica de afirmação de valores e de choques de culturas e de inculturas, talvez melhor, de alguma arrogância da incultura contra a força das culturas. Assistimos paises a implodirem ou a serem destruidos em nome de pretensas democracias mais ou menos induzidas.
Timor-Leste, país que há quinhentos anos foi “descoberto” por navegadores de outros continentes tambem tem vindo a descaraterizar-se. Precisa assim de redescobrir os caminhos das descobertas no reforço da sua identidade.
Durante décadas encontramos as vias e as formas de mobilização e organização do povo em torno da causa sublime de Independência Nacional. Precisamos hoje de assumirmos coletivamente novas causas para o aprofundamento coletivo do sentido de pertença.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Timor-Leste/MISSA KOMEMORASAUN LORON MATE NICOLAU LOBATO NIAN



30 dezembro 2009/Fórum Académico http://faf-coimbra.blogspot.com

Komisaun Organizadora konvida ema hotu-hotu atu asiste programa komemorasaun tinan 31 Nicolau Lobato mate iha funu laran.


Fatin: Igreja Motael
Loron: 31 Desembru 2009
Oras: 8:00 dadersan. Hafoin missa, ita sei ba soe aifunan iha tasi, Farol nia oin

Nicolau mate iha 31 Desembru 1978 - Ninia legadu ba ita hotu

Tuir informasaun husi lideransa FRETILIN nian, Nicolau dos Reis Lobato konvoka reuniaun politiku-militar iha zona sul molok nia mate. Kuadrus FRETILIN nian no FALINTIL husi Timor-Leste tomak simu orientasaun ida neé no hahú lao ba fatin nebe Nicolau hatudu ba sira hetan malu atu haré hamutuk oinsa organiza fila fali rezisténsia hasoru forsas okupasaun indonezias.

Maibé, militar indonesiu simu mos informasaun ida neé no hahú haleu zona sul iha fatin bar´barak.

Iha 31 Desembru 1978, militar indonesiu konsege haleu grupu asuwain nebe akompanha Nicolau Lobato, entre Maubisse, Turiscai no Same.

Tuir versaun FRETILIN nian, hafoin militar indonesiu tiru Nicolau, sira tula nia (seidauk konfirma se tiru kanek todan ka tiru mate kedas) ho helikópteru mai Dili. Iha altura neba, Koronel Dading Kabualdi, komandante jeral forsas armadas indonesias nian, iha Timor-Leste, halo serimónia boot tebes ida iha Dili ba hatudu ba mundu tomak katak sira konsege ona manan funu hasoru FRETILIN tamba sira oho tiha ona lider asuwain murak Timor-Leste nian. Sira hasai fotografia kaixaun no isin Nicolau Lobato nian nebe tau iha jelu laran no haruka ba mundu tomak atu konfirma sira nia "vitória" iha Timor-Leste.

Konforme informasuan nebe FRETILIN simu ikus mai, militar indonesiu sira lori Nicolau Lobato tesi nia ulun no lori ba Jakarta hanesan sira nia "troféu" no hakoi ninia isin iha Timor-Leste.

Liu tiha tinan barak, bainhira Guilherme Gonçalves (eis-governador Tim-Tim nian) moras todan iha Portugal, nia hateten ba familia Nicolau nian katak militar indonesiu hakoi Niculao Lobato nia isin iha quintal rezidensia Komandante Forsas Armadas nian, iha Farol - uma nebe ikus mai sai rezidensia ofisial Dr. Mari Alkatiri nian, nudar Primeiru-Ministru 1º Governu Konstitusional.

Iha final 2003, bainhira konstrutor sira ké quintal rezidensia neé nian, sira hetan ruin ema nian, menus ulun fatuk. Primeiru-Ministru Alkatiri fó kedas orientasaun ba "Serious Crimes Unit" atu investiga kazu neé tamba deskonfia katak ruin neé bele pertense ba Prezidente Nicolau Lobato. Iha 2004, amostra ruin neé nian tó iha Australia no akompanha moos ho kaben, ran no fuk husi Rogério Lobato no José Lobato atu hare se material DNA husi matebian nian hanesan ho sobrevivente rua neé nian, husi familia Lobato.

