13 maio 2015, Correio da Cidadania http://www.correiocidadania.com.br (Brasil)
Escrito
por Valéria Nader* e Gabriel Brito, da redação colaborou Raphael
Sanz
Os poucos meses que já se passaram nesse segundo mandato da presidente
Dilma Rousseff, o quarto sob o comando do Partido dos Trabalhadores, podem
trazer sensações tão díspares quanto intensas. De um lado, a briga de facções
que se instalou entre o governismo, envergonhado e tacanho, e forças
oposicionistas, oportunistas e golpistas. De outro, a apatia de setores médios
da população e a revolta entre forças políticas e sociais progressistas.
O cenário não poderia
ser muito diferente para um governo que se elegeu sob marketing eleitoral
mentiroso e que, nem bem iniciado o segundo mandato, parecia velho. Para
complicar, um governo que, nesse exato momento, dá mostras de nem mesmo estar
governando de fato.
Para ajudar a
compreender essa intrincada conjuntura política nacional, o Correio da
Cidadania entrevistou André Singer, professor da Faculdade de Filosofia, Letras
e Ciências Humanas da USP e autor de importantes obras de interpretação
sócio-política da realidade nacional, dentre elas, aquelas que se destinam ao
entendimento do fenômeno chamado de ‘lulismo’.
Singer ressalta a
fraqueza política do atual governo – algo que teria suas sementes já em 2012,
desde que as pressões por um ajuste recessivo se reforçaram, ameaçando o ensaio
desenvolvimentista do começo do primeiro mandato da presidente Dilma. “Olhando
pelo ângulo da pressão do capital, era praticamente certo que seria feito o que
estamos vendo agora. Surpreendente é que, durante a