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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
China/Siderúrgicas chinesas dispostas a aceitar 65 por cento de aumento no preço do minério de ferro
O aumento de preço que a Vale negociou com as siderúrgicas japonesas Nippon Steel e JFE Steel e com a POSCO, da Coreia do Sul, vai estabelecer um preço padrão para o mercado global do minério em 2008, de acordo com a agência noticiosa estatal Nova China, que citava um analista do portal Umetal.com.
A Baosteel, maior fabricante chinês de ferro e aço, representa os produtores da China nas negociações do preço do minério de ferro com as principais fornecedoras mundiais, num processo que ainda está a decorrer.
No entanto, diz a Nova China, citando o analista Hou Wei, “os maiores fabricantes de aço do país poderão seguir o exemplo das empresas japonesas e sul-coreanas e aceitar o aumento de 65 por cento, de acordo com práticas internacionais anteriores”.
A Vale, maior fornecedor de minério de ferro do mundo, já concluiu as negociações sobre o preço de minério de ferro para 2008 com o maior fabricante de aço da Alemanha, ThyssenKrupp Steel, que se saldaram por um acordo para um aumento de 65 por cento.
O Brasil é o terceiro maior fornecedor de minério de ferro à China que é o maior consumidor mundial da matéria-prima, responsável por pouco mais de 40 por cento das importações globais.
A Vale é o veículo das exportações brasileiras de minério de ferro para a China.
Segundo o Ministério do Comércio da China, as exportações brasileiras de ferro para a China excederam 100 milhões de toneladas pela primeira vez em 2007, um aumento de seis por cento face a 2006.
A China produziu em 2007 um total de 489,2 milhões de toneladas de aço cru e 469,4 milhões de toneladas de ferro, um aumento superior a 15 por cento em relação a 2006, segundo os dados da AAFC.
As exportações de aço subiram 58 por cento, atingindo 54,88 milhões de toneladas, de acordo com os mesmos dados. (macauhub)
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Angola/Governo tenta interessar investidores na exploração de minério de ferro
Cidade do Cabo, África do Sul, 6 fevereiro 2008 - Angola pretende atrair investimento para a exploração de minério de ferro a fim de reduzir a sua dependência do petróleo e diamantes, afirmou terça-feira na Cidade do Cabo o vice-ministro da Geologia e Minas.
No decurso de uma conferência mineira, a decorrer sob o lema "Investimentos na mineração para descobrir a riqueza mineira angolana", Mankenda Ambroise disse que o minério de ferro é uma das matérias-primas que o governo de Angola vai em breve abrir à iniciativa privada.
O apetite pelo minério de ferro tem vindo a crescer à medida que a procura global aumenta com os preços a crescer, fundamentalmente devido à procura chinesa.
Embora Angola seja melhor conhecida pelos seus recursos em petróleo e diamantes, responsáveis oficiais em Luanda tem estado a tentar convencer os investidores estrangeiros a aplicarem parte do seu capital em matérias-primas esquecidas, incluuíndo a exploração de metais básicos e de ouro.
Angola dispõe de muitos recursos minerais, estimando-se que possam ser encontrados no seu subsolo 35 dos 45 minerais mais importantes do comércio mundial, com especial destaque para o petróleo, gás natural, diamantes e fosfatos, mas também ferro, magnésio, ouro e rochas ornamentais, entre outros.
Os estudos realizados indicam que Angola possui reservas de fosfatos estimadas em 150 milhões de toneladas nas províncias de Cabinda e do Zaire, no norte do país, que não estão actualmente em exploração.
Por outro lado, nas províncias do Namibe e da Huíla, no sudoeste do país, existem importantes reservas de mármore, granito e quartzo, cujos actuais níveis de exploração podem ser substancialmente aumentados.
