22 fevereiro 2015, Blog do Miro http://altamiroborges.blogspot.com
(Brasil)
Por Conceição Oliveira, no blog Maria Frô:
Michelle D. Vieira é funcionária da Petrobras. Em seu Facebook, escreveu um dos documentos mais representativos sobre o jornalismo ficcional praticado pela Globo. É um primor, vale cada linha.
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Michelle D. Vieira é funcionária da Petrobras. Em seu Facebook, escreveu um dos documentos mais representativos sobre o jornalismo ficcional praticado pela Globo. É um primor, vale cada linha.
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Carta aberta à Leticia Fernandes e ao jornal O Globo
Por Michelle Daher Vieira em seu Facebook
Antes de tudo, gostaria de deixar bem claro que não estou falando em nome da Petrobras, nem em nome dos organizadores do movimento “Sou Petrobras”, nem em nome de ninguém que aparece nas fotos da matéria. Falo, exclusivamente, em meu nome e escrevo esta carta porque apareço em uma das fotos que ilustram a reportagem publicada no jornal O Globo do dia 15 de fevereiro, intitulada “Nova Rotina de Medo e Tensão”.
Fico imaginando como a dita jornalista sabe tão detalhadamente a respeito do nosso cotidiano de trabalho para escrever com tanta propriedade, como se tudo fosse a mais pura verdade, e afirmar com tamanha certeza de que vivemos uma rotina de medo, assombrados por boatos de demissões, que passamos o dia em silêncio na ponta das cadeiras atualizando os e-mails apreensivos a cada clique, que trabalhamos tensos com medo de receber e-mails com represálias, assim criando uma ideia, para quem lê, a respeito de como é o clima no dia a dia de trabalho dentro da Petrobras como se a mesma o estivesse vivendo.
Acho que tanta criatividade só pode ser baseada na própria
realidade de trabalho da Letícia, que em sua rotina passa por todas estas
experiências de terror e a utiliza para descrever a nossa como se vivêssemos a
mesma experiência. Ameaças de demissão assombram o jornal em que ela trabalha,
já tendo vários colegas sendo demitidos [1], a rotina de e-mails com
represálias e determinando que tipo de informação deve ser publicada ou
escondida devem ser rotina em seu trabalho [2], sempre na intenção de
desinformar a população e