30 março 2015, Carta Maior http://www.cartamaior.com.br (Brasil)
Paulo Donizetti de Souza -- Revista Samuel – R
A Reforma
Agrária deve ser para fornecer alimentação sadia, salvar o solo e as águas e
combater a lógica especulativa do agronegócio.
Nos 30 anos do Movimento dos
Trabalhadores Rurais Sem Terra, um de seus coordenadores nacionais, o
economista João Pedro Stédile, não vê mais como prosperar, no Brasil, a luta
pela reforma agrária tal como conhecida nos primórdios do MST. Ele observa que
no senso comum das pessoas trata-se de repartir o latifúndio e entregar para os
sem-terra. “E é isso mesmo, na essência, romper com a grande propriedade.
Porém, os projetos de reforma agrária, feitos pelo governo com os instrumentos
do Estado, só se viabilizaram, no passado, porque eram política combinada com
um projeto de desenvolvimento nacional que objetivava desenvolver a indústria
para o mercado interno”, diz.
O movimento, no entanto, avalia que a questão agrária não pode se resumir ao objetivo de proporcionar trabalho para segurar as pessoas no campo. “A reforma agrária não é apenas resolver um problema de trabalho. Tem de ser para resolver o problema do veneno, da alimentação sadia. De garantir um futuro, de fazer uma agricultura que respeite o meio ambiente, que respeite a biodiversidade”,