Tó ohin loron "Serious Crimes Unit" / Estadu Timor-Leste sei dauk simu relatóriu konkluzivu kona ba análize forensika ba ruin nebe FRETILIN hanoin katak pertense ba Nicolau Lobato.

Konforme informasaun tó husi "The Age", Jornal australianu, polisia husi Northen Territory se kompleta análize forensika iha tinan foun mai neé.

Nicolau dos Reis Lobato luta no mate ho kilat iha liman. FRETILIN lakon oan murak ida nebe fó nia an tomak ba libertasaun povu Maubere husi kolonialismu no pobreza iha aspetu hotu-hotu.

Biar ninia mate fó impaktu boot ba ita nia Rezistensia, asuwain sira ho lideransa Xanana Gusmão nian, iha atura neba líder FRETILIN nian, hatutan nia hanoin no hahalok iha frente armada, klandestina no diplomátika.

Importante fó hanoin katak FRETILIN ho lideransa Nicolau dos Reis Lobato nian, kuda husi 1974 - 1978, espírito Unidade Nasional, konseitu povu no nasaun, no husi neé haklaken katak povu timor tenke moris ho ninia identidade rasik no ida neé ezije katak hotu-hotu tenke hamrik hamutuk atu harii nasaun Maubere. Tamba neé, movimentu libertasaun nasional haburas ba bebeik tó ita ukun rasik aan.

Ida neé mak legadu boot Nicolau dos Reis Lobato husik ba jerasaun hotu-hotu Timor-Leste nian.

Mai ita hotu hamutuk iha Igreja Motael atu reza missa ba Nicolau Lobato nia klamar no heróis hotu-hotu tuir ninia brani no determinasaun.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Timor-Leste/BIOGRAFIA DO PRESIDENTE NICOLAU DOS REIS LOBATO




FRETILIN
COMEMORACAO DA MORTE EM COMBATE DO PRESIDENTE NICOLAU DOS REIS LOBATO NO COMITE CENTRAL DA FRETILIN AMANHA DIA 30.12.2009

Nicolau dos Reis Lobato nasceu no dia 24 de Maio de 1946 em Sasatan Oan, Aitara Hun, Soibada, Posto Administrativo de Laclúbar, Administração de Manatuto. Filho primogénito de Narciso Manuel Lobato, natural de Leorema, Posto Administrativo de Bazartete, Administração de Liquicá, e de Felismina Alves Lobato, natural de Malurucumo/Macadique, Posto Administrativo de Uatolari, Administração de Viqueque. (O avô materno Domingos da Costa Alves, natural de Samoro, Soibada, foi catequista em Uatolari, dai o facto da mãe ter nascido em Malurucumo/Macadique).

Os pais tiveram 13 filhos sendo 1. Nicolau dos Reis Lobato o primogénito seguido por 2.António Bosco Lobato, 3.Rogério Tiago de Fátima Lobato, 4.Maria Cesaltina Francisca Alves Lobato, 5.Januario do Carmo Alves Lobato, 6.Domingos Cassiano Maria da Silva Lobato, 7.Luis Francisco de Assunção Alves Lobato, 8.Silvestre Lobato, 9.Madalena de Canossa Alves Lobato, 10.Elga Maria do Rosário Alves Lobato, 11.Jose Bernardo Alves Lobato, 12.Silvestre Agostinho Alves Lobato e 13.Elisa Maria Lobato. De toda esta numerosa prole Rogério Tiago de Fátima Lobato e o único sobrevivente. O pai morreu vítima de doença no dia 26 de Abril de 1976 em Leorema. A mãe foi assassinada no Monte Maubere, Laclúbar, em Julho de 1979. Todos os restantes irmãos, a excepção de Silvestre Lobato, nado-morto, tombaram como combatentes na longa luta de libertação nacional.

