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quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Manifestantes pretendem iniciar jejum em apoio à presa mapuche no Chile

Portal do Conselho Indigenista Missionario (CIMI) / http://www.cimi.org.br

23 janeiro 2008

O caso da presa mapuche Patricia Trancoso, em jejum há 106 dias, repercute em vários países. Dia 21 de janeiro, a Anistia Internacional e a Associação Mães da Praça de Maio emitiram comunicados onde pedem a intervenção da presidente Michelle Bachelet diante da situação a que chegou a manifestante, detida sob acusação de atos terroristas. Enquanto isso, no Chile, organizações se mobilizam para fazer uma cadeia de jejum em apoio à mapuche.
Os grupos de ativistas estão articulados em Santiago, Rancagua e Chillán e afirmam o apoio como forma de tentar fazer com que o governo se sensibilize e pede que a comunidade, em geral, não esqueça que Patricia Trancoso, também conhecida como Chepa, luta por uma causa justa que não é só dela, mas de milhões de chilenos.

A proposta é que a cadeia aumente, atingindo a outras regiões do país, buscando respaldo à causa mapuche. Em entrevista à Prensa Humanista, Fernando Lira, dirigente da Associação de Ex-Presos Políticos do Chile, informou que o jejum é um meio de expressão, e tem uma intenção forte. "Nesse caso, o que se pretende é se solidarizar com Patricia e conseguir que ao longo do país não se esqueça que há uma mulher que há mais de 100 dias não come por um motivo justo, mas que hoje está numa condição crítica".

Ontem, em comunicado,a Anistia Internacional expressou extrema preocupação com o estado de saúde de Trancoso e pediu às autoridades que "se garanta sua saúde e que sua situação jurídica seja revisada". "Ela está presa desde 2002 depois de ter sido julgada como responsável do incêndio de 100 hectares de bosque em 2001. Ela reclama que o bosque se encontra em terras ancestrais, cedidas para a exploração de companhias de madeira e celulose durante o governo Pinochet", explica a Anistia.

Da Argentina, a Associação Mães da Praça de Maio também manifestou seu apoio. "Nos solidarizamos com Patricia Troncoso e esperamos que a doutora Bachelet tenha sensibilidade, como mulher que passou pelos campos de concentração chilenos, e que não pode esquecer disso".

Patrícia se encontra num hospital em Chillan. Segundo seus familiares, ela teria sido transferida sem autorização. Ela foi hospitalizada por estar com o estado de saúde bastante fragilizado em decorrência da greve de fome que começou no dia 10 de outubro de 2007. (Fonte: Adital)

http://www.cimi.org.br/?system=news&action=read&id=2986&eid=246

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Argentina/10 mil apoiam lançamento do furacão Cristina Kirchner

Vermelho / 22 Julho2007
Evita Perón não pôde ser a candidata a vice-presidente da Argentina de seu marido, Juan Domingo Perón, em 1952 devido a pressões de seu partido e dos militares. Mas Cristina Fernández, a mulher do atual chefe de Estado, Néstor Kirchner - ambos peronistas que renegam a estética peronista -, iniciou nesta sexta (21) sua corrida para a presidência da Argentina, a ser decidida nas eleições de outubro próximo.

Com seu tom impetuoso, Cristina Fernández de Kirchner pediu um "diálogo social" entre trabalhadores e empresários para continuar com o "modelo de acumulação e inclusão social" que seu marido iniciou há quatro anos, quando a Argentina começava a sair de sua última crise política, social e econômica.

Fernández de Kirchner começou sua campanha em La Plata - a 60 km ao sul de Buenos Aires -, cidade onde nasceu há 54 anos e onde conheceu Kirchner quando eram estudantes universitários. Ela dedicou ao marido, à beira das lágrimas, o final de seu discurso. Ele, sentado no palco junto com seus ministros, escutava com a mão direita na boca.

