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segunda-feira, 10 de março de 2014

CRISES, OS DESENLACES POSSÍVEIS

Resistir.info http://www.resistir.info (Portugal)

por Jorge Figueiredo

Ninguém a culpar pelas crises!
Sobre nós, imutáveis e inescrutáveis, dominam
As leis da teoria económica.
E catástrofes naturais repetem-se
Em ciclos terríveis. 

Bertold Brecht, Santa Joana dos Matadouros

No one's to blame for crises!
Over us, changeless and inscrutable, rule
The laws of economics.
And natural catastrophes recur
In dreadful cycles.

Bertolt Brecht, Saint Joan of the Stockyards

Na linguagem corrente, quando se fala em saída da crise a maioria das pessoas pensa na recuperação dos níveis de emprego e de crescimento. No entanto, na óptica da classe dominante, saída da crise significa outra coisa:   trata-se, sim, do restabelecimento da taxa de lucro para os níveis que consideram normais. Esta ambiguidade de linguagem tem sido útil para os comentaristas económicos que grassam na TV portuguesa: tais confusões facilitam o trabalho deles de desinformação.

Há numerosas saídas possíveis de uma crise económica mas isso raramente é mencionado. Uma boa tipologia para caracterizar as possíveis saídas de uma crise é examinar o que se segue à descida ao "fundo do poço". Grosso modo, os gráficos assemelham-se às seguintes letras:

A saída em V é a clássica dos ciclos de conjuntura normais do capitalismo. Depois de atingir o mínimo há uma vigorosa retomada das taxas de lucro (e consequentemente do produto e do emprego). Foi este tipo de saída que se verificou ao longo dos 30 anos gloriosos que se seguiram à II Guerra. Era o tempo em que os economistas do sistema tinham a pretensão de poder controlá-lo e