Nicolau dos Reis Lobato cresceu até os 13 anos em Soibada, tendo feito os seus estudos primários no Colégio Nuno Alvares Pereira onde teve como colega, entre outros, Alberto da Silva Ricardo, hoje Bispo da Diocese de Dili. Continuou como colega de Alberto da Silva Ricardo no Seminário Menor de Nossa Senhora de Fátima, em Dare, onde concluiu o 5o. Ano de Humanidades com distinção em todas as matérias mas sobretudo em Português e Matemática. Como companheiros da infância teve, para além dos irmãos António e Rogério, António Cesaltino Osorio Soares, Abílio Osório Soares, Luis Viana do Carmo e João Bosco do Carmo, vizinhos e filhos respectivamente dos mestres Fernando Soares e José do Carmo. Nicolau dos Reis Lobato foi baptizado na Paróquia da Imaculada Conceicao de Soibada, Missão Católica do mesmo nome, pelo Padre Januário Coelho da Silva. Teve como padrinho Fulgêncio dos Reis Ornay, régulo de Fehuc Rin, Barique, e colega do pai. Ainda menino foi um dos escolhidos para fazer a figura de anjo durante a famosa peregrinação da estátua de Nossa Senhora de Fátima a Timor em 1951. Recebeu toda a sua formação católica em Soibada e Dare, tendo-se convertido num verdadeiro católico praticante. Devoto de Nossa Senhora de Aitara empenhou-se pessoalmente em transportar a estátua da Virgem escondendo-a num esconderijo conhecido por Anin Kuak, em Soibada, para que não fosse profanada. Protector dos padres católicos durante a guerra teve como confidente e confessor o Padre Francisco Tavares, actualmente Pároco da Missão Católica de Ainaro.

Para confirmar a sua fé católica basta lembrar que, após a invasão e durante o recuo para as montanhas circundantes de Dili, passou por Dare onde pediu ao Padre Ricardo Alberto da Silva para rezar uma missa por Timor-Leste. Tendo terminado a missa e ao despedir-se disse-lhe: - “SE EU MORRER REZE UMA MISSA POR MIM”. Quando morreu o colega fez-lhe a vontade, rezando uma missa pela sua alma.

Tendo desistido de seguir os estudos para ser sacerdote deixou o Seminário em 1965.

Durante os anos que esteve no Seminário foi escolhido pelo Reitor e nomeado durante 3 anos consecutivos Chefe dos seminaristas.. Foi nestes anos que forjou o seu carácter como homem, líder e desportista.

Depois de deixar o Seminário o maior sonho de Nicolau dos Reis Lobato era formar-se em Direito, em Coimbra, Portugal.. Contudo a doença do pai e a educação dos irmãos mais novos assim como a falta de apoio financeiro do então governo português impediram-no de realizar este sonho. No entanto não deixou de prosseguir os estudos secundários no Liceu Dr. Francisco Machado, em Dili, onde tirou com boas notas as cadeiras de Filosofia, OPAN (Organização Politica e Administrativa da Nação) e Português do 7o. Ano, alínea e). Em Dili, após a saída do Seminário, e acolhido, a pedido dos pais, na casa dos tios Armindo da Costa Tilman, primo da mãe, e Lidia da Silva Boavida em Bidau que o trataram como filho. Ai frequentava com assiduidade nos domingos o Paço Episcopal de Lecidere para assistir a missa rezada pelo então Bispo de Dili, Dom Jaime Garcia Goulart.

Em 1966 é incorporado no Exército Português. Completa o CSM (Curso de Sargentos Milicianos) com distinção sendo o 1o. classificado do curso, seguido de João Viegas Carrascalão como 2o. classificado e de Moisés da Costa Sarmento como 3o. classificado.

