5 março 2014, Jornal de Angola EDITORIAL
http://jornaldeangola.sapo.ao (Angola)
O Departamento de Estado divulgou um relatório
onde afirma que os órgãos de comunicação social em Angola são controlados pelo
Estado. Estas coisas ditas ao balcão de um bar, numa amena conversa em estúdios
de televisão ou ao estilo de anedota, não merece qualquer reparo.
Mas dada a sua origem, obriga pelo
menos a uma reflexão séria para que os argumentos invocados sejam bem
clarificados, analisados com seriedade e contraditados.A CNN está em Angola.
Com esta estação dos EUA estão mais largas dezenas de canais instalados na ZAP,
TV Cabo ou DSTV, de todas as nacionalidades. O Estado nada tem a ver com isso e
nunca interferiu nos conteúdos. Em democracia até a propaganda hostil
apresentada como informação, tem pernas para andar. Cabe aos consumidores
avaliarem as diferenças. O problema é que o bombardeamento informativo a que
estão sujeitos impede uma leitura clara do que é informação e o que é puro
ruído, a forma mais eficaz de censura. Para destrinçar entre a informação e a
propaganda da CNN, da BBC, RFI, RTP ou outro qualquer canal das grandes
democracias ocidentais, é preciso tirar um curso superior. E mesmo assim, as probabilidades
de errar são enormes.
Muitas vezes (demasiadas) figuras públicas da política, da ciência, das artes, da economia e das finanças chancelam campanhas de propaganda agressivas, que desvirtuam a verdade dos factos, apresentando as suas simples opiniões como verdades absolutas. Detectar estes movimentos