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terça-feira, 5 de agosto de 2008

A REABERTURA DO CASO ANGELELLI, BISPO ASSASSINADO PELA DITADURA MILITAR ARGENTINA


IHU - Unisinos *


[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

Adital – 4 agosto 2008

Enrique Angelelli era bispo da província de La Rioja, na Argentina, quando foi morto no dia 4 de agosto de 1976, pelo regime militar daquele país. Há dois anos, ao completar os 30 anos da morte do bispo, cuja vida e ação ficaram fortemente arraigadas na vida da igreja e da sociedade argentina, o governo de Néstor Kirchner reabriu o caso, investigando se realmente foi simplesmente um acidente automobilístico que matou o bispo.

Angelelli morreu golpeado pelas pedras depois que sua camioneta tombou. O acidente foi provocado e ele, acidentado, mas com vida, ficou sobre o asfalto. A polícia bloqueou a zona e recolheu o veículo. Poucas horas depois uma pasta com a documentação que Angelelli havia reunido para provar o assassinato de dois padres (Longueville e Murias) estava na mesa do ministro de Interior da ditadura, general Albano Harguindeguy.

Washington Uranga, jornalista, docente e pesquisador na área da Comunicação, diretor de pós-graduação da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade de Buenos Aires e que exerce a docência tanto na graduação como na pós-graduação em comunicação nas Universidades de Buenos Aires, La Plata, Catamarca, Cuyo, Patagonia Austral e Comahue (Argentina) e Andina Simón Bolívar (Bolivia), concedeu uma entrevista, por telefone, de Buenos Aires, à IHU On-Line. Uranga é colunista do jornal Página/12 e assessor do Ministro de Desenvolvimento Social.

Uranga teve alguns contatos com o dom Angelelli na sua juventude e acompanha, como jornalista a memória que ficou viva na sociedade argentina por mais de trinta anos. Na entrevista, o jornalista fala sobre a reabertura da investigação (acidente automobilístico ou assassinato) e sobre as repercussões do fato no vizinho país.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Em que contexto se deu a reabertura do caso Angelelli e como repercutiu na Igreja?

Washington Uranga - O caso foi reaberto no ano pasado, no marco da política de direitos Humanos do governo do presidente Kirchner que reatualiza todo o debate sobre direitos humanos na Argentina. Na verdade não se conseguiu avançar o que a vontade política quereria que avançasse. A reação da Igreja consiste em manter o caso no interior do âmbito eclesial. Ou seja, há um resgate da figura de Angelelli e uma iniciativa que promove o processo da sua canonização. Há inclusive uma comissão da Conferência Episcopal que estuda o caso e reúne elementos para esse encaminhamento.

IHU On-Line - Houve um reconhecimento oficial da hierarquia da igreja argentina de que foi um assassinato e não um acidente?

Washington Uranga - Nunca houve uma declaração formal, mas esse mesmo fato de ter uma comissão reunindo antecedentes para encaminhar a canonização aponta a esse reconhecimento. O cardeal Bergoglio, arcebispo de Buenos Aires e presidente da Conferência Nacional dos Bispos da Argentina, cada vez que é consultado, dificilmente fala em martírio, mas sim em testemunho de vida, testemunha de fé, e sob a condução dele a Conferência Episcopal está encaminhando o processo. Além do formal e institucional, a figura de Angelelli está inserida na vida de grande parte da igreja argentina, esse reconhecimento se dá na vida quotidiana.

IHU On-Line - O que tornou Enrique Angelelli uma figura tão perigosa para o regime militar?

Washington Uranga - O assassinato tem a ver com um testemunho eclesial diferente no momento em a hierarquia da igreja católica aparecia na Argentina como uma grande aliada da ditadura militar, em 1976. O regime militar não tolerava que alguém desse nível de institucionalidade eclesial mostrasse um outro rosto e tivesse opiniões críticas. Além disso, Angelelli já vinha mostrando uma imagem de Igreja que se caracterizava pela opção pelos pobres, criticando não somente ao governo militar; mas, também, a todo tipo de concentração de poder.

IHU On-Line - Você o conheceu?

Washington Uranga - Sim, não tive muito contato com ele porque eu era muito jovem. Mas falei, algumas vezes, com ele. Eu trabalhava na pastoral da juventude da Igreja e ele era uma figura muito sedutora para os que tínhamos aquela idade nesse momento.

IHU On-Line - Que destacaria da pessoa de Angelelli a partir das suas próprias lembranças e das lembranças de outras pessoas?

Washington Uranga - Tinha um enorme carisma pessoal e uma enorme capacidade de escuta. Uma disposição para a escuta que a mim me parece própria de um pastor. Enorme capacidade de acompanhamento. Ele estava do lado dos que queriam transitar caminhos de radicalidade evangélica e os acompanhava com grande capacidade de entrega. Seu assassinato ocorreu porque foi ao encontro de padres que tinham sido assassinados.

IHU On-Line - O que ele significa hoje para a igreja argentina?

Washington Uranga - Está inserido na vida da Igreja argentina. Fora os setores extremamente conservadores é muito difícil alguém negar a importância da figura de Angelelli. É muito reconhecido, também, entre a hierarquia. Na Argentina existem capelas com nome de Angelelli, rádios Angelelli, comunidades de base Angelelli; e isto mostra que há um reconhecimento social, institucional e pastoral.

IHU On-Line - O fato da reabertura do caso por parte do governo contribuiu na melhoria das relações institucionais da Igreja com o governo, tão tensas no governo anterior?