Este último viria mais tarde a tornar-se seu cunhado por casamento com a irmã Maria Cesaltina Francisca Alves Lobato. O cunhado e irmã foram chacinados barbaramente em Ratahu, Viqueque, em 1979.

Como militar do Exército Português esteve primeiro colocado na Diligência Militar de Bazartete. Após a promoção ao posto de Furriel Miliciano é transferido para a Companhia de Caçadores No.15 em Caicoli onde é nomeado Vago Mestre, responsável pela alimentação de todo o quartel. Ai trava conhecimento com o Primeiro-Sargento TIMANE, natural de Nampula, que, secretamente, lhe fala da luta de libertação nacional de Moçambique.

Tendo cumprido o seu serviço militar obrigatório regressa à vida civil em 1968. Primeiro emprega-se como funcionário da Missão Agronómica de Timor. Aí conhece o Regente Agrícola MARCELINO, natural de Cabo Verde, que lhe fala do PAIGC e da luta de libertação nacional da Guiné e Cabo Verde. Terá então lido secretamente os primeiros livros sobre a luta da libertaçãoo nas então colónias portuguesas da África.

Da Missão Agronómica de Timor transita para a Repartição das Finanças onde ganha o concurso para a categoria de 3o. Oficial. Aí é-lhe dada a tarefa de supervisionar a feitura dos títulos de pagamento de todo o funcionalismo publico.

Enquanto funcionário publico na Repartição das Finanças, Nicolau dos Reis Lobato inicia uma nova fase na sua vida. Conhece Isabel Barreto com quem casa em 1972 na Capela de Bazartete tendo a festa do casamento ocorrido em Laulema, residência dos pais da Isabel Barreto. Os nubentes foram confirmados como Marido e Mulher pelo Padre Simplício do Menino Jesus, missionário originário de Goa e então Pároco da Missão de Liquiçá. Desta relação nasce o filho José Maria Barreto Lobato, único sobrevivente do casal. Mais tarde o filho passaria a chamar-se José Maria Barreto Lobato Goncalves por ter sido adoptado pelos tios José Gonçalves e Olímpia Barreto. A esposa Isabel Barreto Lobato foi brutalmente assassinada no Cais de Dili, no dia 7 de Dezembro, dia da invasão de Timor-Leste pela Indonésia.

Como desportista praticou as modalidades de Voleyball, Basketball e Football tendo-se contudo esmerado na prática da modalidade de Football primeiro no Clube Desportivo da União e depois no Clube Desportivo da Académica.

Em meados de 1974, no seguimento da Revolução dos Cravos de 25 de Abril em Portugal, Nicolau dos Reis Lobato abandona voluntariamente o funcionalismo público português para se dedicar a tempo inteiro à criação da ASDT/FRETILIN e à luta da libertação nacional de Timor-Leste.

Aquando da transformação da ASDT em FRETILIN, no dia 11 de Setembro de 1974, foi-lhe atribuído o cargo de Vice-Presidente.

Nicolau Lobato, na sua qualidade de Vice-Presidente e na ausência impeditiva do então Presidente da FRETILIN, Xavier do Amaral, liderou toda a acção de resposta à investida armada da UDT contra a FRETILIN iniciada a 11 de Agosto de 1975. Assim:

1. Na noite de 11 de Agosto de 1975, com o apoio de Mari Alkatiri, Alarico Fernandes, Mau Lear, liderou um grupo de membros do CCF para a retirada de Dili;

2. A 13 de Agosto nova retirada das montanhas circundantes de Dili para Aileu - Ai-Sirimou;

3. Em Ai-Sirimou chefiou a Delegacao do CCF nos contactos com soldados e Sargentos timorenses no Quartel de Aileu de modo a sensibiliza-los para a situação política e militar em TL;

