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segunda-feira, 23 de março de 2009

Guiné-Bissau/UEMOA disponibiliza fundos para apoiar estabilização económica e financeira

Praia, Cabo Verde, 23 março 2009 - A União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA) criou um fundo especial de 100.000 milhões de Francos CFA para apoiar, ao longo dos próximos anos, a estabilização económica da Guiné-Bissau.

A decisão foi tomada quinta-feira na 13ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Económica e Monetária Oeste-Africana (UEMOA), que decorreu em Ouagadougou (Burkina Faso), e foi divulgada na sexta-feira na Praia pelo chefe da diplomacia cabo-verdiana, José Brito.

A ajuda, com carácter de emergência, destina-se, em parte, a apoiar o défice orçamental do país, devendo, em breve, ser desbloqueada uma primeira fatia no valor de 25.000 milhões de Francos CFA para resolver os problemas mais prementes, como pagar os salários em atraso na função pública.

Na cimeira da UEMOA, que além da Guiné-Bissau congrega os oito países da sub-região oeste-africana que utilizam o Franco CFA como moeda – Benin, Burkina Faso, Costa do Marfim, Mali, Níger, Senegal e Togo - foi também decidido um plano de acção para apoiar a Guiné-Bissau ao longo dos próximos anos.

O plano, que prevê outras medidas de cariz económico e financeiro para ajudar a Guiné-Bissau a reerguer-se, surgiu na sequência dos assassínios, no início deste mês, do presidente da República e do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses, João Bernardo “Nino” Vieira e general Tagmé Na Waié. (macauhub)

quinta-feira, 5 de março de 2009

Guiné-Bissau/Grupo do Rio condena assassínios de Nino e de Tagmé Na Wai

4 março 2009

O Grupo do Rio, que reúne os governos de 23 países latino-americanos condenou na terça-feira os assassínios do Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira e do chefe militar, general Batista Tagmé Na Wai.

Na sua reunião na capital do México, país que assegura o secretariado "pró tempore", o Grupo do Rio subscreve, em comunicado, o apelo da comunidade internacional para que a Guiné-Bissau "possa superar com a maior brevidade esta crise política".

O apelo do Grupo do Rio é no sentido que o retorno à normalidade se faça "dentro da ordem constitucional e na base do estado de direito e da democracia".

O Grupo do Rio é integrado por Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Jamaica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, república Dominicana, Uruguai e Venezuela. (Notícias Lusófonas)

quarta-feira, 4 de março de 2009

CPLP trabalha para liderar desenvolvimento da Guiné-Bissau

Lisboa, 3 março 2009 (Lusa) - A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) quer ser um dos principais parceiros no desenvolvimento da Guiné-Bissau e apoiar a realização das eleições presidenciais após o assassinato do presidente Nino Vieira, disse nesta terça-feira o diretor-geral da organização.

"Durante a crise de 1998, os guineenses perceberam a importância da CPLP e todos os estados-membros também. Estamos a viver um momento semelhante em termos de gravidade e a CPLP também quer tornar-se num dos principais parceiros no desenvolvimento da Guiné-Bissau", defendeu hoje Hélder Vaz.

O responsável falava aos jornalistas durante a 18ª Reunião Ordinária de Pontos Focais de Cooperação da CPLP, que ocorre hoje e quarta-feira em Lisboa.

Hélder Vaz presidiu à reunião em substituição do secretário-executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, que integra a missão da organização à Guiné-Bissau.

Para o responsável, as mortes do presidente guineense, Nino Vieira, e do chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, são "acontecimentos gravíssimos e motivo de "grande consternação".

"Estamos preocupados com o futuro da Guiné-Bissau e os sucessivos desacatos são tiros na esperança e no bem-estar de um estado-membro", acrescentou.

No entanto, Hélder Vaz assumiu que a CPLP impôs uma condição para tornar-se num dos principais parceiros no desenvolvimento da Guiné-Bissau: que as instituições, tanto políticas, como sociais e militares guineenses entendam que é necessário dar fim à instabilidade.

"Não é possível promover o desenvolvimento num contexto de violência", defendeu.

O diretor-geral da CPLP disse ainda que a organização pretende "fazer com que a comunidade internacional entenda que a questão da Guiné-Bissau é também a falta de meios financeiros, que levou à ruptura dos meios do Estado".

"É preciso atuar sobre as causas, que são de natureza econômica e social. É preciso ajudar a Guiné-Bissau a encontrar meios financeiros e políticos sustentáveis e não apoios pontuais em alturas de crise", acrescentou.

Questionado sobre a realização das eleições na Guiné-Bissau, que de acordo com a Constituição guineense terão de acontecer dentro de 60 dias, Hélder Vaz disse que essa é uma questão interna, mas adiantou que a CPLP "está disponível para ajudar em todas os campos".

A reunião dos Pontos Focais da CPLP ocorre na sede da organização, em Lisboa, que tem a bandeira a meio pau.

Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.