Relativamente ao minério de ferro, a produção anual chegou a atingir quase seis milhões de toneladas antes da independência de Angola, através de explorações situadas nas províncias de Malanje, Bié, Huambo e Huíla. (macauhub)
http://www.macauhub.com.mo/pt/news.php?ID=4822
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Parceira chinesa da Vale investirá US$ 3,3 bi no Brasil
Pequim, 10 outubro - A Baosteel, maior produtora de aço chinesa, vai investir no Brasil US$ 3,3 bilhões em parceria com a Companhia Vale do Rio Doce, anunciou nesta quarta-feira um porta-voz da empresa.
"O projeto brasileiro exige um investimento de cerca de US$ 5,5 bilhões e nós prevemos investir US$ 3,3 bilhões, uma vez que detemos 60% do capital", disse à Agência Lusa um responsável do Departamento de Negócios Internacionais da Baosteel, que pediu o anonimato por falar sem autorização superior.
No passado dia 3 de outubro, no Brasil, a Companhia Vale do Rio Doce, segunda maior produtora de minério de ferro do mundo, e a Baosteel formalizaram a parceria para a criação de uma siderúrgica no Espírito Santo.
A construção da unidade - Companhia Siderúrgica Vitória - deverá ter início na primeira metade de 2009 e começará a produzir 5 milhões de placas de aço para exportação a partir de 2012, segundo o acordo assinado entre a Baosteel e a Vale.
Para o presidente da Vale, Roger Agnelli, o projeto da Siderúrgica Vitória exigirá um investimento de US$ 4,5 bilhões para a construção da fábrica, US$ 500 milhões para o desenvolvimento da infra-estrutura do porto de Ubu e US$ 400 milhões para desenvolver a ferrovia que servirá o porto.
Atualmente, a estatal chinesa Baosteel é o quinto maior produtor de aço do mundo e tem com o objetivo quadruplicar a sua capacidade para 80 milhões de toneladas até 2012, se tornando a segunda maior empresa do setor, atrás apenas da Arcelor Mittal.
A Vale tornou-se, em 2006, o maior fornecedor de minério de ferro da China, com exportações de 20,4 milhões de toneladas.
Em novembro de 2006, a Vale assinou contratos com a China para uma exportação média anual de 19,4 milhões de toneladas de minério de ferro no período de 2007 a 2017, e 8,1 milhões de toneladas por ano de 2018 a 2031.
No momento, a empresa brasileira exporta 100 milhões de toneladas de minério de ferro para o país asiático, quatro vezes mais do que há cinco anos. (Lusa)
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Moçambique negoceia fundição de ferro e aço
Maputo, 8 outubro 2007 - Moçambique poderá contar, a partir de 2011, com uma indústria de fundição de ferro e aço, um empreendimento cujos investimentos estarão acima de um bilião de dólares norte-americanos. Entre as razões da implantação da unidade no território moçambicano está a disponibilidade de gás natural de Pande, um dos pressupostos importantes quer para a produção de ferro quer do aço, cuja cotação no mercado internacional tende a melhorar.
Para o efeito, os governos de Moçambique e da África do Sul, representados pelos respectivos ministros da Indústria e Comércio, sentaram-se sábado último à mesma mesa, para discutir o estudo de pré-viabilidade do projecto, elaborado e apresentado por uma equipa de consultores.
Segundo o director nacional da Indústria, Sérgio Macamo, citando o estudo de pré-viabilidade apresentado na África do Sul, há condições para a viabilização do projecto, porque do lado de Moçambique há gás, água e electricidade em quantidades suficientes para uma indústria desta envergadura e, do da África do Sul estão garantidos os minérios também em porções consideradas satisfatórias.
Além disso, de acordo com Sérgio Macamo, o mercado internacional do ferro e aço apresenta-se favorável em termos de preço e procura, tendo destacado, nesta última componente, uma maior procura na China e outros países da Ásia.
Conforme o estudo de pré-viabilidade citado pelo director nacional da Indústria, o minério poderá ser transportado a partir de Phalaborowa, na África do Sul, para Moçambique por linha férrea ou mediante uma conduta (minereduto), senão a combinação dos dois mecanismos.
