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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Brasil/Ato contra o genocídio Kaiowá Guarani, em Brasília


20 outubro 2012/Conselho Indigenista Missionário http://www.cimi.org.br (Brasil)

Sol de rachar logo após o meio dia. A Esplanada dos Ministérios amanheceu com cinco mil cruzes plantadas no coração do poder. Cinco mil vidas indígenas ceifadas, simbolizando o genocídio em curso e as décadas e séculos de decretos de extermínio e mortes planejadas. Cenário tétrico, que deveria comover os responsáveis pelos três poderes, em última instância pelo silencioso e continuado genocídio do povo Kaiowá Guarani do Mato Grosso do Sul.

Eliseu e Rose Kaiowá Guarani caminham por entre as cruzes como se estivessem caminhando entre cinco séculos de dominação, perseguições, invasões, expulsões e mortes. Seguram faixas que denunciam o genocídio desse povo e clamam por solidariedade: "Salve kaiowá Guarani"; "Em defesa do povo e das terras dos Kaiowá Guarani". Falam da violência que seu povo sofre nos dias atuais, quando várias lideranças foram assassinadas e outras estão seriamente ameaçadas pelo poder dos fazendeiros e do agronegócio.

Na medida em que o tempo foi passando mais e mais pessoas foram chegando, quase todas vestidas de preto, como gesto de luto e protesto. Nas camisetas o clamor contra o terrorismo dos poderes contra a vida e os direitos dos Kaiowá Guarani e demais povos indígenas do país ameaçados em perder direitos conquistados na Constituição e consagrados na legislação internacional. Existe uma verdadeira guerra contra as terras indígenas e o saque dos recursos naturais.

Imprensa e aliados foram se juntando à manifestação. Entidades de direitos humanos, indigenistas, parlamentares de plantão, em tempo de Congresso vazio. Até a veterana jornalista, que desde a década de setenta vem denunciando as violações dos direitos indígenas, se fez presente. Eliana Lucena foi e continua sendo uma aliada dos povos indígenas em nosso país, há mais de 40 anos.

Dentre os articuladores das ações estão o Conselho Federal de Psicologia, a Justiça Global, a Plataforma de Direitos Humanos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESCA) e o Conselho Indigenista Missionário.

Foi um grito forte da sociedade civil exigindo medidas imediatas e eficazes da parte dos três poderes para estancar o genocídio e garantir os direitos dos povos originários deste país. As falas foram neste sentido. Foram elencadas ações em curso para exigir providências do governo e do Estado brasileiro. Ações e denúncias estão sendo feitas na Organização dos Estados Americanos (OEA) e Organização das Nações Unidas (ONU). Por isso só com uma aliança ampla com a sociedade e a intensa mobilização dos povos indígenas poderá se dar um exitoso enfrentamento com os interessas anti-indígenas.

Dentre os participantes do ato vale destacar a presença solidária de Dom Enemésio Lazzaris, presidente da Comissão Pastoral da Terra, juntamente com outros representantes de órgãos de várias regiões do país.

O genocídio continua, mas também se consolidaram importantes alianças da causa e a esperança também avançou. A luta continua. A luta Kaiowá Guarani ganhou importante visibilidade. Os enfrentamentos se darão em diversos espaços. As cruzes fincadas no coração dos poderes certamente trarão resultados. Os povos resistentes à secular dominação são portadores de futuro e aliados de todos os marginalizados e empobrecidos deste país.

Enquanto isso as comunidades nas retomadas, nos acampamentos, nas aldeias, organizam a esperança, enfrentam os poderosos e lutam com as forças que lhes restam contra as políticas de morte e genocídio.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Brasil/Guaranis Kaiowás realizam marcha contra extermínio de povos indígenas


29 novembro 2011/Agência Pulsar http://www.brasil.agenciapulsar.org

Em resposta ao ataque sofrido, a comunidade Kaiowá Guarani do acampamento Tekoha Guaiviry, no Mato Grosso do Sul, realiza nesta sexta-feira (2) um protesto contra o extermínio dos povos Indígenas no estado.

A comunidade indígena foi alvo de ataque de pistoleiros no último dia 18, que culminou no assassinato do cacique Nisío Gomes. Ontem (28) o acampamento Pyelito Kue, também no Mato Grosso do Sul, foi alvo de invasão e novas ameaças.

Para acompanhar a situação, o governo federal constituiu um Comitê Gestor formado por alguns ministérios e a Secretária Geral da Presidência da República. Porém, o secretário executivo do Conselho Indígena Missionário (Cimi) Cléber Buzatto afirma que a ação “ainda é tímida e insuficiente para responder as demandas e problemas que os Guaranis Kaiowás enfrentam”.

Para ele, seriam necessárias pelos menos mais duas bases para responder às demandas da comunidade indígena, que enfrenta um forte aparato bélico dos fazendeiros da região.

Cléber considera necessário a instalação de uma delegacia especializada para tratar de questões indígenas e impedir a perpetuação da impunidade. Ele cita a existência de inquéritos sobre assassinatos de indígenas que estão com a polícia federal desde de 2007.

Outra questão importante na opinião de Cléber é a atuação do governo no sentido de resolver os conflitos fundiários na região. O secretário executivo do Cimi afirma que é necessário avançar com os procedimentos de demarcação das terras indígenas.

De acordo com documento recentemente publicado pelo Cimi, 98% da população originária do estado ocupam efetivamente menos de 75 mil hectares, ou seja, 0,2% do território estadual. Em conseqüência, mais de 1200 famílias vivem em condições degradantes à beira de rodovias ou sitiadas em fazendas.

