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quinta-feira, 16 de outubro de 2008

16 DE OUTUBRO: DIA INTERNACIONAL EM DEFESA DA SOBERANIA ALIMENTAR

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, Brasil

[ADITAL] Agência de Informação Frei Tito para a América Latina www.adital.com.br

16 outubro 2008

Adital - A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou que o número de pessoas que passam fome no mundo subiu de 850 milhões para 925 milhões neste ano. O motivo? O aumento do preço dos alimentos. E os mais pobres são os mais atingidos pela crise.

O preço dos principais grãos, como o milho, o arroz e a soja, duplicaram da safra de 2006 até hoje. O preço do feijão, neste ano, chegou a subir 168%. O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) estima que comprar a cesta básica exige 52,8% do salário mínimo. E aponta que os mais pobres tiveram que cortar alimentos básicos em casa, registrando uma queda de 6% nas compras de alimentos.

Enquanto isso, as grandes transnacionais do agronegócio comemoram a cada mês seus lucros recordes. Existem cerca de 30 grandes empresas, com sede nos Estados Unidos e na Europa, que controlam quase toda a produção e comércio agrícola do mundo. Neste ano, o lucro da Monsanto mais que dobrou em relação ao ano passado. A Syngenta, Cargill, Bunge, Nestlé e outras também não têm do que reclamar: suas margens de lucro só crescem desde que a crise veio apertar o bolso dos cidadãos mundo afora.

E por que isso acontece? O modelo de exploração agrícola baseado no agronegócio faz com que grandes investidores especulem sobre o preço dos alimentos, transformando o nosso arroz com feijão em mercadoria, em forma de ganhar dinheiro. Esse modelo começou na década de 1960, com a mentira da chamada "revolução verde", que tinha a desculpa de aumentar a produção de alimentos, mas foi na verdade uma forma de potencializar uma indústria dos venenos, dos adubos, de máquinas para os grandes agricultores. De lá pra cá, a fome aumentou, poucas empresas passaram a dominar o mercado, e a pobreza no campo e na cidade se multiplicou.

Agora, para agravar a situação, o governo brasileiro vem priorizando a produção de agrocombustíveis, destinando terras agrícolas para a produção de etanol. E a alta do preço do petróleo reflete diretamente nos custos da produção, aumentando o preço dos fertilizantes e dos transportes. Não existe uma crise de produção, o que existe é uma especulação financeira sobre o preço dos alimentos. O mundo produz o suficiente para alimentar 12 bilhões de pessoas, o dobro da população do planeta.

O governo segue acreditando que o agronegócio é a política correta. Ledo engano: o agronegócio gera saldo comercial, mas às custas da degradação ambiental, e não resolve os problemas da população brasileira. O governo anuncia diariamente novos incentivos ao agronegócio, libera créditos, perdoa dívidas. Enquanto a agricultura familiar, responsável pela produção da maioria dos alimentos que abastece a mesa das famílias brasileiras - 70%, segundo dados do próprio governo - não recebe os devidos investimentos do Estado.

Essa crise expõe a fragilidade do modelo do agronegócio. Ele produz, mas não alimenta. Ele polui o meio ambiente, destrói a biodiversidade, contamina a água, altera o clima. A saída para a crise é a Soberania Alimentar, a capacidade de cada povo, país, região e município produzir seus alimentos.

Por isso neste dia 16 de outubro, Dia Internacional em Defesa da Soberania Alimentar, nós do MST, em conjunto com outras organizações do campo e da cidade, vamos às ruas defender um outro modelo para a agricultura brasileira. Lutamos para que cada povo possa definir suas próprias políticas agrícolas e alimentares, que possa defender a biodiversidade, produzir alimentos saudáveis, que respeitem a natureza e a cultura local.

E isso só se faz com uma Reforma Agrária que distribua a terra, garanta a produção, a educação, e a implementação da agroecologia como política para o campo. Assim teremos condições de produzir alimentos mais baratos, mais saudáveis, com condições dignas para toda a população brasileira.

