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sábado, 14 de março de 2009

Brasil/ABL lança novo Vocabulário Ortográfico na próxima semana

Rio de Janeiro, 13 março 2009 (Lusa) - A quinta edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp), que incorpora as novas normas estabelecidas pelo acordo ortográfico de 1990, será lançada em 19 de março na Academia Brasileira de Letras (ABL).

O Volp, de 887 páginas, contém 349.737 vocábulos listados em ordem alfabética, além dos cerca de 1.500 estrangeirismos que aparecem ao final da obra. A impressão será feita pela editora Global.

Em comunicado divulgado esta semana, o acadêmico e presidente da ABL, Cícero Sandroni, considera que, com o lançamento, "a língua portuguesa deixa para trás a condição de ser idioma cujo peso cultural e político ainda encontrava, na vigência de dois sistemas ortográficos oficiais, um entrave ao seu prestígio e difusão internacional".

Antes do lançamento no dia 19, a Academia deverá entregar, em Brasília, alguns volumes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além dos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados e aos ministros da Educação, Cultura e Relações Exteriores.

Trabalho
Em nota, o acadêmico Evanildo Bechara, um dos responsáveis pelo Volp, destaca os quatro princípios adotados pela ABL, a fim de garantir "fiel compromisso aos propósitos dos signatários oficiais do acordo ortográfico".

Para viabilizar o repertório lexical desta quinta edição com o "sintético e enxuto texto do acordo de 1990", os princípios metodológicos visam respeitar a lição do texto do acordo, além de estabelecer uma linha de coerência do texto como um todo, acompanhar o espírito simplificador do texto e preservar a tradição ortográfica refletida nos formulários e vocabulários oficiais anteriores.

Foram adotadas 15 medidas para suprimir dúvidas ou possíveis ambiguidades no texto do acordo ortográfico.

Bechara ressalta ainda no comunicado que a realização deste trabalho permite que a ABL traga uma "contribuição relevante ao sonho de unificação ortográfica acalentado por tantos filólogos portugueses e brasileiros".

"Sonho"
De acordo com o acadêmico, a elaboração do futuro Vocabulário Ortográfico Comum da Língua Portuguesa representa a concretização de "sonho dos fundadores da ABL em 1897".

O acordo que unifica a ortografia, aprovado há 18 anos, não podia entrar em vigor sem ser ratificado por pelo menos três parlamentos de países de língua portuguesa.

Portugal, Brasil, São Tomé e Príncipe e Cabo Verde já ratificaram o texto, faltando ainda Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e Timor Leste.

No Brasil, o acordo foi regulamentado pelos decretos assinados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a 29 de setembro de 2008, e entrou em vigor em 1º de janeiro deste ano.

O Brasil cedeu em seis pontos principais: o fim do hífen, do trema, do acento circunflexo nos verbos no plural, a mudança do acento em ditongos abertos e a inserção de letras k,y,w no analfabeto.

Em Portugal, as mudanças deverão modificar 1,42% do dicionário português. Os brasileiros, por seu turno, terão de alterar apenas 0,43%.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Escritores lusos defendem integração entre Portugal e Brasil

Rio de Janeiro, 8 julho 2008 (Lusa) - Os escritores portugueses Inês Pedrosa e José Luís Peixoto, que estão no Rio de Janeiro, defenderam a integração das literaturas e a necessidade de maior cooperação entre Brasil e Portugal.

Contrária à uniformização das línguas, Inês Pedrosa pede um "contato mais firme entre os dois países".

"Eu concordaria se esta uniformização fosse por razões estratégicas de expressão portuguesa. Este é o grande argumento para o acordo ortográfico, mas acho que o acordo ortográfico que acabou por se impor é um acordo desacordado. Pois a acentuação continuará a ser diferente e as palavras continuarão a ser escritas de acordo com a pronúncia", disse.

A autora lançou no Rio o seu mais recente romance, "A Eternidade e o Desejo", da editora Alfaguara, o primeiro livro ambientado no Brasil. Na mesma sessão, José Luís Peixoto lançou a sua obra mais recente em edição brasileira, Cemitério de Pianos, pela editora Record.

Para o jovem escritor, a opção de manter a escrita original, sem adaptar para o português do Brasil, aproxima leitores e escritores dos dois países.

"Para qualquer autor português lançar um livro no Brasil é muito gratificante. Os livros publicados aqui são exatamente os publicados em Portugal, o que faz um serviço para a aproximação e acaba por ser um enriquecimento mútuo para os dois países e para as duas maneiras de viver a língua portuguesa", afirmou.

Defesa do acordo

O embaixador de Portugal no Brasil, Francisco Seixas da Costa, declarou que a nova literatura portuguesa já é apreciada no Brasil, mas defende ser necessária uma sintonia de interesses e de estilos para que as literaturas dos dois países se "interpenetrem".

Sobre o acordo ortográfico, o embaixador realçou que o mesmo é "útil no plano da utilização da língua como um fator de poder para todos os países que falam português".

Segundo o diplomata, o acordo não vai ter "implicação na circulação da literatura, e sim na promoção da língua portuguesa".

"Não vamos uniformizar nem a maneira de falar, nem a maneira de construir as frases ou mesmo o vocabulário. O acordo não é da língua portuguesa, é da ortografia da língua. A diversidade será mantida", disse.