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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

CPLP/Praia acolhe encontro dos ministros da Cultura

Praia, Cabo Verde, 1 novembro 2007 - A cidade da Praia acolhe, nos próximos três dias, o encontro anual dos ministros da Cultura da CPLP.

Até este momento já confirmaram presença na reunião da capital, em que Cabo Verde apresentará um leque de propostas, as delegações de Angola, Brasil, Portugal e Guiné-Bissau.

As delegações começam chegar à cidade capital cabo-verdiana hoje, (quinta-feira).

Para sexta-feira está agendada a reunião das delegações técnicas dos oito países da CPLP, faltando neste momento a confirmação das equipas de Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

No dia três, sábado, além de uma visita à Cidade Velha, acontece o encontro dos ministros da CPLP, em que Manuel Veiga, o titular da pasta cabo-verdiano, apresentará quatro propostas concretas.

São elas a mudança da periodicidade do encontro de anual para bi-anual; a criação de um grande prémio da CPLP, que seria atribuído a uma actividade cultural do país que acolhe o encontro; a organização de uma feira cultural que, segundo Manuel Veiga, “promoveria a inclusão da sociedade no encontro”; e, a reflexão sobre um determinado aspecto cultural do país que acolhe a reunião.

Além de Cabo Verde, Brasil é o único país que, até este momento, anunciou que também apresentará uma proposta, esta sobre o audiovisual. (AngolaPress)

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Argentina/Favorita, Cristina Kirchner promete inclusão e crescimento

A advogada e senadora Cristina Kirchner aparece como favorita para vencer as eleições de 28 de outubro. Com a oposição dividida, pode vencer já no primeiro turno. Reivindicando o legado do peronismo defende “salário digno, uma casa, férias e direitos para os trabalhadores”.

Marco Aurélio Weissheimer / Agência Carta Maior / 26/07/2007

BUENOS AIRES - Favorita para vencer as eleições presidenciais argentinas, em 28 de outubro, a advogada e senadora Cristina Fernández Kirchner, esposa da presidente Nestor Kirchner, tem como conceito central de sua campanha a idéia de que “a mudança só está começando”. A Argentina está no caminho certo, diz ela por onde passa, e precisa dar continuidade à atual política para seguir crescendo e recuperando-se da grave crise política e econômica que atingiu o país em 2002. “A novidade da mudança é que a Argentina tomou um caminho definitivo e temos que perseverar nesta via de esforço, trabalho e produção”, afirmou a senadora, durante uma conferência realizada pelo jornal The Wall Street Journal, em Madri. Alguns números da economia argentina dão credibilidade a estas palavras.

Nos últimos cinco anos, a Argentina teve um crescimento médio de 8%, o desemprego e a indigência estão abaixo dos 10% e a pobreza caiu de 60% para 26%. O país atingiu hoje um superávit fiscal primário de US$ 10 bilhões e as exportações estão na casa dos US$ 50 bilhões. Nas ruas de Buenos Aires ainda se vê muita pobreza, mas muito menos do que se viu na hecatombe social verificada na crise de 2002. As últimas pesquisas indicam uma vitória de Cristina no primeiro turno, com algo entre 40% e 50% dos votos.

Além de garantir “segurança jurídica” para quem quiser investir na Argentina, Cristina Kirchner promete reforçar no país “um modelo de acumulação econômica e de inclusão social” e diversificar a economia para que o país seja menos vulnerável no futuro. E reivindica o legado do peronismo ao defender “um salário digno, uma casa, férias e direitos para os trabalhadores”. A senadora vem cultivando esse legado na campanha presidencial. Nesta quinta-feira, ao participar da cerimônia oficial de homenagem aos 55 anos da morte de Eva Perón, Cristina criticou aqueles que “tentam sem sucesso convencer aos argentinos de que tudo está mal”. A frase funciona na medida em que, se nem tudo está bem no país, parece muito melhor do que esteve há bem pouco tempo.

Em defesa de Hugo Chávez
Uma amostra do estilo e do pensamento da senadora foi dada durante sua visita a Espanha, na primeira viagem como candidata. Ela se reuniu com empresários daquele país e foi indagada sobre qual seria sua relação com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, caso eleita. Cristina saiu em sua defesa, dizendo que ele desempenha um papel fundamental no equilíbrio energético da região. Mesmo os empresários argentinos críticos de Chávez, observou, comentam privadamente sobre os ótimos negócios que estão fechando com a Venezuela. Além disso, acrescentou, ele foi reeleito pela imensa maioria da população venezuelana em uma eleição supervisionada por organismos internacionais. A resposta indica que, caso eleita, ela dará continuidade à política de Nestor Kirchner que construiu uma relação política e econômica muito próxima com Chávez.