4. A 15 de Agosto, perante a ausência impeditiva do então Presidente da FRETILIN, e, com a colaboração de alguns membros do CCF, destacando-se aqui Mari Alkatiri, proclamou em Ai-Sirimou a Insurreição Popular Generalizada e Armada, definindo a estratégia de luta Popular e Prolongada; Neste mesmo dia Nicolau, Mari Alkatiri, Alarico Fernandes e mais alguns membros do CCF, assumindo as competências do CCF, fundaram as FALINTIL e criaram a primeira companhia das mesmas Forças;

5. A 17 de Agosto, com uma acção concertada com os soldados e Sargentos timorenses da companhia de Aileu, Nicolau liderou a acção que obrigou os oficiais portugueses a entregarem o Comando da companhia aos Timorenses (Sargento José Silva);

6. A partir desta data, Nicolau liderou todo o processo operacional politico e militar de contra-ofensiva;

7. Durante os meses de Setembro a Novembro, Nicolau Lobato se destacou na definição de estratégias politicas e militares. Sempre foi defensor da necessidade do regresso de Portugal para reassumir a responsabilidade de descolonizar Timor-Leste; Concentrou todos os esforços no sentido de se encontrar um entendimento entre os timorenses como ponto de partida para uma solução politica do conflito;

8. Frustrados todos estes esforços Nicolau Lobato dinamizou o processo que conduziu a Proclamação Unilateral da Independência de Timor-Leste a 28 de Novembro de 1975.

9. No Governo constituído após a Proclamação, Nicolau tornou-se Primeiro Ministro.
10. Em 1977, face a problemas surgidos nas fileiras da FRETILIN, Nicolau foi nomeado Presidente da FRETILIN, Presidente da República e Comandante-em-Chefe das FALINTIL;

11. A 31 de Dezembro de 1978, morreu em Combate no vale de Mindelo, entre Maubisse, Turiscai e Manufahi.


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Canção dedicada ao Presidente Nicolau dos Reis Lobato

Letra de: Mali Leto. Musica de: Mau Bais. Escrita em Moçambique, em 1979

Presidente, Presidente
Camarada Nicolau
Tua morte é evidente
No combate à opressão

Heroicamente tu morreste
Já tombaste no campo da glória
Nos deixaste o teu exemplo
Pr’a nos guiar rumo à vitória

Presidente, Presidente
Camarada Nicolau
Teu exemplo e semente
Da nossa Revolução

Já sem ti nós seguiremos
Nossa marcha até ao fim
Tua obra concluiremos
Teus sonhos realizaremos

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Timor-Leste/OS QUE VIERAM ANTES DE MIM




Foto: Presidente Nicolau Lobato, morto em combate contra os invasores indonésios

Escrito por: Lukeno Alkatiri
Com a contribuição de: Low Heng Boon

20 agosto 2009/timorlorosaenacao

Este escrito é dedicado à histórica FALINTIL pela sua luta e sacrifício. Eu dedico-o a todos os homens que fizeram parte dessa luta. Eu dedico-o especialmente aos fundadores da FALINTIL (Nicolau Lobato, Mau Lear, Alarico Fernandes e outros), incluindo o único fundador vivo: meu pai, Mari Alkatiri.

Enquanto viajo pelo passado da terra do crocodilo, eu sigo o caminho que deixaram para trás representando a vossa bela e corajosa luta. Eu caminho com ela ou atrás dela mas nunca à sua frente. Porque, ao contrário de alguns, eu não posso suportar a ideia de virar as minhas costas à estória e história que deixastes para nós. Eu tento compreender a raiz da vossa luta durante os anos em que estiveram isolados do resto do mundo, um mundo que levou o seu tempo para vos resgatar e agora esquece quem vocês foram e no que te tornaram.

Eu sigo as vossas gotas de lágrimas e de sangue que tantas vezes alimentaram esta terra. Elas estão ainda aqui, resistindo e não se permitindo a elas próprias secarem. Eu estou consciente de que cada gota revela a narração de um bonito conto. O vosso conto, portanto, nosso conto. Contos de sacrifício, de desespero, e mais importante, gotas de sangue e de lágrimas que são a prova do trilho traçado pelos vossos sonhos e as vossas crenças.

