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quinta-feira, 17 de abril de 2008

Timor quer ajuda do Brasil para formação militar de pilotos

Brasília, 16 abril 2008 (Lusa) – O Timor Leste vai pedir ajuda ao Brasil para formar pilotos da futura componente aérea das suas Forças de Defesa, disse nesta quarta-feira à Lusa, em Brasília, o chefe do Estado-Maior do Exército timorense.
Segundo o coronel Lere Anan, o pedido será feito durante a 10ª Reunião dos Chefes de Estado-Maior-General das Forças Armadas da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que acontece em Brasília até sexta-feira, e na qual participa uma representação do Timor Leste.
"O Brasil e Portugal sempre contribuíram de forma significativa no âmbito da defesa e segurança, mas agora há uma diferença em relação ao passado. Antes estávamos submetidos às ofertas, mas agora queremos que as ofertas sejam feitas mediante as necessidades", destacou.
O coronel Lere Anan lembrou que Timor Leste tem um plano delineado para o desenvolvimento das suas forças de defesa, conhecido como 20/20, e que os pedidos a serem feitos a Portugal e ao Brasil devem seguir as estratégias a serem adotadas até 2020.
Além do Exército, as Falintil-Forças de Defesa de Timor Leste já integram uma componente naval, dotada de duas lanchas oferecidas por Portugal.
O plano 20/20 prevê a existência de uma componente aérea das F-FDTL.
Questionado pela Lusa sobre a reivindicação timorense de formação para a componente aérea, o Almirante-de-Esquadra brasileiro Marcos Torres, chefe do Estado-Maior de Defesa, disse que o pedido terá que ser analisado.
"Nós vamos precisar estudar [o pedido do Timor Leste]. Somos sensíveis às reivindicações timorenses, mas isso tem o seu custo. É uma situação muito difícil, passa pelo apoio logístico ao Timor Leste, que é bastante longe do Brasil, e nós temos sérios problemas de orçamento", destacou o oficial brasileiro.
Em relação à crise do Timor Leste, que culminou com os atentados contra o presidente da República, José Ramos-Horta, e o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, em 11 de fevereiro, o coronel Lere Anan disse que é a "dor do crescimento".
"Qualquer processo tem altos e baixos e eu tenho toda a garantia que Timor caminhará no sentido de uma nação estável, um país democrático dentro da região", salientou.
De acordo com o coronel Lere, a crise iniciada com os peticionários fez com que os efetivos das F-FDTL ficassem reduzidos a metade, para 700 homens.
"O nosso problema é que, muitas vezes, se politiza tudo. Nesse caso concreto, o problema deveria ser resolvido militarmente e os políticos não teriam que politizar a situação", defendeu.
O chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal, general Valença Pinto, disse, por sua vez, esperar que Timor Leste encontre o seu caminho.
"Desejamos que o processo de consolidação da paz e da segurança interna seja bem sucedido e chegue a bom porto. Portugal estará sempre na primeira linha daqueles que estão muito empenhados nisso", destacou.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Timor-Leste/Tribunal viu «entrevista» de Reinado, julgamento adiado

Dili, 24 janeiro 2008 - Alfredo Reinado não compareceu hoje à segunda sessão do seu julgamento em Díli, mas o Tribunal de Recurso de Timor-Leste visionou uma "entrevista" do major fugitivo num vídeo de 59 minutos.
Devido à ausência de Alfredo Reinado, principal arguido no processo, o julgamento foi adiado para 04 de Março.
Apenas estiveram presentes no Tribunal de Recurso dois arguidos que se encontram em prisão preventiva, Nixon Galucho e José Soares.
Alfredo Reinado, figura relevante da crise de 2006 em Timor-Leste, é acusado dos crimes de homicídio, rebelião contra o Estado e posse ilegal de material de guerra.
No vídeo, que tem sido divulgado em disco e pela Internet e que se pode comprar nas ruas de Díli, Alfredo Reinado faz acusações graves contra o actual primeiro-ministro, Xanana Gusmão.
"Ele é o autor da crise", acusa o militar fugitivo.
"Ele planeou tudo. Se eu for para a cadeia, ele irá também por muito mais tempo", afirma o ex-comandante da Polícia Militar sobre Xanana Gusmão, a quem chama de "mentiroso".
O major fugitivo, falando em tétum e em inglês, faz várias ameaças e pede "aos jovens lorosae e aos jovens loromonu (dos distritos ocidentais e dos distritos orientais do país) que não adorem um governo que (os) traiu".
"Ouçam, esperem. Se houver festa, eu dou-vos convite", pede Alfredo Reinado, insistindo no seu "direito de levantamento pela pátria".
"Não sabemos se pode surgir uma guerra civil", diz.
"Temos que nos levantar juntos e salvar a nação", afirma ainda Alfredo Reinado.
"Esta é uma democracia já velha e azeda, mas há muitos líderes que ainda são bons", acrescenta.
O major fugitivo avisa os investidores estrangeiros "a porem o seu dinheiro noutro local qualquer".
Para resolver "a crise", Alfredo Reinado pede à ONU que "dissolva o Governo, entregue o poder ao Presidente da República (José Ramos-Horta) e dê escolha ao povo" através de um referendo como o de 1999.
O presidente do colectivo de juízes, Ivo Rosa, decidiu pelo visionamento integral em audiência do vídeo de Alfredo Reinado depois do Ministério Público pedir a junção da gravação ao processo.
Só dessa maneira, explicou o magistrado, se podia apurar se o filme era ou não relevante como meio adicional de prova.
O colectivo deferiu o pedido do Ministério Público.
Além de dois longos monólogos de Alfredo Reinado, a gravação inclui imagens do major com o seu grupo de homens armados, numa paisagem montanhosa.
"Trata-se de uma mera entrevista do arguido em data que se desconhece, (com um) entrevistado que se desconhece, certamente para acontecimentos muito posteriores à data da acusação", argumentou o advogado de Alfredo Reinado, Paulo dos Remédios, após o visionamento.
O advogado, que é também assessor da Presidência da República, defendeu que o vídeo "não traz elementos novos probatórios".
O tribunal, no entanto, considerou que a gravação é relevante porque confirma que o grupo de Alfredo Reinado "continua na posse de armas e de uniformes supostamente pertencentes ao Estado timorense" e ao seu Exército.
Antes da audiência, no exterior do Tribunal de Recurso, ocorreu um incidente entre elementos da unidade que foi comandada por Alfredo Reinado, a Polícia Militar (PM), e oficiais das Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste (F-FDTL) e da Polícia das Nações Unidas (UNPol).
A discussão começou após a revista feita por elementos da PM a elementos das F-FDTL, incluindo o tenente-coronel Falur.
Na sequência da discussão, um membro australiano da UNPol foi agredido por um militar timorense.
Elementos da UNPol ordenaram a vários jornalistas presentes que "apagassem as imagens" do incidente.
Posteriormente, um polícia da UNPol tentou obter cópia das mesmas imagens junto da delegação da RTP em Díli.
Ficou sem resposta um pedido da Lusa à UNPol sobre a natureza do incidente junto ao Tribunal de Recurso e a origem da ordem policial junto dos jornalistas. (Notícias Lusófonas)