Diante dos que julgam nepotismo que o presidente indique sua mulher como candidata a sucedê-lo, ela reivindicou o gesto de seu marido não tentar a reeleição. "Não é comum que alguém com mais de 70% de opinião pública positiva e com mais de 50% de intenções de voto decida não continuar. Essa é a mudança mais importante: a das próprias condutas. Você tem autoridade não por ser bravo, mas pelo que fez e faz. Também não pense que é algum herói, mas também não é um homem comum. Os argentinos não vão esquecê-lo e espero, em um exercício de egoísmo pessoal, que não sintam muita saudade sua", ela disse, enquanto os 2 mil peronistas que enchiam o moderno Teatro Argentino aplaudiam de pé.

Senadora e primeira-dama
A senadora e primeira-dama, vestida com um terno marfim e saltos altos, falou de um palco montado, sobre o qual caíam pequenos papéis azuis e brancos, as cores da bandeira argentina.

Horas antes do ato, na estrada de Buenos Aires a La Plata, acumulavam-se os ônibus que levavam pessoas dos bairros pobres para o comício. Mas os 10 mil militantes com bandeiras argentinas, imagens de Evita e o clássico tambor peronista permaneceram fora do teatro. Seguidores de diversos candidatos a prefeitos de municípios da província de Buenos Aires se enfrentaram com paus e pedras para ocupar os primeiros espaços na mobilização. Cerca de 350 policiais os vigiavam e barreiras impediam o acesso ao teatro, alugado pelo partido peronista.

No interior, sentaram-se os funcionários públicos, dirigentes políticos, sociais, avós e mães da Praça de Mayo e jornalistas, que precisaram se credenciar na Secretaria de Comunicação e retirar seus passes na Casa de Governo da província. Antes de subir ao palco, Fernández de Kirchner foi apresentada como "senadora e futura presidente dos argentinos".

Nunca uma mulher foi eleita presidente deste país da América do Sul, região onde já governa Michelle Bachelet no Chile. Só uma mulher ocupou a presidência argentina e foi uma experiência traumática: a terceira esposa de Perón, Isabelita, que foi eleita vice-presidente em 1973 e que, depois de enviuvar, governou entre 1974 e 1976.

Mulheres e economia
Cristina, como chamam a candidata, salientou o papel de outras mulheres na história argentina: "Não é por acaso que durante a ditadura foram as mulheres que puseram panos brancos nas cabeças para buscar os desaparecidos políticos". Em seu discurso a candidata disse que vinha falar das três "construções" em que se baseou o governo de Néstor Kirchner e sobre as quais ela se apoiaria: "A reconstrução do Estado democrático constitucional; a construção do modelo econômico e social; e a construção cultural para recuperar a auto-estima perdida".
Quanto ao Estado democrático e constitucional, a senadora destacou que os três poderes recuperaram seus papéis. Lembrou que antes o Poder Legislativo votava leis por pressão do Fundo Monetário Internacional, dos subornos -como quando foi votada a flexibilização trabalhista - ou dos militares nas ruas - como quando foram votadas as leis de perdão para os que cometeram violações de direitos humanos na última ditadura militar (1976-1983).

Também apontou contra a Suprema Corte por "aprovar a depredação do Estado", referindo-se às reformas econômicas neoliberais da década passada. Lembrou que nos últimos anos foram derrubadas as leis do perdão e os indultos à cúpula da ditadura.

Quanto à política econômica e social, disse que seu "modelo de acumulação e inclusão social é a outra face do modelo de transferência neoliberal dos anos 90". Perguntou-se qual é a razão pela qual o governo de seu marido reduziu o desemprego e a dívida, aumentou os salários e se "livrou" do FMI, ao cancelar o passivo com esse organismo. Ela mesma respondeu que foi pelo modelo de "claro perfil industrial" com que a agricultura conseguiu colheitas históricas e se iniciou um "processo de reindustrialização". Mas não esqueceu que ainda persiste a pobreza, que atinge 27% dos argentinos. (Fonte: El País)


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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