20 novembro 2015, Resistir.info http://resistir.info (Portugal)
Por John Pilger
Em 1969, ao transmitir
ordens do presidente Richard Nixon para um bombardeamento "maciço" do
Cambodja, Henry Kissinger, disse: "Qualquer coisa que voe sobre tudo o que
se mova". Quando Barack Obama trava a sua sétima guerra contra o mundo
muçulmano desde que recebeu o Prémio Nobel da Paz e François Holland promete um
ataque "impiedoso" sobre os escombros da Síria, a histeria e as
mentiras orquestradas fazem-nos quase nostálgicos da honestidade assassina de
Kissinger.
Como testemunha das consequências humanas da selvajaria aérea – incluindo a decapitação de vítimas, com suas partes a engrinaldarem árvores e campos – não fico surpreso pela reiteração do desprezo para com a memória e a história. Um exemplo impressionante foi a subida ao poder de Pol Pot e do seu Khmer Rouge, o qual tinha muito em comum com o actual Islamic Statein Iraq and Syria (ISIS). Também eles foram implacáveis medievalistas que principiaram como uma pequena seita. Também eles foram o produto de um apocalipse de fabricação americana, desta vez na Ásia.
Segundo Pol Pot, seu movimento consistia em "menos de 5000 guerrilheiros fracamente armados inconstantes quanto à sua estratégia, tácticas, lealdade e líderes". Uma vez lançados os bombardeiros B-52 de Nixon e Kissinger, no âmbito da "Operação Menu", o supremo demónio do ocidente mal podia acreditar na sua sorte. Os americanos despejaram o equivalente a cinco Hiroshimas no Cambodja rural durante