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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Manual de instruções para perceber a tensão entre Angola e Portugal



16 Outubro 2013, Jornal de Negócios http://www.jornaldenegocios.pt (Portugal)

Por Celso Filipe cfilipe@negocios.pt

As críticas de José Eduardo dos Santos em relação à "cúpula" e ao "clima político actual reinante" entre Portugal e Angola fizeram tremer as relações bilaterais.

O presidente angolano disse, em 15 de Outubro, que esta situação não aconselha à criação de uma "parceria estratégica" e as reacções às suas palavras demonstraram, à sociedade, a componente emocional que caracteriza as relações entre os dois países. O Negócios explica-lhe os factos que conduziram a estas declarações e dá resposta às dúvidas que entretanto se foram colocando.

Qual é a causa desta crise nas relações institucionais entre Portugal e Angola?
O pedido de desculpas que Rui Machete fez às autoridades angolanas pelas investigações judiciais a altas figuras do Estado daquele país, especialmente o vice-presidente da República, Manuel Vicente, e o chefe da Casa Militar, general Manuel Hélder Vieira Dias ("Kopelipa") e que foi conhecido em 4 de Outubro. Em Portugal, esta atitude foi altamente criticada, tendo o ministro dos Negócios Estrangeiros sido acusado de ser subserviente em relação a Angola. Em resposta, o "Jornal de Angola", através de editoriais e artigos de opinião adoptou uma posição particularmente dura, falando inclusive em "parlamentares e figuras públicas portuguesas, altamente corruptas".

Quanto à investigação em si, a publicação sublinhava em 12 de Outubro: "O Ministério Público em Portugal é independente, faz gala da sua independência, mas depois alimenta manchetes na imprensa portuguesa que apenas visam julgamentos populares na praça pública, cujas vítimas inocentes são titulares dos nossos órgãos de soberania. Investiguem quem quiserem. Mas não violem o segredo de justiça para assassinarem a honra de altas figuras do Estado angolano."

Qual foi a reacção do Governo português?
Passos Coelho desvalorizou as críticas feitas a Rui Machete, considerando que as suas declarações não tinham a gravidade que a oposição lhes queria imputar.