Coordenação Nacional do MST

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=35537

Ao publicar em meio impresso, favor citar a fonte e enviar cópia para: Caixa Postal 131 - CEP 60.001-970 - Fortaleza - Ceará - Brasil
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sábado, 3 de novembro de 2007

Porto da Cargill prejudicará saúde de paraguaios

Agência Chasque/2 novembro 2007


Movimentos sociais e organizações ambientalistas do Paraguai alertam sobre os efeitos na saúde da população que terá a construção do mega-porto da transnacional Cargill no país.
A preocupação também se repete entre os integrantes da Comissão de Saúde Pública.
O lugar escolhido pela Cargill para a construção do porto está a apenas quinhentos metros das principais fontes de água da Empresa de Serviços Sanitários do Paraguai, que abastece a população da capital, Assunção.
As organizações civis temem que os agrotóxicos utilizados nas sementes a serem exportadas e o petróleo dos navios possam poluir os mananciais.

http://www.agenciachasque.com.br/boletinsdiarios2.php?iddata=5b02ee7a1dd08d42b06142b49036f71b

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Paraguai/Uso de agrotóxicos chegam a ocasionar 250 mortes por ano

Adital / 12 setembro 2007

A morte do menino paraguaio Silvino Talavera Villasboa, de 11 anos, ocorrida em 7 de janeiro de 2003, por conta de uma intoxicação por agrotóxicos aplicados por empresários de soja é um caso emblemático da situação da agricultura no Paraguai. Somente em 2004, mais de 400 mortes foram ocasionadas pelo descontrole do uso agrotóxicos nas zonas rurais do Paraguai, segundo denunciou a Comissão de Diretos Humanos do Paraguai (CODEHUPY).

Em informe, a entidade se solidariza com a denúncia apresentada pela Pastoral Social Católica à Comissão Interamericana pelos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (CIDH da OEA), na qual sustenta que mais de 20 milhões de litros agroquímicos são despejados anualmente sobre o território paraguaio, provocando doenças, cegueiras, má formações em bebês, a morte de camponeses e indígenas e agredindo a flora, a fauna e o meio ambiente.

A Codehupy afirma ainda seu repúdio à decisão dos deputados de rejeitar a Lei de Praguicidas, Agrotóxicos, Fertilizantes e Emendas, apresentada pela Plenária Popular Permanente, com o Centro de Estudos e Investigação de Direitos e Reforma Agrária (Ceidra/ UCA). A organização solicita ao governo paraguaio que "se ocupe de preservar a vida do povo e expulse as empresas Monsanto e Cargill pela sua responsabilidade nas mortes por intoxicação".

Análises laboratoriais como a realizada em 2003, pelo Ministério da Saúde, em moradores do distrito de San Pedro Del Paraná, departamento de Itapúa, comprovam que a grande quantidade de agrotóxico utilizada nas lavouras está afetando gravemente a população. O resultado da análise comprovou a existência de carbamatos e glifosatos na urina de moradores que deram entrada no Hospital Regional de Encarnación, além de detectar as substâncias na água utilizada pelos moradores.

O problema já atinge pelo menos 14 dos 17 departamentos do Paraguai. Entre os anos de 1999 e 2003, foram contabilizadas 250 mortes anuais ocasionadas por uso de agrotóxico, segundo dados da Organização de Direitos Humanos para o Direito à Alimentação (FIAN Internacional) e da Vía Campesina. De acordo com organizações sociais, o processo de contaminação teria começado em 1997, com o início da plantação de soja transgênica.

Já em 1998 teria sido registrado o caso de envenenamento por agroquímicos mais grave do país, no qual cerca de 700 toneladas de sementes vencidas de algodão tratadas com esses produtos foram despejadas em um terreno de 2,5 hectares, causando a morte de um morador e afetando outras 600 pessoas.

Hoje, com o Paraguai ocupando o terceiro lugar nas exportações mundiais e o quarto na produção de soja, pelo menos 80% da produção que se cultiva no país é transgênica. Durante 2005, de acordo com a Câmara Paraguaia de Exportadores de Cereais e Oleaginosas (Capeco), foram cultivados 2 milhões de hectares de soja da qual pouco menos de 90% é transgênica. Este dado, conforme análise da organização Altervida, revela que no país estão sendo utilizados oito tipos de químicos, entre os quais se encontram vários de alta toxicidade.

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=29487