Foi entendimento das duas delegações reunidas na África do Sul que os governos têm um mês para fazer consultas internas, antes da realização de uma nova ronda sobre o projecto.
“Se tudo correr bem, de Janeiro a Junho do próximo ano deverá decorrer o estudo de viabilidade propriamente dito, o qual não será mais do que a actualização dos dados do projecto MISP”, disse ontem, o director nacional da Indústria, num breve contacto telefónico com a nossa Reportagem.
Sérgio Macamo demonstrou algum optimismo ao afirmar que “se tudo correr bem podemos ter os primeiros lingotes de ferro e aço em princípios de 2011, sobretudo porque os governos dos dois países estão comprometidos com o projecto”.
A deslocação da delegação moçambicana à África do Sul, chefiada pelo Ministro da Indústria e Comércio, António Fernando, constitui a prossecução das negociações havidas entre as partes em Maio, sendo que na altura, uma das recomendações foi a necessidade de se analisar aspectos-chave, antes da sua formalização.
Este projecto tinha sido idealizado em finais da década de 1990, na altura pela ENRON, mas que não chegou a avançar devido à falência desta multinacional norte-americana, na sequência de um escândalo financeiro e, por outro lado, pela queda dos preços de ferro e aço no mercado internacional.
Trata-se de um projecto descrito como sendo de grande envergadura sob ponto de vista de impacto socioeconómico, se se considerar que para além de poder dinamizar o surgimento doutras unidades industriais em seu redor, tem potencial para empregar pelo menos cinco mil pessoas durante a fase de construção e outros mil quando laborar em pleno.
Ao abrigo do acordo que tinha sido alcançado entre o Governo moçambicano e a ENRON, esta última tinha se comprometido a desenvolver um mercado para o gás natural de Pande (província de Inhambane), tendo como principal consumidor deste hidrocarboneto o projecto de fundição de ferro e aço.
Contas feitas na altura indicavam para a probabilidade de a fundição ter uma capacidade para exportar qualquer coisa como dois milhões de toneladas de lingotes de ferro e aço/ano, para os mercados europeu, asiático e para os Estados Unidos da América, através do Porto de Maputo.
Quando da assinatura do acordo para a implementação do projecto, em Maio de 2001, uma das preocupações do Governo tinha a ver com questões ambientais, particularmente no que diz respeito à proveniência da água para o arrefecimento dos metais. (Notícias)
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Brasil/Atentado contra o patrimônio nacional
Portal do MST / 3 agosto 2007 / http://www.mst.org.br
Por Fábio Konder Comparato
Ao abandonar em 1997 o controle da Companhia Vale do Rio Doce ao capital privado por um preço quase 30 vezes abaixo do valor patrimonial da empresa e sem apresentar nenhuma justificativa de interesse público, o governo federal cometeu uma grossa ilegalidade e um clamoroso desmando político. Em direito privado, são anuláveis por lesão os contratos em que uma das partes, sob premente necessidade ou por inexperiência, obriga-se a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta (Código Civil, art. 157). A hipótese pode até configurar o crime de usura real, quando essa desproporção de valores dá a um dos contratantes lucro patrimonial "que exceda o quinto do valor corrente ou justo da prestação feita ou prometida" (lei nº 1.521, de 1951, art. 4º, b). A lei penal acrescenta que são co-autores do crime "os procuradores, mandatários ou mediadores que intervieram na operação".
É importante lembrar tais preceitos porque, no caso da alienação da Vale, a parte diretamente lesada foi o povo brasileiro, e os responsáveis pela lesão foram os agentes públicos federais que atuaram em nome da União federal, como se esta fosse a proprietária do bem público alienado. Ora, em direito público os órgãos do Estado jamais podem ser equiparados a um proprietário privado. Este, segundo a mais longeva tradição, tem o direito de usar, fruir e dispor dos bens que lhe pertencem, sem ser obrigado a prestar contas de seus atos a ninguém. O Estado, ao contrário, é mero gestor dos bens públicos, em nome do povo.