Nesta jornada eu também sigo o som do vosso grito que ainda ecoa do cimo dessas montanhas. Tantas vezes vocês gritaram, esperando que alguém vos ouvisse e pusesse fim à loucura dos vossos inimigos. Tantas vezes eles vos ignoraram, iludindo-se a eles próprios, pensando que os vossos gritos seriam um dia silenciados. Mal eles sabiam que era o seu próprio silêncio, que iria um dia rebentar.

As balas que ainda permanecem intocáveis nos sítios das vossas batalhas representam a existência de uma causa. Perto delas estão alguns dos corpos que deixaram para trás. Os vossos. No entanto, vocês os deixaram sem vida, e apesar da perda que sofreram por testemunhar o seu último suspiro, asseguraram que o seu auto-sacrifício iria manter os nossos ideais vivos. Eles representam as inúmeras vezes que vocês foram forçados a suprimir a tristeza e o luto pela perda de os deixar, mas sempre lembrando que lhes devem a vossa contínua existência.

Antes de eu começar esta jornada interminável, as pessoas falaram-me de vocês. Contaram-me que vocês estavam a lutar, sofrendo, mas mantendo-se implacavelmente vivos para nós. Por essa razão decidi seguir o vosso caminho, ouvir o vosso grito e deixar que o rasto das vossas lágrimas e sangue me guiem para o lugar onde vocês se tornaram para sempre os nossos heróis.

Eu vou apanhar as balas que perfuraram o vosso corpo e mostrá-las ao mundo. Vou deitar-me ao lado dos corpos que deixaram para trás e vou deixar que eles me contem as histórias das suas batalhas. Eles irão dizer-me os seus nomes, então eu terei a certeza de que nunca serão esquecidos. E depois, eu agradeço-lhes pelo seu sacrifício, eles irão ensinar-me como enfrentar as futuras batalhas da luta que está longe de terminar. E eu vou aprender, destas almas eternas, como chorar, sangrar e gritar, quando chegar a minha hora de seguir e continuar a trilha.

Tradução não oficial de Loro Foho


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OS QUE VIERAM DEPOIS DE NÓS

Por António Veríssimo

25 agosto 2009/timorlorosaenacao

TOLERÂNCIA AOS TRAIDORES, HOMENAGEM AOS JOVENS E JUSTOS

Felizmente que a sabedoria dos libertários-anarco-sindicalistas e comunistas me foi transmitida por “tios”, camaradas de meu pai, que me ofereciam “pinhatas”, “esticas”, bolos de arroz e amendoins já descascados, entre outras guloseimas que havia nas tascas e nos cafés de Cacilhas, quando ia assistir às reuniões clandestinas que os antifascistas-antisalazaristas - incluindo ex-elementos da ORA - faziam na sacristia da igreja de Cacilhas, na Cândido dos Reis, e onde fosse possível. Não fora isso e agora estava por aqui a bufar de raiva, intolerante. Talvez capaz de ripostar do mesmo modo de alguns que usam os blogues para esparramar os seus ódios primários e incompreensíveis contra tudo e contra todos. Principalmente contra os que são apontados pelo grande traidor Xanana Gusmão. Traidor à causa timorense de uma sociedade livre e justa, democrática e o mais possível igualitária.

Não se julgue que uso a palavra traidor de ânimo leve. Não é palavra que se use desse modo. Pesei-a devidamente e uso-a com a certeza de a empregar correctamente. Nesta hora já nem lamento a decepção que Xanana representa para mim e para todos que acreditaram nele. Penso que temos de saber aceitar que nem todos os seres têm capacidade de um dia recuperar a honestidade perdida quando começam por trair inúmeros guerrilheiros das Falintil que na montanha davam a vida pela libertação do país. Uma traição de que só o próprio poderá falar um dia que queira, ou Abílio Araújo, ou poucos mais. Poucos dos que conhecem e negociaram a entrega de Xanana ao exército indonésio com a promessa de uma eventual autonomia anos mais tarde, como já é histórico. Se isto não é traição, onde e como poderemos mais usar a palavra com toda a propriedade?