Washington Uranga - Não, não acho que haja uma referência comum. Ambos podem fazer referências ao bispo, mas nunca num espaço comum. Sobre as relações, assim que a presidenta assumiu, ela fez uma convocatória e iniciou um diálogo institucional com a comissão executiva da Conferencia Episcopal, mas depois disso houve outros gestos e situações que deixaram as relações no mesmo ponto que podiam estar um ano atrás com Néstor Kirchner. A relação institucional da Igreja com o governo é muito formal, os bispos costumam chamá-la de "normal", mas não é muito próxima. Há outras instâncias de colaboração, sobretudo no trabalho social da Cáritas argentina que é uma instituição muito importante no país, tem diversos níveis de trabalho com o governo. Mas, institucionalmente falando, as relações são tão frias quanto eram antes.

IHU On-Line - O que se pode esperar da reabertura do caso?

Washington Uranga - Como em todos os casos em que se está discutindo crimes e violações dos direitos humanos, espera-se determinar exatamente quem são os culpados e que eles sejam punidos. Algumas pessoas já depuseram na justiça, mas há muita gente fora do país e não é um caso fácil de provar porque os próprios autores tiveram todas as oportunidades para apagar todas as provas.

Para ler mais:
Depois de 30 anos de silêncio, Igreja da Argentina homenageia Angelelli, morto pela ditadura
'Houve compromissos da Igreja com a repressão na Argentina', diz Pérez Esquivel
Carlos Mugica e o sonho da revolução argentina. Entrevista especial com Daniel García, Gastón Pauls e Alberto Sily
Vítima e cúmplice: os caminhos da Igreja argentina nos anos de horror
Mártires da outra Igreja

* Instituto Humanitas Unisinos

sábado, 18 de agosto de 2007

El papa recibe adulterado un documento elaborado por el episcopado de América Latina

Juan Arias / El País / Redes Cristianas 17 Agosto 2007

El texto presenta, al menos, 200 enmiendas con respecto al original

El Papa Benedicto XVI ha recibido, adulterado con más de 200 enmiendas, un importante documento elaborado y aprobado el pasado 11 de junio por el Episcopado de América Latina, resultado de la V Conferencia del CELAM, según informa el diario O Estado de São Paulo. La Conferencia se convoca una vez cada cinco años y, en esta ocasión, se celebró en el Santuario de Nuestra Señora de Aparecida, en Brasil.


“No sé quién alteró el texto, pero quiero saberlo, ya que no es la primera vez que eso ocurre. Yo creí que estaba leyendo el original”, aseguró el presidente de la Conferencia Episcopal de Brasil y arzobispo de Salvador, el cardenal Geraldo Majella Agnelo. Según el purpurado, en base a las informaciones que le han llegado, “no fue en Roma” donde tuvo lugar la adulteración del importante documento.

Las sospechas recaen sobre el cardenal chileno Francisco Javier Erráruriz y sobre el obispo argentino Andrés Stanovnik, presidente y secretario respectivamente en aquella fecha del CELAM. El cardenal Majella ha pedido que se reestablezca inmediatamente el texto original. Una larga lista de teólogos y religiosos han pedido lo mismo.

En respuesta a las reclamaciones, el cardenal chileno envió una carta en la que sugiere que “no se hable más del asunto”. En dicha carta se escribe: “Seguramente daríamos una gran alegría al demonio, si nos ocupásemos de los cambios que han tenido lugar en el texto final, de modo que el malestar acabase eclipsando la maravillosa experiencia de Aparecida y sus grandes orientaciones pastorales”.

El Papa Benedicto XVI fue el encargado de hacer el discurso de apertura de la Conferencia, a la que asistieron más de mil obispos de América Latina y Caribe. La Conferencia del CELAM traza cada cinco años la línea pastoral del episcopado latinoamericano. Otras Conferencias famosas, en el pasado, fueron la de Medellín (Colombia), inaugurada por Pablo VI, y la de Puebla (México), por Juan Pablo II. Todas ellas estuvieron siempre rodeadas de polémicas.

Las alteraciones

Los cambios realizados ilegalmente en el texto ya aprobado por los obispos se refieren en buena parte al espinoso tema de las llamadas “comunidades de base”, en la iglesia latinoamericana, generalmente de corte progresista y animadas por la teología de la liberación. Las alteraciones consisten a veces en suprimir una parte del texto. Refiriéndose a las comunidades de base se suprimió por ejemplo, el siguiente párrafo: “Después del camino recorrido hasta ahora, con ganancias y dificultades, ha llegado el momento de una profunda renovación de esta rica experiencia eclesial en nuestro continente, para que no pierda su eficacia, sino que se perfeccione y amplíe de acuerdo con las nuevas exigencias de los tiempos”.

En otras ocasiones, la adulteración consiste en añadir nuevos párrafos no aprobados por los obispos como el siguiente, referido también a las comunidades de base. Después de subrayar el compromiso social de las mismas, se añade que “también se ha constado que no faltaron miembros de comunidades o comunidades enteras que, atraídas por instituciones puramente laicas o radicalizadas ideológicamente, fueron perdiendo el sentido eclesial”.

Hasta hoy no ha habido reacción alguna del Vaticano a las revelaciones sobre la adulteración del importante documento. (Redes Cristianas)

http://www.redescristianas.net/2007/08/17/el-papa-recibe-adulterado-un-documento-elaborado-por-el-episcopado-de-america-latina-juan-arias/

Comentários

- Los cambios al documento de Aparecida. Ronaldo Muñoz

- ¿Quién violó el texto de Aparecida? Eduardo de la Serna

- Las Comunidades Eclesiales de Base en el texto de Aparecida. Francisco Signorelli