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outubro 2016, Marcelo Auler http://marceloauler.com.br (Brasil)
Eugênio José Guilherme de Aragão*
A liturgia do cargo público não é mero exercício de vaidade e de ego.
Ela é um marco do republicanismo, que determina ser o exercício de função
pública uma atividade impessoal. Quem está investido nela não deve a enxergar
como um galardão adquirido em razão de qualidades pessoais, mas precisamente
porque foi chamado a servir ao público. A liturgia lhe serve de proteção, para
qualificar a função e não a si.
Juízes, por exemplo, lidam diariamente com conflitos. Ao decidirem sobre
uma causa, tornam um dos litigantes vencedor e outro perdedor. Aquilo que pode
significar, para o magistrado, apenas um