Li as palavras de Lukeno Alkatiri, pelo que sei um jovem de 20 ou talvez poucos mais anos. Acima de tudo um jovem de que a família, os amigos e os pais se devem orgulhar. Orgulho pelos que vieram depois de nós e têm o mérito de querer continuar a nossa luta por um mundo melhor, justo.

No seu “escrito” vislumbro e sinto de modo arrepiante a homenagem aos heróis timorenses, aos conhecidos pelos nomes e aos imensos anónimos. Percebo igualmente a humanidade que o “escrito” comporta e a poesia tocada pela paz que deseja para Timor-Leste. Um texto que é o testemunho do interior de uma pessoa em formação com objectivos inequívocos da herança dos seus antepassados, dos heróis libertadores que ficaram pelo caminho mas que ainda hoje o apontam aos seus discípulos e aos vindouros. Que tem de se cumprir, leve o tempo que levar.

No caso, o “escrito”, como lhe chama, é de Lukeno Alkatiri, mas não só. Diz lá que Low Heng Boon deu o seu contributo. Demonstrando que sabe partilhar e receber sugestões de um amigo. Isso revela alguém honesto e salutarmente modesto para não fazer exclusivamente seu o “escrito” em questão. O mesmo não se passou – certamente que ainda não se passa – com muitas prosas de Xanana Gusmão, sabemos isso.

Não se julgue que é objectivo insano ridicularizar ou desvalorizar Xanana Gusmão porque age e pensa de modo diferente, nada disso. Considere-se antes que não se deve temer a verdade, mas sim fazê-la constar, compreendendo e aceitando que muitos enveredem por direcções diferentes das consideradas correctas e mais justas.

Neste caso, a verdade é que o percurso de Xanana Gusmão tem-se revelado sinuoso ao longo da luta do povo timorense, demonstrando ser o principal instigador de ódios. Ódios que até acabam por se perceber nos comentários do TLN e noutros locais da blogosfera. Ele aponta e as “feras amestradas” seguem-no, melhor, agem por ele e em defesa do indefensável, em defesa da traição permanente que lemos, ouvimos e sabemos de onde vem. Traição que é sentida pelos timorenses e pelo mundo que apoiou e apoia a luta do povo maubere. Agora pela libertação de um regime que semeia atropelos à justiça, às leis vigentes no país, que se propala defensora do povo mas que mantém esse povo na carência enquanto distribui por si e pelos seus fieis colaboradores os bens que a todos pertencem.

No caso do TLN, por mera curiosidade, elaborámos uma consulta à proveniência dos que em comentários destilam esses ódios incontidos ou contra-informação por tudo e por nada. A triste conclusão é a de que vêm especificamente de cinco locais e não mais, sendo que, apesar da “dispersão de identidades”, alguns referem-se à mesma entidade – os próprios entenderão.

Mais palavras e considerações para quê? Não basta isto para percebermos quão desprezíveis estão a ser determinadas pessoas, incluindo certos apoiantes que ladeiam Xanana Gusmão? Porquê esta preocupação? Porquê tanta mesquinhez?

Se acaso o artigo por nós publicado e traduzido por Loro Foho, intitulado OS QUE VIERAM ANTES DE MIM, fosse assinado com um pseudónimo suscitaria tanto ódio? Tanta manifestação de vileza, obviamente gratuita e doentia?

Ripostemos com denúncia mas também com tolerância sábia aos traidores, homenageando os jovens e justos que vieram depois de nós. Ainda os que hão-de vir.