Por Diego Pautasso*
Os processos históricos não são
dados a coincidências. E como diria o velho filósofo, os grandes personagens e
fatos históricos ocorrem duas vezes, "a primeira vez como tragédia, a
segunda como farsa". A crise política que vem se agudizando desde junho de
2013 no Brasil não reflete apenas suas contradições domésticas. Ao contrário,
somente é possível compreendê-la à luz das dinâmicas internacionais e das novas
formas que assumem os velhos processos.
Cabe rememorar que as ditaduras militares na América
Latina entre as décadas de 1960 e 1980 emergiram, sem exceção, profundamente
articuladas à dinâmica internacional: Brasil em 1964, Chile em 1973, Argentina
e Uruguai em 1976. Ou seja, não é possível entendê-las dissociadas da lógica da
Guerra Fria, do patrocínio político-diplomático dos EUA através da Doutrina de
Segurança Nacional, da promoção da retórica anti-comunista pela grande mídia e
indústria cultural, da instrumentalização dos militares na Escola das Américas
no Panamá, etc. Nesse sentido, a desestabilização interna, com a espiral
inflacionária, o denuncismo moralista da corrupção pelos setores conservadores,
a paralisia institucional e a crise econômica foram pré-condições construídas
para a efetivação dos golpes militares. Já o fim desses regimes