19 de outubro de 2015, Rede Voltaire, http://www.voltairenet.org (France)
Damasco (Síria)
Thierry Meyssan*
A intervenção militar de Moscovo na Síria não
revirou simplesmente a sorte das armas e semeou o pânico entre os jiadistas.
Ela tem mostrado ao resto do mundo, em situação de guerra real, as actuais
capacidades do exército russo. Para surpresa geral, este dispõe de um sistema
de empastelamento capaz de tornar a Aliança Atlântica surda e cega. Apesar de
um orçamento muito maior, os Estados Unidos acabam de perder a sua
preponderância militar.
A intervenção militar russa na Síria, que devia ser uma aposta arriscada
para Moscovo (Moscou-br) face aos jiadistas, transformou-se numa manifestação
de poderio que altera o equilíbrio estratégico mundial [1]. Concebida à
partida para isolar os grupos armados dos Estados que os apoiam, em violação
das resoluções decisivas do Conselho de Segurança, depois destruí-los, a
operação é conduzida para cegar o conjunto dos actores ocidentais e seus
aliados. Estupefacto, o Pentágono está dividido entre os que tentam minimizar
os factos, e encontrar uma falha no dispositivo russo, e aqueles que, pelo
contrário, consideram que os Estados Unidos perderam a sua superioridade em
matéria de guerra convencional e que lhes será necessário longos anos para a
recuperar [2]
Lembre-se que em 2008, aquando da guerra da Ossétia do Sul, as Forças
russas foram capazes de repelir o ataque georgiano, é certo, mas haviam
mostrado ao mundo, sobretudo, o estado deplorável do seu equipamento. Ainda há
dez dias atrás, o antigo secretário da Defesa, Robert Gates, e a antiga
conselheira de Segurança Nacional, Condoleezza Rice, falavam do exército russo
como uma força de «segundo nível» [3].
Como é que, então, a Federação da Rússia conseguiu reconstruir a sua
indústria de defesa para conceber e produzir armas da mais alta tecnologia, sem
que o Pentágono captasse a amplitude do fenómeno e se deixasse distanciar ? Os
Russos utilizaram todas as suas novas armas na Síria, ou dispõem ainda de
outras maravilhas de reserva? [4]
O mal-estar é tão grande em Washington que a Casa Branca acaba de
cancelar a visita oficial do