Para ser mais exato, ela não deixa dúvidas sobre isso. Ao agradecer o papel que Chávez teve em momentos difíceis da Argentina (especialmente no que diz respeito à crise energética que ainda afeta o país), ela assinalou: “A equação energética da América Latina não se completa sem a presença da Venezuela e da Bolívia. A América Latina precisa de Chávez como a Europa precisa de Putin. Quando a Venezuela não era dirigida por Chávez, a energia venezuelana não atendia à América Latina, mas aos Estados Unidos, e isso em condições leoninas”.

Oposição dividida
Além da recuperação da economia argentina, a divisão da oposição também favorece a candidatura da senadora Kirchner. Ela não tem hoje nenhum grande adversário. Segundo as últimas pesquisas, somados, os candidatos oposicionistas chegam a aproximadamente 30% das intenções de voto.

De acordo com o último levantamento do instituto Analogias, Cristina possui 50,1%, sendo seguida por Roberto Lavagna, da coalizão Concertación para Una Nación Avanzada (UNA), com 11%. Em terceiro lugar, aparece Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica, com 10,1%, e Ricardo López Murphy (4,5%), do movimento Recrear. Seguem-se o ex-presidente Carlos Menem, com melancólicos 3,5% e o governador da província de Neuquén, Jorge Sobisch, com, 1,6%.

Os peronistas ligados ao ex-presidente Carlos Menem, os chamados anti-K, devem lançar um nome para enfrentá-la. Mais à direita, o ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, e o também ex-ministro da Economia, Ricardo López Murphy, lançaram-se na corrida presidencial apostando num desgaste de Kirchner. Nenhum dos dois têm empolgado o eleitorado argentino até aqui, o que já fez surgir a possibilidade do recém-eleito prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, entrar na disputa. Ele nega, mas a simples menção ao seu nome já indica a debilidade atual das outras candidaturas.Outra candidatura que está na rua é a de Elisa Carrió, que já foi candidata à presidência da República. Carrió vem batendo duro em Cristina Kirchner criticando, entre outras coisas, o fato dela tentar aproveitar-se de sua condição de esposa do presidente.
“Em outubro, haverá uma mulher presidente e ela será do norte, porque as pesquisas estão me colocando em segundo para uma disputa no segundo turno”, disse Carrió em um comício realizado esta semana em Mar del Plata.
Até aqui, porém, segundo indicam as pesquisas, o eleitorado argentino não vem demonstrando nenhuma rejeição especial ao nome de Cristina pelo fato dela ser casada com Kirchner. Essa relação, aliás, nunca é demais lembrar, não é exatamente algo estranho à história da Argentina.

Mais à esquerda, o Partido Comunista e o Partido Humanista anunciaram uma aliança eleitoral em torno do nome de Luis Ammann (do PH). Lideranças dos dois partidos tentam agora ampliar essa frente com a adesão de outros partidos de esquerda, como o Partido Socialista Autêntico. Em caso de um segundo turno, porém, é provável que apóiem a candidatura de Cristina Kirchner, como já antecipou o dirigente comunista Patrício Echegaray.

Neste final de julho, o cenário político argentino é amplamente favorável à senadora. Mas como faltam cerca de três meses para as eleições presidenciais, advertem seus conselheiros mais próximos e prudentes, ainda é muito cedo para contar vitória. Mas, ao mesmo tempo em que procura administrar o favoritismo, a senadora cumpre uma agenda que já prepara sua chegada à presidência. Após visitar a Espanha, sua próxima escala será o Brasil, onde, em agosto, estará se reunindo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na agenda da reunião, destacam-se, entre outros temas, os problemas do Mercosul e da integração sul-americana.

http://www.agenciacartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14548

segunda-feira, 23 de julho de 2007

Argentina/10 mil apoiam lançamento do furacão Cristina Kirchner

Vermelho / 22 Julho2007
Evita Perón não pôde ser a candidata a vice-presidente da Argentina de seu marido, Juan Domingo Perón, em 1952 devido a pressões de seu partido e dos militares. Mas Cristina Fernández, a mulher do atual chefe de Estado, Néstor Kirchner - ambos peronistas que renegam a estética peronista -, iniciou nesta sexta (21) sua corrida para a presidência da Argentina, a ser decidida nas eleições de outubro próximo.

