30 agosto 2016, Resistência http://www.resistencia.cc
Por Wevergton Brito Lima*
Existem
momentos históricos que só ganham este status depois de passados muitos anos. A
execução, em 21 de abril de 1792, de Joaquim José da Silva Xavier, o
Tiradentes, por exemplo, só passou a ter a dimensão merecida várias décadas
depois. Hoje, chega-se ao ponto de uma tal unanimidade em relação a ele que até
mesmo um Silvério dos Reis moderno como José Serra considera o alferes um herói
da independência. Hipocrisias como esta do Serra não deixam de ser uma vitória
(ainda que tardia) do heroísmo sobre a perfídia.
Os que
assistiram a execução de Tiradentes, no Rio de Janeiro, no entanto,
presenciaram discursos onde se louvava a “misericórdia” de “Nossa Senhora
Rainha Dona Maria I”, que não condenou o réu a uma “morte cruel” ou “atroz”,
mas apenas a que “com baraço
e pregão seja conduzido pelas ruas públicas ao lugar da forca e nela morra
morte natural para sempre, e que depois de morto lhe seja cortada a cabeça e
levada a Vila Rica, aonde em lugar mais público dela será pregada, em um