1 novembro 2013, Vermelho
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Desde 1998, agentes da inteligência cubana estão presos nos EUA por se envolverem
com terrorismo contra a Ilha. Há 15 anos, Gerardo Hernández, Antonio
Guerrero, Ramón Labañino, Fernando e René González, eram acusados de
conspiração e espionagem. “Os Cinco” – como são conhecidos – eram agentes da
Rede Vespa, um seleto grupo de infiltrados que combatia os atos terroristas das
organizações anticastristas da Flórida.
Por Salim Lamrani*, no Opera
Mundi
1.
Desde o triunfo da Revolução, em 1959, Cuba tinha sido vítima de uma intensa
campanha de terrorismo procedente dos Estados Unidos, com o objetivo de
derrubar Fidel Castro. Segundo os arquivos de Washington que foram tornados
públicos, entre outubro de 1960 e abril de 1961, a CIA introduziu na ilha 75
toneladas de explosivos e 45 toneladas de armas. No espaço de sete meses, realizou
110 atentados com dinamite, fez explodir 200 bombas, descarrilhou 6 trens,
queimou 150 fábricas e desencadeou 150 incêndios nos canaviais. A CIA apoiou
cerca de 300 grupos paramilitares com um total de 4 mil indivíduos.
2. Em 1971, a CIA usou armas químicas e biológicas contra Cuba, introduzindo a
peste suína. Esse atentado provocou a morte de meio milhão de cabeças de gado,
principal fonte de proteínas da ilha.
3. No dia 6 de outubro de 1976, Luis Posada Carriles e Orlando Bosch, antigos
agentes da CIA, perpetraram o primeiro ato de terrorismo aéreo da história do
continente americano e fizeram explodir em pleno voo um avião civil da Cubana
de Aviación. No total, 73 pessoas perderam a vida, entre elas toda a equipe
juvenil cubana de esgrima, que acabara de ganhar os jogos pan-americanos.
4.
Orlando Bosch, já falecido, nunca foi julgado pelo atentado de Barbados que
custou a vida de 73 pessoas. Entretanto, não faltavam provas. Um relatório do
Departamento de Justiça [dos EUA], dizia o seguinte: Orlando Bosch
"expressou e demonstrou várias vezes uma vontade de provocar feridas e
causar a morte de modo indiscriminado”. Joe Whitley, então vice-ministro de
Justiça, destacou nesse relatório as razões pelas quais Bosch, que estava preso
nos Estados Unidos por atacar com uma bazuca um barco polaco na baía de Miami,
deveria ser deportado quando saísse da prisão. "A explosão do avião civil
cubano, no dia 6 de outubro de 1976, era uma operação da CORU [Coordenação das
Organizações Revolucionárias Unidas, por sua sigla em inglês, grupo anticastricastrista
formado, entre outros, por Bosch e Posadas], sob a direção de Bosch”. Mas ele
não foi deportado para Cuba como desejava Whitley. No dia 20 de julho de 1990,
George W. Bush decidiu conceder-lhe perdão presidencial, atendendo o
requerimento do lobby cubano de Miami. Pouco tempo depois, como forma de
agradecimento, seu filho Jeb Bush foi eleito governador da Flórida.
5. Orlando Bosch nunca negou seu passado terrorista. No dia 5 de abril de 2006,
Juan Manuel Cao, jornalista do Canal 41 de Miami, conversou com Bosch:
- Juan Manuel Cao: O senhor derrubou esse avião em 1976?
- Orlando Bosch: Se te digo que estava envolvido estaria me culpando e se te
digo que não participei dessa ação, você me diria que sou mentiroso. Então não
vou confirmar minha participação e tampouco vou negá-la.