Com seu tom impetuoso, Cristina Fernández de Kirchner pediu um "diálogo social" entre trabalhadores e empresários para continuar com o "modelo de acumulação e inclusão social" que seu marido iniciou há quatro anos, quando a Argentina começava a sair de sua última crise política, social e econômica.

Fernández de Kirchner começou sua campanha em La Plata - a 60 km ao sul de Buenos Aires -, cidade onde nasceu há 54 anos e onde conheceu Kirchner quando eram estudantes universitários. Ela dedicou ao marido, à beira das lágrimas, o final de seu discurso. Ele, sentado no palco junto com seus ministros, escutava com a mão direita na boca.

Diante dos que julgam nepotismo que o presidente indique sua mulher como candidata a sucedê-lo, ela reivindicou o gesto de seu marido não tentar a reeleição. "Não é comum que alguém com mais de 70% de opinião pública positiva e com mais de 50% de intenções de voto decida não continuar. Essa é a mudança mais importante: a das próprias condutas. Você tem autoridade não por ser bravo, mas pelo que fez e faz. Também não pense que é algum herói, mas também não é um homem comum. Os argentinos não vão esquecê-lo e espero, em um exercício de egoísmo pessoal, que não sintam muita saudade sua", ela disse, enquanto os 2 mil peronistas que enchiam o moderno Teatro Argentino aplaudiam de pé.

Senadora e primeira-dama
A senadora e primeira-dama, vestida com um terno marfim e saltos altos, falou de um palco montado, sobre o qual caíam pequenos papéis azuis e brancos, as cores da bandeira argentina.

Horas antes do ato, na estrada de Buenos Aires a La Plata, acumulavam-se os ônibus que levavam pessoas dos bairros pobres para o comício. Mas os 10 mil militantes com bandeiras argentinas, imagens de Evita e o clássico tambor peronista permaneceram fora do teatro. Seguidores de diversos candidatos a prefeitos de municípios da província de Buenos Aires se enfrentaram com paus e pedras para ocupar os primeiros espaços na mobilização. Cerca de 350 policiais os vigiavam e barreiras impediam o acesso ao teatro, alugado pelo partido peronista.

No interior, sentaram-se os funcionários públicos, dirigentes políticos, sociais, avós e mães da Praça de Mayo e jornalistas, que precisaram se credenciar na Secretaria de Comunicação e retirar seus passes na Casa de Governo da província. Antes de subir ao palco, Fernández de Kirchner foi apresentada como "senadora e futura presidente dos argentinos".

Nunca uma mulher foi eleita presidente deste país da América do Sul, região onde já governa Michelle Bachelet no Chile. Só uma mulher ocupou a presidência argentina e foi uma experiência traumática: a terceira esposa de Perón, Isabelita, que foi eleita vice-presidente em 1973 e que, depois de enviuvar, governou entre 1974 e 1976.

Mulheres e economia
Cristina, como chamam a candidata, salientou o papel de outras mulheres na história argentina: "Não é por acaso que durante a ditadura foram as mulheres que puseram panos brancos nas cabeças para buscar os desaparecidos políticos". Em seu discurso a candidata disse que vinha falar das três "construções" em que se baseou o governo de Néstor Kirchner e sobre as quais ela se apoiaria: "A reconstrução do Estado democrático constitucional; a construção do modelo econômico e social; e a construção cultural para recuperar a auto-estima perdida".
Quanto ao Estado democrático e constitucional, a senadora destacou que os três poderes recuperaram seus papéis. Lembrou que antes o Poder Legislativo votava leis por pressão do Fundo Monetário Internacional, dos subornos -como quando foi votada a flexibilização trabalhista - ou dos militares nas ruas - como quando foram votadas as leis de perdão para os que cometeram violações de direitos humanos na última ditadura militar (1976-1983).

Também apontou contra a Suprema Corte por "aprovar a depredação do Estado", referindo-se às reformas econômicas neoliberais da década passada. Lembrou que nos últimos anos foram derrubadas as leis do perdão e os indultos à cúpula da ditadura.

Quanto à política econômica e social, disse que seu "modelo de acumulação e inclusão social é a outra face do modelo de transferência neoliberal dos anos 90". Perguntou-se qual é a razão pela qual o governo de seu marido reduziu o desemprego e a dívida, aumentou os salários e se "livrou" do FMI, ao cancelar o passivo com esse organismo. Ela mesma respondeu que foi pelo modelo de "claro perfil industrial" com que a agricultura conseguiu colheitas históricas e se iniciou um "processo de reindustrialização". Mas não esqueceu que ainda persiste a pobreza, que atinge 27% dos argentinos. (Fonte: El País)


Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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