No regime democrático, os órgãos estatais atuam como delegados do povo soberano, cujos bens e interesses devem gerir e preservar. O art. 23, I, de nossa Constituição declara que é da competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios "conservar o patrimônio público".
Aliás, a lei nº 8.666, de 1993, que regula as licitações públicas, dispõe que a alienação de bens da administração pública é sempre "subordinada à existência de interesse público devidamente justificado" (art. 17), isto é, claramente exposto e motivado. Ora, em descarada afronta a esses preceitos fundamentais, o edital de alienação do controle da Companhia Vale do Rio Doce se limitou a declarar que a desestatização da empresa "enquadra-se nos objetivos do PND (Plano Nacional de Desestatização)". Nem uma palavra a mais.
Fora do edital, o governo federal adiantou duas justificativas: a necessidade de reduzir o endividamento público e a carência de recursos financeiros estatais para investimento na companhia. Ambas as explicações revelaram-se falsas. O endividamento do Estado, que no começo do governo Fernando Henrique era de R$ 60 bilhões, havia decuplicado ao término do segundo mandato presidencial. Por sua vez, o BNDES, dispondo de recursos públicos, financiou a desestatização da companhia e continua até hoje a lhe fazer vultosos empréstimos.
Mas a entrega de mão beijada da Vale ao capital privado foi também um desmando político colossal nesta era de globalização. O Estado desfez-se da maior exportadora mundial de minério de ferro exatamente no momento em que a China iniciava seu avanço espetacular na produção de aço. Hoje, a China absorve da Vale, isto é, de uma companhia privada, e não do Estado brasileiro, quase 30% da produção desse minério.
Além disso, a companhia, que possuía o mais completo mapa geológico do nosso território, já era, ao ser alienada, concessionária da exploração de quase 1 bilhão de toneladas de cobre, de 678 milhões de toneladas de bauxita, além da lavra de dois minérios de alto valor estratégico: o nióbio e o tungstênio. Esse trunfo político considerável foi literalmente jogado fora.
Para prevenir a repetição de atos gravosos dessa natureza, a Ordem dos Advogados do Brasil ofereceu ao Congresso Nacional dois projetos de lei, um na Câmara dos Deputados, outro no Senado, prevendo a submissão a plebiscito de todos os atos de alienação do controle de empresas estatais.
Mas o povo brasileiro não vai aguardar, passivamente, que os seus mal intitulados representantes se decidam a cumprir o dever de legislar em benefício do país ou que o Judiciário julgue, com dez anos de atraso, as 103 ações populares intentadas contra o fraudulento negócio. Nesta Semana da Pátria realiza-se, em todo o território nacional, por iniciativa dos movimentos populares, um plebiscito para que o povo possa, enfim, dizer não a esse crime de lesa-pátria.
Fábio Konder Comparato , 70, professor titular aposentado da Faculdade de Direito da USP, é presidente da Comissão de Defesa da República e da Democracia do Conselho Federal da OAB. É autor, entre outras obras, de "Ética - Direito, Moral e Religião no Mundo Moderno".
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Campanha Nacional pela Anulação do Leilão da Vale do Rio Doce - A VALE É NOSSA!
A conta do bilhão
O jornalista paraense Lúcio Flávio Pinto denuncia que o crescimento da Companhia Vale do Rio Doce não gerou melhoras para a população local.
A Companhia Vale do Rio Doce começou a comemorar, no mês passado, uma façanha que só se completará em outubro: a produção de um bilhão de toneladas de minério de ferro na mina de Carajás, no Pará. A marca foi alcançada com menos de 23 anos de operação, graças a uma extração média de 45 milhões de toneladas por ano. Se a mina tivesse funcionado durante esse período com a capacidade máxima de projeto, de 25 milhões de toneladas, o primeiro bilhão só seria alcançado em 40 anos.