Textos anteriores

Fronteiras da Guiné-Bissau são reabertas nesta terça-feira
Capital guineense retorna à normalidade após assassinatos
Guiné-Bissau não recebe atenção necessária, diz embaixador

segunda-feira, 2 de março de 2009

Guiné-Bissau/ASSASSINADOS PRESIDENTE E CHEFE DO ESTADO-MAIOR DAS FORÇAS ARMADAS

Presidente de Guiné-Bissau é morto por soldados

2 março 2009/BBC Brasil

Fonte: Pátria Latina http://www.patrialatina.com.br

O presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira (foto), foi morto por soldados nesta segunda-feira, horas depois de o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do país, o general Tagme Na Waie, ter sido assassinado em um ataque a bomba, no domingo.
Segundo um porta-voz do Exército, Vieira, de 69 anos, teria sido morto a tiros quando tentava fugir de sua casa, que estava sendo atacada. Há relatos de que a residência tenha sido saqueada pelos soldados.
O Exército responsabiliza o presidente pela morte de Tagme Na Waie.
"Ele era um dos principais responsáveis pela morte de Tagmeh", afirmou o chefe militar de Relações Exteriores, Zamura Induta. "Agora, o país vai avançar. Este homem bloqueava tudo neste pequeno país", completou o oficial.
João Bernardo Vieira, conhecido como "Nino", controlou Guiné-Bissau por quase 23 anos. Ele havia sido reeleito para a Presidência do país do Oeste africano em 2005, após passar nove anos fora do poder. Ele havia sido deposto durante uma guerra civil que durou 11 meses.
Em 23 de novembro, um grupo militar já havia atacado a residência de Vieira, em uma ação que matou dois seguranças.
Guiné-Bissau tem um histórico de golpes e motins desde que se tornou independente de Portugal, em 1974.
Nos últimos anos, o país se tornou uma rota do tráfico de drogas da América Latina para a Europa, o que, na opinião dos analistas, contribui ainda mais para abalar as já fragilizadas instituições estatais.
O governo de Portugal divulgou um comunicado dizendo que iria convocar uma reunião de emergência da Comunidade Portuguesa de Língua Portuguesa (CPLP) para debater os acontecimentos em Guiné-Bissau.
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ONU anuncia reunião para debater situação na Guiné-Bissau

Lisboa, 2 março 2009 (Lusa) - A ONU está acompanhando “com preocupação” a situação na Guiné-Bissau, na sequência do assassinato do presidente “Nino” Vieira, segundo o porta-voz da organização em Bissau, que anunciou para terça-feira uma reunião da comunidade internacional para debater o assunto.

Vladimiro Monteiro disse que a reunião com o ministério das Relações Exteriores "é a única decisão que foi tomada" numa reunião de representantes da comunidade internacional, que aconteceu nesta manhã.

Segundo a mesma fonte, o encontro com o Executivo guineense servirá para “abordar e esclarecer a situação" que levou ao assassinato, nas últimas horas, do presidente da República, “Nino” Vieira, e, no domingo, do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié.

No encontro das últimas horas participaram representantes diplomáticos de Angola, Portugal, França, Nigéria, Espanha, Cuba, Guiné-Conacri, Nigéria, Gâmbia, Brasil, Comissão Europeia, Nações Unidas, Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

"Estamos a acompanhar (a situação) com atenção e preocupação. Apelamos a que as instituições republicanas sejam respeitadas", afirmou o responsável das Nações Unidas.

Questionado sobre a possibilidade de o assassinato de Vieira ter sido uma represália após a morte de Tagmé Na Waié, na noite de domingo, o porta-voz da ONU recusou-se a comentar.

"Não podemos comentar nada disso (...) ainda não tivemos os contatos com as autoridades", disse Monteiro.
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Angola/Luanda condena veementemente assassinato de Nino Vieira

Luanda, 2 março 2009 (Lusa) - O Governo de Angola condena “veementemente” a violência que levou à morte o presidente da Guiné-Bissau, “Nino” Vieira, disse nesta segunda-feira à Agência Lusa o chefe de gabinete do ministro angolano das Relações Exteriores.

Abreu de Barganha já hoje tinha condenado com a mesma expressão a morte do Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas guineenses, general Tagmé Na Waié.

Sobre o assassinato de João Bernardo “Nino” Vieira, o chefe de Gabinete do ministro Assunção dos Anjos, adiantou que o Governo acolheu a notícia da morte do presidente guineense com “muita tristeza”.

“Lamentamos e condenamos veementemente” a forma como ocorreu a morte de “Nino” Vieira, disse.

Abreu de Barganha remeteu uma posição mais detalhada do executivo de Luanda para um comunicado oficial que será divulgado nas próximas horas.

O presidente da Guiné-Bissau, "Nino" Vieira, morreu esta madrugada na sequência de um ataque contra a sua residência.

A casa do chefe de Estado guineense foi atacada na madrugada de hoje por militares das Forças Armadas, poucas horas após o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, ter morrido num atentado à bomba.

Sobre as informações não oficiais que apontam a Embaixada de Angola em Bissau como local de refúgio da mulher de "Nino" Vieira, o porta-voz do ministério não comentou.

O Governo angolano tem estado na linha da frente das iniciativas diplomáticas para normalizar a agitação político-militar na Guiné-Bissau, incluindo apoio financeiro para a estabilização do país.

Na recente visita que o primeiro-ministro guineense, Carlos Gomes Júnior, realizou a Angola, Luanda disponibilizou uma linha de crédito estimada, embora com detalhes ainda por definir, em cerca de US$ 30 milhões.

Na ocasião, Gomes Júnior considerou este apoio financeiro de Luanda como “essencial para a estabilização política e social” da Guiné-Bissau.

No campo diplomático, Luanda tem igualmente mantido um esforço continuado para a estabilização da Guiné-Bissau, sendo disso exemplo as visitas que Tagmé Na Waié e o presidente João Bernardo "Nino" Vieira fizeram a Angola em 2008.

Nas legislativas de novembro, na Guiné-Bissau, a equipe de observadores eleitorais da CPLP foi chefiada por Norberto dos Santos "Kwata Kanawa", deputado do MPLA, partido no poder em Luanda.

Além da diplomacia, Luanda mantém fortes interesses econômicos na Guiné-Bissau, sobretudo nas áreas da exploração de minerais e no petróleo.

Textos anteriores

Militares dizem que vão respeitar instituições guineenses
Portugal lamenta assassinato do presidente da Guiné-Bissau
Explosão em quartel-general mata ao menos 3 na Guiné-Bissau