10 maio 2016, Carta Maior
http://cartamaior.com.br (Brasil)
Francisco Fonseca,
Professor de ciência política da
FGV/Eaesp e PUC/SP
Diante desse tempo obscuro, taciturno e soturno resta a resistência política nas ruas e nos espaços públicos e nos espaços institucionais.
Diferentemente
do que o massacre midiático faz crer, a consolidação do golpe de Estado, que se
processa desde a eleição democrática de Dilma Rousseff, levará o país a
caminhos impensáveis até pouco tempo: à brutal instabilidade política, cuja
“governabilidade” só poderá se dar pela ilegalidade, ilegitimidade e violência;
à insegurança jurídica, tendo em vista o desrespeito cabal à Constituição e ao
facciosismo das instituições que deveriam zelar pela ordem democrática; ao
retrocesso social, com a tentativa de diminuição vigorosa dos direitos sociais
e trabalhistas; e ao isolamento internacional, como já se verifica nos
pronunciamentos da comunidade internacional, com a notória exceção dos EUA.
A invocação do “Deus-Mercado” como a “instituição” que se estabilizará e voltará a crescer e a empregar com o afastamento da presidente eleita é claramente uma manobra que não se sustenta. Antes de tudo porque por “mercado” se entende um pequeno grupo de grandes capitalistas nacionais e estrangeiros e
A invocação do “Deus-Mercado” como a “instituição” que se estabilizará e voltará a crescer e a empregar com o afastamento da presidente eleita é claramente uma manobra que não se sustenta. Antes de tudo porque por “mercado” se entende um pequeno grupo de grandes capitalistas nacionais e estrangeiros e