Há, portanto, motivo para tanta comemoração. Haverá ainda mais razões quando o segundo bilhão for atingido. Se a escala atual de produção, em vigor a partir deste ano, que passará de 85 milhões para 100 milhões de toneladas, fosse mantida, Carajás chegaria a 2 bilhões em 10 anos. Acontece que a partir de 2010 a mina já estará funcionando na bitola de 130 milhões de toneladas, respondendo por metade de toda produção de minério de ferro da CVRD, a maior vendedora desse produto no mundo.
São números espantosos. As jazidas de Carajás, com 18 bilhões de toneladas, podiam durar 800 anos se o máximo de produção que era previsto inicialmente se mantivesse. Na média do primeiro bilhão, o tempo de vida útil cairia à metade. No ritmo que a mina terá a partir de 2010, esse prazo baixará para 180 anos. Ou seja, mais 130 anos a partir do momento em que começasse a produzir 130 milhões de toneladas a cada ano.
Em toda a sua história, podemos ver que o minério de Carajás chegou barato ao Japão, garantindo 15% da demanda dos altos-fornos da sua siderurgia. Quando o gigante chinês despertou, provocando o maior impacto mundial da era moderna (a China produz um terço do aço do mundo), a CVRD já dispunha de um esquema afinado para se habilitar a fornecer volumes crescentes, numa escala que já chega a 40 milhões de toneladas, superando o Japão.
Por causa dessa fome de minério para atender à desenfreada expansão da produção de aço, em 2003 a Vale deu um golpe antes impensável: reajustou sua principal mercadoria em 71,5%. E todos tiveram que pagar. Os aumentos seguintes não foram tão notáveis assim, para não dar um nó no mercado, mas continuaram a ser impressionantes.
A CVRD, há seis anos sob o comando forte de Roger Agnelli, está cada vez mais forte embora razoavelmente endividada, mais internacionalizada e mais diversificada. Mas e o Pará?
O Pará, ao que parece, é um detalhe nessa história, apesar de que sem ele não houvesse parte dessa história. O Pará está à margem, está fisicamente atrás da porteira que controla ou simplesmente veda o acesso às minas de ferro, manganês, cobre, níquel e ouro.
O caos humano – social, étnico, fundiário, policial – fica do lado de fora. Do lado de dentro, a ordem, o compromisso, a determinação. Um universo protegido pelas unidades de conservação que circundam as minas, criadas pelo governo federal, por inspiração da CVRD, que não pôde comprar a superfície do solo que contém as rochas mineralizadas. A empresa proclama que o Pará está muito bem e ficará ainda melhor. Seu plano de investimento é várias vezes superior ao do governo do Estado, que se encolheu comparativamente ao porte da mineradora.
A empresa está disposta a esticar sua imaginação e seu capital até o limite extremo para colocar mais minério paraense no mercado mundial. No entanto, não move uma palha no sentido de transformar minério de ferro em aço dentro do Estado. Não só agregaria mais valor ao produto como teria menos volume a transportar nos comboios, que terão sua capacidade atual aumentada de 220 para 320 vagões no próximo ano, constituindo o maior trem de minério do mundo. Quase um terço do minério transportado é estéril, descartado somente na siderurgia.
É certo que com uma tonelada de ferro de aproximado 90 dólares, é mais atraente vender minério. Mas por quanto tempo? Em que nível de dependência de dois clientes, China e Japão, responsáveis pela compra de mais da metade da produção de Carajás, principalmente da China? E por que privar o Pará de usufruir essa fase de vacas gordas?
Se a Vale só pensa nela, está na hora de o Pará pensar na parte que lhe cabe nessa sucessão de festas de recordes, como uma compensação honesta e devida como numa sobretaxa sobre o lucro, a partir de certo limite. Já está na hora de os paraenses se perceberem de uma coisa: essa enorme e valiosa riqueza que está indo embora, numa escalada crescente, não voltará. Nunca mais.
Lúcio Flávio Pinto é jornalista e sociólogo. É editor do jornal Pessoal, de circulação quinzenal no Pará.
http://www.agenciachasque.com.br/conteudoimpresso2.php?idtitulo=1834b384d71500e5e2b25166bfcace6f