Apesar das ameaças e da violência que têm sofrido, os indígenas Guaranis Kaiowás estão determinados a permanecer no território ancestral. O protesto vai ocorrer às 9h, na Assembleia Legislativa de Campo Grande, Mato Grosso do Sul. (pulsar)

Audios disponíveis:

Cléber Buzatto, secretário executivo do Cimi, diz que atuação do governo na região é insuficiente.
28 seg. (441 Kb)
arquivo mp3

Cléber Buzatto, fala sobre a necessidade de demarcação das terras indígenas na região do Mato Grosso do Sul.
56 seg. (573 KB)
arquivo mp3


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quarta-feira, 6 de agosto de 2008

BRASIL - GRANDE ASSEMBLÉIA DOS KAIOWÁ GUARANI


Kaiowá Guarani *

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

5 agosto 2008

Adital - Nós do povo Kaiowá Guarani que vivemos há milhares de anos nessa região, que inclui o Sul do Mato Grosso do Sul, realizamos na Terra Indígena Sassoró uma Grande Assembléia - Aty Guasu, onde fizemos o batismo dos Grupos de Trabalho de Identificação de nossas terras e de nossos aliados do Ministério Público e outros órgãos e entidades.

Essa é uma celebração histórica, onde a luta e o sonho de muitos anos começa a se tornar realidade. Celebramos também as inúmeras lideranças que derramaram seu sangue defendendo e lutando pela terra sem a qual ficamos como árvores sem raízes, pois o "índio é a terra e a terra é o índio".

Queremos lembrar todo o sofrimento que estamos passando, a fome, a violência, as prisões, os assassinatos, os suicídios, os atropelamentos, o desprezo e ódio com que muitas vezes somos tratados. E para começar acabando com isso, só tem uma saída: ter de volta nossos tekohá, nossas terras tradicionais, onde estão sepultados nossos pais, avós e antepassados.

Tomaram nossas terras, exploraram nosso trabalho, destruíram a mata e toda a riqueza que nela estava, envenenaram as águas e a terra e agora parece que querem nos ver longe, talvez embaixo dessa mesma terra. O governador do nosso estado falou até em nos despejar em outras terras de outros povos indígenas como os Kadiwéu. Perguntamos, será que fazem por não conhecer nada de nosso povo, de nossa história e o que a terra significa para nós ou essa gente não tem coração, não tem civilização, não tem família, não tem filhos, não tem humanidade? Tudo isso não faz o menor sentido.

Queremos dizer que estão espalhando um monte de mentiras para criar confusão e violência e desta forma impedir a demarcação de nossas terras. Apenas queremos justiça, queremos a terra suficiente para viver em paz, criar nossos filhos, fazer voltar a alegria e felicidade às nossas aldeias.

Não entendemos por que estão fazendo tanta tempestade, como se nós fossemos criminosos indesejados e que a devolução de pequena parte de nossas terras fosse acabar com a economia do Estado, extinguir cidades e desalojar 700 mil pessoas como os políticos de nosso estado vêm falando. Chegaram até a dizem que não somos brasileiros!

Deixem de espalhar mentiras! Jamais isso irá acontecer. Falam essas mentiras para jogar as pessoas que não sabem da verdade todas contra nosso povo. Falam isso como estratégia maldosa para conseguirem o apoio dos mais pobres que são a maioria da população em beneficio dos interesses dos fazendeiros que só pensam em dinheiro, incitando a população à violência e ao racismo contra nosso povo.

Com essas mentiras, fazem essas pessoas terem raiva e ódio dos Kaiowá e Guarani.

Sabemos que os não-índios tem seus direitos, e esses serão assegurados pelo Governo e sem se sobrepor aos nossos direitos. Então, essas mentiras maldosas servem apenas para negar completamente nossos direitos e nos deixar sem perspectivas de futuro, no eterno abandono e as mortes continuando.

A demarcação de nossas terras é boa para todos, pois irá acabar definitivamente com os conflitos e incertezas.

O povo Kaiowá e Guarani não quer mais conflitos, não quer mais violência e morte de nosso povo nem de ninguém, somente quer seus direitos conquistados e garantidos pela Lei e pela Constituição Federal. Aquilo que queremos é muito pouco se contarmos os mais de 500 anos de expulsão de nossas terras e da morte de nossos parentes.

Queríamos ver os senhores de gravata, de montes de dinheiro, que comem e bebem todos os dias à vontade, viver em nosso lugar. Não temos dúvida de que logo mudariam de idéia ou acabariam morrendo.

Mas nós já agüentamos quinhentos anos de invasão e violência. Celebramos nossa sabedoria e resistência. Nhanderu tem muita força e importância. Com eles vamos vencer. Vamos ter nossas terras de volta. Estão começando os primeiros passos.

Sabemos que não estamos sozinhos. Temos muitos amigos e aliados, pessoas que sabem a verdade de todo o sofrimento que estamos passando, aqui mesmo no Mato Grosso do Sul, mas também em todo o Brasil e mundo afora.

Saímos mais unidos, fortalecidos e dispostos nessa grande celebração.

Juntamente com nossos Nhanderu temos a certeza de que vamos vencer!

Terra Indígena Sassoró, município de Tacuru, Mato Grosso do Sul, 01 de agosto de 2008.

Para ler mais:

1) EM ATY GUASU - Índios "batizam" profissionais
que vão fazer demarcações


2) JEROKI GUASU: o envio para identificação da terra Kaiowá Guarani (Egon Heck)

3) Abaixo-assinado: Basta de genocídio: Pela Terra e vida do povo Kaiowá Guarani

* Povo que habita a Terra Indígena Sassoró, Mato Grosso do Sul

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