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quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Moçambique/Presidente angolano evoca triunfo da luta pela independência

Foto: Presidentes José Eduardo, Angola, e Armando Guebuza, Moçambique

Maputo, 31 outubro 2007 (Dos enviados especiais) – O Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, disse hoje, em Maputo, Moçambique, que os povos destes países escreveram páginas gloriosas na luta contra o colonialismo, o Apartheid, bem como pela manutenção das respectivas independências nacionais e preservação da integridade territorial.

“Na esteira do legado de Agostinho Neto e de Samora Machel, fizemos história”, reconheceu o estadista angolano, quando discursava no jantar oferecido pelo seu homólogo, Armando Guebuza, em honra a sua visita oficial de dois dias a Moçambique, iniciada hoje.

Segundo o Presidente José Eduardo dos Santos, Angola e Moçambique forjaram uma amizade indestrutível, ganharam respeito e consideração a nível do continente e do mundo, protagonizando uma nova era de liberdade e do resgate da dignidade dos povos da África Austral.

Frisou que os resultados já alcançados traduzem bem a identidade existente entre os dois povos, que sempre percorreram de forma solidária os mesmos caminhos, desde o alvor da luta de libertação nacional até à conquista da paz e à construção da democracia.

“Angola e Moçambique souberam assim dar um exemplo único e grandioso na luta pelos direitos humanos e pela liberdade dos povos” sublinhou José Eduardo dos Santos.
Segundo ele, hoje os dois países estão unidos num combate igualmente empolgante e dão as mãos na luta pelo progresso e bem-estar dos respectivos povos, vaticinando que juntos vão vencer este novo desafio.

“Neste processo, não podemos perder de vista que os nossos êxitos também dependem da unidade que estamos a forjar com os outros povos da nossa sub-região e do continente em geral, pois que a complexidade do mundo actual impõe uma complementaridade de esforços e de recursos”, disse.

Neste sentido, acrescentou o Presidente angolano, pretende-se articular melhor com Moçambique a participação de Angola no quadro da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), da União Africana e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

No plano internacional, José Eduardo dos Santos disse que os dois Estados pretendem continuar a conjugar esforços no sentido de adoptarem posições comuns nas grandes questões que afligem actualmente a humanidade, tais como o aquecimento global e as mudanças climáticas, os conflitos locais, o terrorismo, o narco-tráfico e a emigração ilegal.

Já no plano interno, o estadista angolano acha que foi dado um impulso sem precedentes à cooperação bilateral com a assinatura dos acordos de cooperação efectuada hoje em áreas fundamentais do desenvolvimento dos dois países.

“Devemos agora trabalhar no sentido de tornar realidade as intenções contidas nesses documentos que se inserem no nosso esforço para a erradicação da pobreza e da fome e na luta contra as endemias e as pandemias que assolam os nossos respectivos países”, sugeriu.

José Eduardo dos Santos reconheceu, por outro lado, que foi difícil a luta pela paz, “mas ela está ganha".

Segundo disse é também difícil, talvez mais difícil, a luta contra a miséria e a fome. "Mas juntos, estou convencido, também venceremos essa luta”, declarou.

“Estamos aqui para mais uma vez demonstrar essa nossa determinação de caminhar juntos, como no passado, para vencer, não apenas os desafios do presente mas construir uma amizade e conjugar esforços para realizarmos também todas as operações de natureza estratégica que projectem os nossos dois países para patamares altos, para a modernidade e para que eles possam um dia, porque não, sonhar se inserem naquilo que é chamado hoje o primeiro mundo”, disse.

Eduardo dos Santos terminou a sua intervenção agradecendo as "amáveis" manifestações de apreço, simpatia e amizade, traduzidos pela recepção apoteótica no aeroporto internacional de Maputo, onde foi saudado por milhares de pessoas, incluindo a comunidade angolana neste país do Índico.

Integram a delegação presidencial os ministros das Relações Exteriores, João Miranda, das Pescas, Salomão Xirimbimbi, da Comunicação Social, Manuel Rabelais, os vices da Administração do Território Mota Liz das Finanças Job Graça, dos Petróleos Teixeira da Silva, secretário para o Ensino Superior, Adão do Nascimento e altos funcionários do gabinete da Presidência da República. (AngolaPress)

Novos acordos ligam Moçambique e Angola


Maputo, 31 outubro 2007 - Os governos de Moçambique e de Angola rubricaram ontem, em Maputo, nove acordos nos domínios económico e social que, segundo fontes oficiais dos dois países, abrem uma nova página na cooperação bilateral, que nos últimos anos se limitou à área política e diplomática. Os acordos foram assinados no epílogo das conversações oficiais, por ocasião da visita de Estado que o Presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, efectua ao nosso país até hoje.
O acto de assinatura dos acordos foi testemunhado pelo Presidente Armando Guebuza e o seu homólogo angolano. Os entendimentos cobrem os domínios da Ciência e Tecnologia, Geologia e Minas, Petróleos, Comunicação Social, Ensino Superior, Administração do Território, Pescas e Agricultura e Energia e ainda um memorando de entendimento no domínio da Construção Civil e Obras Públicas.

Um dos acordos que atraiu enorme interesse, numa altura em que Moçambique se encontra na fase de prospecção de petróleo na Bacia do Rovuma e tendo em conta a experiência de Angola (segundo maior produtor deste recurso importante em África), foi o referente aos Petróleos. Sobre o assunto, a Ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Alcinda Abreu, disse que o mesmo visa a troca de experiências, capacitação e formação e actividades na área de pesquisa e partilha de experiências no concernente às potencialidades existentes na área de petróleos.

Nas conversações de ontem, os governos dos dois países voltaram a debruçar-se sobre a dívida moçambicana para com Angola, tendo este país reiterado a vontade de perdoar uma parte dela. O Ministro das Relações Exteriores de Angola, João Miranda, indicou que se está numa fase de harmonização dos números por parte dos respectivos ministérios das Finanças, para uma posterior discussão em relação à parte que os angolanos pretendem perdoar. A dívida é actualmente calculada em cerca de 40 milhões de dólares e decorre das relações comerciais realizadas durante os primeiros anos da independência nacional.

Falando momentos após a assinatura dos acordos, Alcinda Abreu e João Miranda disseram que o acto marca uma nova era no relacionamento entre os dois países que, após prolongadas guerras civis, estão neste momento a registar avanços muito importantes nas respectivas economias.

Eduardo dos Santos, que efectua a sua primeira visita oficial a Moçambique (no passado veio várias vezes em visitas de trabalho), acompanhado pela esposa, Ana Paula dos Santos, desembarcou no aeroporto internacional do Maputo pouco depois das 13 horas, à frente de uma comitiva de perto de 50 pessoas, entre membros do seu governo e empresários, alguns dos quais já na capital moçambicana desde a véspera.

No aeroporto, esperava o estadista angolano uma enorme moldura humana, muito pouco comum nos últimos tempos, facto que é entendido como espelhando as relações entre os dois países, que possuem um passado comum.

Eduardo dos Santos desloca-se hoje ao Conselho Municipal de Maputo, onde vai receber a Chave da Cidade, antes de se reunir com o Presidente Armando Guebuza, no prosseguimento dos contactos iniciados ontem pelos dois estadistas.

Ainda hoje, Eduardo dos Santos poderá avistar-se com o antigo presidente moçambicano, Joaquim Chissano, segundo a Imprensa angolana.

O presidente angolano, que chegou a Moçambique proveniente de Windhoek, a capital da Namíbia, deixa hoje Maputo de regresso ao seu país. (Noticias)